setembro 14 2010

Polícia é chamada por causa de tumulto em set de ‘Febre do rato’

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Segundo a PM, os produtores do filme não tinham avisado sobre cena. Longa é o terceiro filme de Cláudio Assis, e tem Irandhir dos Santos no elenco.

G1 Pop & Arte, 08/09/2010
Do G1 RJ

Irandhir Santos, que está no elenco do filme, em cena de 'Tropa de elite 2' (Foto: Divulgação)

Irandhir Santos, que está no elenco do filme, em cena de 'Tropa de elite 2' (Foto: Divulgação)

A polícia militar de Pernambuco informou que foi chamada, no fim da manhã de terça-feira (7), para conferir uma ocorrência Rua da Aurora, no bairro da Boa Vista, perto do Centro do Recife, em que duas pessoas estavam nuas. Ao chegar ao local, os policiais verificaram que as pessoas sem roupa eram dois atores do filme “Febre do rato”, do cineasta Cláudio Assis.

Segundo a Polícia Militar, os produtores do filme não tinham informado à PM sobre a cena, que causou tumulto entre quem passava.

Antes, outra cena do mesmo filme também chamou a atenção, mas, dessa vez, a polícia havia sido chamada. Nesta sequência, um ator ficava em frente a um tanque do Exército, aproveitando o desfile da parada militar, por conta do feriado da Independência.

A polícia afirmou que ninguém ficou detido.

“Febre do rato” é o terceiro filme de Cláudio Assis, que filmou antes “Amarelo manga” e “Baixio das bestas”, e tem o ator Irandhir Santos como protagonista. No filme, ele é um poeta que tem um jornal chamado “Febre do rato”.

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Via G1

setembro 14 2010

Polícia é chamada após gravações com atores nus

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Cena de filme do cineasta Cláudio Assis causou tumulto no centro de Recife nesta terça

Jovem Pan Online, 08/09/2010
Por Fábio Chaib

Cineasta Cláudio Assis (REPRODUÇÃO / JB ONLINE)

Cineasta Cláudio Assis (REPRODUÇÃO / JB ONLINE)

Um chamado, totalmente diferente dos habituais, marcou a manhã da polícia militar de Pernambuco na última terça-feira. Na chamada, foi pedida a presença da polícia para conferir uma ocorrência na Rua da Aurora, no bairro da Boa Vista, perto do Centro do Recife, em que duas pessoas estavam nuas.

Os policiais foram ao local, e descobriram que as pessoas sem roupa eram dois atores do filme “Febre do rato”, do cineasta Cláudio Assis.

Segundo a polícia, a confusão ocorreu, pois os produtores do filme não tinham informado sobre a cena, que causou tumulto entre quem passava.

Ninguém foi detido na ocorrência. “Febre do rato” é o terceiro filme de Cláudio Assis, O elenco conta com o ator Irandhir Santos como protagonista. Ele interpreta um poeta que tem um jornal chamado “Febre do rato”.

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Via JP Online

setembro 08 2010

Ator Irandhir Santos ameaçado de prisão por cena de nu na Rua da Aurora

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Diário de Pernambuco, Caderno Viver, 07/09/2010
Por Raquel Lima com informações do repórter André Dib

07/09/2010 | Durante o desfile de 7 de Setembro, a equipe do cineasta Cláudio Assis captou imagens
para o longa A febre do rato, com o ator Irandhir Santos. Foto: Helder Tavares / DP / D.A Press

A primeira semana de filmagem de Febre do rato, terceiro longa-metragem do diretor pernambucano Cláudio Assis, terminou como caso de polícia na tarde desta terça-feira (7). A equipe que filmava na Rua da Aurora, no Centro do Recife, foi abordada por várias viaturas da Polícia Militar por estar rodando cenas de nu – dos protagonistas Irandhir Santos e Nanda Costa (a Soraia, da global Viver a vida), ambos premiados no festival de Cinema de Miami, pelo filme Sonhos roubados, no mês passado, além de outros seis integrantes do elenco. Segundo os agentes, houve denúncia de atentado ao pudor.

