março 25 2011

Filme pernambucano é elogiado pelo jornal The New York Times

Diario de Pernambuco, 25/03/2011

viajoO filme Viajo porque preciso, volto porque te amo ganhou um bom espaço na edição de ontem (quinta-feira) do jornal The New York Times. A crítica de cinema Jeannette Catsoulis classifica o filme como uma “provocativa ficção experimental” e faz uma descrição do longa cheia de impressões pessoais, além de elogiar a narração de Irandhir Santos e a caracterização visual das paisagens do interior do Nordeste do Brasil.

O filme, que foi exibido duas vezes em Nova York em um festival no ano passado, entra em cartaz nesta sexta em Manhattan. A direção é do pernambucano Marcelo Gomes e do cearense Karim Aïnouz. O longa também foi selecionado para o famoso festival de cinema de Veneza em 2009.

Veja o trailer do filme:

A seguir veja a reportagem do The New York Times na íntegra:

    I Travel Because I Have To, I Come Back Because I Love You (2009)

    Moods and Messages From the Earth
    By JEANNETTE CATSOULIS
    Published: March 24, 2011

    As singular as its title, “I Travel Because I Have To, I Come Back Because I Love You” embraces road movie, personal journal and trancelike study of arcing grief.

    Voiced by an unseen geologist (Irandhir Santos) to his left-behind love, this provocative experimental fiction from Marcelo Gomes and Karim Aïnouz unfolds on the stark scrublands of northeast Brazil. Studying the economic viability of cutting a canal through the forbiddingly arid land and displacing its inhabitants, the geologist finds that the barren, lonely surroundings increasingly exacerbate his dispirited mood. Home- and heartsick, veering from despair to resignation, he records the Earth’s fractures and resists “the mad urge to turn back.”

    Coming in at a tight 75 minutes, this strikingly original travelogue glides on the lovely lilt of Mr. Santos’s Portuguese narration. Listing the contents of a backpack (magnet, chloric acid, machete) or yearning for the absent beloved, his voice caresses the film’s portraits of soon-to-be-evacuees — a woman snipping rose petals from pink Styrofoam; two brothers stuffing straw mattresses, oaken faces buffed with sweat — like melancholy music. The sway of young prostitutes and a couple dancing in a nightclub, a tiny baby nestled between them, keeps time.

    To achieve the film’s unusual tones and textures, the director of photography, Heloisa Passos, used a variety of formats, assembling a visual record of poverty and labor that’s at once barbed and narcotic. As the region’s parched terrain drifts past the car’s dust-smeared windshield, the candid longing of a pretty call girl for “a leisure life” could not possibly seem more fruitless or more rueful.

    I TRAVEL BECAUSE I HAVE TO, I COME BACK BECAUSE I LOVE YOU

    Opens on Friday in Manhattan.

    Written and directed by Marcelo Gomes and Karim Aïnouz; director of photography, Heloisa Passos; edited by Karen Harley; music by Chambaril; produced by João Vieira Jr. and Daniela Capelato; released by FiGa Films. At the Anthology Film Archives, 32-34 Second Avenue, at Second Street, East Village. In Portuguese, with English subtitles. Running time: 1 hour 15 minutes. This film is not rated.

    WITH: Irandhir Santos (José Renato).

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Via Diario de Pernambuco

março 25 2011

“É aqui onde vivo, aqui me fortaleço”

Revista Continente, ed. 123, Março/2011
Por Dora Amorim

perfilNo dia desse encontro, Irandhir Santos estava prestes a deixar a cidade. Estava de férias, visitando a família e amigos, mas logo viajaria à Paraíba, depois ao Rio de Janeiro e, no final do mês de janeiro, estaria em Minas Gerais, onde receberia uma homenagem no Festival de Cinema de Tiradentes. O ator, nascido na cidade de Barreiros, agreste pernambucano, está habituado à rotina das viagens. Durante a infância, mudou constantemente de endereço, pois seu pai, gerente de banco, era transferido para uma nova agência a cada dois anos.

