28, setembro 2009

Pernambuco Brilha no Festival de Paulínia

Jornal do Commercio PE
Publicado em 18.07.2009
Eugênia Bezerra
ebezerra@jc.com.br
Enviada especial

PAULÍNIA, SP – Os filmes Olhos azuis, de José Joffily, e Só dez por cento é mentira, de Pedro Cezar, receberam os prêmios de melhor filme de ficção e documentário, respectivamente, no 2º Festival de Paulínia. A premiação aconteceu na noite da última quinta-feira, no Theatro Municipal, e contou com a avant-première de Tempo de paz, filme de Daniel Filho (homenageado pelo festival) e show de Paralamas do Sucesso. A cerimônia teve uma confusa apresentação feita pelos atores Murilo Benício e Guilhermina Guinle, que não se entenderam com o teleprompter diversas vezes durante a noite. O nome do premiado na categoria direção de curta-metragem, por exemplo, só foi conhecido depois.
Entre os curtas foram premiados Timing, de Amir Admoni, e Spectaculum, de Juliano Luccas, nas categorias nacional e regional, respectivamente. A melhor direção de ficção foi para Ana Luiza Azevedo, de Antes que o mundo acabe. Já na categoria documentário, o júri escolheu a dupla Roberto Berliner e Pedro Bronz, por Herbert de perto. O prêmio especial do júri ficou com Contador de histórias, de Luiz Villaça. Já a crítica escolheu Antes que o mundo acabe como a melhor ficção e Moscou, de Eduardo Coutinho, como o melhor documentário.
Olhos azuis e Antes que o mundo acabe foram os filmes mais premiados desta edição, cada um com seis Meninas de Ouro (o nome do troféu de Paulínia). Entre os recebidos por Olhos azuis (que foi parcialmente filmado no Estado), por exemplo, está o de melhor ator coadjuvante para o pernambucano Irandhir Santos.
Ele disse que já sentia agraciado por exercer o ofício de ator no Brasil e agradeceu ao festival por voltar para casa “com uma bela menina”. “Cheguei na terça-feira e fiquei impressionado com o porte do festival e com a qualidade também. Paulínia tem tudo para se transformar em um grande festival. Fico feliz com o trabalho, que este bom começo seja o início. Foi um desafio fazer o Nonato, falar em inglês, mas confiei na equipe e na sensibilidade do Jofre”, afirmou o ator após a cerimônia.
Do mesmo filme, foi premiada Cristina Lago, que dividiu o prêmio com outras duas atrizes de Quanto dura o amor?, Silvia Lourenço e Maria Clara Spinelli, que usou a frase de uma amiga para agradecer: “Não apenas respeite o diferente, mas ame o diferente. Acho que é isso que o festival está fazendo aqui hoje”, afirmou. Maria Clara brincou dizendo que sempre quis uma boneca quando criança e nunca tinham lhe dado. “Agora eu tenho uma menina de ouro”. Por coincidência, a categoria de melhor ator neste ano também foi dividida entre três profissionais, que interpretam o protagonista do filme O contador de histórias em diferentes idades.
Homenageado desta edição do festival, o ator, produtor e diretor de cinema e TV Daniel Filho apresentou Tempos de paz antes da cerimônia de encerramento. O drama é ambientado em abril de 1945, quando os combates da 2ª Guerra Mundial já cessavam na Europa. A trama se desenvolve no porto do Rio de Janeiro, com o embate entre um interrogador alfandegário e ex-torturador da polícia política de Vargas e um ex-ator polonês que deseja entrar no Brasil, mas é confundido pelos nazistas.
A dupla é interpretada por Tony Ramos e Dan Stulbach. Curiosamente, o tema é parecido com o de Olhos azuis, mas com uma situação invertida. Se, no de Joffilly, um brasileiro é humilhado no exterior, no de Daniel Filho, é um estrangeiro que pena para tentar refazer a vida em nosso país. O falante Daniel Filho subiu ao palco e disse que estava nervoso (e que até havia tomado um lexotan) e comparou este tipo de homenagem à comemoração de um aniversário. “É como cantar parabéns. Mas não é por que você nasce, é porque trabalhou. Melhor ainda”, afirmou o diretor, que agora dedica-se à cinebiografia do medium brasileiro Chico Xavier (com cenas filmadas em Paulínia).
» A jornalista viajou a convite da produção do evento

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