janeiro 21 2011

Irandhir Santos comemora “overdose boa”

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Homenageado da “14ª Mostra de Cinema de Tiradentes”, que começa nesta sexta-feira (21), tem seus dez filmes relembrados

Hoje em Dia, 21/01/2011
Por Paulo Henrique Silva

Irandhir : -Quando recebo um roteiro, quero saber como o diretor vai colocar aquilo na tela-

Irandhir : -Quando recebo um roteiro, quero saber como o diretor vai colocar aquilo na tela-

Atores não gostam de superexposição, preferindo preservar a imagem do que ver seu rosto estampado em vários trabalhos simultaneamente. Para quem acompanha cinema brasileiro, sabe que Irandhir Santos virou figurinha carimbada nas telonas em 2010, aparecendo nos filmes “Tropa de Elite 2”, “Olhos Azuis”, “Viajo porque Preciso, Volto porque te Amo”, “Quincas Berro d’Água” e “O Senhor do Labirinto”.

Um dos homenageados da 14ª Mostra de Cinema de Tiradentes, com início nesta sexta-feira (21) na cidade mineira, ele culpa as eleições, a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos (em 2006) pela proximidade das estreias. Não que Irandhir se importe com isso. Ao contrário de seus colegas de profissão, acha “a overdose boa”. E um dos motivos é porque são completamente diferentes de si.

“Foi uma sensação interessante. São várias faces em histórias diferentes e foi bom compartilhar isso com o público. Nunca tinha acompanhado as estreias de meus filmes antes, porque estava envolvido em outros projetos. Neste ano eu pude ir e tive a possibilidade de sentir o retorno das pessoas”, registra Irandhir.

Sua obra ainda é curta – a estreia no cinema aconteceu com “Cinema, Aspirinas e Urubus”, em 2005. São dez filmes que serão relembrados no seminário “Revelação Contemporânea”, um das principais atrações da Mostra neste final de semana. Amanhã, a partir das 11 horas, no Cine Teatro Yves Alves, estarão reunidos nomes como Cláudio Assis, Eric Laurence, Kleber Mendonça e Leonardo Lacca, que o dirigiram em longas e curtas e são pernambucanos como Irandhir.

O ator deve muito de seu sucesso à explosão do cinema naquele Estado nordestino. Quando fala deste tema, ele gosta de citar uma frase de seu personagem na minissérie “A Pedra do Reino”, em que viveu o protagonista Quaderna: “As grandes questões do mundo são respondidas na sua raiz, na sua terra. Isso foi uma grande lição para mim, passando a olhar para Pernambuco de uma maneira especial, encontrando lá a ligação com o mundo”.

Irandhir também lembra o falecido cantor Chico Science, que no manifesto do movimento Manguebeat, pedia “para pegar a lama de seu mangue e cravar uma antena parabólica” – uma forma de dizer que, para conhecer o mundo, não é preciso tirar os pés de sua região.

“As grandes questões do cinema também passam por aí. Ao falar de nossas histórias, a gente consegue ser universal também. Este é um ponto especial da nova geração, na qual acredito bastante”, destaca.

Para Irandhir, a Mostra de Tiradentes é um dos grandes espelhos deste momento, fazendo a ponte entre a história do cinema e o que está surgindo no cenário atual. “É muito estimulante, para alguém que está começando como eu, participar disso”, registra o ator, que acompanhará pela primeira vez, in loco, o festival mineiro. “Estou curioso. O João Miguel e o Cláudio (Assis) me falaram muito bem da Mostra, o que deixou curioso”.

Por causa de sua audiência (mais de 13 milhões de espectadores), “Tropa de Elite 2” foi o filme mais comentado de Irandhir no ano passado. Mas ele não esconde um grande carinho por “Viajo porque Preciso, Volto porque te Amo”, de Marcelo Gomes e Karim Aïnouz.

“Quando recebo um roteiro, quero saber como o diretor vai colocar aquilo na tela, disponibilizando-me a ajudá-lo a construir este olhar. O ‘Viajo’ foi um casamento muito especial. Em torno do projeto reuniram-se pessoas que têm no sertão um lugar afetivamente marcante”, analisa.

Além de retornar ao teatro, onde começou sua carreira, ele participará neste ano dos longas de Fernando Coimbra e Hilton Lacerda.

