setembro 20 2010

Saiu no JC: Quartel general das filmagens de Febre do Rato

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Jornal do Commercio, Dia a Dia, 20/09/2010
Por Roberta Jungmann

A casa de eventos Anthurius vai virar o quartel general das filmagens de Febre do Rato, novo longa de Cláudio Assis. Na quinta, vão baixar por lá Matheus Nachtergaele, Nanda Costa, Irandhir Santos e Ângela Leal.

setembro 14 2010

A poesia marginal do cineasta Cláudio Assis

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Diretor pernambucano iniciou as filmagens de seu terceiro longa-metragem. Febre do rato pretende mostrar um lado mais lúdico de Recife e Olinda através de um poeta de rua

Jornal do Commercio, 02/09/2010
Por Diogo Guedes / Especial para o JC

Na última terça-feira, as quase 50 pessoas reunidas no lado de fora do cemitério de Guadalupe, em Olinda, atestavam: algo importante acontecia ali dentro. Entrando, era fácil entender. O local era o cenário do primeiro dia de gravação do novo longa do cineasta pernambucano Cláudio Assis, Febre do rato. Do lado de fora, a expectativa era ver os dois atores envolvidos na cena, Matheus Nachtergaele e Nanda Costa, a Soraia da novela Viver a vida, que fazem parte de um elenco que ainda conta com Irandhir Santos, Ângela Leal, Maria Gladys, Conceição Camarotti e até mesmo o pianista Vítor Araújo.

Na locação, Cláudio e sua equipe organizavam a cena. Enquanto conversava com Matheus e Nanda sobre a interpretação, os últimos preparativos eram feitos. Dois ensaios e quatro tomadas depois, com pequenos ajustes e contribuição do silêncio dos curiosos lá fora, Cláudio encerrou o dia de gravação feliz.

“Essa cena aqui da capela é uma das últimas sequências do filme, já é perto do fim. É engraçado, porque hoje começamos filmando na praia, um local cheio de vida, e terminamos no cemitério”, contou Cláudio, logo após encerrar o trabalho do dia. Definindo Febre do rato como uma obra mais lúdica do que os polêmicos Amarelo manga e Baixio das bestas, o diretor ainda não adianta muito sobre o enredo. Segundo ele, o filme é a história de Zizu, um poeta marginal que enxerga o mundo como uma criação sua. “Esse filme é provocante como os outros dois, mas ele vai mostrar que as pessoas têm que ser como são, e não seguir padrões de outras pessoas. Só assim elas dão certo”, explicou o cineasta.

De bom humor, Cláudio não escondia a satisfação de ter ultrapassado as expectativas de gravação do dia. “Estamos adiantados porque o Cláudio foi genial hoje pela manhã. Em uma tomada, ele resolveu a cena na praia, que deveria ocupar o dia todo. Tivemos que correr para deixar pronta a segunda locação”, contou a assistente de produção executiva Samantha Ribeiro.

Um das preocupações do diretor é com o orçamento, estabelecido em 2,2 milhões. “O dinheiro é pouco, então temos que apertar ao máximo os dias e as gravações”, admitiu. A previsão é de que as filmagens aconteçam em Recife e Olinda até a primeira semana de outubro.

Acostumado a observar o lado sujo de personagens e locais, Cláudio não crê que será difícil encontrar o lado lúdico das duas cidades, sua proposta na obra. “Nós estamos também criando essa beleza. Como é sobre um poeta, o filme vai ser ficção o tempo todo”, pontuou.

Depois de terminar a cena, Matheus falou um pouco sobre Pazinho. “Ele é um coveiro casado com uma travesti, Vanessa. O relacionamento dos dois é complexo, até porque Pazinho a trai com mulheres e sai para bordéis. Mas Zizu, o poeta, gosta muito de estar com ele por sua sensibilidade, doçura e abertura para a poesia”, descreveu o ator paulista, que trabalhou em todos os longas de Cláudio.

Já Nanda interpreta a adolescente Eneida, personagem, segundo ela, de muita atitude. “O trabalho do Cláudio eu já adorava. Quando vi a equipe que ia trabalhar com ele, fiquei muito animada”, afirmou a atriz. Segundo ela, a personagem só adquiriu o tom necessário um dia antes de começar as filmagens.“Até ontem eu não estava satisfeita. Eu sentia que estava falando algo para a personagem. Então, percebi que tinha algo sobrando e pensei em cortar o cabelo bem curto. Falei com a equipe de figurino e, ainda bem, deu tudo certo”, confessou.

