janeiro 31 2011
[Vídeo] Irandhir Santos no Festival de Tiradentes, 2011
Irandhir Santos dá seu tom sobre o cinema novo e a pendenga película versus digital.
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Nota: O som e a imagem do vídeo não estão sincronizados, mas o áudio está muito bom.
janeiro 31 2011
Mostra de Tiradentes premia filme ‘Os Residentes’
Estadão, 31/01/2011
Havia bons filmes concorrentes na Mostra Aurora – hoje, a principal vitrine da produção de cinema de invenção no País -, mas o júri jovem e o da crítica convergiram em selecionar “Os Residentes”, de Tiago Mata Machado, como o grande vitorioso da 14ª Mostra de Cinema de Tiradentes. O evento terminou sábado à noite, depois de mais de uma semana de homenagens, debates e projeções. O diretor mineiro mal terá tempo de saborear o sucesso. Mata Machado embarca em seguida para a Europa, onde “Os Residentes” integrará a programação do Fórum no Festival de Berlim, que começa dia 10.
O melhor longa do júri popular foi “Solidão e Fé”, de Tatiana Lohman, exibido no Cinema da Praça, ao ar livre. O tempo colaborou. Criada pela Universo Produção há 14 anos, a Mostra de Tiradentes consolidou seu prestígio nacional e internacional nos últimos quatro anos justamente com a Mostra Aurora, que tem curadoria de Cleber Eduardo. A Universo abriu essa importante janela para novos realizadores que buscam desenvolver outra linguagem para o cinema brasileiro.
Mas Tiradentes não se fecha a outros tipos de cinema, nem ao mal falado cinema de mercado. A mostra presta homenagens – este ano, ao ator Irandhir Santos e ao diretor Paulo Cezar Saraceni – e, por isso mesmo, o espectro das projeções contemplou até o maior fenômeno de bilheteria da história do País, “Tropa de Elite 2″, de José Padilha. Embora tenham passado rapidamente pela cidade, a ministra da Cultura, Ana de Hollanda, e a secretária do Audiovisual, Ana Paula Santana, não chegaram a discutir as grandes questões da cultura nem do cinema, especificamente. Mas os debates – estéticos e políticos – foram ricos e foi tirada a Carta de Tiradentes, lida na sexta-feira à tarde pelos atores Irandhir Santos e João Miguel.
Assinada por entidades e autores, a Carta visa garantir um espaço para o cinema de experimentação, que Tiradentes celebra. Assim como esse cinema encontrou o canal na iniciativa da Universo Produção, também necessita de incentivo para chegar ao mercado. Mesmo que “Os Residentes”, o vencedor deste ano, não vá fazer o público de “Tropa 2″ – os fabulosos 11 milhões de espectadores -, é um filme que atinge um segmento e precisa ser contemplado. O apoio à distribuição e exibição de filmes pequenos, autorais, foi um tema premente em Tiradentes.
“Os Residentes” concorreu em Brasília, no fim do ano. No debate em Tiradentes, o diretor lembrou que, a título de apresentação, havia dito em Brasília que era autor de uma tese sobre Jean-Luc Godard. Pronto, bastou para que seu filme e ele fossem rotulados como ‘’subgodardianos”. Não é o caso e “Os Residentes” sai agora aureolado de Tiradentes para tentar seduzir plateias internacionais em Berlim. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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Via Estadão
janeiro 30 2011
Recife respira cinema, diz homenageado em Tiradentes
Com 15 filmes no currículo, o ator pernambucano Irandhir Santos é um dos homenageados da 14º Mostra de Cinema de Tiradentes
Revista do Brasil, 30/01/2011
Por Carlos Minuano
Tiradentes – Com apenas cinco anos de carreira, o ator pernambucano Irandhir Santos, de 32 anos, é um dos homenageados na 14ª Mostra de Cinema de Tiradentes. Apesar do pouco tempo de estrada ele tem no currículo 15 filmes – 13 longas e dois curtas.