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Via Hoje em Dia

outubro 31 2010

Te cuida, capitão

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O trio Irandhir Santos, André Mattos e Sandro Rocha rouba várias cenas do megassucesso Tropa de elite 2. Filme de José Padilha trouxe novas perspectivas para a carreira desses atores

Sandro Rocha: pequena ponta em Tropa de elite 1 rendeu papel de destaque como o chefe da milícia no novo filme

Sandro Rocha: pequena ponta em Tropa de elite 1 rendeu papel de destaque como o chefe da milícia no novo filme

UAI, Divirta-se, 31/10/2010
Por Mariana Peixoto

Tropa de elite 2 entrou em sua quarta semana de exibição. Desde a estreia oficial, dia 8, algumas coisas continuaram iguais. Outras, bem diferentes. O longa-metragem de José Padilha, por exemplo, continua em cartaz em 698 salas, número muito próximo ao da estreia (661), consequência de seu estrondoso sucesso de público – em três semanas, atraiu 6,2 milhões de espectadores, quase três vezes o número que o primeiro filme levou aos cinemas em toda a sua temporada, três anos atrás. Ainda que o capitão Nascimento de Wagner Moura domine toda a narrativa, não há como negar: o elenco de coadjuvantes emplacou grandes momentos. Três atores pouco conhecidos do grande público, para muitos os melhores desta sequência, passaram, em dias, a conviver com o assédio.

Que o diga o pernambucano Irandhir Santos – ou melhor, Fraga, o grande rival, num primeiro momento, de Nascimento. Há quatro anos, ele vem fazendo cinema sucessivamente. Trabalhou com diretores bem cotados, como Cláudio Assis (levou o Candango de melhor ator no Festival de Brasília por Baixio das bestas), Karim Ainouz e Marcelo Gomes (em Viajo porque preciso, volto porque te amo). Nesse meio tempo, chegou à TV, na minissérie A pedra do reino, exibida pela Globo em 2007. Nada disso fez tanta diferença quanto o papel como intelectual de esquerda militante dos direitos humanos que se torna deputado.

Santos foi parado até em porta de banheiro de avião para receber felicitações pelo papel. “Desde o fim das filmagens, vi que com esse longa seria diferente. O que está me impressionando é o tamanho da repercussão, o que prova do que o filme é capaz”, comenta ele. O ator mal teve tempo de acompanhar a trajetória de Tropa 2, por causa de seu envolvimento com outro longa. Terminou, há duas semanas, de filmar Febre do Rato, dirigido por Cláudio Assis. Desta vez, Santos será o protagonista, um poeta anarquista que, no quintal de sua casa no Recife, produz o jornal Febre do Rato. Como a estreia em longa de Assis, Amarelo manga (2002), a fita é ambientada na capital pernambucana, misturando relações amorosas, política e questões sociais.

“Por causa desse trabalho, hoje enxergo minha cidade de forma diferente. Na verdade, quando termino cada trabalho não sou mais o mesmo. Se pensarmos no alcance popular de Tropa…, acredito que ele seja, sob esse prisma, um divisor de águas na minha carreira”, continua Santos. Afastado do teatro desde que ingressou no cinema, ele pretende voltar aos palcos.

O teatro também está na mira de outro ator do blockbuster nacional: André Mattos, que arranca risadas do público com Fortunato, apresentador de TV que se envolve com política e crime organizado. Filho de atores (Emilio e Zélia de Mattos, fundadores do Tablado), ele está preparando projeto de teatro itinerante. “Uma homenagem ao grande comediógrafo João Bethencourt. Dentro do caminhão, colocarei o repertório de quatro comédias. Viajaremos pelo Brasil, nos moldes das antigas carruagens teatrais”, conta Mattos, que vai filmar O analista de bagé, de Luis Fernando Veríssimo, para a TV Cultura.

Ator experiente, com extenso currículo no teatro e várias participações na TV e no cinema, geralmente em papéis coadjuvantes, ele tem os pés no chão. “Tropa… não é o primeiro filme importante que faço (trabalhou em O xangô de Baker street, de 2001, e Lisbela e o prisioneiro, de 2003). Como nos outros, minha vida continua a mesma. Já ganhei 18 prêmios e sabe o que mudou? Nada.” Porém, Mattos não consegue negar que a dimensão de Tropa… lhe abriu portas. “No teatro e na TV, a coisa não muda, mas no cinema você passa a ser mais procurado.”

Sandro Rocha agora está vendo direitinho o que são portas abertas. Grande vilão, o ator que vive Rocha/Russo (major da PM e miliciano) tem mais de uma década de carreira. Mas somente com o filme de Padilha teve o papel com o tamanho devido. Dos três, Rocha/Russo é o único que esteve no primeiro Tropa de elite. Ali, o ator fez muito pouco (lembra a tirada “quem quer rir tem que fazer rir”?), mas sua pequena participação lhe garantiu vaga na sequência.

“As propostas de trabalho estão chegando de algumas emissoras”, anuncia ele, de origem humilde como muitos personagens do filme. Sandro foi criado na região da favela de Lins de Vasconcelos, subúrbio carioca. Até conseguir a grande chance, penou em pontas e pequenas participações. Chegou, inclusive, a encarnar o Ronald, o boneco-propaganda do McDonald’s, para poder pagar as contas. Diferentemente de alguns colegas de elenco, Rocha conhece de perto o universo de que o filme de Padilha trata. “Para construir o personagem, fiz observação onde vivo, pesquisa na internet e usei minha intuição.” Agora que a fama bateu à porta – “hoje sou reconhecido nas ruas”, comenta –, Rocha pretende tocar seu projeto social, parado por falta de verba. Vai ensinar teatro a crianças das favelas.

