maio 27 2010

‘Olhos Azuis’ aborda drama de um brasileiro nos EUA

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Vencedor do Festival de Paulínia 2009, longa de José Joffily cruza duas histórias e compõe contrastes

Estadão, 27/05/2010
Por Reutrers

SÃO PAULO – Vencedor do principal prêmio do Festival de Paulínia do ano passado, “Olhos Azuis”, dirigido por José Joffily, traz Irandhir Santos (”Quincas Berro D’Água”) no papel de Nonato, um brasileiro que construiu sua vida nos Estados Unidos e é impedido de entrar novamente no país depois de passar férias em sua terra natal. O filme, roteirizado por Paulo Halm e Melanie Dimantas, estreia em circuito nacional.

Irandhir Santos no papel de Nonato, brasileiro que vive nos EUA

Irandhir Santos no papel de Nonato, brasileiro que vive nos EUA

Há duas linhas narrativas em “Olhos Azuis”. A primeira é um embate entre Nonato e um oficial da imigração norte-americana, Marshall (David Rasche, de “Queime depois de ler”), numa pequena sala num aeroporto. O brasileiro acaba de chegar de viagem e é barrado – num processo aleatório, no qual um grupo de americanos escolhe meia dúzia de passaportes e resolve questionar essas pessoas que tentam entrar no país.

Marshall trabalha com dois colegas, Sandra (Erica Gimpel) e Bob (Frank Grillo), e está em seu último dia de atividade. Ele foi forçado a se aposentar e deverá passar o cargo. Ele não está em seu estado normal, bebeu demais e está disposto a comprar briga com qualquer pessoa.

Na outra linha, o mesmo Marshall já não é mais o mesmo sujeito bem arrumado e barbeado que barrava as pessoas que queriam entrar nos EUA. Mais velho e desleixado com a aparência, ele está no Brasil, em busca de uma garotinha cuja imagem ele vê numa câmera.

Aos poucos, a história de “Olhos Azuis” se abre e descobrimos que o americano está no país em busca da filha de Nonato e crê ter uma dívida com ela. Não é difícil de imaginar, em poucos minutos de filme, que o conflito entre Nonato e Marshall não acabou bem. No entanto, as duas tramas vão se entrecortando ao longo de quase duas horas de filme.

Joffily é um diretor com experiência em ficção (”Dois Perdidos numa noite suja”, “Achados e Perdidos”) e documentários (”Vocação do Poder”). Neste novo filme, imprime tensão nas duas narrativas, construídas em cima da dúvida de como os personagens chegaram no ponto em que estão.

Tecnicamente, o filme também deixa bem clara cada história, com fotografia diferente para cada uma. Nos Estados Unidos, todas as cenas são na sala do aeroporto, com planos mais fechados e iluminação artificial. No nordeste do Brasil, as cenas são bem iluminadas, quase sempre com luz natural, e os planos valorizam a paisagem local.

Apesar de sua boa intenção, em alguns momentos, “Olhos Azuis” esbarra em inconsistências. No Brasil, Marshall recebe ajuda de uma garota de programa (Cristina Lago, de “Maré – Nossa história de amor”). Ela é mais um catalisador na narrativa do que um personagem. Com domínio bastante bom do inglês, ela serve de ponte para o americano em sua investigação. No entanto, ela nunca questiona ou estranha essa busca. O mesmo acontece com as pessoas que cruzam os caminhos da dupla, que sempre fornecem informações sem a menor cautela.

Em meio a essas fragilidades, ganha força então o trabalho do ator pernambucano Irandhir Santos – em seu terceiro filme a chegar às telas no mês de maio. Além de “Olhos Azuis” e “Quincas Berro D’Água”, ele é o narrador de “Viajo porque preciso, volto porque te amo”. Aqui, ele é a alma desesperada do filme, um personagem preso no limbo de um aeroporto, sem pertencer nem ao Brasil nem aos Estados Unidos. A imagem de desespero de Nonato é o que fica gravado do filme. (Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

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Via Estadão

maio 21 2010

Ator pernambucano em dose dupla no cinema

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Irandhir Santos interpreta o cabo Martin, no Quincas Berro D’água, que estreia nesta sexta-feira (21)

Da Redação do pe360graus.com, 21/05/2010

Um ator pernambucano vai brilhar em dois filmes, um deles com estreia marcada para esta sexta-feira (21). Irandhir Santos interpreta o cabo Martin, no Quincas Berro D’água. “Ele é o motor que proporciona este cortejo festivo, do morto mais vivo do que muitos vivos. É uma comédia que vai vir para pegar a família e os amigos”, contou.