De acordo com testemunhas, até que a produção conseguisse mostrar todos os documentos de autorização, houve ameaça de prisão. “Um verdadeiro circo foi montado”, disse um leitor do Diario que não quis se identificar. As informações são de que a filmagem já estava concluída e de que os atores já estavam no carro.

Além dos de Irandhir Santos e Nanda Costa (que vivem o poeta Zizo e a jovem Eneida, respectivamente), estavam na cena o pianista pernambucano Vitor Araújo e Mariana Nunes. Mais cedo, a equipe do cineasta Cláudio Assis captou imagens para o longa durante o desfile deste 7 de Setembro, na Avenida Cruz Cabugá. Em uma das tomadas, Irandhir Santos invadiu o cortejo e foi contido por policiais que o retiram do evento.

Sinopse - O longa, cujo roteiro é assinado por Hilton Lacerda, conta a história de Zizo, um poeta de atitude anarquista, que mantém um pequeno tablóide chamado de Febre do rato. Um personagem que está sempre às voltas com um mundo todo particular. Também estão no filme, Matheus Nachtergaele, Ângela Leal, Conceição Camarotti, Maria Gladys, Juliano Cazarré e Tânia Moreno.

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Via Diário de Pernambuco

setembro 03 2010

Tudo começa bem em Febre do rato

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Cinema // Primeiros dias de filmagem do terceiro longa-metragem do diretor Claudio Assis superam as melhores expectativas

Diário de Pernambuco, Caderno Viver, 02/09/2010
Por Luiza Maia // Especial para o Diario

No elenco de A Febre do Rato: Ângela Leal, Irandhir Santos, Nanda Costa, Matheus Nachtergaele, entre outros.

No elenco de A Febre do Rato: Ângela Leal, Irandhir Santos, Nanda Costa, Matheus Nachtergaele, entre outros.

O sucesso nos primeiros dias de filmagem do terceiro longa-metragem do diretor pernambucano Cláudio Assis, Febre do rato, está estampado no rosto de todos os envolvidos na produção: completamente exauridos, mas igualmente satisfeitos. “Paro por respeito à equipe. Por mim, a gente ia direto”, brinca o diretor. Ao todo, serão cinco semanas com jornada diária das 5h às 17h. No primeiro dia de filmagens, na terça-feira, foram adiantadas duas sequências do cronograma previstas para os dias seguintes. O dia estava reservado para uma cena na praia, mas Claúdio se satisfez com a primeira tomada, concluída às 10h. “Foi uma vez e valeu. Eu pensei: vamos fazer mais uma. E o Cláudio super seguro, determinado. É muito bom trabalhar com um diretor assim, que vira e diz: ‘Esse plano tá bom!’”, comemora a atriz Nanda Costa, protagonista do filme no papel da jovem Eneida ao lado de Irandhir Santos, que vive o poeta Zizo. Matheus Nachtergaele, Ângela Leal, Conceição Camarotti, Maria Gladys, Mariana Nunes, Juliano Cazarré, Tânia Moreno e o estreante Vitor Araújo compõem o elenco.

A jornada terminou no Cemitério de Guadalupe, para gravação de cenas do final do filme. “Adiantamos as cenas do outro dia. Bate uma insegurança, mas deu tudo certo”, comenta o experiente Matheus Nachtergaele, encantado com seu personagem, o coveiro Pazinho. “A vida dele tem uma espera. Toda vez que vim aqui, estava vazio. Só dois, três coveiros. E quando chega é alguém que morreu”, reflete. Por outro lado, é casado com o travesti Vanessa (Tânia Moreno), é amigo do poeta, participa de farras. Ele vive nos opostos entre a luz da noite e a sombra do dia. “É um casal inusitado. Ele é um coveiro, a princípio não seria um cara aberto. Acho isso um lance bonito do roteiro”, defende. “O Claudão sempre tem uma visão muito especial e corajosa do que é a realidade brasileira. Não é uma obrigação. A gente está aqui porque a gente quer”, garante Matheus, que participou dos outros dois longas de Cláudio, Amarelo manga e Baixio das bestas.