O trabalho mais recente, segundo ele, foi o mais marcante. Santos é o deputado Diogo Fraga, de “Tropa de Elite 2″ – a maior bilheteria do cinema nacional. Outros dois filmes entram em cartaz esse ano, “Tatuagem” e “Lobo Atrás da Porta”.
A correria foi intensa durante o festival, conversas com amigos, diretores, produtores, filmes, homenagens. Ainda assim, Santos abriu espaço na agenda agitada de Tiradentes para falar com a Revista do Brasil.
O cinema pernambucano está cada vez mais forte, nos últimos quatro anos você fez 14 filmes, quantos foram com diretores de Pernambuco?
Mais que a metade. No caso do Cláudio Assis eu até repeti. Depois de “Baixio das Bestas”, fiz o “Febre do Rato”, no final de 2010, que é o terceiro longa dele. Acredito que isso tem haver com minha proximidade com os diretores e com acreditar nessa maneira nova de contar histórias que está surgindo por lá, o cinema pernambucano se voltou às suas raízes, isso tem impulsionado a produção audiovisual e uma nova linguagem que permite dialogar com qualquer público, do Brasil e do mundo. Faço parte desse movimento que está surgindo na cena pernambucana.
Você pode falar um pouco mais sobre essa nova cena de Pernambuco?
Você vai ao Recife, por exemplo, e tem lugares de exibição muito especiais, como a Fundação Joaquim Nabuco, bem coordenada pelo Kleber Mendonça. Existem vários lugares onde se encontram pessoas de cinema que geram debates e discussões interessantes. É como se a cidade respirasse cinema em seu ambiente natural, em seu habitat, em sua geografia.
Durante debate aqui em Tiradentes, um jornalista falou sobre os prós e contras da exposição excessiva em filmes e novelas, e citou Wagner Moura, protagonista em “Vips” e “Tropa de Elite 2″. Num ele comanda uma rebelião no presídio de Bangu, no outro, é o coronel Nascimento que reprime essa rebelião. Você, que fez 14 filmes em quatro anos, não tem medo do desgaste da imagem?
Não acredito na questão do desgaste, acho que o ator tem esse prazer, esse privilégio da transformação. A questão importante é a versatilidade em ser ator, encarar personagens diferentes e a cada um, ser outro. Acho que o cinema te dá essa possibilidade também, porque junto ao ator há outros profissionais altamente responsáveis por aquela fisicalidade que irá ficar na imagem. São excelentes figurinistas, maquiadores e isso te ajuda muito a criar uma persona diferente. Então, pelo contrário, acho que estar em várias produções significa que você tem a capacidade de ser outro.
Quais são suas apostas para 2011?
Eu citaria entre tantas obras que passaram aqui na Mostra de Tiradentes, mais de 120, mas quero ressaltar um ponto que considero determinante, tanto para Tiradentes quanto para a trajetória nacional do cinema mesmo. Estou falando dos documentários que estão vindo com uma grande força. Aqui na mostra Aurora, dos sete longas, cinco são documentários, todos muito fortes e peculiares na maneira de serem feitas.
Você destaca algum nome?
Mais do uma aposta faço uma reverência ao trabalho de ficção da cineasta Renata Ribeiro. Eu acompanhei o trabalho dela como diretora de arte em dois filmes que participei. Recentemente ela veio à frente dos projetos, como diretora, e tem desempenhado um trabalho fantástico.
Você pode citar alguns desses filmes?
Em Tiradentes, ela apresentou o filme “Praça Walt Disney”, produzido no ano passado. Foi a pré-estréia nacional. Aposto nessa diretora como uma forte criadora. Eu gosto bastante do Super Barroco, que foi o primeiro curta-metragem dela, onde a Renata faz a junção perfeita do que ela é como profissional na direção de arte.
Por quê?
Porque ela junta elementos onde o objeto no cinema tem tanta importância quanto o ator, a imagem, e ela faz isso de uma maneira brilhante unindo o ator aos objetos como personagens principais no filme Super Barroco. É muito interessante, a estética do filme salta aos olhos, mas está à mercê da história do filme. Muito pela experiência dela como diretora de arte e agora atrás diretamente das câmeras, como diretora, aposto muito na Renata.