Além desse filme, ele aparece em Olhos Azuis. “Ele fala sobre o momento do estrangeiro em um país distante. Como relacionar a diferença entre nações”, disse. O filme reúne atores de vários países, como Argentina e Estados Unidos. A estreia está prevista para a próxima sexta-feira (28).

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A seguir entrevista exibida no Bom Dia Pernambuco (21/05/2010).

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maio 18 2010

Em “Tropa de Elite 2″, Irandhir Santos diz que seu personagem pode ”peitar” até o Capitão Nascimento

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Cinema UOL, 15/05/2010
Por Alysson Oliveira

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O ator pernambuco Irandhir Santos posa para foto em São Paulo

Quando o diretor Sérgio Machado estava fazendo a seleção de elenco para seu filme “Quincas Berro D’Água”, diversas pessoas chegavam até ele com o mesmo comentário. “Você precisa conhecer esse tal de Irandhir Santos. Ele é um gênio”. Depois de tanta insistência, o cineasta já estava certo de que o ator estaria em seu filme. Mesmo assim, pediu para o “gênio” fazer um teste. E qual não foi a sua surpresa? Irandhir era mesmo um gênio.

Quando se lembra dessa história, que Machado contou na coletiva do filme em São Paulo, o ator ri e desconversa. “As pessoas só falavam bem por que paguei para elas fazerem propaganda de mim”, brinca. Alguém desavisado pode até acreditar, mas quem acompanha cinema brasileiro já deve ter percebido que Irandhir Santos é um dos nomes do momento, e não apenas porque só no mês de maio estreiam três filmes nos quais ele tem papeis importantes, “Viajo porque preciso, Volto porque te amo”, “Quincas Berro D’Água” e “Olhos Azuis”. Mas também porque no segundo semestre ele estará nas telas em um dos filmes mais aguardados do ano, “Tropa de Elite 2”.

No filme de José Padilha ele faz Diogo Fraga, um defensor dos direitos humanos que, segundo o ator, “diz não à política de segurança pública, uma política de repressão contra os pobres, os moradores dos morros”. Em outras palavras, ele bate de frente com o ex-capitão, agora coronel Nascimento (novamente interpretado por Wagner Moura)? “Ele peita qualquer personagem que seja a favor dessa truculência, desse domínio vigente. Qualquer um mesmo, até o Nascimento, se ele foi a favor dessa política”, disse Santos ao UOL Cinema.

O personagem foi um convite de Padilha, que também tinha ouvido só elogios sobre o ator vindos do diretor de fotografia Lula Carvalho e da respeitada preparadora de elenco Fátima Toledo, que havia trabalhado com Santos em “Besouro” (2009) e em “Quincas Berro D’Água”. Fraga, segundo o ator, foi inspirado no deputado estadual carioca Marcelo Freixo (PSOL). “Ele e a Fátima me ajudaram muito a construir esse personagem. Mesmo antes de começar a preparação, fiz pesquisas sobre o assunto e o nome dele sempre aparecia ligado à defesa dos direitos humanos no Rio. Quando fiquei sabendo que o Diogo era baseado nele, me emocionei”, admite. O político, inclusive, não apenas ajudou na preparação para o personagem, como também visitou o set diversas vezes e acabou fazendo uma ponta no filme, na plateia durante um debate.

Santos, que no longa contracena bastante com Wagner Moura, Maria Ribeiro e Pedro Van Held, disse que só percebeu a dimensão do filme quando as filmagens encerraram e ele voltou para sua casa, em Recife, e todo mundo começou a perguntar como seria “Tropa de Elite 2”. “Isso nunca tinha me acontecido antes. Todo mundo está curioso para saber como será. O que eu posso adiantar é que, com certeza, o filme vai levantar muita discussão, pois esse é o ponto forte do cinema do Padilha, trazer à tona questões importantes que precisam ser discutidas”.