O diretor de fotografia Walter Carvalho também acompanha o diretor pernambucano desde o primeiro longa. Desta vez, a cor forte de Amarelo manga será substituída pelo preto e branco. “Nada mais abstrato do que o amor. Nada mais doloroso, nada mais prazeroso, confuso, atraente, apaixonante que o amor. Para mim o amor se dá num plano preto e branco”, explica Carvalho sobre a opção pelas escalas de cinza. Para ele, a escolha é uma forma de desdizer o que foi dito nos outros filmes e fugir da tendência do cinema contemporâneo de se valorizar cada vez mais a verossimilhança com o real, principalmente com o advento da tecnologia 3D. “O cinema do Cláudio é um cinema libertário. Ele é irreverente, provocador. Ele vê a face bonita e a face feia do objeto. A fotografia tem que mostrar esse mistério entre o que se apresenta e o que se deduz”, diz.

Mesmo no início das gravações, o elenco se mostra bastante envolvido com os personagens. A relação de Nanda com Eneida foi tão forte que ela sentiu necessidade de mudar o visual de Soraia, da novela Viver a vida. Na tarde anterior ao início das gravações, às 17h, ela não conseguia parar de pensar que faltava algo à personagem. “Eu não conseguia mais me olhar no espelho e ver aquele cabelo. Cortar deu uma leveza e atitude a ela, porque Eneida é uma adolescente com muita atitude”, define, com os cabelos acima do ombro. Apesar disso, confessa que nunca se sente pronta, nem quando está em cena, nem “quando dá o corta”. “Dar conta do personagem é um trabalho diário, a cada cena. Mas sinto que estou no caminho certo”, acredita a atriz, que vive ótima fase após ganhar o prêmio de melhor atriz do Festival de Cinema do Rio, Festival de Cinema Brasileiro de Paris e de Miami.

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Via Diário de Pernambuco

setembro 03 2010

Febre de longas pernambucanos

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Claudio Assis começa a rodar a partir de hoje seu terceiro filme, tendo no elenco Irandhir Costa, Nanda Costa, Matheus Nachtergaele

Diário de Pernambuco, Caderno Viver, 31/08/2010
Por André Dib

Irandhir Santos revela que já incorporou o protagonista, o poeta Zizo Foto: Nando Chiappetta/Esp. DP/D.A Press

Irandhir Santos revela que já incorporou o protagonista, o poeta Zizo Foto: Nando Chiappetta/Esp. DP/D.A Press

Nove anos depois de Amarelo manga, Cláudio Assis volta a filmar em Olinda e Recife. A partir de hoje, a produção de Febre do rato, terceiro longa-metragem do diretor pernambucano, movimenta a cidade com uma equipe de profissionais cariocas e pernambucanos. Durante a semana de ensaios, o elenco formado por Irandhir Santos, Nanda Costa, Matheus Nachtergaele, Mariana Nunes e Juliano Cazarré circulou em eventos e bares. No que diz o burburinho, Nachtergaele já está com o personagem incorporado e assim deve continuar até o começo de outubro, quando terminam as filmagens.

Apesar do momento ao mesmo tempo tenso e delicado que configura a pré-produção de um longa, Cláudio e Júlia Moraes receberam o Diario no casarão utilizado para os ensaios, no Sítio Histórico. Eles celebram a boa fase do cinema feito em Pernambuco, somente em 2010 contabiliza quatro longas em andamento, com distribuição garantida. Febre do rato será rodado em super 35mm, captado em cores para ser vertido em pretoe branco na pós-produção. Como em todos os filmes do diretor, a fotografia é de Walter Carvalho, em formato cinemascope.