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Via Rede Brasil Atual
janeiro 25 2011
Quem brilhou na festa foi o ator pernambucano Irandhir Santos
Brilho 1
Quem brilhou na festa foi o ator pernambucano Irandhir Santos, um dos homenageados da noite. Em quatro anos, ele fez nada menos que 15 filmes, vários deles ainda inéditos. Na conversa com jornalistas e público no dia seguinte, contou com se prepara para os papéis e recebeu elogios de alguns diretores presentes na mesa e com quem ele trabalhou, entre eles, Cláudio Assis e Kleber Mendonça.
Brilho 2
Cláudio Assis, com seu jeito peculiar de distribuir afetos, elogiou Irandhir, com quem trabalhou em Baixio das Bestas e A Febre do Rato (inédito), dizendo que se existe uma “raça ruim” é a do ator, mas que teve sorte de contar com Irandhir em seus filmes. “Ele é doido, ele não tem juízo”.
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Via RAC
janeiro 24 2011
Nem Deus nem o Diabo
Luiz Carlos Merten, 24/01/2011
TIRADENTES – Cá estou no meu quarto dia na Mostra de Tiradentes e não tenho informado muito – nada – vocês sobre o que está ocorrendo. A menina dos olhos da mostra é a seção Aurora, com curadoria de Cléber Eduardo, que começa hoje à noite e vai até sexta. No sábado, ocorre a premiação. Na sexta passada, a mostra homenageou Paulo Cézar Saraceni e Irandhir Santos e exibiu a pré-estreia nacional de ‘O Gerente’, que Saraceni adaptou de Carlos Drummond de Andrade. Não gostei muito do filme – achei sua estética mais à retaguarda do que à vanguarda -, mas ele tem cenas magníficas. A recriação do poema ‘E agora José?’, um clipe de João Gilberto. No sábado e domingo, além dos primeiros debates, tivemos as mostras Olhares e Vertentes, que exibiram filmes como ‘Avenida Brasília formosa’, de Gabriel Mascaro, e ‘Cortina de Fumaça’, de Rodrigo Mac Niven. Apesar de ser homônimo do filme de Wayne Wang com Paul Auster, esse ‘Cortina de Fumaça’ é um documentário engajado na causa da descriminalização das drogas. Nada mais contra a corrente dos discursos que ouvimos ultimamente, até como justificativa para a invasão dos morros do Rio. Cientistas destroem falácias sobre a maconha como porta de entrada para drogas pesadas e o próprio Fernando Henrique Cardoso, que se apresenta como sociólogo e ex-presidente, advoga pela descriminalização e diz que as consequências disso vamos ter de ver depois. ‘Cortina de Fumaça’ fez a maior sensação e foi aplaudido de pé pelo público que, horas antes, também aplaudira de pé “Tropa de Elite 2′, de José Padilha, na homenagem a Irandhir Santos. Por paradoxal que pareça, não é tão difícil de entender assim. O documentário de Mac Niven tem uma pegada espetacular, à Errol Morris, e o filme de Padilha é cinema de tempos fortes. Ontem, tivemos mais um filme nesta pegada, ‘VIPs’, de Toniko Mello, que venceu o Festival do Rio. Gostei mais do que da primeira vez em que o vi e participo hoje da discussão, na mesa com o diretor. Cinema de mercado versus cinema de pesquisa, como é a tônica da mostra Aurora. Mesmo que seja incompleto – o próprio diretor definiu-o como ‘esboço de um filme’ -, gostei de ‘Avenida Brasília Formosa’, que se constrói nos limites do documentário e da ficção. Sou aberto à experimentação, mas nunca me fecho ao ‘mercado’. Nem sou louco. Há mais ousadia e experimentação em filmes de grande espetáculo como os de Christopher Nolan e David Fincher do que em muito filme miúra. O mundo e o cinema mudaram muito, mas me lembro dos meus verdes anos, quando tentava harmonizar Don Weiss e Riccardo Freda com Michelangelo Antonioni, para desespero do (P.F.) Gastal, o crítico oficial da época, no Rio Grande do Sul. Gastal rezava pela cartilha de Buñuel, de Bergman. Eu ousava dizer que ‘Hajji Baba’ e ‘As Sete Espadas do Vingador’ eram tão bons e até melhores. Nunca consegui fazer essa divisão entre cinema de arte e comercial, entre experimentação e mercado. Seguir uma ou outra dessas tendências não garante a ninguém o céu nem o inferno. Há bons, grandes filmes (até como experimentação) de mercado e existem obras experimentais que não valem o celulóide ou digital que foi gasto.