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Via Jornal do Commercio (Área restrita para assinante)

setembro 14 2010

Atores nus causam tumulto

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Equipe do longa A febre do rato filma cenas de nudez na Rua da Aurora e é abordada pela PM

Diário de Pernambuco, 08/09/2010
Por André Dib

Pela manhã, o ator Irandhir Santos também provocou tumulto no desfile de 7 de setembro. Foto: Helder Tavares/DP/D.A Press

Pela manhã, o ator Irandhir Santos também provocou tumulto no desfile de 7 de setembro. Foto: Helder Tavares/DP/D.A Press

As filmagens de Febre do rato, longa-metragem de Cláudio Assis, renderam duas situações inusitadas durante o 7 de setembro, no bairro da Boa Vista. A mais polêmica se deu à tarde, no Cais da Aurora. Após denúncia anônima de atentado ao pudor, a Polícia Militar interrompeu a gravação de uma das cenas, em que os atores Irandhir Santos e Nanda Costa estavam sem roupa, em cima de um carro antigo equipado com bandeiras com a inscrição “Perto ao regresso”. A abordagem não foi violenta, mas gerou tumulto por ter ocorrido no meio de uma cena em que Irandhir, no papel do poeta Zizo, abraça a amada Eneida (Nanda) e, ambos nus, conclamam seus ouvintes à rebeldia. Mais de 70 pessoas estavam no local, entre equipe técnica, atores famosos como Matheus Nachtergaele e figurantes da Escola João Teimoso.

Nesse momento, os atores que interpretam policiais partiram para reprimir o protesto, e o que era para ser ficção, tornou-se realidade. Viaturas da Rocam interditaram o set montado em frenteao prédio da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Rua da Aurora). Ainda como personagem, o ator Irandhir Santos enfrentou a polícia, até ser levado pela produção a um lugar seguro. No corre-corre, a atriz Conceição Camarotti machucou a perna. De acordo com a produção, ela foi conduzida ao Hospital Esperança e passa bem.

Até que a situação fosse esclarecida, policiais pretendiam deter Irandhir por ter reagido à abordagem. “A princípio, a intenção foi isolar o local”, diz o Soldado Miquéias, que conduziu a operação. “Fizemos tudo de forma pacífica e bastante proveitosa para ambas as partes”, conclui o soldado, em referência ao possível uso do incidente como material a ser incluido no filme. De acordo com Cláudio Assis, diretor de Febre do rato, a equipe estava autorizada pela CTTU a realizar filmagens no local e a interferência dos policiais não atrapalhou o andamento da produção.

Um pouco antes, por volta das 11h, outra situação provocada pelo filme chamou a atenção do público que assistia ao desfile cívico-militar de 7 de setembro, na Avenida Cruz Cabugá. Em frente ao Parque 13 de Maio, Irandhir invadiu a rua e impediu um tanque de seguir adiante, em movimento semelhante ao de um jovem chinês que, em 1989, protestou na Praça da Paz Celestial. Sob aplausos do público, Irandhir rasgou papéis de uma caderneta para, na sequência, ser retirado do local por PMs.

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Via Diário de Pernambuco

setembro 14 2010

Polícia é chamada por causa de tumulto em set de ‘Febre do rato’

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Segundo a PM, os produtores do filme não tinham avisado sobre cena. Longa é o terceiro filme de Cláudio Assis, e tem Irandhir dos Santos no elenco.

G1 Pop & Arte, 08/09/2010
Do G1 RJ

Irandhir Santos, que está no elenco do filme, em cena de 'Tropa de elite 2' (Foto: Divulgação)

Irandhir Santos, que está no elenco do filme, em cena de 'Tropa de elite 2' (Foto: Divulgação)

A polícia militar de Pernambuco informou que foi chamada, no fim da manhã de terça-feira (7), para conferir uma ocorrência Rua da Aurora, no bairro da Boa Vista, perto do Centro do Recife, em que duas pessoas estavam nuas. Ao chegar ao local, os policiais verificaram que as pessoas sem roupa eram dois atores do filme “Febre do rato”, do cineasta Cláudio Assis.

Segundo a Polícia Militar, os produtores do filme não tinham informado à PM sobre a cena, que causou tumulto entre quem passava.

Antes, outra cena do mesmo filme também chamou a atenção, mas, dessa vez, a polícia havia sido chamada. Nesta sequência, um ator ficava em frente a um tanque do Exército, aproveitando o desfile da parada militar, por conta do feriado da Independência.