Contemplado em 2005 pelo fundo holandês Hubert Bals para desenvolvimento de projetos, Febre do rato tem acumulado patrocínios e apoios nacionais e estrangeiros, como a empresa argentina IMPSA. “Empresários entenderam que dá pra investir no cinema de ideias, independente do retorno financeiro”, diz Júlia. “Nesse processo, a Fundarpe foi fundamental para a gente poder andar e ganhar os grandes editais, concorrendo com filmes do Brasil inteiro”, complementa Cláudio. Com 90% do orçamento captado, falta garantir a finalização. “A Prefeitura do Recife ainda não oficializou, mas garantiu que vai nos apoiar”.

Durante a prova de figurino, encontramos um Irandhir febril, possuído pelo poeta Zizo, personagem principal do novo filme. “Se tem algo que resume Zizo, é a atitude”, disse o ator, que acaba de rodar O som ao redor, de Kleber Mendonça Filho, e a partir de outubro poderá ser visto em Tropa de elite 2. Semana passada, Irandhir conheceu Miró, com quem descobriu afinidades. “O destino trouxe Miró e fiquei com ele enquanto pude. Se eu tiver 1/3 dele no meu personagem estarei muito feliz”. Para compor Zizo, Irandhir tem dormido e acordado com João Cabral, Drummond, Pedro Tierra e Murilo Mendes. No entanto, todas as poesias do filme são originais, escritas por Hilton Lacerda.

Boa parte de Febre do rato será rodada na Fábrica Tacaruna, que será morada de um triângulo amoroso vivido por Juliano Cazarré, Mariana Nunes e Vítor Araújo, que estreia como ator. Afora o elenco principal, Jones Melo, Paulina Albuquerque, Sâmara Cipriano, Chiquinho Serra Velho, Hugo Gila e a paulista Tânia Moreno prometem gerar cenas que, como nos demais filmes de Cláudio, ainda vão dar o que falar.

Entre atores, figurantes e participações especiais, serão mais de 400 pessoas. Um churrasco de Páscoa na casa de Zizo reunirá Jommard Muniz de Britto, Gaspar Andrade, Fernando Peres e Irma Brown, Wilma Gomes (ex-miss Pernambuco), LalaK e Carlos Carvalho. Quero reunir pessoas que na vida real seriam amigos do poeta e reunir a nossa cena cultural, uma metalinguagem a serviço do cinema”, diz Rutílio de Oliveira, responsável pelo casting. Miró, Xico Sá, Roger de Renor e João do Morro também serão convidados. Evocados no título, ratazanas comuns nas alamedas da cidade não devem faltar. Mas a “febre do rato” não tem nada a ver com a doença provocada pelos roedores, mas com a expressão pernambucana para determinado estado de espírito. “É como se a pessoa azougada, com atitude para o bem ou para o mal, com vontade de lutar por alguma coisa.

Inspiração no avô poeta

Neta de Vinicius, Júlia Moraes busca no avô parte da inspiração para construir o poeta do novo filme de Cláudio Assis. “Ele viveu pra poesia e me deu condições de entender e viajar no universo do poeta. Com certeza estamos trazendo isso para o filme. Para ele a família, as histórias, a obra é uma só”. Júlia tinha apenas seis anos quando Vinicius se foi. A breve convivência deixou nela uma imagem clara de entrega que agora ele transpõe para o filme, que ela descreve como “alto astral, de afirmação”, de um personagem que não está preocupado com dinheiro ou sucesso, que “não quer se dar bem, mas ser quem ele é”.

“Assim como ele, Zizo é um poeta do amor e da dor. E disso todo mundo entende. Seja parnasiana, romântica, escatológica ou concreta, a poesia é capaz de tocar as pessoas de forma profunda. E Zizo carrega consigo essa liberdade, que as pessoas querem viver mas não têm coragem, são amarradas”.

Entrevista // Claudio Assis

Após quase uma década, você volta a usar Olinda como cenário. Qual sua relação com a cidade?

