Tropa de Elite 2 joga o Capitão Nascimento contra as milícias e os políticos
Contigo!, 13/10/2010
Por Rodrigo Salem

Wagner Moura como o envelhecido Nascimento em uma das melhores cenas do longa
Não que Tropa de Elite 2 deixe de lado os sacos plásticos, os tapas na cara e a violência ultrarrealista. A invasão ao presídio de Bangu 1, que abre o filme numa sequência incrível de confrontos entre balas e ideologias, é tão boa quanto qualquer subida ao morro do longa anterior. A entrada do Bope não termina bem e, enquanto jornalistas e políticos pedem a cabeça de Nascimento, agora comandante do Batalhão de Operações Policiais Especiais, o povão abraça o soldado. A consequência é a ”queda para cima” do coronel para a Subsecretaria de Inteligência da Segurança Pública, momento em que o filme perde em ritmo ao usar um sem número de discursos e narrações em off didáticas como muletas.
Guerra contra o sistema
A situação apresentada pelo roteiro de Bráulio Mantovani e José Padilha, que repete a função de diretor, obviamente é mais complexa. Contudo, esse passo além prejudicou a continuação. Situar o capitão, aliás Coronel Nascimento, na parte de cima da complexa equação da violência urbana (estado + corrupção x alianças de mídia = falha) e vesti-lo com terno e gravata foi uma atitude corajosa, porém frustrante para quem estava esperando o policial abrindo caminho à bala até os corredores de Brasília. Isso é ficção ou não? Só pobre pode apanhar? Do lado da escolha do cineasta, o fato de a política brasileira ser um bolsão de decepção, mas um rasante sobre Brasília falando sobre a culpa do ‘’sistema” é de uma inocência que parecia ter morrido com as bandas punk nos anos 80.
Apesar do fim anticlimático, Tropa de Elite 2 ainda carrega uma força devastadora na direção das cenas de ação e em alguns diálogos – a maioria protagonizada por Milhem Cortaz, o ”Tenente Fábio”. Wagner Moura exibenuances no seu envelhecido Nascimento que raros poucos atores conseguem – e olhe que ele encontra um rival à altura no deputado defensor dos direitos humanos de Irandhir Santos, responsável por mostrar que ”existe uma saída sem ser na violência”. Sandro Rocha, que tem uma cena no primeiro Tropa (e é dono da frase clássica: ”Para rir é preciso fazer rir”), é alçado a ”vilão” quando entra para a milícia (PMs que controlam morros no Rio) e começa a usar o sistema pacificador de Nascimento em seu benefício. Não se preocupe se você não entendeu, Nascimento faz questão de explicar cada detalhe do novo status quo até o momento em que encontra um político nas ruas. E, por alguns minutos, você lembra por que gostou tanto de Tropa de Elite. Nunca será!

Sandro Rocha é o líder de uma milícia que usa o Bope a seu favor

Irandhir Santos vive um ativista dos direitos humanos

André Ramiro retorna como o policial Matias, agora no Bope
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Via Contigo!