Mais um?
José Padilha já disse que não, mas, com o sucesso do segundo Tropa de elite, especula-se (e muito) sobre um terceiro filme. Dos três entrevistados, somente André Mattos concorda com o diretor: “Fôlego para outro filme há, sem dúvida. Mas acho que não vai acontecer. O Padilha já tem outros projetos. O importante é que Tropa de elite já cumpriu sua função artística: levar o público à reflexão”. Sandro Rocha pensa diferente: “O tema nunca estará esgotado, ainda mais em se tratando de uma equipe de elite!”. Irandhir Santos vai além: “Quando lembro que, no primeiro filme, o Padilha falou que não iria fazer o segundo, vejo que há possibilidade de mais um”.

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Via Divirta-se UAI

outubro 24 2010

O ator desconhecido do momento

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Irandhir Santos já participou de vários longas-metragens, que lhe renderam premiações em importantes festivais de cinema do país. Agora, ele encarna a voz da razão em Tropa de Elite 2

Irandhir Santos interpreta o exemplar deputado Diogo Fraga em Tropa de Elite 2

Irandhir Santos interpreta o exemplar deputado Diogo Fraga em Tropa de Elite 2

Gazeta do Povo, 17/10/2010
Por Annalice Del Vecchio

Em uma cena de Tropa de Elite 2, de José Padilha, o ativista de direitos humanos Diogo Fraga esbraveja diante das câmeras de tevê depois que sua tentativa de resolver pacificamente uma rebelião no presídio de Bangu 1 foi frustrada pela truculência do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), liderado pelo tenente-coronel Nascimento (Wagner Moura).

No discurso, esbravejado, o personagem diz ser inadmissível que policiais tenham o símbolo de uma caveira estampado no uniforme. A fala, contrária à política de segurança pública do Rio de Janeiro, brotou espontaneamente da boca do ator pernambucano Irandhir Santos assim que o diretor José Padilha gritou “Ação!”. Assim conta, admirada, a colega de set Maria Ribeiro, que interpreta Rosane, ex-mulher do comandante Nascimento, agora casada com Fraga.

O ator de 32 anos, de olhar doce e fala mansa ao ser entrevistado, conta que essa foi uma das improvisações que fez ao longo do filme a partir de um exemplo real – sempre bem-recebidas pela preparadora de elenco, Fátima Toledo. Seu personagem é inspirado na trajetória do deputado estadual carioca Marcelo Freixo (PSOL), que participou das negociações reais na penitenciária, em 2003.

“Ele esteve presente antes e depois das filmagens, nos levou a Bangu, onde pude ver como era tratado com o mesmo respeito pelos policiais e pelos presos. Mas não quis imitar seus trejeitos, seu modo de falar. Apenas me inspirei nele para dar vazão a um personagem no qual se permite entrever tantos outros exemplos de integridade”, lembra, citando a irmã Dorothy Stang, assassinada por fazendeiros no Pará, em 2005, por defender os direitos dos sem-terra, e a organização de direitos humanos Terra de Direitos, com atuação em Recife, onde vive.

A entrada para o time de Tropa de Elite promete ser um divisor de águas na carreira do ator, que já participou de mais de meia dúzia de filmes, alguns entre os melhores da safra atual. Só neste ano esteve em Olhos Azuis (José Joffily), Quincas Berro D’Água (Sérgio Machado) e Viajo Porque Preciso e Volto Porque Te Amo (Karim Aïnouz e Marcelo Gomes). Neste momento, já está em plena atividade no set de filmagens de A Febre do Rato, nova produção do conterrâneo Cláudio Assis, que já o havia escalado anteriormente para ser o feroz Maninho, em Baixio das Bestas. Mas foi como Quaderna, o contador de histórias de A Pedra do Reino, de Ariano Suassuna, transposto para as telas como microssérie da Rede Globo, que ganhou popularidade.

Pernambucano do mundo

Assim como o poético personagem José Renato, ao qual dá alma e voz em Viajo Porque Preciso e Volto Porque Te Amo, o destino de Irandhir é o retorno para casa ao fim de cada jornada. É assim que este ator obsessivo – que passou quatro meses inteiros no Rio de Janeiro, incluindo os fins de semana, em absoluta imersão no personagem de Diogo Fraga – se desconecta de um projeto para só então entrar em outro.

Cada cena que gravava, no entanto, remetia Irandhir aos problemas enfrentados pela sua própria cidade. “O filme incentiva uma discussão acerca do nosso país. Por várias vezes, durante as filmagens pensava que poderia estar falando da minha cidade, pois o filme aborda questões que vão além das fronteiras ca­­riocas”, diz.