Aos 32 anos, Irandhir é saudoso ao falar do primeiro contato com o teatro, ainda criança, na cidade de Limoeiro. Foi na 7ª série que entrou em cena, atuando numa adaptação do Pai-nosso: “Lembro a sensação de ser visto em um palco. Houve o prazer de estar ali apresentando algo”. Após essa experiência, Irandhir nunca deixou de atuar. Dono da voz de José Renato, geógrafo do premiado longa-metragem Viajo porque preciso, volto porque te amo (Marcelo Gomes e Karim Airouz), e do papel do deputado Fraga, de Tropa de Elite 2 (José Padilha), obra mais vista do cinema nacional, Irandhir Santos é considerado um ator destacado em sua geração. Em 2011, vai estrelar mais quatro filmes, atualmente em fase de pós-produção: A febre do rato (Cláudio de Assis), O som ao redor (Kleber Mendonça Filho), A luneta do tempo (Alceu Valença) e A hora e a vez de Augusto Matraga (Vinícius Gentil Coimbra).

Leia a matéria na íntegra na edição 123 da Revista Continente.

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Via Revista Continente

janeiro 20 2011

O escolhido

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Jornal do Commercio (RJ), Coluna Marcia Peltier, 20/01/2011

RECORTE-JORNAL

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Via Jornal do Commercio / Rio de Janeiro

novembro 18 2010

Coluna Dia a Dia: PE tá podendo

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Coluna Dia a Dia, Jornal do Commercio, 18/11/2010

PE tá podendo
Em entrevista ao jornal O Globo, Selton Mello falou sobre os atores que deram uma nova cara ao cinema nacional. Entre nomes como Rodrigo Santoro, Caio Blat, Wagner Moura e Lázaro Ramos, o astro citou dois pernambucanos no time: Gustavo Falcão e Irandhir Santos.

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Via Jornal do Commercio

outubro 31 2010

Perfil: Irandhir Santos é um dos destaques de Tropa de Elite 2

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Correio Braziliense, 31/10/2010
Por Ricardo Daehn

Irandhir Santos (Fraga) Tropa de Elite 2 (foto: Alexandre Lima)

-Confesso que o anonimato me ajuda muito na profissão. O ator precisa observar o mundo-

Imediatamente depois das filmagens de Tropa de elite 2 — O inimigo agora é outro, o assédio do público tornou nítida uma nova certeza para o ator pernambucano Irandhir Santos: nas telas, como o pacifista professor Fraga — visto por muitos como o antagonista do eterno capitão Nascimento —, ele atingiu um novo patamar na carreira. “Confesso que o anonimato, muitas vezes me ajuda na profissão: o ator precisa ter liberdade para observar o mundo a ser reproduzido. Para mim, observar sem ser observado, funcionava muito bem, até então”, diverte-se, muito impressionado pela enorme repercussão do longa-metragem de José Padilha.

Dotado de potencial para desestabilizar o capitão Nascimento (Wagner Moura), Fraga, na opinião do intérprete, “nasceu a partir do processo histórico do deputado Marcelo Freixo, sendo contra uma postura de Segurança Pública vigente no Rio de Janeiro” — sem ser um opositor do protagonista. “É algo maior: ele é um professor, um grande aglutinador que atrai as pessoas para aquilo em que acredita. Nascimento é uma delas. Se não há mistura entre ambos, que são muito distantes, há aliança”, diz.

A construção de Fraga também obedeceu à união: “Foi feita pela trinca Padilha, Freixo e Fátima Toledo (preparadora de elenco). “Há folclore em torno da Fátima: ela é uma mão firme no processo, mas aponta para os caminhos que devem ser trilhados. Brinco que ela vem para os projetos sempre com dois objetos nas mãos: um é o martelo para quebrar a gente e, na outra, uma cola e, dos cacos, faz brotar uma coisa nova na nossa atuação”, explica.

Teatro
Há quatro anos afastado dos teatro — “tô com este buraco grande chamado saudade no peito” —, o politizado ator de 32 anos comunga do “momento muito especial para o desenvolvimento das artes”, que ele detecta, há uma década, justo quando recebeu o primeiro cachê, depois de formado em artes cênicas pela Universidade Federal de Pernambuco. Interpretando personagens importantes em sucessivos filmes, como Besouro, Olhos azuis e Quincas Berro D’Água, Irandhir só não se conforma com uma coisa no cinema: “Três meses é muito pouco para se viver uma vida. No teatro, nós preparamos um personagem durante oito meses”.

