setembro 28 2009

Jornal do Commercio

22-07-2009
Coluna Dia a Dia – Roberta Jungamann
O ator pernambucano Irandhir Santos de volta ao Recife, depois de receber o prêmio de melhor ator coadjuvante no festival de Paulínia-SP, como Nonato, o imigrante brasileiro nos EUA, no filme Olhos azuis, de José Joffily faturou seis prêmios no total.

setembro 28 2009

Pernambuco Brilha no Festival de Paulínia

Jornal do Commercio PE
Publicado em 18.07.2009
Eugênia Bezerra
ebezerra@jc.com.br
Enviada especial

PAULÍNIA, SP – Os filmes Olhos azuis, de José Joffily, e Só dez por cento é mentira, de Pedro Cezar, receberam os prêmios de melhor filme de ficção e documentário, respectivamente, no 2º Festival de Paulínia. A premiação aconteceu na noite da última quinta-feira, no Theatro Municipal, e contou com a avant-première de Tempo de paz, filme de Daniel Filho (homenageado pelo festival) e show de Paralamas do Sucesso. A cerimônia teve uma confusa apresentação feita pelos atores Murilo Benício e Guilhermina Guinle, que não se entenderam com o teleprompter diversas vezes durante a noite. O nome do premiado na categoria direção de curta-metragem, por exemplo, só foi conhecido depois.
Entre os curtas foram premiados Timing, de Amir Admoni, e Spectaculum, de Juliano Luccas, nas categorias nacional e regional, respectivamente. A melhor direção de ficção foi para Ana Luiza Azevedo, de Antes que o mundo acabe. Já na categoria documentário, o júri escolheu a dupla Roberto Berliner e Pedro Bronz, por Herbert de perto. O prêmio especial do júri ficou com Contador de histórias, de Luiz Villaça. Já a crítica escolheu Antes que o mundo acabe como a melhor ficção e Moscou, de Eduardo Coutinho, como o melhor documentário.
Olhos azuis e Antes que o mundo acabe foram os filmes mais premiados desta edição, cada um com seis Meninas de Ouro (o nome do troféu de Paulínia). Entre os recebidos por Olhos azuis (que foi parcialmente filmado no Estado), por exemplo, está o de melhor ator coadjuvante para o pernambucano Irandhir Santos.
Ele disse que já sentia agraciado por exercer o ofício de ator no Brasil e agradeceu ao festival por voltar para casa “com uma bela menina”. “Cheguei na terça-feira e fiquei impressionado com o porte do festival e com a qualidade também. Paulínia tem tudo para se transformar em um grande festival. Fico feliz com o trabalho, que este bom começo seja o início. Foi um desafio fazer o Nonato, falar em inglês, mas confiei na equipe e na sensibilidade do Jofre”, afirmou o ator após a cerimônia.
Do mesmo filme, foi premiada Cristina Lago, que dividiu o prêmio com outras duas atrizes de Quanto dura o amor?, Silvia Lourenço e Maria Clara Spinelli, que usou a frase de uma amiga para agradecer: “Não apenas respeite o diferente, mas ame o diferente. Acho que é isso que o festival está fazendo aqui hoje”, afirmou. Maria Clara brincou dizendo que sempre quis uma boneca quando criança e nunca tinham lhe dado. “Agora eu tenho uma menina de ouro”. Por coincidência, a categoria de melhor ator neste ano também foi dividida entre três profissionais, que interpretam o protagonista do filme O contador de histórias em diferentes idades.
Homenageado desta edição do festival, o ator, produtor e diretor de cinema e TV Daniel Filho apresentou Tempos de paz antes da cerimônia de encerramento. O drama é ambientado em abril de 1945, quando os combates da 2ª Guerra Mundial já cessavam na Europa. A trama se desenvolve no porto do Rio de Janeiro, com o embate entre um interrogador alfandegário e ex-torturador da polícia política de Vargas e um ex-ator polonês que deseja entrar no Brasil, mas é confundido pelos nazistas.
A dupla é interpretada por Tony Ramos e Dan Stulbach. Curiosamente, o tema é parecido com o de Olhos azuis, mas com uma situação invertida. Se, no de Joffilly, um brasileiro é humilhado no exterior, no de Daniel Filho, é um estrangeiro que pena para tentar refazer a vida em nosso país. O falante Daniel Filho subiu ao palco e disse que estava nervoso (e que até havia tomado um lexotan) e comparou este tipo de homenagem à comemoração de um aniversário. “É como cantar parabéns. Mas não é por que você nasce, é porque trabalhou. Melhor ainda”, afirmou o diretor, que agora dedica-se à cinebiografia do medium brasileiro Chico Xavier (com cenas filmadas em Paulínia).
» A jornalista viajou a convite da produção do evento

setembro 16 2009

Ator Pernambucano em Ascenção

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Diário de Pernambuco
Atuação // Melhor ator coadjuvante no 2º Festival Paulínia de Cinema, Irandhir Santos conta sobre os novos planos
André Dib
andredib.pe@diariosassociados.com.br