No início de Tropa de Elite 2, Diogo Fraga surge como uma espécie de inimigo de Roberto Nascimento, o protagonista problemático interpretado por Wagner Moura, que destila ironia ao chamá-lo de “maconheirozinho” e “intelectualzinho de es­­querda”. “O Fraga tem uma trajetória positiva, ascendente, que aglutina as pessoas. O Freixo é ameaçado de morte por ter peitado as milícias em uma CPI que re­­sultou em mais de 200 indiciados, mas não é um herói, segue um passo-a-passo, não age de forma obscura”, diz Irandhir.

O público tende a se identificar com o protagonista, que narra o filme e, portanto, expõe seus pontos de vista sem cerceamentos. “É difícil lutar contra a voz que conta a história. O Fraga é para o público o que o capitão Nascimento pensa dele”, diz o ator pernambucano. Mas logo pú­­blico e personagem começam a perceber que a raiva do policial ultrapassa as questões ideológicas. O policial se ressente porque Fraga – ironia do destino – é casado com sua ex-mulher, Rosane (Maria Ribeiro), e se relaciona melhor com seu filho do que ele próprio.

Quando a “ficha cai”, e Nascimento se dá conta da corrupção da polícia e de sua própria maneira de agir com o filho, muito impositiva, sua trajetória tortuosa se afunila à do correto Fraga. “O grande inimigo do Nascimento neste filme é ele mesmo”, diz Irandhir.

Filmografia

Em pouco mais de três anos, Irandhir Santos já participou de diversas produções.

- Ganhou projeção nacional como Quaderna, na minissérie A Pedra do Reino, dirigida por Luiz Fernando Carvalho e exibida pela Rede Globo.

- No cinema a projeção veio com Maninho, em Baixio das Bestas (2006), de Cláudio Assis.

- Em Olhos Azuis, de José Joffily, ele é Nonato, um brasileiro radicado nos Estados Unidos que enfrenta o preconceito na alfândega norte-americana.

- Em A Morte de Quincas Berro D’Água (2009), de Sérgio Machado, faz parte do quarteto comandado pelo rei dos vagabundos e cachaceiros da Bahia.

- Também participou de A Hora e a Vez de Augusto Matraga (2009), de Vinicius Gentil Coimbra, e de Cinema, Aspirinas e Urubus (2005), de Marcelo Gomes.

- Fará parte de dois fimes ainda em produção: O Som ao Redor, de Kléber Mendonça Filho, e A Febre do Rato, de Cláudio Assis.

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Via Gazeta do Povo

outubro 24 2010

Tropa 2 deve colocar Irandhir Santos na boca do povo

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Cine Click, 09/10/2010
Por Heitor Augusto

Quem acompanha o cinema à margem do mainstream ou se interessa pelas coisas de Pernambuco não enxerga Irandhir Santos como uma cara nova do cinema. Desde 2006, quando ganhou o Candango de Melhor Ator no Festival de Brasília por Baixio das Bestas, o ator formado no teatro entrou com força no cenário cinematográfico.

Com Tropa de Elite 2 – Agora o Inimigo é Outro, Irandhir Santos deve ganhar muito mais visibilidade do grande público, já que interpreta o antagonista de Coronel Nascimento (Wagner Moura). “Não sei ainda como vai ser isso, mas a não visibilidade para mim é muito interessante porque um dos elementos do ator é a observação. Observar sem ser observado é fantástico”, afirma o ator em entrevista ao Cineclick.

Mas vai ser difícil: apenas em 2010, Irandhir apareceu nos cinemas em Olhos Azuis e Quincas Berro D’Água, além de ter frequentado as telas do Festival do Rio com O Senhor do Labirinto. Para uma cinematografia que costuma eleger “o cara” da vez, o ator nascido em Barreiros deve seguir a fila já ocupada por Selton Mello, Matheus Nachtergaele, Lázaro Ramos, Rodrigo Santoro, Wagner Moura, entre outros. Chegou o momento de Irandhir tornar-se onipresente.

Em Tropa 2, ele interpreta o ativista pelos Direitos Humanos Diogo Fraga, personagem inspirado no militante e deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL-RJ). “O Fraga tem duas vertentes, a pública e o núcleo familiar. As duas coisas são lado a lado para formar um ser humano mais completo. Não interessava só um ou outro”, explica.

Passados 13 anos da trama de Tropa de Elite, no segundo filme Rosane já se separou do Capitão Nascimento. Pior: casou-se com Fraga, a quem o líder do Bope considera um grande inimigo. “Acho um ato libertador a Rosane ter largado o Nascimento, o cara que as mulheres acham incrível”, explica a atriz Maria Ribeiro. Para ela, no primeiro filme sua personagem aceitava tudo passivamente. “A cena do ‘esporro’ em Tropa de Elite foi talvez a mais difícil da minha vida”.