Minha produtora funciona há 15 anos em Olinda, onde fizemos muitos curtas. Sempre quis fazer um longa aqui, em Amarelo manga filmamos nos Quatro Cantos, que é muito cinematográfico. E quando tive a ideia, imaginei o poeta como sendo de Olinda. Ia trazer o filme todo pra cá, queremos falar do Recife, que é um universo de contradições de cidade grande, que contém um mundo.

Como surgiu Febre do rato?

A ideia veio durante a filmagem de Amarelo manga, em Olinda, quando inventei um personagem com um amigo meu. Ele foi crescendo, chamei Hilton Lacerda e as ideias foram chegando, só naquele momento pensamos em 17 sequências.

Você descreve o filme como romântico, sobre pessoas apaixonadas. Seria uma mudança de rota, depois de dirigir dois filmes que mostram a vida cruel?

Pelo contrário, é a afirmação disso tudo. Se as pessoas não viram amor nos meus outros filmes, precisam ver de novo até encontrar. Tudo que já foidito será mostrado de outra forma, com poesia, de uma maneira elegante, generosa, para que seja um filme prazeiroso. Mas não mudei nada, o assunto é o mesmo, só que contado de forma diferente.

Recife tem uma tradição de poetas de rua, seu poeta se conecta com esse cenário?

Zizo não é marginal, é revolucionário. Existe o Zizo, que é meu amigo desde os anos 1980, a quem estamos fazendo homenagem, mas não tem nada a ver com a vida dele. No filme, Zizo cria um mundo onde as pessoas são iguais: negros, gordos, magros, brancos, putas, travestis. Se eles transam ou casam, se separam de um grande amor ou ficam nele pra sempre, não importa, temos que respeitar as pessoas do jeito que são. E um poeta pode tudo, tem liberdade pra falar e fazer o que quiser.

Cinema é a sua forma de fazer poesia?

Lógico. E o poeta sou eu. Essa é minha forma de dizer o que eu acho do mundo.

Por dentro do set

Febre do rato, 3º longa-metragem de Cláudio Assis, é uma co-produção entre a Parabólica Brasil e BelaVista Cinema, em associação com a Pacto Audiovisual e República Pureza Filmes.

Elenco
Irandhir Santos – Zizo; Nanda Costa – Eneida; Matheus Nachtergaele – Pazinho; Ângela Leal – D. Marieta; Conceição Camarotti – Stellamaris; Maria Gladys – Anja; Mariana Nunes – Rosângela; Juliano Cazarré – Boca Mole; Victor Araújo – Oncinha; Tânia Moreno – Vanessa.

Direção: Cláudio Assis
Produção: Julia Moraes e Claudio Assis
Roteiro: Hilton Lacerda
Produção Executiva: Marcello Maia
Direção de Fotografia: Walter Carvalho
Direção de Arte: Renata Pinheiro
Direção de Produção: Joana Araújo
Coordenação de Produção: Barbara Rocha
Figurino: Joana Gatis
Montagem: Karen Harley
Trilha sonora: Jorge du Peixe
Produtor associado: Malu Viana
Distribuidor: Imovision
Orçamento total: R$ 2,2 milhões

Patrocinadores e investidores:
Petrobras / Fundo Setorial do Audiovisual – Finep / Prêmio Adicional de Renda – Ancine /Imovision / Banco do Nordeste / Chesf / IMPSA / Petra Energia / Copergás / Estaleiro Atlântico Sul / Secretaria de Turismo do Governo de Pernambuco / Empetur / Prefeitura de Olinda

Incentivo:
Funcultura / Governo do Estado de Pernambuco

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Via Diário de Pernambuco

setembro 02 2010

Viajo porque preciso, volto porque te amo

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Página do Cinema, 07/05/2010

viajo

Irandhir Santos revela a beleza do filme que ganhou o prêmio de melhor direção no Festival do Rio 2009

