outubro 24 2010

“Tropa de Elite 2″ ganha mais 40 cópias para aumentar circuito exibidor

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Folha de São Paulo, 13/10/2010
Por Reutrers

Os atores Irandhir Santos, Maria Ribeiro e Wagner Moura em cena de "Tropa de Elite 2"

O filme “Tropa de Elite 2 foi visto por mais 2,260 milhões de espectadores no feriado prolongado de 12 de outubro.

A bilheteria total para os cinco primeiros dias chega a R$ 22,8 milhões.

Mais 40 cópias do filme foram feitas e devem reforçar o número de salas de exibição do longa nos próximos dias. Para dar conta da demanda, vários exibidores programaram sessões extras à meia-noite na segunda e na terça-feira.

Com a atualização dos números, “Tropa de Elite 2″ ultrapassou o público do fim de semana de estreia de “Homem Aranha” e é a quarta maior abertura da década em número de ingressos vendidos.

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Via Folha.com/Ilustrada

outubro 24 2010

A tropa que quer derrotar o espiritismo

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Filme de Padilha é o único que pode superar as bilheterias da onda espírita

Estadão, 07/10/2010
Por Luiz Carlos Merten

Todos batem na mesma tecla. Tropa de Elite 2 foi mais fácil de fazer – e montar – do que o 1. José Padilha disse que reunir a mesma equipe – atores e técnicos – facilitou muito as coisas. O montador Daniel Rezende, que acompanhou o diretor no set e foi, ele próprio, diretor de segunda unidade, disse que muitas cenas já foram filmadas de olho na edição. Só Wagner Moura reconhece que o mergulho no personagem foi mais difícil.

Bope em ação. Diretor pretende levar o filme para festivais internacionais

Bope em ação. Diretor pretende levar o filme para festivais internacionais

“Nascimento ficou mais consciente, mais trágico. Nessa loucura toda, que é o mundo em que vive, ele descobre que tudo pelo qual lutou e se sacrificou é oco, foi desvirtuado. Foi um processo dolorido”, admite. Nascimento foi o personagem que lhe deu o reconhecimento público. Ele sabe que é o astro, a alma da produção que toma de assalto 600 salas de todo o País. Tropa de Elite 2 está entrando somente em cópias em película. Faz parte do controle do filme. Todas as cópias possuem GPS e diferentes cenas foram criptografadas para impedir a pirataria e mapear tentativas de desvio do filme. “Para piratear o Tropa 2, só copiando da tela”, gaba-se o diretor, que montou com Marco Aurélio Marcondes a estratégia de guerra. A Zazen, empresa de Padilha e Prado, contratou os serviços da distribuidora Europa, que terá os direitos do DVD.

O que parece uma operação razoável – distribuir o próprio filme – tem implicações profundas. Padilha abriu mão do contrato com as majors, que poderiam colocar dinheiro do artigo terceiro em Tropa 2. Isso significaria R$ 3 milhões a mais, mas Prado e ele fizeram os cálculos e chegaram à conclusão de que seria desvantajoso. O dinheiro do artigo terceiro, que as distribuidoras estrangeiras podem aplicar no cinema brasileiro, reduzindo a remessa de lucros, inclui uma série de deduções, de taxas e riscos. No fim, é bem menos do que os R$ 3 milhões que são investidos. Eliminando essa sangria, Padilha e Prado abriram espaço para que os “sócios” – investidores e integrantes da equipe – possam ganhar mais. Para isso, o filme tem de fazer sucesso. Se não fizer, não será por falta de qualidades nem de planejamento.

Hinos. Padilha está satisfeito com o filme que fez. Na terça à noite, não revelava nenhuma ansiedade quanto ao desempenho de público do filme, na estreia. A van que conduzia atores e o fotógrafo Lula Carvalho para o local da exibição – o repórter estava lá – entoava hinos de guerra das torcidas do Rio, Flamengo e Mangueira. Quando se descortinou o monumental cineteatro de Paulínia – a Hollywood brazuca -, alguém puxou o Está chegando a hora. Foi tudo muito emocionante, mas Padilha era a própria imagem do autocrontrole. Estava disfarçando? “Não consigo. Nem me queira ver nervoso”, ele diz. Seu nervosismo dura enquanto ele pode mudar o filme, durante a montagem e a pós-produção. Com o filme pronto, ele se acalma.

Tropa 2 poderá ter uma vida internacional. Padilha vai tentar festivais como Sundance e Berlim. Na Berlinale, não quer concorrer, depois que o primeiro ganhou o Urso de Ouro, outorgado pelo júri presidido por Costa-Gavras. O filme agora mostra o Coronel Nascimento na Secretaria de Segurança Pública do Rio. A curva dramática centra-se na sua relação complicada com o filho e no combate às milícias. Como no 1, Padilha diz que foi feita uma extensa pesquisa. A ligação das milícias com a politicalha é real. A invasão da delegacia por milicianos que roubam armas, o político preso no plenário, o delegado que prende milicianos, tudo é verdadeiro, tudo aconteceu. Marcelo Freixo é a base do personagem de Fraga, interpretado por Irandhir Santos. Eles não se opõem só em relação às políticas públicas sobre segurança. Fraga, no filme, casa-se com a ex-mulher de Nascimento, faz a cabeça de seu filho.