Assim como Rosane se afeiçoou ao personagem de Irandhir Santos, o agora Coronel Nascimento corre o risco de perder o carinho do filho para o padrasto. Pedro Van-Held, que estreia nos cinemas aos 16 anos, avalia os potenciais do filme para a geração ligada na internet.

“Pensando nos meus amigos, acho poucos deles vão perceber quando Wagner [Moura] confronta o poder oficial, ele está desafiando! Acho que as pessoas da minha idade ficariam mais ligados nos tiros, na ação”, opina.

Para Irandhir, que estreou no teatro há 14 anos com Liberdade, liberdade antes de chegar aos cinemas em 2005 num papel pequeno em Cinema, Aspirinas e Urubus, um papel tem a força de mudar uma pessoa. “Acredito, porque se me transforma, isso se estende também a quem assiste”.

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Via Cine Click

outubro 03 2010

Daiblog entrevista Irandhir Santos

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Daiblog, 02/06/2010
Por Michel Toronaga

O pernambucano Irandhir Santos interpreta Nonato, o corajoso emigrante brasileiro que encara Marshall, chefe da imigração americana em Olhos Azuis. O ator fez sua formação em artes cênicas na Universidade Federal de Pernambuco, do teatro ingressou na televisão, onde trabalhou na minissérie A Pedra do Reino. Sua estreia em longa metragem foi em Cinema, Aspirinas e Urubus, depois veio Baixio das Bestas, com o qual conquistou o Troféu Candango de melhor ator coadjuvante no Festival de Brasília de 2006. Em 2009 atuou no filme Besouro. Também fez o curta Décimo segundo e o longa Amigos de risco.

No inicio de 2010, pôde ser visto também como o protagonista do longa Viajo Porque Preciso, Volto Porque te Amo, de Karim Ainouz. Sua atuação em Olhos Azuis foi premiada no Festival de Paulínia, 2009. Em maio deste ano, Irandhir estreou também o filme Quincas Berro D´Água, adaptação para a cinema do livro de Jorge Amado. Atualmente, o ator está filmando Tropa de Elite 2. Leia agora uma entrevista com o ator falando sobre Olhos azuis.

Irandhir em Décimo segundo

Irandhir em Décimo segundo

Varias línguas
Minha formação foi em teatro, onde é possível experimentar mais. Em cinema é tudo corrido, mais matemático, tem que ter mais concentração. Repetir a mesma cena com a mesma intensidade, sem perder a emoção. Mas o maior desafio desse papel foi sem dúvida interpretar em inglês. Inglês sempre foi um problema, desde o tempo da escola. Porque não tinha motivação para estudar como deveria. Mas o engraçado é que eu sempre soube que um dia precisaria do inglês. Até que um dia liga a Helô (produtora do filme) e me convidada para interpretar o papel. Nesse momento ela diz: tem uma questão, você tem que interpretar em inglês. Então eu tive que voltar para a escola. Ela disse: você tem 3 meses para se preparar.

Se tive dificuldades no inglês no passado, por outro lado, sempre encarei os desafios da vida. Então pensei: em 3 meses o Nonato estará pronto. E assim foi, o aprendizado continuou durante a filmagem. No set, tive a ajuda do Joffily, do David Rache, da Erica Gimpel e do Frank Grillo, os atores americanos. Depois de alguns dias rodando, ensaiando o clima tomou conta do set, o inglês foi ganhando força e eu fui assimilando. Tem ainda o espanhol, o Nonato fala portunhol. Na verdade, na sala de espera da imigração existe uma tentativa de comunicação, as pessoas se comunicam de várias formas, há outras linguagens presentes ali, talvez até mais significativas do que a verborragia.

O ator em Quincas Berro D'água

O ator em Quincas Berro D'água

Cumplicidade
Calypso, a cubana que fica detida juntamente com Nonato e o outros latinos na ante-sala da imigração americana, é a personagem mais próxima do brasileiro. Os dois estão em situação parecidas, talvez para ela seja mais difícil, porque é a primeira vez que ela viaja para os Estados Unidos. Para Nonato é mais tranquilo, ele está mais preocupado com seu tempo. Ele quer aparentar ser um homem de negócios. Naquela sala ele encontra uma cumplicidade com Calypso. Às vezes não há palavras. Eu e Branca (Messina) que interpreta a Calypso, conversamos sobre isso, às vezes basta um olhar. O que vem dos outros personagens em relação ao Nonato são coisas muito desumanas. Os policiais estão atirando o tempo todo, são outros sentimentos, mas estes também ultrapassam a barreira da língua.



A construção de Nonato
A partir de uma palavra: emigração. Uma pessoa que vai sempre em frente, que se estabelece.Nonato saiu de Petrolina, superou dificuldades para ir até o Recife estudar história, depois vai para os Estados Unidos. Lá ele se estabeleceu, sempre seguindo em frente, trilhando um caminho reto. Até que chega uma pessoa e diz: pare por aí. Daqui você volta. Desconsidera todo o seu passado.