Irandhir Santos está em todas! Esse ano, o ator estrela quatro produções nacionais: “Viajo porque preciso, volto porque te amo”, “Quincas Berro D’água”, “Olhos Azuis” e “Tropa de Elite 2”. Dando vida a personagens completamente distintos de uma maneira admirável, Irandhir vai conquistando cada vez mais seu espaço no cinema nacional. O pernambucano começou no mundo cinematográfico em 2005 com uma pequena participação no filme “Cinema, Aspirinas e Urubus”, quando pisou pela primeira vez em um set de filmagem. De lá para cá, já fez “Baixio das Bestas”, que lhe rendeu o prêmio de melhor ator coadjuvante no Festival de Brasília, Quaderna, na série “A Pedra do Reino” e “Besouro”.

“Viajo porque preciso, volto porque te amo”, que estreia esta sexta, dia 7, garantiu o prêmio de melhor direção para Marcelo Games e Karim Ainouz. No longa, Irandhir narra a viagem feita pelo geólogo José Renato, que ao atravessar o sertão brasileiro percebe que o vazio, o abandono e o isolamento presentes nas paisagens também são características de sua personalidade naquele momento. O ator não aparece em nenhum momento na tela, apenas sua voz guia o espectador através das visões de José Renato. Nesta entrevista, Irandhir Santos fala sobre a importância deste longa em sua carreira, comenta a poesia que está presente em todo o filme e revela a emoção de trabalhar com Karim e Marcelo Gomes.

Como é atuar sem aparecer na tela? Foi um trabalho mais difícil que os demais?
Foi um grande desafio para mim porque não é apenas uma narração, é um personagem, e era preciso que isto estivesse impresso na voz. José Renato tinha que ter braços, pernas e coração apenas com a minha voz. Até então eu não tinha percebido a importância da voz para o ator até anular o meu corpo como foi neste projeto. Foi difícil, mas eu tive todo o apoio do Marcelo e do Karim, que foram apontando os caminhos.

Quem é José Renato?
O José Renato é chamado para estudar a geografia do sertão nordestino. Ele vai filmando e narrando as pedras e as vegetações até que começa a perceber que aquilo está influenciando diretamente o estado emocional dele. Aquilo é quase o espelho do abandono emocional que ele está vivendo. O personagem não aparece e isso facilita a intimidade do público com a obra porque você começa a imaginar esse cara de várias maneiras. Se eu aparecesse, talvez eu limitasse um pouco essa abertura de criatividade do público com a obra.

Como foi feito o trabalho de direção? Quais orientações que você recebia dos diretores?
O Marcelo me presenteou com o roteiro e pediu que eu lesse e gravasse livremente o que eu imaginava porque ainda não tinha visto as imagens. Quando eu pude vê-las, entendi o quão inspiradoras elas eram. As imagens são belíssimas, fortes, poéticas e tudo isso está presente no filme o tempo todo. Eu tive apenas um encontro separado com cada um deles e depois outro encontro com os três juntos para o resultado definitivo. Eram as próprias imagens que determinavam o caminho da minha voz.

Como você imagina o grande amor da vida deste personagem?
Tem um momento em que o José Renato está passando pela estrada e ele vê umas crianças tampando buracos na beira da rodovia. Nesse momento, ele encontra nos olhos de uma menina os olhos da mulher que ama. Eu não tinha mais nada de concreto para formatar a imagem na minha cabeça e no meu coração daquela mulher amada a não ser os olhos da criança. É um olhar forte, expressivo, inquietante. É uma cena em que a câmera está parada nos olhos dela e a sensação que dá é que aquele olhar atravessa a tela.

É a primeira vez que você trabalha com o Karim? Como foi a experiência?
Sou um grande admirador das obras do Karim, desde “Madame Satã” e “O Céu de Sueli”. Adoro os filmes como obras e já tinha ouvido falar muito bem dele. Uma grande surpresa pra mim foi ter contato com a pessoa Karim, aí eu pude comprovar que, além de ser um diretor fantástico, ele é uma pessoa extraordinária, sensível e simples. Ele usa as minúcias de seus sentimentos para dirigir seus trabalhos.