Cenário. O Rio fornece o cenário e a união das milícias com políticos, chegando até ao palácio do governador, não é mero delírio de diretor. Só que, desta vez, Padilha queria extrapolar. Há uma dúvida sobre se Nascimento morre ou não – não vamos tirar a graça revelando o que ocorre. Mas o desfecho é em Brasília, uma tomada aérea da cidade, dos seus poderes, para mostrar como a corrupção e a violência são maiores. Padilha, ao contrário de Wagner Moura, não tomou partido publicamente, na primeira etapa da eleição presidencial. Para o segundo turno, ele espera que o filme ajude a levantar o debate sobre a questão da segurança.

José Padilha diz que Wagner é um ator que pensa como diretor. “Ele vê a cena como um todo, não fica só na sua parte.” Wagner concorda. Admite que tem um projeto de direção e até pretende se isolar um pouco na Bahia, à espera do próximo filme – em março – para tentar amadurecê-lo. “Como ator, acho que meu papel é contribuir para que o diretor conte a história. Sem estrelismo, mas com conforto.”

TROPA DE ELITE 2
Direção: José Padilha. Gênero: Drama (Brasil/ 2010, 118 minutos). Censura: 16 anos.

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Via Estadão

outubro 24 2010

Atuação de elenco é o forte de ‘O Senhor do Labirinto’

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Terra Cinema, 02/10/2010
Por Carol Almeida

O diretor do filme, Geraldo Motta, posou ao lado da atriz Maria Flor

O diretor do filme, Geraldo Motta, posou ao lado da atriz Maria Flor

O diretor Geraldo Motta estava deveras emocionado na noite dessa sexta-feira (1) com a première de seu mais novo filme, O Senhor do Labirinto, mas quem emocionou mesmo durante a sessão foram os atores em cena, particularmente Flávio Bauraqui e Irandhir Santos. Sendo o primeiro protagonista do filme e desde já forte candidato ao prêmio de Melhor Ator no Festival do Rio. Aliás, na sessão de estreia do filme, ele certamente foi responsável por boa parte dos aplausos dedicados ao título.

No papel de Arthur Bispo do Rosário, o homem que a partir de seu trabalho realizado depois dos anos 1960 lançou um novo olhar sobre os limites em que a sensibilidade artística cruza caminhos com a insanidade clínica, Bauraqui tem aqui seu momento de protagonista e faz bom uso dele. No papel de um guarda da colônia onde Bispo do Rosário ficou internado, Irandhir Santos, como sempre impecável, prova mais uma vez porque, ao lado de Wagner Moura, ele é “o cara” hoje do cinema nacional.

Antes da exibição do filme, quem chamou todos os flashes foi mesmo a atriz Maria Flor. Na história, ela interpreta Rosângela, mulher que vai ajudar o protagonista a lidar com o seu perturbador fluxo de pensamentos.

Em tempo: ainda que com uma atuação acima da média dos protagonistas, foi consensual entre o público que a maquiagem de Bauraqui no momento em que ele vive Bispo do Rosário mais velho estava bem acima do tom.

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Via Terra Cinema

outubro 11 2010

Elenco vai à pré-estreia de ‘Tropa de Elite 2′ em Paulínia

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Terra Cinema & DVD, 06/10/2010
Por Ravi Santana

Wagner Moura, Maria Ribeiro e Pedro Van-Held participaram da pré-estreia

Wagner Moura, Maria Ribeiro e Pedro Van-Held participaram da pré-estreia

O Theatro Municipal de Paulínia, no interior de São Paulo, recebeu na noite dessa terça-feira (5) a primeira exibição de Tropa de Elite 2. O momento, de acordo com o distribuidor Marco Aurélio Marcondes, era de grande importância para o cinema nacional, já que, coincidentemente, aconteceu no mesmo momento em que o Rio de Janeiro encerrava seu festival.

A exibição, que reuniu grande parte de elenco, foi também o primeiro momento em que os atores viram o resultado final. Deles, apenas Wagner Moura já havia assistido ao filme pronto. André Mattos, que interpreta um apresentador de TV que se torna político, gostou do que viu. “É um momento interessante para o lançamento, por ser época de eleições”.

O filme, que trata da corrupção não apenas nas polícias, mas entre políticos, deveria ter sido lançado antes do primeiro turno, mas não conseguiu uma data. A estreia acontece, então, apenas nesta sexta-feira (8).

Antes da exibição, o elenco subiu ao palco de uma sala lotada. Estavam além de Wagner Moura e André Mattos, o diretor José Padilha e os atores Maria Ribeiro, Tainá Muller, Irandhir Santos, Sandro Rocha, André Ramiro e Seu Jorge, entre outros. Satisfeito com o grande público da noite, Padilha até brincou “estou preocupado apenas porque não teremos lugar para sentar”.

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Via Terra

outubro 11 2010

Em ”Tropa de Elite 2”, José Padilha aponta culpados na esfera do poder público

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Cinema UOL, 06/10/2010
Por Alessandro Giannini

Wagner Moura em cena de ''Tropa de Elite 2'', filme dirigido por José Padilha
Wagner Moura em cena de ”Tropa de Elite 2”, filme dirigido por José Padilha

Em “Tropa de Elite 2″, exibido nesta terça (5), no Theatro Municipal de Paulínia, interior de São Paulo, a história trágica de Roberto Nascimento se repete. Mas não como uma farsa, como aponta Marx – o filósofo. O personagem criado pelo diretor José Padilha e interpretado com maestria por Wagner Moura reaparece dez anos depois em uma esfera mais alta do poder público. Guindado a comandante do Bope e, logo em seguida, a subsecretário de Segurança Pública, ele se vê mergulhado no retrato mais amplo de uma máquina de corrupção perversa, um inferno dantesco do qual parece não haver saída. A estreia está marcada para esta sexta (8).