Antes e depois da “Tropa”

Antes de “Tropa de Elite 2”, o ator poderá ser visto nas telas em trabalhos que a única coisa que têm em comum é a presença de Santos. São três filmes e personagens bastante diferentes. Em cartaz em diversas cidades do país está “Viajo porque preciso, Volto porque te amo”, de Marcelo Gomes e Karim Aïnouz. Nele, o ator é o protagonista – mas de uma forma bastante inusitada. Nunca o vemos em cena, apenas ouvimos a sua voz. “Foi um desafio: como mostrar o sentimento sem aparecer na tela? Como estar presente sem estar presente?”

Para encontrar uma forma de estar em cena sem nunca aparecer fisicamente, Santos explica que o trabalho dos dois diretores foi fundamental. “O instrumento de trabalho do ator é o corpo. Quando me vi sem a possibilidade de usar o meu corpo, tive de explorar a minha fala. Percebi que a voz pode ser tão importante quanto o corpo. Eles me ajudaram a encontrar a entonação certa em cada momento da vida do personagem”.

O convite para esse trabalho partiu de Gomes, que havia trabalhado com o ator em “Cinema, Aspirinas e Urubus” (2005). Primeiro Santos gravou toda a sua narração sem ver as imagens. Depois, usando essa gravação como parâmetro fez novas locuções, agora vendo o longa. “O resultado é mágico. Com o filme pronto a gente entende o que é a poesia no cinema”.

Já em “Quincas Berro D’Água” (previsto para estrear dia 21), o ator é um dos amigos do morto beberrão interpretado por Paulo José. Santos. Ao lado de Flávio Bauraqui, Luiz Miranda e Frank Menezes, forma um quarteto de amigos inseparáveis, companheiros de bebedeira do personagem-título. “Fizemos uma preparação de dois meses com a Fátima. Isso foi importante para nos aproximar e nos tornarmos amigos de verdade, não apenas na tela. Isso traz uma grande verdade para o filme”.

Se esse lado foi diversão na preparação para “Quincas Berro D’Água”, houve outro que foi um desafio. A pedido da preparadora, eles simplesmente deviam encarar Paulo José como um homem comum, deixar de lado tudo o que ele representa para a história do cinema brasileiro. “O Paulo era surpreendente em cena e nos trouxe uma energia muito legal, uma vitalidade. Mas não foi fácil deixar nosso lado tiete de fora. No fim, foi um grande aprendizado, há muito a se aprender com ele. Eu tenho o maior orgulho de ter feito esse filme com ele”.

Ainda em maio, previsto para o dia 28, chega aos cinemas “Olhos Azuis”, no qual Santos, dirigido por José Joffily (“Achados e Perdidos”) interpreta um brasileiro que mora nos EUA e tem dificuldades de voltar ao país depois de uma viagem ao Brasil. A maioria das cenas do ator são em inglês. Nelas, ele contracena com um trio de americanos, encabeçado por David Rasche (“Queime Depois de Ler”, “A conquista da honra”).

Santos conta que falava inglês, mas não tinha fluência. “Foi preciso um trabalho com um professor de Recife para que eu deixasse meu inglês no ponto como o personagem falaria. Não podia ser muito certinho, pois ele aprendeu na rua mesmo, na vivência do dia-a-dia”. Para ele, foi uma experiência bastante inusitada, mas surpreendente. “Durante as filmagens, eu estava bastante confiante e o diretor nos deu bastante espaço para improvisar”.

O próximo passo na carreira de Santos será fazer um segundo filme com Cláudio Assis (“Amarelo Manga”), que se chamará “A Febre do Rato”. Ele teve uma participação em “Baixio das Bestas”, que conseguiu depois de muitos testes – mas agora será o protagonista. “Eu não sei muito sobre o meu personagem. Mas sei que será um filme muito surpreendente na carreira do Cláudio. Agora é uma história de amor. Acho que todo mundo vai se espantar”.

Santos se orgulha de que o convite para atuar em “A Febre do Rato” tenha partido do próprio diretor. As filmagens devem começar no início do segundo semestre. Até lá, o ator de 31 anos não para. Ele confessa que nos últimos três anos esteve muito envolvido com cinema, e agora quer voltar às suas origens, o teatro. “Eu comecei fazendo teatro na escola. Foi aí que me descobri, não posso abandonar isso. Estou com diversos projetos que pretendo tocar com meus amigos”.