Você acha que foi um trabalho solitário?
Para mim, como ator, acho que não porque estavam comigo o Marcelo e o Karim. Mas quando penso como personagem, acho que sim e era preciso ter isso. Ele é um homem que viaja sozinho e reencontra na viagem o espelho da sua vida atual. Era preciso haver solidão para encarar ele mesmo.

Como você classifica este filme na sua carreira?
É uma pérola, um mimo, uma jóia que vou guardar pelo resto da vida. É um filme de muito valor para mim artisticamente e emocionalmente falando.

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Via Página do Cinema

setembro 02 2010

Irandhir Santos: Ator comenta a sua atuação em quatro estreias nacionais em 2010

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Página do Cinema, 07/05/2010

Os fãs de Irandhir Santos podem comemorar! Além de estar em quatro filmes nacionais este ano, o ator já está se preparando para começar a filmar o novo longa de Cláudio Assis, que terá o título de “Febre do Rato”. Com vasta experiência no teatro, o pernambucano confessa que está com saudade do palco e pensa em voltar logo para sua plateia. Enquanto isso não acontece, Irandhir está trabalhando muito para lançar os filmes “Viajo porque preciso, volto porque te amo”, “Quincas Berro D’água”, “Olhos Azuis”, pelo qual ganhou o prêmio de ator coadjuvante no Festival de Paulínia, e “Tropa de Elite 2”, onde viverá um embate com Capitão Nascimento, personagem de Wagner Moura. Neste bate-papo, o ator conta detalhes sobre cada um destes projetos.

Esse ano você está em quatro filmes, um totalmente diferente do outro. Foi uma escolha sua atuar em produções de estilos tão distintos?
As coisas acontecem não é à toa, eu acredito muito nisso. Os projetos de cinema na minha vida tem surgido antes de mais nada para me ensinar a ser uma pessoa e um artista melhor. Os projetos vão surgindo e me transformando. Eu não escolhi propositalmente que cada produção fosse diferente da outra, mas existem coisas que eu considero antes de aceitar um trabalho como a história que quer ser contada, por quem quer ser contada e quem são os personagens. Os projetos surgem para dar sentido à minha vida. Esses personagens são muito diferentes, mas dizem respeito à minha vida, sem dúvida alguma.

Em algum momento as filmagens destes longas coincidiram?
Não, eu não gosto de misturar os trabalhos, preciso de um tempo para cada projeto. Mergulhado em um projeto eu fico nele até o fim.

Como você separa cada personagem da sua própria personalidade?
Eu empresto a ele a minha vida para que eles tomem vida e acredito que eles também trazem muito deles para mim me ensinando a reviver. Eu me sinto diferente a cada trabalho. Eu costumo trabalhar muito com anotações. Para cada personagem, eu construo um caderno que é como se fosse uma extensão física daquilo que eu construo essencialmente. Os caderninhos são a maneira física que eu tenho de tocar o meu personagem, já que o ator trabalha muito com a essência. Você constrói a alma e sentimentos que não são coisas palpáveis. Isso me ajuda principalmente no cinema porque as cenas são gravadas sem uma ordem certa, então para ter a clareza da continuidade do personagem eu uso os caderninhos. Eu concluo cada projeto fechando estes cadernos.

A Fátima Toledo é sua fã assumida. Como é trabalhar com ela?
A Fátima tem um papel essencial na história do cinema brasileiro. Eu acho muito interessante o método que ela usa de o ator ter o tempo de maturação da obra. Na imagem que eu tenho da Fátima na minha cabeça ela está sempre com dois objetos nas mãos: um martelo e uma cola. A cada trabalho que eu faço com ela, ela quebra tudo que eu era antes e recola o que é necessário para aquela obra específica. A Fátima ajuda o ator a estabelecer a base física e emocional necessária para iniciar o trabalho. Amo, admiro e gosto muito como pessoa.