Ao lado de Branca Messina no drama Olhos azuis

Ao lado de Branca Messina no drama Olhos azuis

Dentro da bolsa que Nonato carrega está a filha,a mãe e a sua história. É difícil você abrir mão da sua história. Confesso que me detive no Nonato do aeroporto e em um passado que o motivasse a ir para os EUA. Mas tem o outro Nonato. Na imigração ele está constantemente preocupado, transpira, tem rugas na testa. Quando está no Recife é um Nonato relaxado, sorridente, seu tempo é mais devagar, observa, sente o clima, aproveita o sol, o mar, a filha.

No primeiro interrogatório, Nonato se expressa com um inglês perfeito. Mas à medida que vai sendo pressionado, seu inglês vai piorando. Sua emoção vai crescendo quando se sente atingido,aí retoma a língua mãe, o português. No momento da virada, precisa se fazer entender, então Nonato volta para o inglês perfeito. São várias trajetórias desse personagem.

Cena de Amigos de risco

Cena de Amigos de risco

Olhos Azuis fala do ser humano
A cor azul representa a memória. Para o Nonato e para mim também. Quando acordo, lembro dos meus sonhos com a cor azul. O meu passado também é azul. A cor está presente nos olhos de duas pessoas significativas na vida dele: o policial, esse monstro que diz, você não vai em frente e a filha, que é o há de mais precioso para ele. Duas pessoas com cores iguais em seu olhos, mas que trazem emoções totalmente diferentes. Marshall e Luiza. Como podem ser iguais e diferentes ao mesmo tempo? Estamos falando das mesmas pessoas.

Esse filme fala das mesmas pessoas, somos iguais, independente da cor, ou dos olhos, somos iguais. Pessoas iguais e diferentes. Muda-se a cor, mas os infortúnios são os mesmos. todos são iguais, as questões são as mesmas. Não é uma questão de país ou de cultura. É uma questão humana. Como lidar com os nossos infortúnios? Nonato volta a ser um animal, ao seu instinto de sobrevivência e defesa. Volta ao que todo homem tem, seja em que país for, independente da cor dos olhos, da cor da pele. Esse filme fala sobre o homem. São as conseqüências da vida.

Irandhir Santos em Besouro

Irandhir Santos em Besouro

Imagens e cores
Meu personagem tem uma câmera, então o fotógrafo do filme, Nonato Estrela, me perguntou: o que o seu Nonato filmaria? Acho que Nonato sai captando a imagem dos pés de sua filha, sua filha correndo, a praia de Boa Viagem, os momentos de carinho com Luiza.

Assisti a uma reportagem sobre segurança nos aeroportos e ali surgiu a ideia das cores. Para demonstrar os níveis de atenção, eles usam cores. Por exemplo, alerta laranja, alerta vermelho, etc. Eu peguei essa referência como guia das emoções das cenas que faria. Então tenho cenas amarelas e quando começa a incomodar passo para as cenas laranjas até chegar o “pega pra capar”, as cenas de vermelhas.

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Via Daiblog

maio 10 2010

Muito mais que um grande ator

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Em Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo, Irandhir Santos é só uma sombra, mas já desponta como revelação

Estadão, 07/05/2010
Por Luiz Carlos Merten

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Nos anos 1940, o ator e diretor Robert Montgomery realizou uma curiosa experiência de cinema subjetivo em Hollywood, dirigindo (e protagonizando) A Dama do Lago, um filme noir em que era o personagem principal, mas no qual não aparecia, exceto nos breves momentos em que cruzava com um espelho, por exemplo. A experiência não é exatamente a mesma, mas Karin Aïnouz e Marcelo Gomes, a dupla criadora por trás de Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo, mescla ficção e documentário no filme que estreia hoje e cujo protagonista também não aparece. Esse homem é um geólogo enviado para o sertão com o objetivo de estudar a viabilidade de transposição das águas de um rio para aquela região árida.

Viajo nasceu como curta-metragem, do encontro dos dois cineastas com o sertão ligado à memória de ambos. Mas o projeto não satisfazia a Gomes nem a Aïnouz. Dez anos depois da captação das imagens, eles o retomaram e, por meio do artifício da narrativa em off, deram um sentido àquelas imagens. Viajo não é sobre o sertão, mas sobre o desertão, um espaço da carência afetiva e da experimentação cinematográfica. O narrador, que empresta sua sombra – e ela, com um detalhe de mão, é só o que aparece dele -, é “interpretado” por Irandhir Santos. Estamos lhe apresentando o ator brasileiro que passou a ser visto como a sensação do cinema nacional. No dia 21 estreia Quincas Berro d”Água e Irandhir é um dos amigos que carregam o corpo do homem morto pela noite de Salvador, no filme que Sérgio Machado adaptou do romance de Jorge Amado. Logo em seguida, ainda em maio, virá Olhos Azuis, de José Joffily. E, no segundo semestre, ainda sem data, Irandhir será o antagonista de Wagner Moura no aguardado Tropa de Elite 2, de José Padilha.

