julho 04 2011

Olhos Azuis no Telecine Touch

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OLHOS-AZUIS-TELECINE

Quem não viu no cinema o filme Olhos Azuis pode conferir na telinha da TV. Na próxima quinta-feira no o longa está na Rede Telecine, TV por assinatura. O filme será exibido no canal Touch ás 22 horas. Irandhir é Nonato um brasileiro radicado nos Estados Unidos que precisa do visto para continuar no país. Olhos Azuis, um filme de José Joffily tem no elenco David Rasche (Marshall) chefe do Departamento de Imigração do aeroporto JFK, em Nova York. Comemorando seu último dia de trabalho, Marshall resolve se divertir complicando a entrada no país de vários latino-americanos. Entre eles está Nonato (Irandhir Santos), dois poetas argentinos, uma bailarina cubana e um grupo de lutadores hondurenhos. Dois anos depois, Marshall vem ao Brasil procurar uma menina de nome Luiza. Quando ele conhece Bia (Cristina Lago), uma jornada em busca de redenção se inicia. Olhos Azuis foi o grande vencedor do II Festival Paulínia de Cinema com seis prêmios, incluindo o de Melhor Filme.

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Mais informações no site do Telecine

junho 04 2011

Expectativa

Folha de Pernambuco, Coluna Foco, 04/06/2011

Não cessam especulações sobre o terceiro longa-metragem do cineasta caruaruense Cláudio Assis, “Febre do Rato”. O protagonista, já se sabe, será o ator pernambucano Irandhir Santos. Agora, começam especulações em torno da estética. Há quem diga que será pre­to-e-branco. Isso por causa do trailer exibido nesta semana em Paulínia, São Pau­lo, quando foi divulgada a lis­ta dos concorrentes ao prêmio daquela cidade, onde o filme está na disputa que acontece em julho.

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Via Folha de Pernambuco

fevereiro 14 2011

Fabiana Karla julga no Municipal ao lado de Irandhir Santos

Blog Social 1, 14/02/2011

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A atriz pernambucana Fabiana Karla estará na comissão julgadora do concurso de rei e rainha do Municipal dia 26 mostrando o novo visu após a cirurgia de redução de estômago na qual submeteu-se no finzinho do ano passado. Ao lado dela na mesa, Irandhir Santos, de Tropa de Elite 2 e o jornalista Cleodon Coelho.

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Via Blog Social 1

janeiro 23 2011

Irandhir Santos, ator de corpo inteiro

Pipoca Moderna, 23/11/2011
Por Marcelo Miranda

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TIRADENTES Convocado para interpretar um bêbado no filme “Baixio das Bestas”, o ator Irandhir Santos se viu num impasse. Abstêmio, não sabia como encarnar o personagem de maneira autêntica. Certo dia, arriscou-se a participar de uma festa típica da Zona da Mata pernambucana, na qual dançou o maracatu rural. Bastaram dez minutos de intensos remelexos para Irandhir sair de lá com outra energia. Dali em diante, sempre antes do diretor Cláudio Assis gritar “ação!” nas filmagens de “Baixio das Bestas”, Irandhir pedia alguns minutos, subia um morro e, sozinho e sem música, dançava o maracatu rural. Ao voltar para o set, conseguia encarnar o bêbado.

São de processos assim, meio fora das “regras”, que se caracteriza o trabalho de Irandhir Santos. “Busco não apenas a arte da interpretação, mas também a tentativa de ser um coautor do projeto junto com o realizador”, afirma ele. “É uma nova postura possível ao ator numa época em que se permite maior tempo de preparação e maturação para a ‘persona’ que você constrói em cena”.

Aos 33 anos, este pernambucano criado em Limoeiro e formado em artes cênicas no Recife está sendo homenageado na 14ª Mostra de Cinema de Tiradentes, que segue até o dia 29.