“Para compensar o pouco tempo, com concentração e estudo, entro de cabeça em cada projeto, para aproveitar o máximo”, avalia. O recebimento de tantos convites para filmes como Viajo porque preciso, volto porque te amo e Amigos de risco, reconhece o talento em detrimento do recurso fácil de recorrer a atores com atributos físicos exuberantes que sigam o padrão hollywoodiano. “Acho que, primeiro, veem a beleza da minha postura diante da arte. Tenho, cada vez mais, me afeiçoado ao cinema. O diferencial está em fazer da forma mais íntegra possível”, opina.

Importância
Premiado no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, como ator coadjuvante por Baixio das bestas (de Cláudio Assis), logo no primeiro filme, Irandhir não esquece a importância do personagem Maninho. “Ele cavava uma fossa na casa do velho que usava e abusava da própria neta. Estagnava aquele trabalho ao máximo, para ficar o mais próximo da menina, mas talvez ele fosse o mais besta fera do filme: tinha o sentimento da paixão, mas não fazia nada para salvar a menina”, observa.

À época envolvido com a série A pedra do reino, ele lembra-se de ser acordado, em Taperoá (Paraíba), pelos gritos dos colegas que anunciaram a vitória do Candango. “Foi um prêmio muito especial”, sintetiza.

DE NOVO COM CLÁUDIO ASSIS

Integrado à trupe de atores arregimentados regularmente por Cláudio Assis, Irandhir, atualmente, divide as gravações em estúdio do longa Febre do rato, com colegas como Conceição Camarotti, Matheus Nachtergaele e Jones Melo.

Protagonista do filme em andamento (depois das filmagens, os atores se ocupam das narrações), ele não esconde a afinidade com as propostas cênicas de Cláudio Assis. “Sou extremamente apaixonado pelo cinema verdade dele. É algo que sempre levanta discussões sociais”, esclarece. Com fabricação de jornais na própria casa, Zizu, o personagem que abraça, é um poeta anarquista, dado à declamação de poemas em comunidades do Recife e de Olinda. “Zizu é enérgico e acredita que, por meio da poesia, pode mudar o mundo. O diretor me disse: ele traz um sangue borbulhante, como quem tem febre o tempo todo”, conta. “Em suma, o personagem que vem para falar de amor —, mas da maneira Cláudio Assis de falar de amor”, observa, às gargalhadas.

Ainda aturdido pelo prestígio alcançado com Tropa de elite 2, o ator se apraz, ao vislumbrar a galeria de tipos que o público brasileiro está por conferir, como no caso de Clodoaldo, personagem do primeiro longa-metragem de ficção assinado por Kleber Mendonça Filho (ovacionado, no ano passado, em Brasília, com o curta Recife frio), O som ao redor. “O diretor, antes de me entregar o roteiro, me disse ‘o cara vem para dar segurança a uma rua’”, relembra, aos risos, prevendo o possível paralelo com o Fraga de Topa de elite 2.

Noutro registro, A hora e a vez de Augusto Matraga (de Vinícius Coimbra), em nova versão do conto de Guimarães Rosa, filmado em Minas Gerais, com o colega João Miguel (O céu de Suely), vai mostrá-lo como Quim, o braço direto de Matraga.

Afora o futuro percurso nas telas, o pernambucano de Barreiros tem de antemão outra certeza: a da costumeira visita a Limoeiro, onde “recarrega as baterias” na casa dos pais, Dona Helena, uma voluntária da Bolsa Família, e Seu Marcos, um aposentado e seresteiro. É no ninho familiar, “com uma penca de sobrinhos”, que Irandhir Santos se sente ainda melhor.