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Via Luiz Carlos Merten
Ministra da Cultura entregou os prêmios aos homenageados. O evento vai até o dia 29 de janeiro
Gazeta do Povo, Caderno G, 22/01/2011
A 14ª Mostra de Cinema de Tiradentes foi aberta na noite de sexta-feira (21) com desfile, homenagens e a pré-estreia mundial do filme “O Gerente”. O estilista Ronaldo Fraga foi convidado para comandar o desfile na abertura do evento.
Segundo ele, o cinema e a moda tem tudo a ver. “A moda está presente no cinema como a música. Tentei usar as roupas como uma forma de projeção. Foi um grande prazer participar da abertura da Mostra de Tiradentes’, disse o estilista.
A coordenadora da mostra Raquel Hallak disse que o evento já ocupa um papel importante no calendário audiovisual. “Este evento é uma manifestação da nova cultura. Ele tem o objetivo de enriquecer o debate audiovisual. Com a presença de pessoas importantes do meio e da Ministra da Cultura, o evento com certeza ganhou um papel importante no meio audiovisual’, disse.
Durante a abertura, a ministra da Cultura, Ana de Holanda, entregou o prêmio para os dois homenageados da noite, o ator Irandhir Santos e o cineasta Paulo Cezar Saraceni. No discurso, a ministra elogiou o trabalho dos homenageados e destacou a importância de eventos como a Mostra de Cinema de Tiradentes para o cinema nacional.
O filme ‘O Gerente’, do homenageado Paulo Cezar Saraceni, abriu as exibições. O filme, que teve sua pré-estreia mundial, traz no elenco nomes importantes do cinema brasileiro como Ney Latorraca, Joana Fomm, Letícia Spiller, Nelson Xavier, entre outros.
A 14ª Mostra de Cinema de Tiradentes vai até o dia 29 de janeiro. Serão exibidos 134 filmes brasileiros em três espaços, Cine Tenda, Cine Praça e Cine Teatro. Toda a programação do evento é gratuita.
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Via Gazeta do Povo
janeiro 22 2011
14ª Mostra de Cinema de Tiradentes
Contramão, 22/01/2011
Teve início na noite de terça-feira, 21, a 14 Mostra de Cinema de Tiradentes. Ao todo, são aguardadas cerca de 50 mil pessoas, no ano passado , de acordo com a organização do evento, estiveram em Tiradentes 48 mil pessoas que prestigiaram as oficinas, pre-estreias e shows.
O grande destaque da primeira noite é a presença da Ministra da Cultura, Anna de Hollanda e as homenagens aos cineastas Paulo Cesar Saraceni e Irandhir Santos , que lança na mostra, seu novo filme “O Gerente”.
Com o tema “Inquietações Políticas” , a edição de 2011 traz filmes de grande repercussão entre o público, como “Tropa de Elite 2?, sucesso de bilheteria no Brasil, além de curtas e documentários de grandes cineastas nacionais e internacionais.
O Jornal Contramão acompanha os três primeiros dias de festival e traz, diariamente, novidades sobre as exibições e os bastidores.
Homenagens e pré-estréia marcam abertura da Mostra de Tiradentes
Ministra da Cultura, em seu primeiro compromisso oficial, abre o circuito de festivais do ano defendendo o cinema e a diversidade

Irandhir Santos, Anna de Hollanda e Paulo Cézar Saraceni
A cerimônia de abertura da 14ª Mostra de Cinema de Tiradentes foi apresentada pela atriz Dira Paes, no Cine Tenda, que convidou ao palco a Ministra da Cultura, Ana de Hollanda para abrir oficialmente a mostra enfatizando, em seus discurso, a diversidade cultural do povo brasileiro e a qualidade do cinema produzido no país.