Quais foram os desafios de viver as personagens de “Viajo porque preciso”, “Quincas”, “Olhos Azuis” e “Tropa de Elite”?
O desafio está em você morrer para que nasçam esses personagens e depois em se reconstruir. O ator se coloca como uma página em branco para ter novos traços, novos caminhos, acho que está aí o prazer. É como se você pudesse viver várias vidas na mesma encarnação. Cada personagem deste tem especificidades, características e trajetórias e me interessa como ator e como pessoa conhecer isso, só que para conhecer, eu tenho que ser.

Em “Olhos Azuis” você precisou atuar em inglês. Como foi a experiência?
Foi desafiante porque eu não tenho a fluência do inglês, apenas o conhecimento da língua. O meu personagem vivia há dois anos nos Estados Unidos e precisava de uma fluência de rua e não de quem teve aulas para ir pra lá. O Joffily teve a compreensão de que eu precisava de um tempo para estudar e professores de um curso do Recife me ajudaram muito também.

Você esperava ganhar o prêmio de melhor ator coadjuvante por este papel no Festival de Paulínia?
Fiquei muito feliz porque ainda não tinha visto o filme e assisti pela primeira vez no Festival. Foi muito prazeroso. Como diz Fernanda Montenegro, eu já me sinto premiado por poder exercer a minha profissão, mas receber este prêmio em Paulínia foi muito emocionante.

Como você construiu o Cabo Martim de Quincas? Foi o personagem mais divertido de todos?
A sensação que eu tive em construir o Cabo Martim é que, pela primeira vez, eu não construí um único personagem. A interação entre os quatro amigos de Quincas era necessária, é como se um personagem fosse formado pelos quatro. A característica do Cabo Martim para fazer parte de um grupo maior era a liderança, já que, com a morte do Quincas, aquele corpo perdeu a cabeça pensante e o Martim toma esta iniciativa. Ao mesmo tempo que não quer deixar a peteca cair, ele é o que mais está sofrendo com a morte de Quincas e está agindo daquela maneira para evitar aceitar a morte.

Como é viver o antagonista do Capitão Nascimento?
O Diogo Fraga vem para dizer não a uma estrutura de política e de segurança pública vigente no estado do Rio. É uma postura de repressão, de criminalização da pobreza, de resolver os problemas através da violência e ele acha que não é desta forma que se resolve. Tráfico é crime, mas a polícia também é um problema a partir do momento em que ela vem para matar. O índice de morte através das ações policiais é alto e isso não pode passar desapercebido. O Fraga vem para dizer isso, então quem for a favor, vai se identificar com ele. Se o Nascimento estiver contra este pensamento, então realmente vai haver um embate, mas não é nada pessoal.

Como foi entrar para o Tropa 2?
Foi maravilhoso. É um time vencedor, de primeiríssima qualidade, com profissionais admiráveis. Eu fiquei ainda mais apaixonado fazendo o filme. O Padilha é excelente, é maravilhoso no que faz. É um diretor que acredita e confia no ator. Ele tem tanta confiança que você se joga, se atreve. Ele se torna um parceiro. Padilha é um dos grandes diretores com que eu trabalhei e quero trabalhar mais vezes.

Este ano você será a cara do cinema nacional. Qual a expectativa para a estreia destes filmes?
As estreias coincidiram. Eu aprendi a lidar com as expectativas internas e as externas eu tento não alimentá-las ou torná-las o mais saudável possível. Eu espero que as pessoas gostem das histórias e se isso acontecer eu vou estar muito feliz. É um ano especial na minha carreira porque pela primeira vez eu vou compartilhar várias histórias em pouco tempo.

Você já está envolvido em novos projetos?
Estou voltando a trabalhar com o Claudio Assis. Estarei no próximo filme dele que se chamará “Febre do Rato” e, depois de três anos longe dos palcos, existem projetos para eu voltar ao teatro.

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Via Página do Cinema