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Link da matéria no Cinema UOL

maio 10 2010

3 perguntas para… Irandhir Santos

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A fala mansa, o físico miúdo e o jeito tímido escondem um intérprete mutante

Veja São Paulo, 12/05/2010
Por Miguel Barbieri Jr.

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Irandhir Santos ainda é um nome pouco conhecido do grande público

Pernambucano de 31 anos, o ator Irandhir Santos ainda é um nome pouco conhecido do grande público. Entre cineastas e produtores de cinema, porém, ele está com tudo. A fala mansa, o físico miúdo e o jeito tímido escondem um intérprete mutante, capaz de se transformar num gigante em cena — vide sua participação maiúscula em Besouro. Além de narrar o documentário experimental ‘Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo’, já em cartaz, ele quase ofusca os companheiros na comédia ‘Quincas Berro d’Água’, dirigida por Sérgio Machado e com estreia prevista para dia 21.

O diretor Sérgio Machado disse que escolheu você porque recebeu recomendações de dez pessoas da área. De onde vem tanto prestígio? Da dedicação e da imersão no trabalho. O set de filmagem é um lugar propício para a dispersão. Acho que eu trouxe do teatro a concentração. Por isso, quem me olha de fora talvez tenha um respeito maior e não queira me incomodar. Mas isso não quer dizer que eu esteja alheio ao que acontece ao meu redor. Quanto mais mergulhado no personagem, mais atento eu fico.

Por que um ator tão elogiado como você não faz televisão? Em 2007, atuei na minissérie A Pedra do Reino. Nem considero um trabalho de TV porque o tempo era de teatro e o tratamento de imagens, de cinema. Depois disso, quando a Globo me fez convites, eu já estava comprometido com algum cineasta. Sempre houve choque de datas. Pelo que me falam, o ritmo dos programas e das novelas é aceleradíssimo. Tenho vontade de fazer televisão, mas sinto que haveria uma grande dificuldade de adaptação.

Então, o que você pegaria hoje: um personagem no teatro ou um papel numa novela? Eu não piso num palco desde que o cinema tomou um espaço maior na minha carreira, há três anos. Sinto um buraco no coração e quero voltar para o teatro. E lá no Recife! A TV virá com o tempo.

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Link da matéria da Veja São Paulo

maio 10 2010

A hora de Irandhir Santos

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Ator pernambucano que, ainda este mês, chega aos cinemas do país em três longas-metragens, admite que a fama assusta um pouco, mas é inevitável

Diário de Pernambuco, 09/05/2010
Por André Dib

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Fato inédito em sua carreira, o ator pernambucano Irandhir Santos está no elenco principal de três longa-metragens que estreiam nos cinemas brasileiros ainda este mês. Prova de versatilidade, ele está em cartaz com três personagens díspares: em Olhos azuis, de José Joffily, ele vive o emigrante Nonato, vítima da truculência do departamento de imigração norte-americano; em Viajo porque preciso, volto porque te amo, de Marcelo Gomes e Karim Aïnouz, Irandhir é o geólogo José Renato, que parte em viagem por um sertão existencial; e em Quincas Berro d’Água, de Sérgio Machado, ele é Cabo Martim, um bêbado de rua, convicto em oferecer ao amigo falecido uma despedida à altura.

Não bastasse, ainda em 2010, assistiremos Irandhir em um dos papéis principais de Tropa de Elite 2, de José Padilha; ao lado de Fernanda Montenegro, Wagner Moura, José Wilker, Stênio Garcia e João Miguel na refilmagem de A hora e a vez de Augusto Matraga; e em O Senhor do Labirinto, que dramatiza a história deBispo do Rosário. O ator também está escalado para as filmagens de A febre do rato, do pernambucano Cláudio Assis, ao lado de Maria Flor e Matheus Nachtergaele.

A fama iminente assusta um pouco, confessa o ator, mas se tornar um rosto conhecido é algo inevitável nesse momento. “Isso me preocupa um pouco. Até agora, o anonimato tem me ajudado nos trabalhos, pois me permite transitar em papéis diferentes”, diz Irandhir, que em Tropa de Elite 2 interpreta o antagonista do Coronel Nascimento, o deputado Diogo Fraga.