O ponto alto da cerimônia, a homenagem ao cineasta carioca Paulo Cézar Saraceni e ao ator pernambucano Irandhir Santos, foi marcada pelo depoimento emocionado do pai do ator. “O meu moleque herdou do avô o gosto pelas artes”, revelou. Já Irandhir Santos, em seu discurso ressaltou a importância dos professores de ensino médio para sua formação como ator.
Paulo Cézar Saraceni, visivelmente emocionado, abordou a sua trajetória como diretor e frisou a importância do Cinema Novo para o Brasil, ainda nos dias de hoje. Os homenageados receberam das mãos da Ministra Cultura o Troféu Barroco.
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Via Contramão
Cineclick, 22/01/2011
Por Heitor Augusto

Presença da recém-empossada ministra da Cultura Ana de Hollanda, discurso em defesa do cinema brasileiro, homenagens emocionadas, projeção de um Saraceni pé-na-porta e desenvoltura de Dira Paes como mestre de cerimônia foram alguns dos ingredientes da noite de abertura, sexta-feira (21/1), da 14ª Mostra de Cinema de Tiradentes.
Começou atrasado, mas, quando engatou, foi de vez, num clima gostoso – claro, dentro dos parâmetros de uma cerimônia de abertura de um festival. Alguns agradecimentos aqui, outros ufanismos dali – incluindo o Hino Nacional – e a cerimônia foi andando, com Dira Paes tropeçando em algumas palavras, mas com o bom humor necessário em situações assim.
“O Ministério da Cultura está aberto”, declarou Ana de Hollanda. Um cartão de visitas político para o começo de gestão. Veremos o que vai significar essa abertura nos próximos quatro anos no MinC e na SAV (Secretaria do Audiovisual), sob a nova gestão de Ana Paula Santana.
Homenagens
Duas gerações separadas por quase cinquenta anos foram as homenageadas na abertura da Mostra de Cinema de Tiradentes. O primeiro, Paulo Cezar Saraceni, cinema novista e de vanguarda, desaparecido na última década até ressurgir, para o cinema e para a vida, com O Gerente, projetado na abertura.
Do outro, Irandhir Santos, ator que mergulhou no cinema nos últimos quatro anos, trabalhando com Cláudio Assis (Baixio das Bestas), Karim Aïnouz e Marcelo Gomes (Viajo Porque Preciso, Volto Porque te Amo), José Padilha (Tropa de Elite 2) e José Joffily (Olhos Azuis).
Saraceni já atravessou muitas fases do cinema brasileiro, desde a transformação do Cinema Novo e Marginal, a produção da boca, os sucessos de bilheteria dos anos 70, a inflexão dos anos 80, Retomada e o momento atual. “Eu não me interessava por cinema comercial”.
Irandhir nasceu no teatro, ainda no colégio, despertado por professoras. Tornou-se profissional em 2000 e entrou para o cinema com uma geração de cineastas pernambucanos em ascenção. “Quando a gente conta uma história da qual é próxima, creio que o nível de sinceridade é maior”, contou o ator ao Cineclick.
Numa mostra de cinema que prioriza a reflexão em cima da produção contemporânea, muito saudável a presença de um ator que surgiu há pouco e um diretor na estrada há muito.

Adaptação de Drummond
Desta vez, Saraceni levou Carlos Drummond de Andrade ao cinema. O Gerente [foto] traz um respeitoso funcionário de um banco, Samuel (Ney Latorraca), que tem uma mácula em sua praticamente imacuda vida: ele gosta de morder dedos de senhoras.
Isso nos anos 50, quando a história se passa. Enquanto deixa seu desejo sádico aflorar, Samuel o aplica em uma série de lindas mulheres que atravessa seu caminho: Letícia Spiller, Anna Maria Nascimento e Silva, Djin Sganzerla e Adriana Bombom vivem as senhoras vitimadas pelo gerente mordedor de dedos.