Mas acontece uma coisa muito interessante com os diretores que trabalham com Irandhir Santos. Nenhum deles diz que é um ator talentoso, ou mesmo um grande ator. No set de Tropa 2, Padilha usou para o repórter outra palavra e foi ela que Machado repetiu no Recife, onde Quincas foi exibido na semana passada, durante o Cine PE. Para ambos, Irandhir é “gênio”. O narrador onipresente é uma sombra em Viajo Porque Preciso. Estamos dando um rosto à sombra. Apresentamos-lhes o gênio em acaso, Irandhir Santos.

Ele olha para o repórter com cara de quem não entende, durante a entrevista realizada num hotel do Recife, no fim de semana. Irandhir muda tanto, de um papel para outro, que é bom perguntar, mesmo brincando, se ele é mesmo daquele jeito – do que jeito que você vê na foto – ou se também está “disfarçado”. Mudar, de um personagem para outro, faz parte do “cerimonial”, e Irandhir Santos usa muito a palavra. “Um professor de teatro no Recife foi quem me iniciou nesse ritual. Como ator, é o que me alimenta. Venho do teatro, e o cerimonial de criação do personagem faz parte da minha bagagem.”

Mística. Padilha usa outra palavra para definir o comportamento de Irandhir. Diz que ele é o ator mais “concentrado” que já viu. José Joffily compartilha da opinião. Tudo isso vai criando uma mística em torno de Irandhir. Você já o viu, com certeza. Ele teve pequenas, mas importantes, participações em Cinema, Aspirinas e Urubus, de Marcelo Gomes, e principalmente em Baixio das Bestas, de Cláudio Assis. Foi o Quaderna da adaptação que Luiz Fernando Carvalho fez de A Pedra do Reino, de Ariano Suassuna – uma experiência maravilhosa. Com todo o elenco de Carvalho, Irandhir ficou meses pesquisando para criar o personagem. Criou-se uma expectativa muito grande – para sua família. Afinal, ele seria astro de uma microssérie da Globo. A Pedra não aconteceu. Irandhir permaneceu “anônimo”.

Ele até gosta – acha que serve aos personagens. Mas como todo ator, ele deve ter um componente narcisista em sua personalidade. Não anseia ser reconhecido pelo público? Irandhir ri. Desconversa. Ser uma “celebridade” não faz parte de suas aspirações, mas reconhece que, antes mesmo de seu trabalho começar a aparecer para o público, as coisas estão começando a acontecer. “Um trabalho tem chamado o outro.” O personagem de Quincas é um ex-militar que caiu na esbórnia com o ex-funcionário público que dá título ao filme.

Antagonista. Em Tropa de Elite 2, é um professor que servirá de antagonista para o ex-Capitão Nascimento – foi promovido a coronel -, integrando ONGs em defesa do cidadão e refletindo sobre o sistema carcerário que não recupera criminosos, mas os aprimora para que a polícia, depois – as milícias -, os executem. Em Olhos Azuis, é decisivo para desencadear a reação do protagonista, o policial gringo, interpretado por David Rasche.

Todos personagens diferentes. Para cada um deles, Irandhir criou uma persona. Mas ele não se preocupa com o que cada um possa ter dele. A questão é sempre inversa. Como ele pode criar essas figuras tão distintas? O teatro, e Stanislavski, lhe dão as ferramentas, mas nenhum personagem é ele, embora seja todos. O Irandhir que você vai descobrir agora é só uma sombra. Mas olhe bem para a cara dele. Irandhir está chegando em filmes que prometem, e vão dar o que falar. Não se trata de dizer que está nascendo um astro. Você vai descobrir um ator. Não um ator qualquer – um gênio, segundo os importantes autores que já o dirigiram.

LEMBRA DELE NA TELEVISÃO?

Irandhir Santos foi Quaderna da adaptação que Luiz Fernando Carvalho fez de A Pedra do Reino, de Ariano Suassuna, para a Rede Globo (disponível em DVD). A minissérie foi mal de audiência. Se fosse por ela, talvez o ator tivesse permanecido anônimo. Mas ele diz: “Foi uma experiência maravilhosa.”

PRESTE ATENÇÃO…

1. Quincas Berro d”Água. No filme de Sérgio Machado, com estreia marcada para o dia 21, Irandhir interpreta um dos amigos que carregam, pela animada noite de Salvador, o corpo do homem morto (Quincas), do conhecido conto de Jorge Amado.