“Ele é ligado aos direitos humanos, é a voz que diz ‘não’ à política de segurança vigente no Rio de Janeiro. Para ele, o tráfico é um obstáculo, mas a polícia também é um problema a ser considerado”. Para compor o personagem, Irandhir buscou inspiração no trabalho do deputado Marcelo Freixo (PSOL), sem saber que o próprio participou com Padilha da concepção do roteiro. “Ele desenvolve um trabalho fantástico, abriu a CPI das milícias, que indiciou mais de 200 pessoas, inclusive vereadores e deputados.E encara as consequências disso, é ameaçado de morte. Tive oportunidade de ir com ele ao Bangu 1 e, entre presos e policiais, a reação de respeito foi a mesma”.

Irandhir aceitou o papel após perceber que a continuação do filme é uma nova história, diferente do tom belicoso estabelecido na primeira parte. “Com o convite, me perguntei se isso não ia se repetir. Acho excepcional a maneira como Padilha conduziu Tropa de Elite, só que o filme repercutiu o Bope como única forma de resolver aquilo tudo. Mas quando li o roteiro, vi que era outro filme, tão forte quanto o primeiro filme e ao mesmo tempo esclarecedor sobre os pontos que ele levanta. Acho que era necessário alguém para dizer não a tudo aquilo e quem faz isso é o meu personagem”.

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Link da matéria no Diário de Pernambuco

maio 10 2010

Muito mais que um grande ator

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Em Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo, Irandhir Santos é só uma sombra, mas já desponta como revelação

Estadão, 07/05/2010
Por Luiz Carlos Merten

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Nos anos 1940, o ator e diretor Robert Montgomery realizou uma curiosa experiência de cinema subjetivo em Hollywood, dirigindo (e protagonizando) A Dama do Lago, um filme noir em que era o personagem principal, mas no qual não aparecia, exceto nos breves momentos em que cruzava com um espelho, por exemplo. A experiência não é exatamente a mesma, mas Karin Aïnouz e Marcelo Gomes, a dupla criadora por trás de Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo, mescla ficção e documentário no filme que estreia hoje e cujo protagonista também não aparece. Esse homem é um geólogo enviado para o sertão com o objetivo de estudar a viabilidade de transposição das águas de um rio para aquela região árida.

Viajo nasceu como curta-metragem, do encontro dos dois cineastas com o sertão ligado à memória de ambos. Mas o projeto não satisfazia a Gomes nem a Aïnouz. Dez anos depois da captação das imagens, eles o retomaram e, por meio do artifício da narrativa em off, deram um sentido àquelas imagens. Viajo não é sobre o sertão, mas sobre o desertão, um espaço da carência afetiva e da experimentação cinematográfica. O narrador, que empresta sua sombra – e ela, com um detalhe de mão, é só o que aparece dele -, é “interpretado” por Irandhir Santos. Estamos lhe apresentando o ator brasileiro que passou a ser visto como a sensação do cinema nacional. No dia 21 estreia Quincas Berro d”Água e Irandhir é um dos amigos que carregam o corpo do homem morto pela noite de Salvador, no filme que Sérgio Machado adaptou do romance de Jorge Amado. Logo em seguida, ainda em maio, virá Olhos Azuis, de José Joffily. E, no segundo semestre, ainda sem data, Irandhir será o antagonista de Wagner Moura no aguardado Tropa de Elite 2, de José Padilha.

Mas acontece uma coisa muito interessante com os diretores que trabalham com Irandhir Santos. Nenhum deles diz que é um ator talentoso, ou mesmo um grande ator. No set de Tropa 2, Padilha usou para o repórter outra palavra e foi ela que Machado repetiu no Recife, onde Quincas foi exibido na semana passada, durante o Cine PE. Para ambos, Irandhir é “gênio”. O narrador onipresente é uma sombra em Viajo Porque Preciso. Estamos dando um rosto à sombra. Apresentamos-lhes o gênio em acaso, Irandhir Santos.