A polícia afirmou que ninguém ficou detido.

“Febre do rato” é o terceiro filme de Cláudio Assis, que filmou antes “Amarelo manga” e “Baixio das bestas”, e tem o ator Irandhir Santos como protagonista. No filme, ele é um poeta que tem um jornal chamado “Febre do rato”.

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Via G1

setembro 14 2010

Polícia é chamada após gravações com atores nus

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Cena de filme do cineasta Cláudio Assis causou tumulto no centro de Recife nesta terça

Jovem Pan Online, 08/09/2010
Por Fábio Chaib

Cineasta Cláudio Assis (REPRODUÇÃO / JB ONLINE)

Cineasta Cláudio Assis (REPRODUÇÃO / JB ONLINE)

Um chamado, totalmente diferente dos habituais, marcou a manhã da polícia militar de Pernambuco na última terça-feira. Na chamada, foi pedida a presença da polícia para conferir uma ocorrência na Rua da Aurora, no bairro da Boa Vista, perto do Centro do Recife, em que duas pessoas estavam nuas.

Os policiais foram ao local, e descobriram que as pessoas sem roupa eram dois atores do filme “Febre do rato”, do cineasta Cláudio Assis.

Segundo a polícia, a confusão ocorreu, pois os produtores do filme não tinham informado sobre a cena, que causou tumulto entre quem passava.

Ninguém foi detido na ocorrência. “Febre do rato” é o terceiro filme de Cláudio Assis, O elenco conta com o ator Irandhir Santos como protagonista. Ele interpreta um poeta que tem um jornal chamado “Febre do rato”.

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Via JP Online

setembro 08 2010

Ator Irandhir Santos ameaçado de prisão por cena de nu na Rua da Aurora

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Diário de Pernambuco, Caderno Viver, 07/09/2010
Por Raquel Lima com informações do repórter André Dib

07/09/2010 | Durante o desfile de 7 de Setembro, a equipe do cineasta Cláudio Assis captou imagens
para o longa A febre do rato, com o ator Irandhir Santos. Foto: Helder Tavares / DP / D.A Press

A primeira semana de filmagem de Febre do rato, terceiro longa-metragem do diretor pernambucano Cláudio Assis, terminou como caso de polícia na tarde desta terça-feira (7). A equipe que filmava na Rua da Aurora, no Centro do Recife, foi abordada por várias viaturas da Polícia Militar por estar rodando cenas de nu – dos protagonistas Irandhir Santos e Nanda Costa (a Soraia, da global Viver a vida), ambos premiados no festival de Cinema de Miami, pelo filme Sonhos roubados, no mês passado, além de outros seis integrantes do elenco. Segundo os agentes, houve denúncia de atentado ao pudor.

De acordo com testemunhas, até que a produção conseguisse mostrar todos os documentos de autorização, houve ameaça de prisão. “Um verdadeiro circo foi montado”, disse um leitor do Diario que não quis se identificar. As informações são de que a filmagem já estava concluída e de que os atores já estavam no carro.

Além dos de Irandhir Santos e Nanda Costa (que vivem o poeta Zizo e a jovem Eneida, respectivamente), estavam na cena o pianista pernambucano Vitor Araújo e Mariana Nunes. Mais cedo, a equipe do cineasta Cláudio Assis captou imagens para o longa durante o desfile deste 7 de Setembro, na Avenida Cruz Cabugá. Em uma das tomadas, Irandhir Santos invadiu o cortejo e foi contido por policiais que o retiram do evento.

Sinopse - O longa, cujo roteiro é assinado por Hilton Lacerda, conta a história de Zizo, um poeta de atitude anarquista, que mantém um pequeno tablóide chamado de Febre do rato. Um personagem que está sempre às voltas com um mundo todo particular. Também estão no filme, Matheus Nachtergaele, Ângela Leal, Conceição Camarotti, Maria Gladys, Juliano Cazarré e Tânia Moreno.

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Via Diário de Pernambuco

setembro 03 2010

Tudo começa bem em Febre do rato

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Cinema // Primeiros dias de filmagem do terceiro longa-metragem do diretor Claudio Assis superam as melhores expectativas

Diário de Pernambuco, Caderno Viver, 02/09/2010
Por Luiza Maia // Especial para o Diario

No elenco de A Febre do Rato: Ângela Leal, Irandhir Santos, Nanda Costa, Matheus Nachtergaele, entre outros.