Em O Gerente, quem comanda é o desejo. E Saraceni não pretende uma representação fiel da realidade, cinema-ilusão. Trata-se de realidade fílmica e a direção não aceita sonegar isso do espectador. Numa mise-en-scène um tanto Bressaniana (A Erva do Rato), seguimos o desejo de Samuel num filme ousado, com vozes narrativas paralelas e constante desmascarar de que se trata, apenas de um filme.
Importante que um cineasta de 77 anos ainda seja um inconformado.
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Via Cineclick
Cinema Escrito, 22/01/2011
Por Luiz Joaquim

na foto de Alexandre C. Mota, aparecem, da esquerda para a direita: Kleber Mendonça, Leo Lacca, Xico Sá, Irandhir, Eric Laurence, Cláudio Assis
O que esperar de um mesa de debate com o jornalista Xico Sá mediando os cineastas Eric Laurence, Leo Lacca, Kleber Mendonça Filho e Cláudio Assis? Humor, tiração de onda e propriedade nos argumentos. Foi o que acontece agora há pouco, no final da manhã, aqui na 14ª. Mostra de Cinema de Tiradentes, quando aconteceu seminário “Revelção contemporânea” a partir da homenagem que o evento faz ao ator pernambucano Irandhir Santos, presente também, claro, na tal mesa.
Abaixo um raio-x do conversar, quase sem edição de texto, e incluído interverção da platéia que lotou auditório do Centro Cultural Yves Alves. Acompanhe:
Xico pergunta a Irandhir: Ainda tem cinema em limoeiro? E qual emoçao de ver “Paixao de Cristo” no interior?
Irandhir: Ver a “Paixáo de Cristo”no cinema era o ponto crucial para a família chorar coletivamente. Visitei aquele cinema da cidade em todas as fases: para ver a “Paixao de Cristo”, ver “Os Trapalhões” e os “filmes educativo” (rindo). Mas falando sério, um professor meu, chamado Guimaraes, foi quem me disse, “vá fazer teste com Marcelo Gomes para estar no filme dele”. E hoje acho que a postura do ator no cinema parte de um princípio anterior, mais como um co-autor. Talvez o fato de eu pensar assim seja influencia dos diretores com quem trabalhei. O ator passa de puro interprete a co-autor
Xico para Eric Laurence: Como foi o encontro com irandhir?
Eric: Conheci na filmagem do “Azul”, e foi muito bom porque é bom estar com uma pessoa que quer chegar ao máximo.
Eric pergunta a Irandhir: Não temos escola de direçao de atores no pais, o diretor trabalha de forma intuitiva. Como você lida com isso?
Irandhir: Em “A Febre do Rato” (filme em montagem de Cláudio Assis com Irandhir atuando), meu personagem é um um poeta revolucionário que construía um jornal no quintal e ia pro centro do Recife. Eu perguntava ao Hilton Lacerda (roteirista): quem é esse cara? Hilton responde apontando com a cabeça para o Cláudio (Irandhir faz o gesto de Hilton e a platéia ri).
Eu criei artifícios , tenho um caderninho que anoto tudo. Isso me ajuda.
Eric para Irandhir: E quando o diretor atrapalha?
Irandhir: Não vou por esse princípio. Eu fico colado no diretor. E tento sondar, enxergar a maneira como ele quer contar a história.
Kleber Mendonça:
Não usava atores nos meus filmes. Aconteceu coisa nova com “O Som ao Redor” (filme em montagem de Kleber, com Irandhir atuando), porque meu filmes foram ganhando de certa forma um sentido de mais profissionalismo. Na verdade, eu sempre preferi trabalhar com não atores. O preconceito acabou com Irandhir em “O Som ao Redor”. Na verdade com quatro atores no meu filme: Maeve Jinkings, W. J. Solha, Gustavo Jahn e Irandhir me ensinaram uma coisa bonita, é bonito roubar uma cna de um não-ator, mas é igualmente lindo trabalhar com um profissional e vê-lo chegar numa pefeiçao de técnica que nao parece técnica, isso é o que é o bonito.