Padilha, que compareceu à primeira sessão do filme em companhia da equipe e de boa parte do elenco, teve a chance de fazer correções de curso, como elaborar o argumento e o roteiro do zero em torno de Nascimento e não de outro personagem. Isso lhe economizou noites de insonia em frente a ilha de edição tentando imaginar soluções para contornar problemas narrativos como aconteceu no primeiro filme. E tornou a segunda parte mais consistente e coesa, abrindo espaço para novos personagens, como o militante de direitos humanos Diogo Fraga, interpretado por Irandhir Santos.

Se no primeiro “Tropa de Elite” essa brecha narrativa abria espaço para interpretações dúbias sobre a visão crítica e desesperançada de Padilha, nesta segunda parte não há espaço para dúvidas ou ambiguidades. Está tudo ali, acompanhado de velhos – “Bandido bom é bandido morto” – e novos – “Porrada neles” – bordões. Prova disso está na reação do público que lotou o Theatro Municipal de Paulínia, formado por jornalistas, exibidores e uma parcela de convidados do município. Dois momentos de alívio cômico, no início do filme, seguidos de risadas espontâneas. E pelo menos três momentos de aplausos em cena aberta, quando Nascimento resolve agir movido por uma quase tragédia que o atinge pessoalmente.

A estratégia é clara. Padilha sai do micro para o macro, reposiciona velhos atores (Milhem Cortaz, André Ramiro) em papéis mais elaborados e incorpora novos atores (Seu Jorge) em papéis estratégicos para tornar o cenário mais verossímil e chocante. O que não muda é a visão de Padilha, que continua a mesma, apesar de toda cautela na abordagem da violência. Não muda também a maneira como o publico, por mais seleto e envolvido que possa ser o dessa primeira sessão, percebe essa visão, um tanto simplificada, de como se estabelece um estado de coisas em que os fins continuam justificando os meios.

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Via UOL

outubro 03 2010

Daiblog entrevista Irandhir Santos

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Daiblog, 02/06/2010
Por Michel Toronaga

O pernambucano Irandhir Santos interpreta Nonato, o corajoso emigrante brasileiro que encara Marshall, chefe da imigração americana em Olhos Azuis. O ator fez sua formação em artes cênicas na Universidade Federal de Pernambuco, do teatro ingressou na televisão, onde trabalhou na minissérie A Pedra do Reino. Sua estreia em longa metragem foi em Cinema, Aspirinas e Urubus, depois veio Baixio das Bestas, com o qual conquistou o Troféu Candango de melhor ator coadjuvante no Festival de Brasília de 2006. Em 2009 atuou no filme Besouro. Também fez o curta Décimo segundo e o longa Amigos de risco.

No inicio de 2010, pôde ser visto também como o protagonista do longa Viajo Porque Preciso, Volto Porque te Amo, de Karim Ainouz. Sua atuação em Olhos Azuis foi premiada no Festival de Paulínia, 2009. Em maio deste ano, Irandhir estreou também o filme Quincas Berro D´Água, adaptação para a cinema do livro de Jorge Amado. Atualmente, o ator está filmando Tropa de Elite 2. Leia agora uma entrevista com o ator falando sobre Olhos azuis.

Irandhir em Décimo segundo

Irandhir em Décimo segundo

Varias línguas
Minha formação foi em teatro, onde é possível experimentar mais. Em cinema é tudo corrido, mais matemático, tem que ter mais concentração. Repetir a mesma cena com a mesma intensidade, sem perder a emoção. Mas o maior desafio desse papel foi sem dúvida interpretar em inglês. Inglês sempre foi um problema, desde o tempo da escola. Porque não tinha motivação para estudar como deveria. Mas o engraçado é que eu sempre soube que um dia precisaria do inglês. Até que um dia liga a Helô (produtora do filme) e me convidada para interpretar o papel. Nesse momento ela diz: tem uma questão, você tem que interpretar em inglês. Então eu tive que voltar para a escola. Ela disse: você tem 3 meses para se preparar.

Se tive dificuldades no inglês no passado, por outro lado, sempre encarei os desafios da vida. Então pensei: em 3 meses o Nonato estará pronto. E assim foi, o aprendizado continuou durante a filmagem. No set, tive a ajuda do Joffily, do David Rache, da Erica Gimpel e do Frank Grillo, os atores americanos. Depois de alguns dias rodando, ensaiando o clima tomou conta do set, o inglês foi ganhando força e eu fui assimilando. Tem ainda o espanhol, o Nonato fala portunhol. Na verdade, na sala de espera da imigração existe uma tentativa de comunicação, as pessoas se comunicam de várias formas, há outras linguagens presentes ali, talvez até mais significativas do que a verborragia.

O ator em Quincas Berro D'água

O ator em Quincas Berro D'água

Cumplicidade
Calypso, a cubana que fica detida juntamente com Nonato e o outros latinos na ante-sala da imigração americana, é a personagem mais próxima do brasileiro. Os dois estão em situação parecidas, talvez para ela seja mais difícil, porque é a primeira vez que ela viaja para os Estados Unidos. Para Nonato é mais tranquilo, ele está mais preocupado com seu tempo. Ele quer aparentar ser um homem de negócios. Naquela sala ele encontra uma cumplicidade com Calypso. Às vezes não há palavras. Eu e Branca (Messina) que interpreta a Calypso, conversamos sobre isso, às vezes basta um olhar. O que vem dos outros personagens em relação ao Nonato são coisas muito desumanas. Os policiais estão atirando o tempo todo, são outros sentimentos, mas estes também ultrapassam a barreira da língua.