Ele olha para o repórter com cara de quem não entende, durante a entrevista realizada num hotel do Recife, no fim de semana. Irandhir muda tanto, de um papel para outro, que é bom perguntar, mesmo brincando, se ele é mesmo daquele jeito – do que jeito que você vê na foto – ou se também está “disfarçado”. Mudar, de um personagem para outro, faz parte do “cerimonial”, e Irandhir Santos usa muito a palavra. “Um professor de teatro no Recife foi quem me iniciou nesse ritual. Como ator, é o que me alimenta. Venho do teatro, e o cerimonial de criação do personagem faz parte da minha bagagem.”

Mística. Padilha usa outra palavra para definir o comportamento de Irandhir. Diz que ele é o ator mais “concentrado” que já viu. José Joffily compartilha da opinião. Tudo isso vai criando uma mística em torno de Irandhir. Você já o viu, com certeza. Ele teve pequenas, mas importantes, participações em Cinema, Aspirinas e Urubus, de Marcelo Gomes, e principalmente em Baixio das Bestas, de Cláudio Assis. Foi o Quaderna da adaptação que Luiz Fernando Carvalho fez de A Pedra do Reino, de Ariano Suassuna – uma experiência maravilhosa. Com todo o elenco de Carvalho, Irandhir ficou meses pesquisando para criar o personagem. Criou-se uma expectativa muito grande – para sua família. Afinal, ele seria astro de uma microssérie da Globo. A Pedra não aconteceu. Irandhir permaneceu “anônimo”.

Ele até gosta – acha que serve aos personagens. Mas como todo ator, ele deve ter um componente narcisista em sua personalidade. Não anseia ser reconhecido pelo público? Irandhir ri. Desconversa. Ser uma “celebridade” não faz parte de suas aspirações, mas reconhece que, antes mesmo de seu trabalho começar a aparecer para o público, as coisas estão começando a acontecer. “Um trabalho tem chamado o outro.” O personagem de Quincas é um ex-militar que caiu na esbórnia com o ex-funcionário público que dá título ao filme.

Antagonista. Em Tropa de Elite 2, é um professor que servirá de antagonista para o ex-Capitão Nascimento – foi promovido a coronel -, integrando ONGs em defesa do cidadão e refletindo sobre o sistema carcerário que não recupera criminosos, mas os aprimora para que a polícia, depois – as milícias -, os executem. Em Olhos Azuis, é decisivo para desencadear a reação do protagonista, o policial gringo, interpretado por David Rasche.

Todos personagens diferentes. Para cada um deles, Irandhir criou uma persona. Mas ele não se preocupa com o que cada um possa ter dele. A questão é sempre inversa. Como ele pode criar essas figuras tão distintas? O teatro, e Stanislavski, lhe dão as ferramentas, mas nenhum personagem é ele, embora seja todos. O Irandhir que você vai descobrir agora é só uma sombra. Mas olhe bem para a cara dele. Irandhir está chegando em filmes que prometem, e vão dar o que falar. Não se trata de dizer que está nascendo um astro. Você vai descobrir um ator. Não um ator qualquer – um gênio, segundo os importantes autores que já o dirigiram.

LEMBRA DELE NA TELEVISÃO?

Irandhir Santos foi Quaderna da adaptação que Luiz Fernando Carvalho fez de A Pedra do Reino, de Ariano Suassuna, para a Rede Globo (disponível em DVD). A minissérie foi mal de audiência. Se fosse por ela, talvez o ator tivesse permanecido anônimo. Mas ele diz: “Foi uma experiência maravilhosa.”

PRESTE ATENÇÃO…

1. Quincas Berro d”Água. No filme de Sérgio Machado, com estreia marcada para o dia 21, Irandhir interpreta um dos amigos que carregam, pela animada noite de Salvador, o corpo do homem morto (Quincas), do conhecido conto de Jorge Amado.

2. Tropa de Elite 2. Na sequência do incensado filme de José Padilha, ainda em fim de filmagem, ele é um professor, antagonista do personagem de Wagner Moura, e integrante de uma ONG em defesa do cidadão. Sua cena é tocante.

3. Olhos Azuis. No filme de José Joffily, seu papel também é decisivo para desencadear a reação do protagonista, o policial gringo interpretado por David Rasche. Ele ganhou o prêmio de melhor ator coadjuvante no Festival de Paulínia.