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Via Correio Brasiliense

outubro 24 2010

Tropa de Elite 2: A agonia do anti-herói

O Globo, 07/10/2010
Por Rodrigo Fonseca

tropa-cartazÁgua gelada é tudo o que existe no refrigerador do apartamento sempre pouco iluminado do tenente-coronel Beto Nascimento. Nos momentos de maior crise, ao “cair pra cima” (como ele diz), deixando de comandar o Bope para assumir a Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Segurança do Rio de Janeiro, o personagem imortalizado por Wagner Moura abre a geladeira, enche um copo e bebe. Num gole só, como se deixasse o líquido frio atenuar a dor da alma. Dor que, no primeiro “Tropa de elite” (2007), muita gente (incluindo críticos e cronistas) se recusou a enxergar, cobrindo-o num manto fascista. Aqui, no segundo e mais complexo filme da franquia de maior retumbância social da história recente do cinema brasileiro, é mais difícil não perceber sua agonia. Há um filho adolescente que o repudia, um governador carreirista boicotando seus atos, e houve uma involução da Lei — aquela Lei platonicamente perfeita que ele aprendera a amar.

Nascimento ficou mais seco, duro, com medo de perder, refletindo a instabilidade moral de uma cidade que viu o mal proliferar dentro da instituição responsável por resguardá-la: a Polícia Militar.

Em “Tropa de elite 2”, Nascimento virou Cristo. Não o imolado na cruz, mas Christos Sartzetakis, jurista grego que inspirou o promotor encarnado por Jean-Louis Trintignant em “Z” (1969), de Costa-Gavras. Não é à toa que, numa sequência, lê-se o nome de “Z” na fachada do Estação Botafogo, onde a ex-mulher de Nascimento, Rosane (Maria Ribeiro), e o filho conferem uma mostra em tributo a Gavras, presidente do júri do Festival de Berlim no ano em que José Padilha ganhou o Urso de Ouro.

Como o Christos de Gavras, Nascimento vê a Justiça como uma cartilha cuja gramática opera pela lógica da ação e da reação: “errou” é igual a “pagou”. Mas a sua lógica cartesiana agora se defronta com uma variável operacionalizada pela corrupção: o verbo “errar” gera, por inércia, a expressão “podemos dar um jeitinho? quanto é?”, jargão das propinas tão cultivadas pelas milícias. É sobre elas que o novo longa de Padilha fala, sem pudor algum de ser violento.

E fala numa estrutura épica, ramificada em núcleos dramáticos que expandem os problemas de Nascimento. A trama se desenrola num intervalo de quatro anos, em que o Rio se torna um feudo miliciano. A máfia de Padilha veste uniforme azul e estampa no peito um distintivo. É assim, de farda, que se apresenta o major Rocha, o Russo, um tira frasista (“Cada cachorro que lamba a sua caceta” vai virar bordão) e mau. Em seu jeitão Jece Valadão, o major é capaz de candidatar o ator Sandro Rocha ao posto de revelação do ano. Por pouco, não ofusca Wagner com suas tiradas maliciosas e seus atos de carrasco.

É Rocha quem deflagra a formação de uma aristocracia paralela no bairro de Tanque, sonhando expandir seus domínios pela Zona Oeste. Mas o roteiro de Bráulio Mantovani e de Padilha não o engessa como “vilão clássico”. Ele é apenas a sequela de um descontrole armado da falta de ética das autoridades. É nelas que Padilha mira. Seu “Tropa 2”, fotografado por Lula Carvalho, é mais um thriller político do que um favela movie.

Cristo Nascimento não é mocinho. É um anti-herói urbano lutando contra a passividade de um jogo de xadrez entre deputados. O único que se salva é Fraga, historiador e político inspirado no deputado Marcelo Freixo e vivido (com glórias) por Irandhir Santos. Ele é o termômetro da resistência intelectual de um Rio que não quer se armar para se defender. Fraga compõe com Nascimento a dialética tão cobrada ao “Tropa 1”. Se um é a força bruta a serviço da limpeza das ruas narcotizadas, o outro é o cérebro a serviço da razão. Entre eles, um abismo de afetos e ideologias, que Padilha aprofunda numa sequência tecnicamente mais requintada e frenética que sua matriz.