No elenco de A Febre do Rato: Ângela Leal, Irandhir Santos, Nanda Costa, Matheus Nachtergaele, entre outros.

O sucesso nos primeiros dias de filmagem do terceiro longa-metragem do diretor pernambucano Cláudio Assis, Febre do rato, está estampado no rosto de todos os envolvidos na produção: completamente exauridos, mas igualmente satisfeitos. “Paro por respeito à equipe. Por mim, a gente ia direto”, brinca o diretor. Ao todo, serão cinco semanas com jornada diária das 5h às 17h. No primeiro dia de filmagens, na terça-feira, foram adiantadas duas sequências do cronograma previstas para os dias seguintes. O dia estava reservado para uma cena na praia, mas Claúdio se satisfez com a primeira tomada, concluída às 10h. “Foi uma vez e valeu. Eu pensei: vamos fazer mais uma. E o Cláudio super seguro, determinado. É muito bom trabalhar com um diretor assim, que vira e diz: ‘Esse plano tá bom!’”, comemora a atriz Nanda Costa, protagonista do filme no papel da jovem Eneida ao lado de Irandhir Santos, que vive o poeta Zizo. Matheus Nachtergaele, Ângela Leal, Conceição Camarotti, Maria Gladys, Mariana Nunes, Juliano Cazarré, Tânia Moreno e o estreante Vitor Araújo compõem o elenco.

A jornada terminou no Cemitério de Guadalupe, para gravação de cenas do final do filme. “Adiantamos as cenas do outro dia. Bate uma insegurança, mas deu tudo certo”, comenta o experiente Matheus Nachtergaele, encantado com seu personagem, o coveiro Pazinho. “A vida dele tem uma espera. Toda vez que vim aqui, estava vazio. Só dois, três coveiros. E quando chega é alguém que morreu”, reflete. Por outro lado, é casado com o travesti Vanessa (Tânia Moreno), é amigo do poeta, participa de farras. Ele vive nos opostos entre a luz da noite e a sombra do dia. “É um casal inusitado. Ele é um coveiro, a princípio não seria um cara aberto. Acho isso um lance bonito do roteiro”, defende. “O Claudão sempre tem uma visão muito especial e corajosa do que é a realidade brasileira. Não é uma obrigação. A gente está aqui porque a gente quer”, garante Matheus, que participou dos outros dois longas de Cláudio, Amarelo manga e Baixio das bestas.

O diretor de fotografia Walter Carvalho também acompanha o diretor pernambucano desde o primeiro longa. Desta vez, a cor forte de Amarelo manga será substituída pelo preto e branco. “Nada mais abstrato do que o amor. Nada mais doloroso, nada mais prazeroso, confuso, atraente, apaixonante que o amor. Para mim o amor se dá num plano preto e branco”, explica Carvalho sobre a opção pelas escalas de cinza. Para ele, a escolha é uma forma de desdizer o que foi dito nos outros filmes e fugir da tendência do cinema contemporâneo de se valorizar cada vez mais a verossimilhança com o real, principalmente com o advento da tecnologia 3D. “O cinema do Cláudio é um cinema libertário. Ele é irreverente, provocador. Ele vê a face bonita e a face feia do objeto. A fotografia tem que mostrar esse mistério entre o que se apresenta e o que se deduz”, diz.

Mesmo no início das gravações, o elenco se mostra bastante envolvido com os personagens. A relação de Nanda com Eneida foi tão forte que ela sentiu necessidade de mudar o visual de Soraia, da novela Viver a vida. Na tarde anterior ao início das gravações, às 17h, ela não conseguia parar de pensar que faltava algo à personagem. “Eu não conseguia mais me olhar no espelho e ver aquele cabelo. Cortar deu uma leveza e atitude a ela, porque Eneida é uma adolescente com muita atitude”, define, com os cabelos acima do ombro. Apesar disso, confessa que nunca se sente pronta, nem quando está em cena, nem “quando dá o corta”. “Dar conta do personagem é um trabalho diário, a cada cena. Mas sinto que estou no caminho certo”, acredita a atriz, que vive ótima fase após ganhar o prêmio de melhor atriz do Festival de Cinema do Rio, Festival de Cinema Brasileiro de Paris e de Miami.