A construção de Nonato
A partir de uma palavra: emigração. Uma pessoa que vai sempre em frente, que se estabelece.Nonato saiu de Petrolina, superou dificuldades para ir até o Recife estudar história, depois vai para os Estados Unidos. Lá ele se estabeleceu, sempre seguindo em frente, trilhando um caminho reto. Até que chega uma pessoa e diz: pare por aí. Daqui você volta. Desconsidera todo o seu passado.

Ao lado de Branca Messina no drama Olhos azuis

Ao lado de Branca Messina no drama Olhos azuis

Dentro da bolsa que Nonato carrega está a filha,a mãe e a sua história. É difícil você abrir mão da sua história. Confesso que me detive no Nonato do aeroporto e em um passado que o motivasse a ir para os EUA. Mas tem o outro Nonato. Na imigração ele está constantemente preocupado, transpira, tem rugas na testa. Quando está no Recife é um Nonato relaxado, sorridente, seu tempo é mais devagar, observa, sente o clima, aproveita o sol, o mar, a filha.

No primeiro interrogatório, Nonato se expressa com um inglês perfeito. Mas à medida que vai sendo pressionado, seu inglês vai piorando. Sua emoção vai crescendo quando se sente atingido,aí retoma a língua mãe, o português. No momento da virada, precisa se fazer entender, então Nonato volta para o inglês perfeito. São várias trajetórias desse personagem.

Cena de Amigos de risco

Cena de Amigos de risco

Olhos Azuis fala do ser humano
A cor azul representa a memória. Para o Nonato e para mim também. Quando acordo, lembro dos meus sonhos com a cor azul. O meu passado também é azul. A cor está presente nos olhos de duas pessoas significativas na vida dele: o policial, esse monstro que diz, você não vai em frente e a filha, que é o há de mais precioso para ele. Duas pessoas com cores iguais em seu olhos, mas que trazem emoções totalmente diferentes. Marshall e Luiza. Como podem ser iguais e diferentes ao mesmo tempo? Estamos falando das mesmas pessoas.

Esse filme fala das mesmas pessoas, somos iguais, independente da cor, ou dos olhos, somos iguais. Pessoas iguais e diferentes. Muda-se a cor, mas os infortúnios são os mesmos. todos são iguais, as questões são as mesmas. Não é uma questão de país ou de cultura. É uma questão humana. Como lidar com os nossos infortúnios? Nonato volta a ser um animal, ao seu instinto de sobrevivência e defesa. Volta ao que todo homem tem, seja em que país for, independente da cor dos olhos, da cor da pele. Esse filme fala sobre o homem. São as conseqüências da vida.

Irandhir Santos em Besouro

Irandhir Santos em Besouro

Imagens e cores
Meu personagem tem uma câmera, então o fotógrafo do filme, Nonato Estrela, me perguntou: o que o seu Nonato filmaria? Acho que Nonato sai captando a imagem dos pés de sua filha, sua filha correndo, a praia de Boa Viagem, os momentos de carinho com Luiza.

Assisti a uma reportagem sobre segurança nos aeroportos e ali surgiu a ideia das cores. Para demonstrar os níveis de atenção, eles usam cores. Por exemplo, alerta laranja, alerta vermelho, etc. Eu peguei essa referência como guia das emoções das cenas que faria. Então tenho cenas amarelas e quando começa a incomodar passo para as cenas laranjas até chegar o “pega pra capar”, as cenas de vermelhas.

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Via Daiblog

outubro 03 2010

Tropa de Elite 2. O Limoeirense Irandhir Santos está no elenco.

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Trailer de “Tropa de Elite 2″ (Brasil, 2010), com Wagner Moura, André Ramiro, Milhem Cortaz, Seu Jorge, Maria Ribeiro. 2010. Nascimento (Moura) enfrenta um novo inimigo: as milícias. Ao bater de frente com o sistema que domina o Rio de Janeiro, ele descobre que o problema é muito maior do que imaginava. E não é só. Ele precisa equilibrar o desafio de pacificar uma cidade ocupada pelo crime com as constantes preocupações com o filho adolescente. Quando o universo pessoal e o profissional de Nascimento se encontram, o resultado é explosivo.. O roteiro é Bráulio Mantovani. Argumento de José Padilha, Rodrigo Pimentel e Bráulio Mantovani. Direção de José Padilha. Estreia prevista para 8 de outubro.

Na aguardada sequência do filme de José Padilha, Irandhir vive o personagem Diogo Fraga, um defensor dos Direitos Humanos que questiona a política de segurança pública do Rio de Janeiro. Pela primeira vez, ele sentiu a pressão de participar de um potencial blockbuster do cinema nacional.

O ator Irandhir Santos no filme “Tropa de Elite 2?
O ator Irandhir Santos no filme “Tropa de Elite 2?

- Em momento nenhum, enquanto eu estava fazendo o filme, isso passou pela minha cabeça. Só fui me dar conta disso quando as filmagens acabaram e voltei para a minha cidade. Houve uma curiosidade principalmente para saber como foi o set e como é a história do filme, coisa que nunca aconteceu comigo em nenhum dos outros projetos. Aí é que foi caindo a ficha. Ainda bem, porque o trabalho já está feito – brinca.

Ao fim de cada filmagem, Irandhir também tem um ritual: não importa o que aconteça, ele sempre volta para sua cidade.

- Os projetos me trazem e eu fico o tempo que for necessário. Com “Tropa” foram quatro meses. Mas sempre existe essa palavra que eu adoro, que é “retornar”. Retorno para Recife e retorno para Limoeiro. A gente senta na calçada, que é um lugar quase religioso para a minha família, e lá a gente conversa e mata as saudades. É lá que eu recarrego as baterias.