Eu nao queria trabalhar com Irandhir no “Som…”. Eu achava que o ator para o personagem tinha de ser misterioso e desconhecido como personagem é. Mas o Irandhir compreendeu tão bem o roteiro que numa conversa, quando falava desse roteiro, ele me ganhou fácil.
O Iranhdir se mudou pra setubal, bairro desinteressante onde moro. E isso mostra um pouco sobre ele.
Leo Lacca: O caderno de anotação de Irandhir é famoso, e aqui tá Amanda Gabriel que trabalhou no elenco de “O Som…” ele sabe do que tô falando. Mas, quando trabalhei com o Irandhir em “Décimo Segundo” foi quando o meu momento onde aprendi a dirigir atores. O filme era função dos atores. Estabeleceu-se ali uma relação de amizade, não tenho pretensão de ter com outro ator. Falava coisas pra ele que não falaria com outras pessoas. Em “O Som…” foi diferente, pois a história não partia de mim. Irandhir me impressionou ali com sua versatilidade.
O caderno dele gera coisa impressionantes. Numa cena, ele tremia a boca na hora certa, toda vez, e eu pensava: esse cara é foda!. Decidi perguntar a ele, como é que faz isso e ele nem sabia de que tremidinha eu tava falando. A entrega e coragem dele são impressionantes.
Eric: Como você sai dos personagens?
Irandhir: Da mesma forma que leva tempo pra entrar, demora pra sair. Agora que acontece as estreiaa dos filmes de dois anos atrás eu rodei, volto aos cadernos para falar dos personagens em entrevistas.
Nesse momento, já com mais de 40 minutos de debate, Xico Sá interrompe a fala de Iranhir para anunciar que Cláudio Assis tá chegando: Venha pra cá seu…. filho da puta.
Cláudio Assis, já acomodado a mesa:
Bom dia e desculpa, é que eu dormi na Pousada errada (risadagem no auditório). O motorista me pegou e levou pro Cine-Tenda (lugar onde filmes são exibidos), me lagou lá e fugiu (mais risadagem geral).
Eu comecei como ator de teatro, eu sabia que não era bom ator. Feio do que jeito que era eu percebi que só ia ganhar papel de dublê de defunto (mais risos). Aí comecei a dirigir teatro e sei que é ator é uma raça ruim. Pense numa peste ruim! (risos). Mas tive sorte, com todos atores que trabalhei. E trabalhei com atores de escolas diferentes. Dira Paes, Jonas Bloch, Everardo Pontes, É preciso cuidado pra conquistar eles, os atores. E como é difícil e prazeroso quando isso acontece pois elas te dão tudo, elas sáo você mais que você mesmo.
O Irandhir é animal, não tem juizo. Eu reprovei dois testes dele no “Baixio das Bestas”. (segundo filme com Irandhir). Os atores fazem tudo, eu só dirijo a munganga. Se eu pudesse botava nos créditos assim: “Diretor de Muganga: Cláúdio Assis”. (risos)
Da platéia, Amanda Gabriel, atriz e preparadora de elenco (que estudou na Universidade Federal de Pernambuco com Irandhir, e trabalhou com ele em “Amigos de Risco” – ADR – e em “O Som ao Redor”) comenta:
É impressinante como Irandhir se transforma em algo que ele não é. Na época de ADR eu sabia do caderninho, e perguntei a ele: posso olhar? Lá tinha uns desenhos e também tinha: “Joca (personagem de Irandhir no ADR) nao conheceu os pais. Joca cresceu vendo filmes do Charles Bronson. Joca tem a figura de Charles Bronson como pai”. Depois disso nunca mais quis ver o caderninho.
Irandhir: Em “A Pedra do Reino”, um psiquiatra nos deu palestra sobre o inconsciente. O caderninho passou a dormir comigo. Certa noite, num sonho, me veio a imagem do Quaderna, meu personagem na série. E eu acordei e fiz o desenho no caderno. Mostrei ao Luiz Fernando Carvalho (diretor da série) e ele disse que naquele momento, estavam pensando na imagem do Quaderna na fase velha. Ele gostou do desenho e chamou o maquiador, o figurante e montaram o velho Quaderna a partir do meu desenho.