Com apenas quatro anos de carreira nas telas – estreou no cinema em 2005 na sua terra natal, com “Cinema, Aspirinas e Urubus”, de Marcelo Gomes – , Irandhir já acumula trabalho com 15 cineastas. Tornou-se conhecido por centenas de pessoas ao ser um dos protagonistas de “Tropa de Elite 2?, assistido por 11 milhões de espectadores no ano passado. Mas, antes de encarnar Fraga, o ativista de direitos humanos que se torna deputado, Irandhir caminhou – e segue passo a passo – numa seara de risco e autoralidade.

Tímido e de fala mansa, Irandhir tem fatores definidores para suas escolhas profissionais. “Faço algumas perguntas ao escolher um projeto: que história é aquela que se quer contar? Que diretor é esse? Que personagem é esse?”, enumera. Também é preponderante a natureza da produção. “Gosto daqueles cineastas que fazem os filmes sem dinheiro algum e, mesmo assim, vão em frente”.

Ele teve várias experiências nesse sentido, a mais forte delas em “Amigos de Risco”, do conterrâneo Daniel Bandeira e na qual Irandhir passava quase o filme inteiro sendo carregado por outros dois personagens após uma overdose de cocaína.

Vindo do teatro, ele sabe que o corpo é elemento primordial na construção cênica, indo muito além de firulas com rosto ou expressão facial – e o uso do maracatu rural em “Baixio das Bestas” deixa essa amplitude bastante clara.

“O corpo é um incentivo à minha criação, mesmo quando ele é anulado, no caso de ‘Amigos de Risco’”, destaca.

Irandhir também teve experiência quase transcendental ao retirar o próprio corpo de cena em “Viajo Porque Preciso, Volto Porque te Amo”, de Karim Aïnouz e Marcelo Gomes. No filme, ele faz um personagem fisicamente ausente. “Ali, eu perdi minha ferramenta de trabalho”, relembra Irandhir. “Por outro lado, descobri a voz como algo possível de ter pernas, braços, sentimentos e coração”.

Outra maneira de Irandhir mergulhar nas vidas de quem ele interpreta é se permitir ocupar os espaços que irá circular nas filmagens. Para “O Som ao Redor”, longa ainda em processo de montagem do pernambucano Kleber Mendonça Filho, ele mudou-se para o bairro recifense de Setúbal, onde se ambienta o enredo. Para “Febre do Rato”, novo de Cláudio Assis e ainda inédito, deixou-se imbuir da urbanidade que marca o filme.

Ao concluir cada projeto, Irandhir Santos não abre mão de um ritual: voltar a Limoeiro, onde cresceu, e conviver com a família. “É a forma de recarregar as energias e só depois voltar para viver alguma outra vida”.

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Via Pipoca Moderna

janeiro 23 2011

Os cavaleiros existentes

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Na fábula de Italo Calvino, uma armadura vazia esconde o protagonista invisível. Na servidão contemporânea, o fardamento camufla a identidade de nossos heróis cotidianos

Diario de Pernambuco, 23/01/2011
Por Guilherme Carréra e Luís Fernando Moura

Seis vezes por semana, ele é um dos 2 mil garis que circulam na cidade do Recife, todos idênticos. Há 13 anos ingressa no serviço às 14h30 e só sai às 23h, quando quase não restaram rostos no centro da cidade. Os domingos de expediente, mensais, somam mais oito horas de jornada. Seu papel é, a cada turno de trabalho, transitar pela conturbada Avenida Conde da Boa Vista e retornar pela Rua Manoel Borba, coletando qualquer dejeto que encontre pelo passeio, além de esvaziar as menosprezadas lixeiras. Já criou costume: poucos verão seu nome através da opaca farda. Só ao chegar em casa ele vai se despir, olhar o canto que resta no espelho e enxergar um homem de 45 anos e diferente de todos os outros, batizado de José Rogaciano Leandro.