Assim, morar no Rio ou em São Paulo está fora dos planos do ator.

- Aprendi com Ariano Suassuna uma coisa que veio de “A Pedra do Reino”: Quaderna busca as respostas da vida na sua raiz, no sertão. Estar na minha região e buscar o que é necessário para mim servem para minha experiência como ator. Não é necessário abandonar, mas permanecer, ir a fundo, pesquisar. Não deixo de fazer trabalhos por isso.

E a filmografia de Irandhir não o deixa mentir.

Família e história

Nascido no interior do estado de Pernambuco, ele continua com suas raízes fincadas na região. Irandhir não mudou-se para nenhuma cidade dos grandes centros e, após cada trabalho, volta para o Recife.

“Já passei alguns meses no Rio, depois na Paraíba. Eu saio, vivo, mas preciso retornar. Aquele é o meu espaço, a minha família”, desabafou o ator, que mora no Recife, mas visita com frequência os pais em Limoeiro, no interior do estado. “Eu sento na calçada, falo sozinho. Eu como ator vivo muitas vidas, mas a minha é emocionante e única e vou até lá para buscá-la”.

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Via Limotícias

setembro 02 2010

Irandhir Santos: Ator comenta a sua atuação em quatro estreias nacionais em 2010

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Página do Cinema, 07/05/2010

Os fãs de Irandhir Santos podem comemorar! Além de estar em quatro filmes nacionais este ano, o ator já está se preparando para começar a filmar o novo longa de Cláudio Assis, que terá o título de “Febre do Rato”. Com vasta experiência no teatro, o pernambucano confessa que está com saudade do palco e pensa em voltar logo para sua plateia. Enquanto isso não acontece, Irandhir está trabalhando muito para lançar os filmes “Viajo porque preciso, volto porque te amo”, “Quincas Berro D’água”, “Olhos Azuis”, pelo qual ganhou o prêmio de ator coadjuvante no Festival de Paulínia, e “Tropa de Elite 2”, onde viverá um embate com Capitão Nascimento, personagem de Wagner Moura. Neste bate-papo, o ator conta detalhes sobre cada um destes projetos.

Esse ano você está em quatro filmes, um totalmente diferente do outro. Foi uma escolha sua atuar em produções de estilos tão distintos?
As coisas acontecem não é à toa, eu acredito muito nisso. Os projetos de cinema na minha vida tem surgido antes de mais nada para me ensinar a ser uma pessoa e um artista melhor. Os projetos vão surgindo e me transformando. Eu não escolhi propositalmente que cada produção fosse diferente da outra, mas existem coisas que eu considero antes de aceitar um trabalho como a história que quer ser contada, por quem quer ser contada e quem são os personagens. Os projetos surgem para dar sentido à minha vida. Esses personagens são muito diferentes, mas dizem respeito à minha vida, sem dúvida alguma.

Em algum momento as filmagens destes longas coincidiram?
Não, eu não gosto de misturar os trabalhos, preciso de um tempo para cada projeto. Mergulhado em um projeto eu fico nele até o fim.

Como você separa cada personagem da sua própria personalidade?
Eu empresto a ele a minha vida para que eles tomem vida e acredito que eles também trazem muito deles para mim me ensinando a reviver. Eu me sinto diferente a cada trabalho. Eu costumo trabalhar muito com anotações. Para cada personagem, eu construo um caderno que é como se fosse uma extensão física daquilo que eu construo essencialmente. Os caderninhos são a maneira física que eu tenho de tocar o meu personagem, já que o ator trabalha muito com a essência. Você constrói a alma e sentimentos que não são coisas palpáveis. Isso me ajuda principalmente no cinema porque as cenas são gravadas sem uma ordem certa, então para ter a clareza da continuidade do personagem eu uso os caderninhos. Eu concluo cada projeto fechando estes cadernos.

A Fátima Toledo é sua fã assumida. Como é trabalhar com ela?
A Fátima tem um papel essencial na história do cinema brasileiro. Eu acho muito interessante o método que ela usa de o ator ter o tempo de maturação da obra. Na imagem que eu tenho da Fátima na minha cabeça ela está sempre com dois objetos nas mãos: um martelo e uma cola. A cada trabalho que eu faço com ela, ela quebra tudo que eu era antes e recola o que é necessário para aquela obra específica. A Fátima ajuda o ator a estabelecer a base física e emocional necessária para iniciar o trabalho. Amo, admiro e gosto muito como pessoa.

Quais foram os desafios de viver as personagens de “Viajo porque preciso”, “Quincas”, “Olhos Azuis” e “Tropa de Elite”?
O desafio está em você morrer para que nasçam esses personagens e depois em se reconstruir. O ator se coloca como uma página em branco para ter novos traços, novos caminhos, acho que está aí o prazer. É como se você pudesse viver várias vidas na mesma encarnação. Cada personagem deste tem especificidades, características e trajetórias e me interessa como ator e como pessoa conhecer isso, só que para conhecer, eu tenho que ser.

Em “Olhos Azuis” você precisou atuar em inglês. Como foi a experiência?
Foi desafiante porque eu não tenho a fluência do inglês, apenas o conhecimento da língua. O meu personagem vivia há dois anos nos Estados Unidos e precisava de uma fluência de rua e não de quem teve aulas para ir pra lá. O Joffily teve a compreensão de que eu precisava de um tempo para estudar e professores de um curso do Recife me ajudaram muito também.