Klebler: Você abraçou o rigor no estudo de seus personagens desde sempre ou descobriu há pouco tempo?
Irandhir: Foi por necessidade. No set de filmagem o tempo é menor e muito confuso
Foi um ato de defesa meu.
Kleber: Parece que você entra num transe. Entre o `ação` e o `corta`, você continua focado na próxima cena. O Solha, por exemplo, sai rápido do personagem após o `corta`, você não. E daí cria-se uma tensão no set de respeitar os dois jeitos.
Irandhir: No “Baixio…”, o personagem aparece muito bêbado e eu pensava, onde vou achar essa bebedeira?
Jornalista Marcelo Miranda, da platéia pergunta: Você valoriza a expressao do corpo
É o corpo que te projetou em “A Pedra do Reino”. Isso foi é fundamental. Como é sua noção do ator por inteiro e não so pelo rosto?
E como a experiência de trabalhar com a Globo, industrial?
Irandhir: Em “Viajo Porque Preciso, Volto Porque te Amo”, foi uma experiência maravilhosa, sem minha ferramenta principal de trabalho, que é meu corpo. O desafio foi, atraves da voz, eu ter perna, braço e ter coraçao.
Cláudio pergunta: Onde você foi encontrar Zizo (personagem de “Febre do Rato”)?
Irandhir: Fui bucar o zizo no Recife e em tu (fala olhando para Assis). Foi diferente ali, porque você imprimiu no filme a improvisação. Tinha que captar a expressáo das pessoas. E foi revelador pra mim, pois passei a ver o Recife que nao conhecia. Foi linda por ter sido permeada por poesia.
Cláudio Assis: Zizo tá em “Febre do Rato” que é uma expressáo de Pernambuco. Serve pra quando você tá com tesão, querendo conquistar alguma coisa. Tá embevicido de uma vontade medonha. É também uma expressão que leva a idéia da leptospirose, mas me refiro no filme quando você tá azougado, que é quando você bebe cachaça com pólvora preta e limão (platéia cai na guargalhada). Você fica com o pau duro, a xoxota pulsando e o cu piscando.
Leonardo Mecchi, na platéia, jornalista na produção da Mostra de Tiradentes, pergunta:
É o fato de você ser um menino curioso que te faz querer descobrir o além do cinema?
Irandhir: Sou curioso e foi uma estratégia minha; no Recife náo tinha curso. E decidi, vou aprender fazendo, ficava atento a testes na cidade. E quando se está atrás das câmeras, ocorre algo entre o ser-humano e a máquina. Quando esse encontro acontece quero que a humanidade ultrapasse a máquina. Meu encontro é nesse sentido, para que o humano vença a máquina.
Kleber: Irandhir é o ator de cinema que entende de cinema
Cláudio fala, após ser acordado de seu cochilo por Xico Sá:
Eu trabalhei com ator em “Conceição”, curta de Heitor Dhalia. Aí o fotógrafo ficava me dizendo. “O foco tá pequeno, você não pode me mexer. Aí eu respondi… (Cláudio pára, dá pausa, e fica uma tensão no auditório, até ele reproduzir o que respondeu ao fotógrafo. Então ele solta): E por que me chamou? (risadagem de novo no auditório). Eu não sou ator. Eu vou mexer sim e você que venha atrás de mim.
Cláudio continua: Eu acredito em ator de verdade, que é minha extensão. Não acredito nos preparadores de elenco que passam dois anos. O ator é a minha vida. Passei 20 anos fazendo filme. Quem chama o roteirista, o fotografia para falar tudo com o ator é uma merda. E eu, vou fazer o que? Meu trabalho é qual? (e de voz já alta, Claudão grita): Ator é Irandhir, o resto foda-se.
Fim do debate, sob aplausos intensos e boa parte do auditório de pé.
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Via Cinema Escrito