Não antes da viagem diária de volta, porém. O trajeto é o longo e último embate do papel como gari: custa cerca de uma hora até alcançar a residência em Pontezinha, no município de Cabo de Santo Agostinho. O funcionário permanece solitário, acomodado num canto do ônibus, enquanto os outros passageiros preferem seguir em pé a sentar ao seu lado, mesmo que aquele seja o último assento do corredor. Ninguém quer a companhia inóspita do homem do lixo.

Para contar a história de quase invisíveis como José, Aurora inverteu os papéis. Convidamos quatro artistas para posar para um ensaio fotográfico com as fardas que geralmente escondem quem as usa diariamente. A atriz Hermila Guedes aparece como camareira; o ator Irandhir Santos, como gari. Já o cantor João do Morro “incorporou” um ascensorista, enquanto a cantora Michelle Melo fez o papel de auxiliar de serviços gerais. Profissões que conhecemos bem, exercidas por gente que conhecemos pouco.

A nosso pedido, Hermila, Irandhir, João e Michelle emprestaram sua fama para chamar atenção para as caras que os uniformes costumam camuflar. E lembrar que, além do vestuário e mão de obra que geralmente nos limitamos a enxergar, existe uma rotina de infortúnios e alegrias. Vivida por profissionais como Conceição Rodrigues, José Rogaciano, Andeval Luiz Gonzaga e Danielle Silva, que talvez já tenham cruzado o seu caminho. Nesta edição, eles dividem seu dia a dia conosco. E posam ao lado dos artistas que os representam. Desta vez, sem farda. Como bem entendem a liberdade de ser quem se é. Os oito, famosos e
anônimos, são capa de Aurora neste domingo.

“tem gente que cospe quando passa pela gente”

No caso de José Rogaciano, mais de 40 mil olhares são desperdiçados por dia na Avenida Conde da Boa Vista. Na esquina com a Rua José de Alencar, onde a calçada hospeda a gigante loja Riachuelo e alguns fiteiros empilhados, ele estaciona com colegas para o lanche da tarde. “Às vezes, a gente ganha bolo, refrigerante”, conta. Antes do descanso, porém, faz pausa para falar com Aurora e afina o discurso com o colega Adriano Matias da Silva: “A gente tem dois benefícios. O primeiro é estar no trabalho, e não desempregado. O segundo é trabalhar todo dia pela própria cidade”. Repetir a trajetória diariamente é conhecer os ambientes de cor, entender o percurso das horas no centrão e, quem sabe, até fazer amigos. A maior dificuldade é o preconceito.

“Em tudo a gente é discriminado”, diz Rogaciano. É evento corriqueiro os passantes jogarem todo tipo de lixo ao lado dos funcionários. Mas esse é o exemplo mais brando. “Já me disseram: ‘Se eu não jogar no chão, você não tem trabalho’”, lembra Adriano. É daí pra pior: “Tem gente que cospe quando passa pela gente”, continua Rogaciano. “Ontem mesmo, uma mulher desviou de mim na Avenida Dantas Barreto e colocou a mão no nariz. Como se eu estivesse fedendo”. Reclamação? “Se for fazer, a gente vai terminar brigando com a
maioria”, diz, enquanto um transeunte joga uma bola de papel no lixo que ele carrega – e erra o alvo.

Os causos que atravessam o cotidiano de gente como Rogaciano e Adriano viraram parábola televisiva nos últimos anos. A história do psicólogo e professor universitário Fernando Braga da Costa promoveu a vida dos garis a espetáculo com happy ending quando a imprensa descobriu que o pesquisador, homem gabaritado da classe média paulista, vinha se vestindo com seus uniformes, a título de pesquisa, e enfrentando a rotina da profissão pelas vias paulistanas. O caso saiu no Fantástico, da Rede Globo, e foi publicada no livro Homens invisíveis: relatos de uma humilhação social (Editora Globo), no qual Fernando detalha e analisa a experiência de, por quase 10 anos, atuar com a limpeza da cidade, o que lhe empossou de um novo olhar político perante a sociedade. Você passa a se relacionar com pessoas e não com sujeitos profissionais”.