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Via Rio Show/O Globo

outubro 24 2010

Herói Nacional

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Herói Nacional

Ao som da música título e com imagens icônicas do primeiro, premiado e já neoclássico filme, Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora é Outro (Idem, 2010) do mesmo José Padilha, abre arrepiando, literalmente. Tão bom quanto o original, mas com a capacidade de inserir mais crítica e num tom inda mais duro. E como os caracteres avisam, que apesar da proximidade com o que acontece na realidade, tudo é apenas uma ficcionalização dos fatos. E como é real…

Corta para tensão de um prólogo tenso e meio. O agora Coronel Nascimento (o espetacular Wagner Moura) é o comandante do BOPE e tem de lidar com uma rebelião no presídio de Bangu I. O Capitão Matias (André Ramiro, ótimo) decide invadir e confrontar o cabeça do Comando Vermelho (Seu Jorge), mesmo contra as ordens do seu comandante e um pedido do ativista dos Direitos Humanos (Irandhir Santos), que tenta negociar a situação. O circo está armado.

Estão de volta a narração (necessária) do seu protagonista, que ampara e nos guia pela história, seu humor e marra peculiares. Mas reparem no peso nas costas que carrega durante todo o filme. E é tanto, que até sua linguagem corporal acompanha, com uma postura curvada, de abatimento. Mas quando é para explodir, ele está lá. Mais uma agigantada interpretação de Wagner Moura, também co-produtor do longa.

Nós já temos o nosso herói nacional, e ele se chama Roberto Nascimento (um grisalho Wagner Moura). Podem até chamá-lo de facista, mas ele é um mal necessário para a nossa engrenagem corrompida pela podridão instalada. E filme de ação, não é mais exclusividade de Hollywood. Nós temos José Padilha, de condução brilhante e cenas de ação orquestradas, como a investida ao morro com o comando vindo de um helicóptero numa sequência sensacional.

Em 2007 escrevi que o primeiro Tropa de Elite (vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlin, como melhor filme) podia ser definido de várias formas. Um soco no estômago? Talvez vários. Sufocante como o saco na tortura praticada pela polícia? Sim, mas com um gosto sensacional de cinema verdade. Muito violento? Certamente, mas as fortes imagens são necessárias e contextuais ao longa. O cunho social aparece também durante todo o filme, que gera uma onda de discussões sobre a violência, a impunidade, a utilidade e a confiabilidade da polícia, quem efetivamente alimenta o tráfico, além da crítica pesada à classe média alta brasileira.

Tudo amplificado de uma forma ainda mais dura na segunda obra, distante do tráfico, mas embrenhado em problemas sociais, como as milícias que tomam os morros cariocas. A crítica ao sistema, principalmente às cenas política e policial, são pesadíssimas, e com um pessimismo cruel, mas verdadeiro. Em relação ao primeiro, menos cenas de ação em favor de uma história muito mais elaborada, com o acréscimo da tensão e seu cunho investigativo, ainda mais importante. Seu tom de denúncia é a força de sua história, num roteiro primoroso de Padilha, Bráulio Mantovani, que também aborda (humanamente) a difícil relação entre pai e filho distantes.

Sua produção é classe A (efeitos sonoros é um dos destaques), trilha pulsante, edição envolvente (do esteta da transpiração, Daniel Rezende), e ótimo elenco de apoio (com as voltas de Millhem Cortaz, Maria Ribeiro, e a adição de um excepcional Irandhir Santos) abrilhantam ainda mais o imperdível Tropa de Elite 2. O final deixa uma dor no peito, um sentimento de impotência. Mas, essa dor, e esse sentimento são obrigatórios numa obra tõ poderosa. Se tiver de assistir apenas um filme, que seja a segunda, e ainda mais marcante, aparição do Tenente Coronel Nascimento na tela grande. E porque não mais um?
“Aqui missão dada é missão cumprida”

NOTA: 10,0
INFORMAÇÕES ESPECIAIS:

Filmografia de José Padilha: Ônibus 174 (2002; documentário); Urso de Ouro de melhor filme no Festival de Berlin por Tropa de Elite (2007); Garapa (2009; documentário); Daniel Rezende indicado ao Oscar de Edição por Cidade de Deus (2002), estréia também como diretor de segunda unidade em Tropa de Elite 2 (2010).