Você esperava ganhar o prêmio de melhor ator coadjuvante por este papel no Festival de Paulínia?
Fiquei muito feliz porque ainda não tinha visto o filme e assisti pela primeira vez no Festival. Foi muito prazeroso. Como diz Fernanda Montenegro, eu já me sinto premiado por poder exercer a minha profissão, mas receber este prêmio em Paulínia foi muito emocionante.

Como você construiu o Cabo Martim de Quincas? Foi o personagem mais divertido de todos?
A sensação que eu tive em construir o Cabo Martim é que, pela primeira vez, eu não construí um único personagem. A interação entre os quatro amigos de Quincas era necessária, é como se um personagem fosse formado pelos quatro. A característica do Cabo Martim para fazer parte de um grupo maior era a liderança, já que, com a morte do Quincas, aquele corpo perdeu a cabeça pensante e o Martim toma esta iniciativa. Ao mesmo tempo que não quer deixar a peteca cair, ele é o que mais está sofrendo com a morte de Quincas e está agindo daquela maneira para evitar aceitar a morte.

Como é viver o antagonista do Capitão Nascimento?
O Diogo Fraga vem para dizer não a uma estrutura de política e de segurança pública vigente no estado do Rio. É uma postura de repressão, de criminalização da pobreza, de resolver os problemas através da violência e ele acha que não é desta forma que se resolve. Tráfico é crime, mas a polícia também é um problema a partir do momento em que ela vem para matar. O índice de morte através das ações policiais é alto e isso não pode passar desapercebido. O Fraga vem para dizer isso, então quem for a favor, vai se identificar com ele. Se o Nascimento estiver contra este pensamento, então realmente vai haver um embate, mas não é nada pessoal.

Como foi entrar para o Tropa 2?
Foi maravilhoso. É um time vencedor, de primeiríssima qualidade, com profissionais admiráveis. Eu fiquei ainda mais apaixonado fazendo o filme. O Padilha é excelente, é maravilhoso no que faz. É um diretor que acredita e confia no ator. Ele tem tanta confiança que você se joga, se atreve. Ele se torna um parceiro. Padilha é um dos grandes diretores com que eu trabalhei e quero trabalhar mais vezes.

Este ano você será a cara do cinema nacional. Qual a expectativa para a estreia destes filmes?
As estreias coincidiram. Eu aprendi a lidar com as expectativas internas e as externas eu tento não alimentá-las ou torná-las o mais saudável possível. Eu espero que as pessoas gostem das histórias e se isso acontecer eu vou estar muito feliz. É um ano especial na minha carreira porque pela primeira vez eu vou compartilhar várias histórias em pouco tempo.

Você já está envolvido em novos projetos?
Estou voltando a trabalhar com o Claudio Assis. Estarei no próximo filme dele que se chamará “Febre do Rato” e, depois de três anos longe dos palcos, existem projetos para eu voltar ao teatro.

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Via Página do Cinema

agosto 18 2010

Olhos Azuis | Entrevista exclusiva com Irandhir Santos

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Adoro Cinema, 17/08/2010
Por Francisco Russo

irandhir-acIrandhir Santos ainda é pouco conhecido pelo público em geral, apesar de ter aparecido com frequência nos cinemas ultimamente. Ainda porque um de seus próximos filmes é o aguardado Tropa de Elite 2, onde é o antagonista do Nascimento de Wagner Moura.

Ele conversou com Francisco Russo, editor do Adoro Cinema, sobre Olhos Azuis, seu mais recente filme a chegar ao circuito.

ADORO CINEMA: Você está com um feito raro, com três filmes em cartaz no circuito (Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo, Quincas Berro D’Água e Olhos Azuis). Como é ser o ator da moda no cinema nacional?

IRANDHIR SANTOS: O que sinto neste momento é que, cada vez mais, estou gostando de fazer cinema. São três obras que surgiram neste momento, mas elas foram rodadas em anos diferentes, com histórias diferentes e em momentos distintos. Casou delas aparecerem agora em 2010, um ano que não é tão igual aos outros porque tem eleição e Copa do Mundo. Isso diminui o espaço para as estreias dos filmes. Não vejo nada mais do que coincidência, mas me sinto muito feliz de estar presente nestas obras. Acredito que as obras devem chegar ao público através da história, isso é que importa. Se acontecer em cada uma delas será maravilhoso, me darei por satisfeito.

AC: Como o projeto de Olhos Azuis chegou até você?

Irandhir: Foram feitos testes em Pernambuco. A Heloísa Rezende e o João Jr. me ligaram falando do projeto, querendo fazer um teste comigo. Quando peguei o material vi que era em inglês, algo que tinha dificuldade. Ainda assim me atrevi, pois queria fazer cinema. Queria saber como era isso e até então só se conhecia cinema fazendo cinema, ao menos era assim na minha terra. Então me dispus a isso, com toda vontade, em querer fazer. Fiquei muito feliz quando recebi a notícia de que tinha passado. Começou então uma nova etapa, que foi o processo de preparação.

AC: Como foi esta preparação, você chegou a fazer algum tipo de pesquisa?