O texto segue seus passos ainda em 1994 até os primeiros anos da última década. Narra o estranhamento inicial por parte dos garis, que percebiam a presença de um intruso, bem como o transporte numa caçamba de caminhonete, como se os empregados fossem ferramentas, e o intervalo para o café, que bebiam numa lata de refrigerante partida ao meio. O narrador confessa, enfim, que naquele lugar aprendeu as coisas mais ricas da sua vida. Algo que José Moura Gonçalves Filho, seu orientador na Universidade de São Paulo (USP),
esmiúça no prefácio da publicação: “O que vemos e o que deixamos de ver, o regime de nossa atenção, é decidido segundo o modo como fomos colocados e nos colocamos em companhia dos outros”. Vestido de gari, Fernando não era reconhecido nem pelos colegas da universidade.

Por essas e outras lançou a tese do que chama invisibilidade pública, conceito no qual enquadra os profissionais que trabalham com limpeza. “Quanto mais subalterno o serviço e quanto mais mal remunerado é o sujeito, mais ele se torna invisível socialmente”, diz o psicólogo social a Aurora. “Na sociedade do trabalho, nós próprios somos confundidos com as premissas do nosso trabalho. Se você é identificado com as matérias que escreve, ele é identificado com o lixo que recolhe na rua. E nós não costumamos colher os detritos que deixamos pelo chão. Ou seja, quem trabalha com lixo está obviamente no pior lugar que poderia estar na sociedade”. A ideia chega a um extremo conceitual e treme as bases do próprio funcionamento democrático. “Você tem a sociedade se projetando ao longo da história, sempre fazendo uso da mão de obra dos trabalhadores pobres, sendo eles escravos ou não. De alguma forma, a classe hegemônica fabrica uma ideologia que faz com que a sociedade inteira acredite que, de fato, houve mudança, quando muitas vezes mudaram apenas alguns aspectos da servidão. O que os pobres conseguem conquistar é nada mais que a manutenção da própria sobrevivência, morando mal e comendo mal, e sem conseguir garantir outras chances a seus filhos”, afirma. “Existem avanços trabalhistas, mas parece que, se a medicina disser que podemos trabalhar 16 horas por dia, voltaremos à Revolução Industrial”.

Personificar dá medo

O que pode soar radical ganha ecos no que outros profissionais de limpeza pública, não muito longe da movimentada Boa Vista, confessam à reportagem. Na Estação Recife, que faz do bairro de São José ponto central de convergência das três linhas de metrô da Região Metropolitana, o funcionário Verlânio Neves
da Conceição, de vassoura em punho, reclama que “tem muito lixo”, enquanto varre, sem cessar, o imenso salão de acesso aos trens, cortado por passageiros apressados. São 15 minutos de silêncio e labor, até que o rapaz retorna e desabafa: “Quer saber mesmo? Se não tivesse lixo no chão, cortavam o quadro de
funcionários pela metade. E a gente, como ficaria?”

Andeval Luiz, que, aos 32 anos, é estrela da estação – garantem os colegas –, diz que “isso não é serviço para ninguém”. Prefere que, se for para jogar o lixo no chão, façam a sujeira na sua frente. “Assim eu estou vendo, é menos desrespeitoso. No começo você quer é brigar, mas depois vai entendendo que é assim mesmo que funciona, e não vai mudar”. Carpinteiro desistente, cultiva o sonho de partir dali pela rodovia, como motorista. “Mas, por enquanto, vou de trem. Só conheço o nome de três ruas da cidade”.

Quem faz a limpeza do metrô pernambucano se alterna para deixar as estações impecáveis, por isso o trabalho não cessa e as jornadas são cruzadas. Os empregados cumprem expediente de oito horas e folgam um dia a cada cinco, além de um domingo por mês. Ganham um salário mínimo e, por vezes, acumulam
empregos de ambulante ou zelador, como Severino Lopes dos Santos, que espera semanas para tirar uma folga simultânea dos dois locais de trabalho. “A gente gosta do trabalho porque é nosso emprego”, diz. Mas e do ofício? “Ruim com ele, pior sem ele”.