Premiado como melhor ator coadjuvante pelo trabalho no filme Olhos azuis, de José Joffily, o ator Irandhir Santos Foto Noticia
foi um dos destaques do 2º Festival Paulínia de Cinema. Na festa de encerramento do evento, na última quinta-feira, os aplausos e sorrisos são a prova de que o evidente talento deste pernambucano de 30 anos conquistou mais adeptos. Desta vez, não como o Maninho de Baixio das bestas ou o Quaderna, de A pedra do reino, apenas para citar dois de seus grandes momentos. E sim como Nonato, o brasileiro que há dez anos mora nos EUA, mas amarga o pão que o diabo amassou na mão de Marshall, chefe do departamento de imigração do aeroporto JFK.

Em entrevista ao Diario, Irandhir conta como construiu esse novo personagem e os desafios da interpretação em outra língua e as três novas produções em que participa: A morte e a morte de Quincas Berro D’água, de Sérgio Machado sobre livro de Jorge Amado; Besouro, de João Daniel Tikhomiroff; e A hora e vez de Augusto Matraga, de Vinícius Coimbra, que será rodado em Minas Gerais, com João Miguel no papel principal. De quebra, aproveita para contar sobre os novos planos para a carreira.

Entrevista // Irandhir Santos

Qual sua visão do filme de Joffily?

É um filme que trata da questão da diferença. E deixa claro que ela existe porque impomos isso de alguma maneira, como fator externo. Quando Nonato vê a filha com olhos azuis, me pergunto o porquê de Marshall se sentir tão superior, se ele é tão igual a mim.

Como Nonato foi construído?

Li muito o roteiro, sempre desconstruindo e cortando, rasgando o personagem. A partir das orientações do diretor, acrescentei a minha parte. No roteiro há muito o Nonato empreendedor, que sai do país para ganhar a vida. Quis imaginar outras situações, trazer mais humanidade para ele.

Foi difícil interpretar em inglês?

Tive que estudar, pois não tinha muito domínio do inglês. Também fui para a cultura americana, procurei saber o que existe lá que moveria alguém a sair de seu país. Comecei a contatar brasileiros que moravam lá, fiz entrevistas, procurei imagens.

Que imagens?

Os olhos foram imagens que mais captei. Gosto muito de olhos azuis e o desafio era olhar para eles e sentir o inverso. Adoro minha avó materna, a lembrança de carinho ligada a olhos azuis vem dela. Sentir o contrário foi um desafio.

Como foi a iniciação no teatro e a formação de ator profissional?

Minha recordação mais antiga está ligada à escola em que estudei em Limoeiro. É um lugar tradicional, administrado por freiras que trabalhavam teatro e arte-educação com os alunos. Quando fui estudar o segundo grau no Recife, também queria um colégio que tivesse teatro, mas fui para o Colégio Militar, pois meus pais me convenceram que era bom para passar no vestibular. Por sorte, um dos alunos de lá se formou e retornou para dar aulas de teatro.

Quem era ele?

André Cavendish. Foi meu primeiro professor de teatro. Lá eu tive a certeza de que queria continuar no palco. Então juntei a necessidade dos meus pais de ter que fazer universidade com a minha, de fazer teatro.

Qual era seu foco de estudo na universidade?

Na UFPE eu trabalhava com o corpo como expressão. Já na universidade procurava essa linha. Tive como professor Roberto Lúcio, que desenvolveu um trabalho muito bom. Foi também quando me aproximei de amigos como Kléber Lourenço e Jorge de Paula. Em Olhos azuis, dez minutos antes de rodar a sequência da arma, utilizei exercícios que aprendi na universidade, de respiração e exaustão física pra abrir o canal para as emoções.

Qual o papel mais difícil que já fez?

