dezembro 15 2010
Tiradentes abriga em janeiro mais uma edição do festival
Tagged Under : cinema nacional, homenagem, irandhir santos
Proposta da mostra é exibir e refletir sobre o que está sendo mostrado na telas
UAI, Divista-se, 15/12/2010
Por Gracie Santos

O cinema brasileiro está sendo feito por jovens. E essa é uma tendência inclusive mundial - Raquel Hallak, coordenadora da mostra
Duas gerações do cinema brasileiro serão homenageadas na 14ª Mostra de Cinema de Tiradentes, promovida de 21 a 29 de janeiro, na cidade histórica mineira. De um lado, o diretor carioca Paulo Cesar Saraceni, representante do cinema brasileiro moderno, que teve seu auge nos anos 1960 e 70. De outro, Irandhir Santos (Tropa de Elite 2), ator de teatro pernambucano, que começou recentemente sua incursão pelo cinema nacional (em 2005, em Cinema, aspirinas e urubus) e pode ser visto como legítimo representante pernambucano da nova “safra” de fora do eixo. Durante o festival, que este ano elegeu como tema “Inquietações políticas”, serão exibidas obras da filmografia de Saraceni e Irandhir. Na abertura, o novo longa do cineasta carioca, O gerente, baseado no conto de Carlos Drummond de Andrade, sobre um gerente de banco que tinha como fetiche morder as mãos das mulheres da sociedade.
“A proposta da Mostra de Tiradentes é poder exibir e refletir sobre a estética da obra, discutir políticas públicas e formas de fazer. E, principalmente, discutir o que estamos vendo. O evento foi se firmando como momento de aprofundarmos sobre como o cinema nacional está se apresentando no presente. O festival de Ouro Preto (Cine OP) está mais voltado ao passado e o de Belo Horizonte (Mostra Cine BH) para o mercado”, esclarece Raquel Hallak, coordenadora da mostra. “Estamos observando o cinema apresentado em 2009 e este ano e o que virá em 2011. A política tratada na forma de olhar, como fruto de uma transformação de organização social. É o cinema como retrato de nossa identidade, “ afirma Raquel, lembrando temáticas que estão sendo debatidas na tela grande, cujo principal representante ou melhor exemplo é Tropa de Elite 2.
“Vejo este filme, que é totalmente diferente do primeiro, como grande instrumento até para essa operação que vem sendo feita no Rio de Janeiro. E é este o papel do cinema, mostrar na tela a abertura da política como forma de transformação social. O novo olhar do diretor faz parte de um amadurecimento”, diz a coordenadora da Mostra de Tiradentes, para quem estamos passando por fase importante da produção cinematográfica brasileira. “O que inclusive pôde ser visto em Brasília. O cinema brasileiro está sendo feito por jovens. E essa é uma tendência inclusive mundial”.
Raquel Hallak atribui essa mudança às novas tecnologias e à facilidade de produção atual. “Antigamente, era preciso ter uma carreira para filmar. Ter acesso político para viabilização dos recursos, financiamento. Hoje, os jovens estão fazendo cinema com o que têm em mãos. O processo coletivo é muito grande e isso é visível no Nordeste, fora do eixo Rio-São Paulo”, analisa. Para ela, tudo isso resulta em uma “forma de olhar mais desprendida, mais livre. Não é preciso negociar o que será abordado. Associar determinada ideia a uma marca. Isso é o retrato do cinema independente, de uma nova estética”.
HOMENAGEADOS
“As homenagens (Saraceni e Irandhir) compõem espécie de plano e contraplano histórico, sem necessária distinção de quem é uma coisa ou outra. Cada um deles surgiu para o cinema em momentos históricos e cinematográficos distintos”, explica Raquel. E completa: “Saraceni é pré-Cinema Novo, se tomarmos seus curtas e seu primeiro longa como referência inicial, e também protagonista do movimento, embora sempre com um olhar muito próprio, sem igual em sua turma. Nos anos 1990 e 2000, assim como ocorreu com quase toda a sua geração, filmou sem frequência. Quando filmou, porém, não se acanhou: ousou!”. Entre os filmes a serem exibidos em homenagem a Saraceni, seu primeiro curta, de 1959, Arraial do Cabo, premiado na Itália, além de Porto das Caixas (1962), longa de estreia do diretor.
Já “Irandhir é um dos rostos de um cinema brasileiro jovem, de diretores entre 20 e 40 anos, com poucos longas nas costas. Essa é a faixa etária que, na prática, hoje movimenta a produção no Brasil. Nos últimos 10 anos, não foram poucos os atores e diretores a estrear nas telas, com uma renovação proporcional em outras atividades da realização”, lembra Raquel. Irandhir surge nessa cena também marcada pelas revelações e confirmações de Lázaro Ramos, Wagner Moura, Hermila Guedes, João Miguel, todos, por coincidência ou não, nascidos e formados na Bahia e em Pernambuco. “Sinal de que, quase sempre concentrado em Rio e São Paulo, o foco mudou. E a filmografia do ator é composta quase exclusivamente de diretores nordestinos: Daniel Bandeira, Claudio Assis, Kleber Mendonça Filho, Marcelo Gomes e Karin Ainouz.”
Raquel Hallak não antecipa outros filmes da grade de exibição do festival, que ainda está sendo fechada, mas adianta que as oficinas de cultura (gratuitas) para o público adulto e infantojuvenil, que serão ministradas durante o evento, 12 com 300 vagas, estão com inscrições abertas até 5 de janeiro (veja box). As inscrições, também gratuitas, podem ser feitas pelo site www.mostratiradentes.com.br. Além de preencher a ficha de inscrição disponível no site, os candidatos devem inserir, em seu cadastro, um breve currículo para análise. Cada interessado pode concorrer a apenas uma vaga na oficina que eleger.
OFICINAS
Para o público adulto
• Interpretação para cinema, com Sérgio Penna (SP) – de 22 a 24
• Produção executiva, com Sérgio Kieling (SP) – de 22 a 24
• Realização em curta documental, com Luiz Carlos Lacerda (RJ) – de 22 a 28
• Direção cinematográfica, com Jorge Bodanzky (SP), de 26 a 28
• Trilha sonora para cinema, com David Tygel (RJ), de 25 a 27
• A essência do roteiro – Cinema e TV, com Claudio Mac Dowell (RJ), de 25 a 27
• Cinema e gastronomia, com o chef Ronie Peterson e o maitre Flávio Gomes, do Hotel Senac Grogotó (MG) – dia 27
• Processos audiovisuais cocriativos, com Igor Amin Ataídes e Vinícius Cabral (MG) – de 22 a 25
Para o público infantojuvenil
• Por trás da câmera, com Ana Paula e Anna Rosaura (RJ) – de 24 a 28
• Interpretação para atores, com Eliane Abreu Rios (MG) – de 25 a 29
• A formação do olhar fotográfico, com Bete Bullara (RJ) – de 24 a 28
• Artes plásticas e cinema, com Daniela Penna (MG) – de 24 a 28
14ª MOSTRA DE CINEMA DE TIRADENTES
De 21 a 29 de janeiro. Programação gratuita. Informações e incrições para as oficinas no www.mostratiradentes.com.br
***
Via Divirta-se