Não é que o ambiente profissional desagrade, pelo contrário. Enquanto almoçam um prato montanhoso de arroz, feijão e adjacentes, Severino e a colega Joseane Maria da Costa explicam que grupo coeso é sinal de bons ares. “A gente trabalha muito, mas se diverte, porque existe companheirismo. E quando a equipe é boa, é melhor”, diz a moça, que já recebeu lixo até na mão – “para você jogar fora”. Se o trabalho tem a sordidez da limpeza pública, os rostos costumam ser familiares no trajeto metroviário. Quem passa tem agenda
assinalada e ingressa nos mesmos horários. “Às vezes fazemos amigos. Tem até gente que chama pelo nome. E o “cliente” – enfatiza a relação – “está em primeiro lugar”. A coordenadora do Programa de Desenvolvimento de Carreiras da Fundação Instituto de Administração (FIA) e da Faculdade de Economia,
Administração e Contabilidade (FEA), da Universidade de São Paulo (USP), Tania Casado, afirma que a invisibilidade está profundamente vinculada ao que chama de desconexão social. “Se a pessoa acaba de varrer e alguém joga um papel na rua, é como se não visse o trabalho do outro, como se ele fosse nada”. Por
outro lado, a proximidade restaura a conexão entre duas pessoas a partir da personificação, ou seja, o movimento de mostrar ao outro, por sutilezas, o alguém que ele é. “Me parece que a não personificação é um mecanismo de defesa da sociedade. Se eu sei o nome do profissional de limpeza, é mais complicado
eu jogar o papel no chão”.

A novela do “bom dia”

O dilema do mais simples cumprimento é enfrentado por Danielle Silva, 34 anos, das 7h às 12h30. O espaço onde fica é pequeno, talvez claustrofóbico, ora em pé, ora sentada, “por conta da circulação sanguínea”. Durante as cinco horas e meia de trabalho como ascensorista, um intervalo de 15 minutos para ir ao
banheiro e só, já que o fluxo de pessoas no prédio da Prefeitura do Recife é ininterrupto. Gente que nunca se viu ou que, todos os dias, manda apertar o oitavo andar. Acima, a câmera de segurança devidamente localizada vigia o ascensor.

“Tem gente que entra e nem fala nada, parece que não me enxerga”, queixa-se. Há dias em que Danielle passa mais de uma hora em silêncio, à espera de um “Olá”. “Às vezes eu paro e resmungo, mas sei que dali a pouco alguém vai entrar e vai me cumprimentar”. O silêncio forçado incomoda a moça, que adora
lidar com o público, sempre com um sorriso no rosto. Quando surge a oportunidade, vai e agarra os apressados, porém valiosos, cumprimentos. Às vezes termina servindo de ouvido para o divã alheio, quando desconhecidos escolhem a moça do elevador para uma terapia vertical. “Pessoas que eu nunca
vi, mas que ficam puxando papo até o andar chegar”, diverte-se, enquanto usa um livro para abanar o calor e sintoniza a rádio FM para o público.

Um dos maiores efeitos da personificação é a sensação de reconhecimento do trabalhador, aponta Aécio Matos, professor do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), que enfoca as relações de trabalho num cruzamento entre a sociologia e a psicologia. Em conversa com Aurora, ele
afirma que o reconhecimento deve vir em três vias e costuma falhar justo quando o trabalhador parece invisível, pois ele é automatizado. “Quando não há ‘Bom dia’, o reconhecimento de direito, aquele do respaldo jurídico, e o reconhecimento da efetividade da função (da consolidação de direitos trabalhistas, por exemplo) são facilmente identificáveis, mas o reconhecimento afetivo é ausente”.