Irandhir: Não tenho contato com os Estados Unidos, de nenhuma forma. Nunca fui lá, minha saída até então era para a Europa. Então precisava ter relatos o mais próximo possível do que se passava. Alguns amigos tiveram este tipo de experiência, não tão drástica quanto o Nonato mas algo parecido no sentido de comportamento. Fui atrás. Pessoas me indicavam, o próprio Joffily também. Mas a preparação fundamental para o Nonato veio na questão da fluência do inglês. Tinha uma noção básica da língua, especialmente de leitura, mas não a fluência necessária. E isto era primordial para o Nonato, alguém que está lá há mais de três anos, que aprendeu o inglês de rua, um inglês específico, mas que também quando é preciso pode usar um inglês um pouco mais sofisticado. É isso que acontece no início do filme e, à medida que ele é bombardeado, vai perdendo isso e quase que volta à língua mãe. É natural isto acontecer. Tinha que ter esta segurança na fala. Falei com o Joffily e ele definiu que iríamos estabelecer um tempo para isso. Foi super generoso em entrar em contato com uma escola de língua inglesa lá de Recife, onde tinha um professor norte americano que foi crucial neste sentido. O Joffily me deu o roteiro e disse para que colocasse da forma que achasse melhor, lembrando essa coisa do inglês de rua. Foram dois meses lapidando este roteiro e aí tornou-se algo mais sólido até a chegada do David Rasche e dos outros atores americanos, quando surgiu uma nova etapa, a do improviso. O David trouxe as suas referências, o que queria para o personagem, e eu tinha as minhas também. Então foi uma etapa de ajuste, entre aquilo que eu tinha e o que o David tinha. Aí sim, após isto, a gente foi pra cima.

AC: Seu personagem começa calmo e, à medida que os eventos acontecem, ele fica cada vez mais irritado até explodir de vez. Como foi construir esta mudança emocional do personagem?

Irandhir: Algo que faço para todos os meus personagens são registros, tenho um caderno para cada um deles. Isto me ajuda, é uma forma de concretizar a forma que o ator trabalha. Então é como se tivesse o personagem nas minhas mãos, pois nele tenho toda sua trajetória. Isto me ajuda muito quando faço cinema, pois há aquela quebra na ordem das cenas a serem rodadas. Dependendo da cena vou direto ao caderno e vejo em que situação o personagem está. Com o Nonato aconteceu algo muito especial, porque notei esta trajetória dele até uma tensão limite. Como trabalho com muitos desenhos e referências, que me ajudam, usei o que os aeroportos americanos passaram a ter após os ataques do 11 de setembro. Eles começaram a utilizar cores para definir o nível de alerta. Então existia um nível amarelo, laranja, até o vermelho. Foi mais ou menos a trajetória que o Nonato fazia. Havia cenas em que achava que o Nonato estaria no alerta amarelo, outras no laranja e onde ele chegaria até o vermelho. Fiz esta separação para interiorizar isto. Até nas horas de gravação o Joffily chegava e dizia “nível laranja, Irandhir”. Isto me ajudou muito a pontuar esta trajetória.

AC: Falando sobre Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo, me chamou muito a atenção a figura do protagonista que não está presente nunca. Como foi construir um personagem com a limitação de apenas usar a voz?

Irandhir: Foi muito desafiador neste sentido. Sempre tinha utilizado meu corpo como instrumento para todos os projetos até então, que é um elemento que me ajuda na construção para entrar na história. Tem a transformação física, o próprio Nonato passa por uma. Isto é importante para o ator porque acredito que o registro físico te ajuda no emocional. Quando chegou o convite do Marcelo e do Karim com esta proposta, de não ter o corpo e ir pela voz, foi como se tirasse minha ferramenta. Descobri então que existem outras ferramentas para o ator e a voz é uma especialíssima. A ideia era ter a voz que tem mãos, braços, coração. É preciso ter as mãos com a ênfase da palavra, com a respiração. É preciso estar, mesmo não estando aparecendo. Então perdi meu corpo, mas descobri minha voz. É um instrumento tão bom quanto e tão magnífico quanto.

Outra coisa que acho curioso é que o fato de não aparecer dá vazão às pessoas que assistem para formar o José Renato da sua maneira. Inclusive depois, conversando com o Karim e o Marcelo, disse que não iria aparecer, nem antes do filme, que eles não iriam me apresentar, por causa disto. A gente tentou segurar ao máximo de não aparecer. Quem ia apresentar o filme nos locais em que era exibido eram os diretores. Apenas citavam meu nome, mas não aparecia fisicamente. Acho que aparecer daria um limite à imaginação das pessoas e a gente acabou optando por isso.

AC: Sobre Tropa de Elite 2, como foi a sua experiência com as filmagens?

Irandhir: Foi fantástica! O Padilha se cerca de histórias as quais ele quer fazer conversar para levantar pontos que serão muito discutidos. E são pontos novos, não abarcados pelo primeiro filme. Gosto deste tipo de cinema, que vem para provocar discussões. Mas acima de tudo ele está cercado por uma equipe que é simplesmente fascinante. Da parte técnica aos atores, ele tem um time perfeito. Wagner Moura foi um excelente colega, na construção do que era preciso para cada cena. Há uma equipe formada que dá uma sustentação que te dá a segurança necessária para se jogar na história. Quando senti que estava cercado e seguro desta maneira, a sensação era de se atrever, vai atrás que você está bem cercado.

Fui muito bem aceito pelas pessoas. Estava um pouco receoso, pois não estava no Tropa de Elite e de repente você pega uma equipe bem casada e vencedora, por tudo que provocou, de repente vem alguém novo. Mas eles foram super abertos e generosos. Eu me senti muito feliz de ter feito Tropa de Elite 2. Confesso que a expectativa de fazer o filme não aconteceu durante as filmagens, pois a equipe se cercou a ponto de não deixar que a demanda interferisse no trabalho. Tanto é que para mim soou como outros trabalhos, minha entrega foi tanto quanto em qualquer outro que fiz, mas só veio cair a ficha do que é Tropa de Elite 2 depois que terminou. Porque aí voltei para casa e começou uma demanda de pessoas querendo saber como era tudo. Isto nunca tinha acontecido com nenhum filme que tinha feito até então. Foi aí que tive um pouco da noção exata do que seria o filme. Ainda bem que já tinha filmado tudo.

