O Globo, 07/05/2010
Por Erika Azevedo

RIO – Apenas três anos após ter sido revelado ao grande público depois de dar vida ao quixotesco Quaderna da minissérie “A Pedra do Reino”, Irandhir Santos se tornou o ator mais requisitado da atual safra do cinema nacional. Somente este mês, ele estrela três produções que entram em cartaz no Rio de Janeiro: “Viajo porque preciso, volto porque te amo”, de Karim Aïnouz e Marcelo Gomes; “Quincas Berro d’Água”, de Sérgio Machado; e “Olhos azuis”, de José Joffily.
Como se tudo isso não fosse o bastante, ele ainda é uma das apostas de “Tropa de elite 2″, que estreia no dia 3 de setembro; está no elenco de “Matraga (A hora e a vez)”, de Vinicius Coimbra; e começa a rodar até o fim do ano “A febre do rato”, novo filme de Cláudio Assis, e “O som ao redor”, primeiro longa do premiado curta-metragista Kléber Mendonça Filho.
- Coincidentemente, tudo acabou acontecendo ao mesmo tempo, mas ainda não sei lidar com isso. Ainda bem que são filmes bem diferentes, com temáticas distintas. Mas não sou eu ali, é a história. E eu espero muito que dê certo pela história. É isso que interessa – conta, modesto.
Criado em Limoeiro, cidade do agreste pernambucano, o ator de 31 anos, teve seu primeiro contato com a arte da interpretação na escola, ao encenar comédias de Ariano Suassuna em sala de aula e não parou mais. Foi no teatro que ele começou a criar cadernos para cada um de seus personagens, como uma forma de mergulhar em cada trabalho, experiência que leva consigo também para o cinema. Ideias, sonhos e desenhos são registrados com cuidado em cada folha. E, sempre que conclui um projeto, como quem cumpriu uma missão, guarda o caderninho daquele personagem num baú.
- Tenho uma tendência à maturação da obra. Preciso dessa ritualização. O set, por si só, é muito disperso, cada um faz o seu, então se você não tiver foco, é capaz de não conseguir entrar naquilo e, talvez, de se perder. Então, tenho um tempo de aquecimento, de concentração. Fico imerso no meu caderninho, nas minhas anotações e nos meus desenhos. Para mim é primordial – explica.
O último caderno a ir para o baú do ator foi o de “Tropa de elite 2″, cujas filmagens foram concluídas há menos de um mês. Na aguardada sequência do filme de José Padilha, Irandhir vive o personagem Diogo Fraga, um defensor dos Direitos Humanos que questiona a política de segurança pública do Rio de Janeiro. Pela primeira vez, ele sentiu a pressão de participar de um potencial blockbuster do cinema nacional.

O ator Irandhir Santos no filme “Tropa de Elite 2″
- Em momento nenhum, enquanto eu estava fazendo o filme, isso passou pela minha cabeça. Só fui me dar conta disso quando as filmagens acabaram e voltei para a minha cidade. Houve uma curiosidade principalmente para saber como foi o set e como é a história do filme, coisa que nunca aconteceu comigo em nenhum dos outros projetos. Aí é que foi caindo a ficha. Ainda bem, porque o trabalho já está feito – brinca.
Ao fim de cada filmagem, Irandhir também tem um ritual: não importa o que aconteça, ele sempre volta para sua cidade.
- Os projetos me trazem e eu fico o tempo que for necessário. Com “Tropa” foram quatro meses. Mas sempre existe essa palavra que eu adoro, que é “retornar”. Retorno para Recife e retorno para Limoeiro. A gente senta na calçada, que é um lugar quase religioso para a minha família, e lá a gente conversa e mata as saudades. É lá que eu recarrego as baterias.
Assim, morar no Rio ou em São Paulo está fora dos planos do ator.
- Aprendi com Ariano Suassuna uma coisa que veio de “A Pedra do Reino”: Quaderna busca as respostas da vida na sua raiz, no sertão. Estar na minha região e buscar o que é necessário para mim servem para minha experiência como ator. Não é necessário abandonar, mas permanecer, ir a fundo, pesquisar. Não deixo de fazer trabalhos por isso.
E a filmografia de Irandhir não o deixa mentir.







Irandir, parabéns! você é um Agrestino porreta!
que Deus o abençoe sempre! Limoeiro esta com vc.