O fato é que, de acordo com Aécio, carteira assinada não assegura propriamente uma identidade a quem quer que seja. A regularização profissional sem reconhecimento afetivo transforma o trabalhador em simples cumpridor de funções, o que o professor acredita ser tendência geral na sociedade contemporânea. A universalização das funções e a anulação do sujeito seriam, sobretudo, um entrave presente nas grandes cidades. “Alguém, por acaso, estabelece uma relação próxima com o piloto de uma aeronave? Ele está ali
responsável pela vida de centenas de pessoas, mas só ouvimos sua voz. Não há mais esse tipo de vínculo”. Mesmo assim, sua função é legitimada e valorizada à medida em que é menos “diluída”. “A tendência da massa é ser invisível. O número de profissões invisíveis é assustador. Motoristas, ambulantes, prestadores de serviços. Na maioria das funções, a identidade não é reconhecida pelos usuários”.

Já Tania acredita que o dilema da sociedade capitalista permanece sendo o da diferença, e é isto que determina que as pessoas sejam vistas ou não. “Existe uma divisão muito clara entre trabalho e labor. O trabalho diz respeito à produção intelectual e o labor, ao automatismo de algumas funções. As profissões de labor são, na verdade, as profissões invisíveis”.

A maldição do uniforme

Para muitos, a discussão ainda recai sobre o bode expiatório icônico, figurino que explica quem (não) são Irandhir, Hermila, João e Michelle: o famigerado uniforme. “Sua função pode até não ser esta, mas seu efeito anula a identidade individual construída com o cliente”, provoca Aécio sobre o fardamento. Como as camareiras que encontramos em um hotel cinco estrelas do Recife visitado por Aurora. É sob o tecido de corte padronizado que, nos corredores, elas devem dar o primeiro “Bom dia”, sempre antes dos hóspedes. Assim foram orientadas as 27 mulheres que integram o quadro da empresa. Mas nem todos respondem à gentileza instruída. “Fico chateada, mas depois passa”, conta Conceição Rodrigues, 36 anos, na função há 12.

Antes de trabalhar à beira-mar de Boa Viagem, fazia a limpeza das suítes de um motel na Avenida Recife, quando já sentia estar coberta por um manto da invisibilidade, coisa de filme de fantasia. “No motel, eu só aparecia na hora de levar a conta, não circulava tanto. Aqui, fico o tempo todo no corredor, mas mesmo assim tem gente que não me vê”.

Conceição segue transparente pela área comum, a primeira parada obrigatória de sua rotina diária. Polimento nos cinzeiros, varredura nos tapetes, pano nos móveis, manto no corpo. Ao terminar, permuta entre os 17 apartamentos que deve pôr em ordem, caso o “Não perturbe” não tenha sido acionado. Passe livre, ela
tem acesso discreto à intimidade de hóspedes, que muitas vezes nunca a viram antes. “Pode ter ouro em pó no quarto, mas eu não mexo. Entro, arrumo e saio”. O uniforme garante a segurança e a confiança para quem as mantém anônimas.

Aos olhos de Fernando Braga da Costa, o fardamento é vestimenta que demoniza, a que se opõe ferrenho em seu livro e chama de “signos de rebaixamento social”. “Quem veste é um qualquer e às ordens de todos que não o vestem”, afirma. O professor de Administração da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Allan Claudius Queiroz prefere a cautela e problematiza: “Ideologicamente, o uniforme pode descaracterizar o indivíduo enquanto sujeito mas, pelo lado da empresa, significa a funcionalidade oriunda de uma padronização, o que reduz custos operacionais e o dispêndio do empregado com vestuário”. O ponto de vista técnico é ressaltado por Tania, que lembra que, em alguns casos, o uso do fardamento é necessário por questões de segurança e gestão dos profissionais.

A grande ironia é, no entanto, sugerida por Aécio: vistas ou não vistas, as camareiras terminam invertendo a relação de poder. “O hóspede pode fazer tudo no seu apartamento, mas a camareira desfaz o que o diferencia, anula as particularidades. A missão dela é deixar todos iguais”. E o público, todo igualzinho, às vezes acaba vendo. “Uma vez chegou uma mulher e me mandou fechar os olhos. Entregou um papel na minha mão. Quando abri, tinha uma nota de R$ 10”, diz Verlânio, funcionário do metrô. Ou Conceição, que se encontrou de novo na gentileza de uma hóspede. “Me senti valorizada. Ganhei um par de brincos de presente e ela ainda me deu um beijo e um abraço. Nunca imaginei uma coisa dessas”.