AC: Em relação a novos projetos, já há algo em vista?

Irandhir: TV tem surgido desde minha participação em “A Pedra do Reino”, mas tem casado com projetos de cinema e, como tenho me colocado à disposição do cinema, não pude fazer televisão ultimamente. Em relação a cinema, estou com uma grande paixão na minha vida que é o Cláudio Assis. Foi ele quem me deu uma das primeiras oportunidades em cinema, em Baixio das Bestas. Agora ele vai rodar seu terceiro filme, A Febre do Rato, todo feito em Recife e Olinda. Ele me fez o convite e será agora no segundo semestre. Então este é meu próximo projeto.

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Via Adoro Cinema

junho 11 2010

Viagem, amor e miséria

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Estadão, 11/06/2010
Por Milton Hatoum

Viajo Porque Preciso, Volto Porque te Amo (direção de Karim Aïnouz e Marcelo Gomes) foi filmado no interior de cinco Estados do Nordeste. A ideia inicial dos dois diretores era fazer um documentário sobre as feiras do sertão. Entre a primeira e a última filmagem houve uma interrupção de nove anos, e a montagem final é, de fato, uma ficção sobre a viagem e o amor, sem perder uma dimensão crítica sobre a sociedade brasileira. O filme transcende o registro de mero documento, transmite emoção ao espectador e convida-o a refletir sobre a região e as pessoas que nela vivem e trabalham.

Nessa versão final, os diretores introduziram a voz de um geólogo (José Renato) que faz uma pesquisa de campo para a construção de um canal. Ele é o personagem central do filme, mas não vemos qualquer traço físico dele, apenas ouvimos sua voz, uma voz em vários registros de entonação, como se fosse um diário falado, em cujo centro situa-se Galega, ex-mulher de José Renato. Esse é um dos achados do filme: um personagem ausente, que o espectador imagina. Mas ele está presente através de sua voz e também de seu olhar. É como se ele estivesse atrás da câmera, atento ao que vê e observa. A voz não é menos importante que a imagem, pois ambas se complementam, alternando a subjetividade do narrador com a vida de cada lugar visitado.

Um outro achado foi relacionar o estudo do solo com a desilusão amorosa. Uma prospecção no interior da terra árida, cujo contraponto é uma sondagem da alma humana. Dessa confluência insólita resulta uma narrativa tensa, de grande beleza, em que se mesclam a necessidade de uma viagem profissional e o impasse de uma relação amorosa. Mas há ainda a solidão e o desencanto que marcam a vida de nordestinos pobres, e de prostitutas também desvalidas, mulheres que, a meu ver, mantêm algum parentesco com Iracema, a protagonista do grande filme de Jorge Bodanzky.

Apesar dos deslocamentos do narrador, Viajo Porque Preciso… é um filme sem muita ação, ou sem muitas peripécias. Durante sua viagem, o narrador alterna o trabalho enfadonho e contrariado de geólogo com as reminiscências, confissões e desabafos de uma história passional fracassada. A desilusão do narrador e os anseios de uma das prostitutas convergem para um impasse, que é individual e, até certo ponto, coletivo.

Como acontece com os bons romances, que se revelam com mais intensidade ao serem relidos, esse filme convida o espectador a assisti-lo duas vezes. Na segunda, você une os pontos aparentemente soltos das imagens e do relato do geólogo, e percebe que na sequência surpreendente das cenas finais há uma saída para o enfado e o desencanto do narrador. Ainda assim, prevalece uma sensação de impasse para as pessoas que falam de sua vida, algumas também viajantes ocasionais, romeiros extasiados pela fé, mulheres que sonham com uma vida melhor, ou pobres artistas circenses, todos eles “brasileiros que nem eu”, como disse Mário de Andrade num poema sobre os seringueiros da Amazônia.

Irandhir Santos, o único ator profissional, é invisível, mas sua voz em off – o fluxo oral do que ele vê, sente e reflete – é suficiente para que o espectador participe de sua viagem e compartilhe seu drama, seus anseios e frustrações. E nisso ele se assemelha a uma complexa personagem de ficção.

Numa ótima entrevista ao crítico e escritor Jean-Claude Bernardet (http://jcbernardet.blog.uol.com.br), Marcelo Gomes ressalta que “o som dá dinamismo à viagem, ele muda de um momento para outro… E essa dinâmica internaliza mais essa viagem”. Karim Aïnouz assinala que o cinema tem um potencial literário: “O poder de fazer a gente imaginar… e as palavras vêm de alguma maneira iluminar uma imagem.”

De fato, essa voz se remete a uma outra viagem, a uma busca interior que é uma tentativa de compreender a si mesmo. Esse diário falado é também matriz de uma história que dialoga com o mundo do sertão e com o espectador. Nem sempre há uma sincronia entre a voz e as imagens. Às vezes a câmera, em silêncio, foca uma paisagem, o ambiente paupérrimo de uma casa, um rito religioso, de modo que o espectador concentra sua atenção nessas imagens, que também contam uma história. Em alguns momentos os sertanejos falam de seus sonhos numa região do Brasil em que a modernidade e a euforia do consumo ainda são quimeras. Ou sonhos irrealizados. À viagem contrariada, vazia de vontade – viajo porque preciso -, contrapõe-se ironicamente o desejo da volta para um lugar onde o amor é dúvida ou ilusão.

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Via Estadão