Diretor pernambucano iniciou as filmagens de seu terceiro longa-metragem. Febre do rato pretende mostrar um lado mais lúdico de Recife e Olinda através de um poeta de rua
Jornal do Commercio, 02/09/2010
Por Diogo Guedes / Especial para o JC
Na última terça-feira, as quase 50 pessoas reunidas no lado de fora do cemitério de Guadalupe, em Olinda, atestavam: algo importante acontecia ali dentro. Entrando, era fácil entender. O local era o cenário do primeiro dia de gravação do novo longa do cineasta pernambucano Cláudio Assis, Febre do rato. Do lado de fora, a expectativa era ver os dois atores envolvidos na cena, Matheus Nachtergaele e Nanda Costa, a Soraia da novela Viver a vida, que fazem parte de um elenco que ainda conta com Irandhir Santos, Ângela Leal, Maria Gladys, Conceição Camarotti e até mesmo o pianista Vítor Araújo.
Na locação, Cláudio e sua equipe organizavam a cena. Enquanto conversava com Matheus e Nanda sobre a interpretação, os últimos preparativos eram feitos. Dois ensaios e quatro tomadas depois, com pequenos ajustes e contribuição do silêncio dos curiosos lá fora, Cláudio encerrou o dia de gravação feliz.
“Essa cena aqui da capela é uma das últimas sequências do filme, já é perto do fim. É engraçado, porque hoje começamos filmando na praia, um local cheio de vida, e terminamos no cemitério”, contou Cláudio, logo após encerrar o trabalho do dia. Definindo Febre do rato como uma obra mais lúdica do que os polêmicos Amarelo manga e Baixio das bestas, o diretor ainda não adianta muito sobre o enredo. Segundo ele, o filme é a história de Zizu, um poeta marginal que enxerga o mundo como uma criação sua. “Esse filme é provocante como os outros dois, mas ele vai mostrar que as pessoas têm que ser como são, e não seguir padrões de outras pessoas. Só assim elas dão certo”, explicou o cineasta.
De bom humor, Cláudio não escondia a satisfação de ter ultrapassado as expectativas de gravação do dia. “Estamos adiantados porque o Cláudio foi genial hoje pela manhã. Em uma tomada, ele resolveu a cena na praia, que deveria ocupar o dia todo. Tivemos que correr para deixar pronta a segunda locação”, contou a assistente de produção executiva Samantha Ribeiro.
Um das preocupações do diretor é com o orçamento, estabelecido em 2,2 milhões. “O dinheiro é pouco, então temos que apertar ao máximo os dias e as gravações”, admitiu. A previsão é de que as filmagens aconteçam em Recife e Olinda até a primeira semana de outubro.
Acostumado a observar o lado sujo de personagens e locais, Cláudio não crê que será difícil encontrar o lado lúdico das duas cidades, sua proposta na obra. “Nós estamos também criando essa beleza. Como é sobre um poeta, o filme vai ser ficção o tempo todo”, pontuou.
Depois de terminar a cena, Matheus falou um pouco sobre Pazinho. “Ele é um coveiro casado com uma travesti, Vanessa. O relacionamento dos dois é complexo, até porque Pazinho a trai com mulheres e sai para bordéis. Mas Zizu, o poeta, gosta muito de estar com ele por sua sensibilidade, doçura e abertura para a poesia”, descreveu o ator paulista, que trabalhou em todos os longas de Cláudio.
Já Nanda interpreta a adolescente Eneida, personagem, segundo ela, de muita atitude. “O trabalho do Cláudio eu já adorava. Quando vi a equipe que ia trabalhar com ele, fiquei muito animada”, afirmou a atriz. Segundo ela, a personagem só adquiriu o tom necessário um dia antes de começar as filmagens.“Até ontem eu não estava satisfeita. Eu sentia que estava falando algo para a personagem. Então, percebi que tinha algo sobrando e pensei em cortar o cabelo bem curto. Falei com a equipe de figurino e, ainda bem, deu tudo certo”, confessou.
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