O gesto é bem-vindo para quem espera ter um valor estipulado no mundo. Como diz Tania Casado, “aquilo que nós achamos que somos é reforçado pelo olhar do outro. E claro que o papel social daquele que é observado vai influenciar este julgamento”. Se o outro não o reconhece, o profissional põe em xeque sua
importância social e se sente cada vez menos visto. Nunca troca o figurino.

Nossos agradecimentos: Hermila Guedes, Irandhir Santos, João do Morro e Michele Mello | Centro de Convenções de Pernambuco | Maquiagem: Cris Malta | Figurino: DAM Roupas Profissionais. Fotos: Alcione Ferreira/DP/D.A Press

janeiro 21 2011

Irandhir Santos comemora “overdose boa”

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Homenageado da “14ª Mostra de Cinema de Tiradentes”, que começa nesta sexta-feira (21), tem seus dez filmes relembrados

Hoje em Dia, 21/01/2011
Por Paulo Henrique Silva

Irandhir : -Quando recebo um roteiro, quero saber como o diretor vai colocar aquilo na tela-

Irandhir : -Quando recebo um roteiro, quero saber como o diretor vai colocar aquilo na tela-

Atores não gostam de superexposição, preferindo preservar a imagem do que ver seu rosto estampado em vários trabalhos simultaneamente. Para quem acompanha cinema brasileiro, sabe que Irandhir Santos virou figurinha carimbada nas telonas em 2010, aparecendo nos filmes “Tropa de Elite 2”, “Olhos Azuis”, “Viajo porque Preciso, Volto porque te Amo”, “Quincas Berro d’Água” e “O Senhor do Labirinto”.

Um dos homenageados da 14ª Mostra de Cinema de Tiradentes, com início nesta sexta-feira (21) na cidade mineira, ele culpa as eleições, a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos (em 2006) pela proximidade das estreias. Não que Irandhir se importe com isso. Ao contrário de seus colegas de profissão, acha “a overdose boa”. E um dos motivos é porque são completamente diferentes de si.

“Foi uma sensação interessante. São várias faces em histórias diferentes e foi bom compartilhar isso com o público. Nunca tinha acompanhado as estreias de meus filmes antes, porque estava envolvido em outros projetos. Neste ano eu pude ir e tive a possibilidade de sentir o retorno das pessoas”, registra Irandhir.

Sua obra ainda é curta – a estreia no cinema aconteceu com “Cinema, Aspirinas e Urubus”, em 2005. São dez filmes que serão relembrados no seminário “Revelação Contemporânea”, um das principais atrações da Mostra neste final de semana. Amanhã, a partir das 11 horas, no Cine Teatro Yves Alves, estarão reunidos nomes como Cláudio Assis, Eric Laurence, Kleber Mendonça e Leonardo Lacca, que o dirigiram em longas e curtas e são pernambucanos como Irandhir.

O ator deve muito de seu sucesso à explosão do cinema naquele Estado nordestino. Quando fala deste tema, ele gosta de citar uma frase de seu personagem na minissérie “A Pedra do Reino”, em que viveu o protagonista Quaderna: “As grandes questões do mundo são respondidas na sua raiz, na sua terra. Isso foi uma grande lição para mim, passando a olhar para Pernambuco de uma maneira especial, encontrando lá a ligação com o mundo”.

Irandhir também lembra o falecido cantor Chico Science, que no manifesto do movimento Manguebeat, pedia “para pegar a lama de seu mangue e cravar uma antena parabólica” – uma forma de dizer que, para conhecer o mundo, não é preciso tirar os pés de sua região.