2. Tropa de Elite 2. Na sequência do incensado filme de José Padilha, ainda em fim de filmagem, ele é um professor, antagonista do personagem de Wagner Moura, e integrante de uma ONG em defesa do cidadão. Sua cena é tocante.

3. Olhos Azuis. No filme de José Joffily, seu papel também é decisivo para desencadear a reação do protagonista, o policial gringo interpretado por David Rasche. Ele ganhou o prêmio de melhor ator coadjuvante no Festival de Paulínia.

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Link da matéria no Estadão

maio 10 2010

Em cartaz com três filmes em maio, Irandhir Santos é o ator mais requisitado da atual safra do cinema nacional

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O Globo, 07/05/2010
Por Erika Azevedo

irandhir

RIO – Apenas três anos após ter sido revelado ao grande público depois de dar vida ao quixotesco Quaderna da minissérie “A Pedra do Reino”, Irandhir Santos se tornou o ator mais requisitado da atual safra do cinema nacional. Somente este mês, ele estrela três produções que entram em cartaz no Rio de Janeiro: “Viajo porque preciso, volto porque te amo”, de Karim Aïnouz e Marcelo Gomes; “Quincas Berro d’Água”, de Sérgio Machado; e “Olhos azuis”, de José Joffily.

Como se tudo isso não fosse o bastante, ele ainda é uma das apostas de “Tropa de elite 2″, que estreia no dia 3 de setembro; está no elenco de “Matraga (A hora e a vez)”, de Vinicius Coimbra; e começa a rodar até o fim do ano “A febre do rato”, novo filme de Cláudio Assis, e “O som ao redor”, primeiro longa do premiado curta-metragista Kléber Mendonça Filho.

- Coincidentemente, tudo acabou acontecendo ao mesmo tempo, mas ainda não sei lidar com isso. Ainda bem que são filmes bem diferentes, com temáticas distintas. Mas não sou eu ali, é a história. E eu espero muito que dê certo pela história. É isso que interessa – conta, modesto.

Criado em Limoeiro, cidade do agreste pernambucano, o ator de 31 anos, teve seu primeiro contato com a arte da interpretação na escola, ao encenar comédias de Ariano Suassuna em sala de aula e não parou mais. Foi no teatro que ele começou a criar cadernos para cada um de seus personagens, como uma forma de mergulhar em cada trabalho, experiência que leva consigo também para o cinema. Ideias, sonhos e desenhos são registrados com cuidado em cada folha. E, sempre que conclui um projeto, como quem cumpriu uma missão, guarda o caderninho daquele personagem num baú.

- Tenho uma tendência à maturação da obra. Preciso dessa ritualização. O set, por si só, é muito disperso, cada um faz o seu, então se você não tiver foco, é capaz de não conseguir entrar naquilo e, talvez, de se perder. Então, tenho um tempo de aquecimento, de concentração. Fico imerso no meu caderninho, nas minhas anotações e nos meus desenhos. Para mim é primordial – explica.

O último caderno a ir para o baú do ator foi o de “Tropa de elite 2″, cujas filmagens foram concluídas há menos de um mês. Na aguardada sequência do filme de José Padilha, Irandhir vive o personagem Diogo Fraga, um defensor dos Direitos Humanos que questiona a política de segurança pública do Rio de Janeiro. Pela primeira vez, ele sentiu a pressão de participar de um potencial blockbuster do cinema nacional.

O ator Irandhir Santos no filme "Tropa de Elite 2"
O ator Irandhir Santos no filme “Tropa de Elite 2″

- Em momento nenhum, enquanto eu estava fazendo o filme, isso passou pela minha cabeça. Só fui me dar conta disso quando as filmagens acabaram e voltei para a minha cidade. Houve uma curiosidade principalmente para saber como foi o set e como é a história do filme, coisa que nunca aconteceu comigo em nenhum dos outros projetos. Aí é que foi caindo a ficha. Ainda bem, porque o trabalho já está feito – brinca.

Ao fim de cada filmagem, Irandhir também tem um ritual: não importa o que aconteça, ele sempre volta para sua cidade.

- Os projetos me trazem e eu fico o tempo que for necessário. Com “Tropa” foram quatro meses. Mas sempre existe essa palavra que eu adoro, que é “retornar”. Retorno para Recife e retorno para Limoeiro. A gente senta na calçada, que é um lugar quase religioso para a minha família, e lá a gente conversa e mata as saudades. É lá que eu recarrego as baterias.

Assim, morar no Rio ou em São Paulo está fora dos planos do ator.

- Aprendi com Ariano Suassuna uma coisa que veio de “A Pedra do Reino”: Quaderna busca as respostas da vida na sua raiz, no sertão. Estar na minha região e buscar o que é necessário para mim servem para minha experiência como ator. Não é necessário abandonar, mas permanecer, ir a fundo, pesquisar. Não deixo de fazer trabalhos por isso.

E a filmografia de Irandhir não o deixa mentir.

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Link da matéria no O Globo