*Daniel Herculano é estudante de Jornalismo e um observador bem informado. Crítico de cinema formado em cursos com Ana Maria Bahiana (Hollywoodianas/Uol/Globo de Ouro), Pablo Villaça (Cinema em Cena/OFCS), Ruy Gardnier (Jornal O Globo/Contracampo) e Joaquim Assis (Roteirista). Graduado em Comunicação Social, é publicitário, produtor musical e assessor de comunicação. Assina também a coluna Listas em Cena no site Cinema em Cena (www.cinemaemcena.com.br).

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Via O Povo

setembro 20 2010

Nova cena de Irandhir Santos em Tropa de Elite 2

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setembro 20 2010

Novas imagens de Irandhir Santos em Tropa de Elite 2

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A seguir duas novas fotos de still de “Tropa de Elite 2” com o personagem Diogo Fraga (Irandhir Santos) na cena da invasão de um presídio de segurança máxima mostrada no filme.

Irandhir Santos (Fraga) Tropa de Elite 2 (foto: Alexandre Lima)

Irandhir Santos (Fraga) Tropa de Elite 2 (foto: Alexandre Lima)

Irandhir Santos (Fraga) Tropa de Elite 2 (foto: Alexandre Lima)

Irandhir Santos (Fraga) Tropa de Elite 2 (foto: Alexandre Lima)

Agende aí: Tropa de Elite 2 – Estreia 8/10
Site oficial: www.tropa2.com.br

TROPA DE ELITE 2 – Drama, Brasil 2010 – 116 minutos. Wagner Moura retoma o personagem mais marcante de sua carreira, o capitão Nascimento, na sequência de Tropa de Elite, filme também dirigido por José Padilha, ganhador do Urso de Ouro no Festival de Berlim, 2008. Nascimento, mais velho, cresce na carreira: passa a ser comandante geral do BOPE, e depois Sub Secretário de Inteligência. Em suas novas funções, Nascimento faz o BOPE crescer e coloca o tráfico de drogas de joelhos, sem perceber que, ao fazê-lo, está ajudando seus verdadeiros inimigos: os policiais e os políticos corruptos, que submetem a segurança pública a interesses pessoais. Agora, os inimigos de Nascimento são bem mais perigosos.

setembro 14 2010

“FEBRE DO RATO” Cláudio Assis grava filme em Olinda

Folha de Pernambuco, 02/09/2010

Ator Matheus Nachtergaele nos bastidores da locação

Ator Matheus Nachtergaele nos bastidores da locação

A comunidade de Gua­da­lu­pe, em Olinda, vivenciou uma di­nâmica diferente na manhã de ontem. Um bar em frente ao cemitério do bairro serviu de locação durante o segundo dia de gravação de “Febre do Ra­to”, novo longa do diretor per­nambucano Cláudio As­sis. De­pois da gravação, no dia anterior, na praia do Paiva, a equi­pe monopolizou a aten­ção dos mo­radores de Guada­lupe, que acompanharam o tra­balho dos ato­res Matheus Nach­tergaele e Irandhir Santos.

O filme retrata o poeta Zizo, no­me em homenagem ao ami­go de faculdade do diretor de “Ama­relo Manga”, mas que, no lon­ga, refere-se a uma figura re­volucionária, prota­gonizada por Irandhir. O ator, inclusive, par­ticipou de “Bai­xio das bes­tas”, outra realização de Cláu­dio. “‘Febre do Ra­to’, por meio da figura do Zizo, fala das possi­bilidades de as pessoas se­rem, simplesmen­te, o que são, de viver o que se quer, sem fa­zer qualquer tipo de conces­são”, comentou o diretor. O ator Matheus Nachtergaele dá vida a um coveiro, amigo do poeta.

A fábrica Tacaruna receberá as próximas filmagens – distri­buídas entre Olinda e Recife -, das quais participa outro núcleo de atores, vivendo jovens amigos de Zizo. Foram esca­lados Juliano Cazarré, Mariana Nu­nes e o músico Vítor Araú­jo. O filme, que será rodado em super 35mm, tem, ainda, no elenco Conceição Cama­rotti e Maria Gladys.

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Via Folha de Pernambuco