Gosto quando tenho tempo para a preparação. Para mim, é primordial. No teatro é possível, geralmente tenho seis meses para isso. No cinema não é assim, mas tive sorte de pegar papéis no qual existiam esse tempo disponível. De todos, o Quaderna foi o mais difícil, pela própria complexidade do personagem. O próprio Ariano (Suassuna) o define como quatro personagens: o palhaço, o rei, o contador e o sertanejo. E o Luiz (Fernando Carvalho, diretor de A pedra do reino) me deu um Quaderna velho, amadurecido. O momento em que cada um deveria aparecer foi um desafio grande, dividido com profissionais que me deram suporte.

O que faz sua profissão valer a pena?

Ultimamente, é o fato de poder exercê-la, de poder viver isso. Só por isso, já me sinto premiado. Quando esteve em Taperoá, Fernanda Montenegro disse: “nosso prêmio é o nosso ofício”. Pois temos que enfrentar uma batalha diária, com quase todas as dificuldade e ainda lidar com o lado criativo. Equilibrar isso é a grande questão. Fico feliz quando penso no que já fiz e no que ainda tenho para fazer.

Quando você voltará ao teatro?

Ainda este ano. Estou ensaiando semanalmente com o Grupo Visível (Visível Núcleo de Criação), que Kléber Lourenço montou para retomar o ator como criador da história. O nome do projeto é Daquilo que move o mundo. Ele trabalha a dramaturgia com exercícios cênicos coordenados pelo dramaturgo Felipe Botelho. A ideia é iniciar o trabalho no Recife e no fim do ano vir pra Campinas para a preparadora Tiche Vianna, que tem um excelente trabalho com a comédia dell’arte, lapidar e fazer o que quiser com nossos corpos. Pra mim será uma retomada. Há três anos não faço teatro e esse é um grupo que gosto muito, ligado à universidade, com um senso de pesquisa e continuidade que me interessa.

Fale sobre o personagem que você faz em Besouro. Ele é um vilão?

É. Seu nome é Noca de Antonia. Para fazê-lo, tive que trabalhar com sombras. A preparadora de elenco, Fátima Toledo, disse que os capoeiristas são a luz e nós precisamos das sombras, que sou eu e o coronel. Então tive que ativar o que há de pior em mim. Sou muito recatado, mas em um dos exercícios ela me “destampou” e tudo que estava reprimido saltou com a raiva. Para ativar minha sombra falei todos os palavrões e coisas sujas.

Como foi a experiência de filmar A morte e a morte de Quincas Berro D’água, com atores veteranos como Paulo José, Marieta Severo e Mariana Ximenes?

Também foi com Fátima, só que o filme é uma comédia. Eu faço o Cabo Martin, um dos quatro amigos de Quincas. A grande questão foi trabalhar o tema morte de um grande amigo, uma grande perda. Apesar de ser comédia, tive que trabalhar de maneira muito séria. Ver Paulo José morto é algo bem doloroso, então parti daí. A ideia do Sérgio (Machado, o diretor do filme) é que o cômico não estivesse nos personagens, mas sim nas situações absurdas. Os filmes dos irmãos Cohen foram referências.

Ultimamente, você tem recebido muitos convites. O que te faz escolher um projeto?

Sempre escolho a partir do que me toca naquele momento da vida. Os filmes que faço têm me ensinado lições importantes. Trabalhar com Luís Fernando Carvalho e Cláudio Assis me fez redescobrir o lugar onde nasci. Naquele momento estava em dúvida se ficava lá ou ia para o Recife. Meu olhar para aquela região mudou muito. No caso de Olhos azuis, senti que deveria fazer pelo roteiro, uma história fantástica, por Joffily, diretor que já admirava e pelo desafio, pois a maioria das cenas são em inglês, língua em que não tenho tanta prática.

O que te atraiu na refilmagem de A hora e a vez de Augusto Matraga?

Guimarães Rosa foi primeiro autor que entrou lá em casa, período que lembro muito do meu pai. Ele lia muito e conversava sobre a obra, tinha olhar peculiar. Ele achava que Guimarães mostrava um sertão cru, forte, seco. E minha mãe via o contrário, via poesia. Então sempre havia discussão. Quando fiz A pedra do reino, me debati com o Sertão de Ariano, colorido e alegre de pessoas que se encantam com sua raiz. Agora sinto a necessidade de viver o sertão duro, seco, para haver um diálogo.