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Link da matéria no Estadão

maio 10 2010

Em cartaz com três filmes em maio, Irandhir Santos é o ator mais requisitado da atual safra do cinema nacional

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O Globo, 07/05/2010
Por Erika Azevedo

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RIO – Apenas três anos após ter sido revelado ao grande público depois de dar vida ao quixotesco Quaderna da minissérie “A Pedra do Reino”, Irandhir Santos se tornou o ator mais requisitado da atual safra do cinema nacional. Somente este mês, ele estrela três produções que entram em cartaz no Rio de Janeiro: “Viajo porque preciso, volto porque te amo”, de Karim Aïnouz e Marcelo Gomes; “Quincas Berro d’Água”, de Sérgio Machado; e “Olhos azuis”, de José Joffily.

Como se tudo isso não fosse o bastante, ele ainda é uma das apostas de “Tropa de elite 2″, que estreia no dia 3 de setembro; está no elenco de “Matraga (A hora e a vez)”, de Vinicius Coimbra; e começa a rodar até o fim do ano “A febre do rato”, novo filme de Cláudio Assis, e “O som ao redor”, primeiro longa do premiado curta-metragista Kléber Mendonça Filho.

- Coincidentemente, tudo acabou acontecendo ao mesmo tempo, mas ainda não sei lidar com isso. Ainda bem que são filmes bem diferentes, com temáticas distintas. Mas não sou eu ali, é a história. E eu espero muito que dê certo pela história. É isso que interessa – conta, modesto.

Criado em Limoeiro, cidade do agreste pernambucano, o ator de 31 anos, teve seu primeiro contato com a arte da interpretação na escola, ao encenar comédias de Ariano Suassuna em sala de aula e não parou mais. Foi no teatro que ele começou a criar cadernos para cada um de seus personagens, como uma forma de mergulhar em cada trabalho, experiência que leva consigo também para o cinema. Ideias, sonhos e desenhos são registrados com cuidado em cada folha. E, sempre que conclui um projeto, como quem cumpriu uma missão, guarda o caderninho daquele personagem num baú.

- Tenho uma tendência à maturação da obra. Preciso dessa ritualização. O set, por si só, é muito disperso, cada um faz o seu, então se você não tiver foco, é capaz de não conseguir entrar naquilo e, talvez, de se perder. Então, tenho um tempo de aquecimento, de concentração. Fico imerso no meu caderninho, nas minhas anotações e nos meus desenhos. Para mim é primordial – explica.

O último caderno a ir para o baú do ator foi o de “Tropa de elite 2″, cujas filmagens foram concluídas há menos de um mês. Na aguardada sequência do filme de José Padilha, Irandhir vive o personagem Diogo Fraga, um defensor dos Direitos Humanos que questiona a política de segurança pública do Rio de Janeiro. Pela primeira vez, ele sentiu a pressão de participar de um potencial blockbuster do cinema nacional.

O ator Irandhir Santos no filme "Tropa de Elite 2"
O ator Irandhir Santos no filme “Tropa de Elite 2″

- Em momento nenhum, enquanto eu estava fazendo o filme, isso passou pela minha cabeça. Só fui me dar conta disso quando as filmagens acabaram e voltei para a minha cidade. Houve uma curiosidade principalmente para saber como foi o set e como é a história do filme, coisa que nunca aconteceu comigo em nenhum dos outros projetos. Aí é que foi caindo a ficha. Ainda bem, porque o trabalho já está feito – brinca.

Ao fim de cada filmagem, Irandhir também tem um ritual: não importa o que aconteça, ele sempre volta para sua cidade.

- Os projetos me trazem e eu fico o tempo que for necessário. Com “Tropa” foram quatro meses. Mas sempre existe essa palavra que eu adoro, que é “retornar”. Retorno para Recife e retorno para Limoeiro. A gente senta na calçada, que é um lugar quase religioso para a minha família, e lá a gente conversa e mata as saudades. É lá que eu recarrego as baterias.

Assim, morar no Rio ou em São Paulo está fora dos planos do ator.

- Aprendi com Ariano Suassuna uma coisa que veio de “A Pedra do Reino”: Quaderna busca as respostas da vida na sua raiz, no sertão. Estar na minha região e buscar o que é necessário para mim servem para minha experiência como ator. Não é necessário abandonar, mas permanecer, ir a fundo, pesquisar. Não deixo de fazer trabalhos por isso.

E a filmografia de Irandhir não o deixa mentir.

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Link da matéria no O Globo