“As grandes questões do cinema também passam por aí. Ao falar de nossas histórias, a gente consegue ser universal também. Este é um ponto especial da nova geração, na qual acredito bastante”, destaca.

Para Irandhir, a Mostra de Tiradentes é um dos grandes espelhos deste momento, fazendo a ponte entre a história do cinema e o que está surgindo no cenário atual. “É muito estimulante, para alguém que está começando como eu, participar disso”, registra o ator, que acompanhará pela primeira vez, in loco, o festival mineiro. “Estou curioso. O João Miguel e o Cláudio (Assis) me falaram muito bem da Mostra, o que deixou curioso”.

Por causa de sua audiência (mais de 13 milhões de espectadores), “Tropa de Elite 2” foi o filme mais comentado de Irandhir no ano passado. Mas ele não esconde um grande carinho por “Viajo porque Preciso, Volto porque te Amo”, de Marcelo Gomes e Karim Aïnouz.

“Quando recebo um roteiro, quero saber como o diretor vai colocar aquilo na tela, disponibilizando-me a ajudá-lo a construir este olhar. O ‘Viajo’ foi um casamento muito especial. Em torno do projeto reuniram-se pessoas que têm no sertão um lugar afetivamente marcante”, analisa.

Além de retornar ao teatro, onde começou sua carreira, ele participará neste ano dos longas de Fernando Coimbra e Hilton Lacerda.

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Via Hoje em Dia

dezembro 21 2010

Irandhir Santos será homenageado na 14ª Mostra de Tiradentes

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Folha de Pernambuco, Câmara Clara, 21/12/2010
Por Luiz Joaquim

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O ator pernambucano Irandhir Santos será homenageado na 14ª Mostra de Tiradentes. De 2005, quando estreou em “Cinemas, Aspirinas e Urubus”, o ator, que nasceu em Barreiros (PE), já atuou em dez produções. A Mostra mineira irá exibir os longas “Tropa de Elite 2”, de José Padilha, e “Amigos de Risco”, de Daniel Bandeira, além dos curtas “Azul”, de Eric Laurence e “Décimo Segundo”, de Leo Lacca. Tiradentes também homenageia o cineasta carioca Paulo César Saracene.

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Via Folha de Pernambuco

dezembro 20 2010

O Natal relax de Irandhir Santos

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Blog Social 1, Roberta Jungmann, 20/12/2010
Por Felipe Andrade

O ator pernambucano Irandhir Santos, várias capas de revista este ano, participação em Tropa de Elite 2 e premiado melhor ator no Festival de Cinema Brasileiro de Paris pelo filme Viajo porque preciso, volto porque te amo, passa o Natal no melhor estilo da família no interior: confra em Limoneiro, na Zona da Marta Norte, com familiares reunidos na calçada da casa para aquele papo com amigos e vizinhos.

irandhir santos

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Via Social 1

dezembro 19 2010

Irandhir será homenageado em festival de cinema

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João Alberto Blog, 19/12/2010
Por Tatiana Sotero

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O ator pernambucano Irandhir Santos será um dos homenageados do Festival de Cinema de Tiradentes (MG), entre 21 e 29 de janeiro. O ator se destacou em vários longas neste ano, em especial o recordista de bilheterias Tropa de Elite 2, interpretando Diogo Fraga, um defensor dos Direitos Humanos.Quincas Berro D’água, Som ao redor e Febre do rato são outros trabalhos de sucesso de Iranhir. Também será agraciado junto com o ator, no festival, o diretor Paulo César Saraceni. O evento homenageia todos os anos dois destaques do cinema nacional.

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Via João Alberto Blog

novembro 12 2010

João Alberto: Irandhir Santos arrematou mais um prêmio

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Diario de Pernambuco, coluna João Alberto, 12/11/2010
Por João Alberto

Movimento
Irandhir Santos arrematou mais um prêmio pelo filme Olhos Azuis, como Melhor Ator Coadjuvante, no Festcine Goiânia.

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Via Diario de Pernambuco