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Via Diário de Pernambuco

setembro 03 2010

Febre de longas pernambucanos

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Claudio Assis começa a rodar a partir de hoje seu terceiro filme, tendo no elenco Irandhir Costa, Nanda Costa, Matheus Nachtergaele

Diário de Pernambuco, Caderno Viver, 31/08/2010
Por André Dib

Irandhir Santos revela que já incorporou o protagonista, o poeta Zizo Foto: Nando Chiappetta/Esp. DP/D.A Press

Irandhir Santos revela que já incorporou o protagonista, o poeta Zizo Foto: Nando Chiappetta/Esp. DP/D.A Press

Nove anos depois de Amarelo manga, Cláudio Assis volta a filmar em Olinda e Recife. A partir de hoje, a produção de Febre do rato, terceiro longa-metragem do diretor pernambucano, movimenta a cidade com uma equipe de profissionais cariocas e pernambucanos. Durante a semana de ensaios, o elenco formado por Irandhir Santos, Nanda Costa, Matheus Nachtergaele, Mariana Nunes e Juliano Cazarré circulou em eventos e bares. No que diz o burburinho, Nachtergaele já está com o personagem incorporado e assim deve continuar até o começo de outubro, quando terminam as filmagens.

Apesar do momento ao mesmo tempo tenso e delicado que configura a pré-produção de um longa, Cláudio e Júlia Moraes receberam o Diario no casarão utilizado para os ensaios, no Sítio Histórico. Eles celebram a boa fase do cinema feito em Pernambuco, somente em 2010 contabiliza quatro longas em andamento, com distribuição garantida. Febre do rato será rodado em super 35mm, captado em cores para ser vertido em pretoe branco na pós-produção. Como em todos os filmes do diretor, a fotografia é de Walter Carvalho, em formato cinemascope.

Contemplado em 2005 pelo fundo holandês Hubert Bals para desenvolvimento de projetos, Febre do rato tem acumulado patrocínios e apoios nacionais e estrangeiros, como a empresa argentina IMPSA. “Empresários entenderam que dá pra investir no cinema de ideias, independente do retorno financeiro”, diz Júlia. “Nesse processo, a Fundarpe foi fundamental para a gente poder andar e ganhar os grandes editais, concorrendo com filmes do Brasil inteiro”, complementa Cláudio. Com 90% do orçamento captado, falta garantir a finalização. “A Prefeitura do Recife ainda não oficializou, mas garantiu que vai nos apoiar”.

Durante a prova de figurino, encontramos um Irandhir febril, possuído pelo poeta Zizo, personagem principal do novo filme. “Se tem algo que resume Zizo, é a atitude”, disse o ator, que acaba de rodar O som ao redor, de Kleber Mendonça Filho, e a partir de outubro poderá ser visto em Tropa de elite 2. Semana passada, Irandhir conheceu Miró, com quem descobriu afinidades. “O destino trouxe Miró e fiquei com ele enquanto pude. Se eu tiver 1/3 dele no meu personagem estarei muito feliz”. Para compor Zizo, Irandhir tem dormido e acordado com João Cabral, Drummond, Pedro Tierra e Murilo Mendes. No entanto, todas as poesias do filme são originais, escritas por Hilton Lacerda.

Boa parte de Febre do rato será rodada na Fábrica Tacaruna, que será morada de um triângulo amoroso vivido por Juliano Cazarré, Mariana Nunes e Vítor Araújo, que estreia como ator. Afora o elenco principal, Jones Melo, Paulina Albuquerque, Sâmara Cipriano, Chiquinho Serra Velho, Hugo Gila e a paulista Tânia Moreno prometem gerar cenas que, como nos demais filmes de Cláudio, ainda vão dar o que falar.

Entre atores, figurantes e participações especiais, serão mais de 400 pessoas. Um churrasco de Páscoa na casa de Zizo reunirá Jommard Muniz de Britto, Gaspar Andrade, Fernando Peres e Irma Brown, Wilma Gomes (ex-miss Pernambuco), LalaK e Carlos Carvalho. Quero reunir pessoas que na vida real seriam amigos do poeta e reunir a nossa cena cultural, uma metalinguagem a serviço do cinema”, diz Rutílio de Oliveira, responsável pelo casting. Miró, Xico Sá, Roger de Renor e João do Morro também serão convidados. Evocados no título, ratazanas comuns nas alamedas da cidade não devem faltar. Mas a “febre do rato” não tem nada a ver com a doença provocada pelos roedores, mas com a expressão pernambucana para determinado estado de espírito. “É como se a pessoa azougada, com atitude para o bem ou para o mal, com vontade de lutar por alguma coisa.

Inspiração no avô poeta

Neta de Vinicius, Júlia Moraes busca no avô parte da inspiração para construir o poeta do novo filme de Cláudio Assis. “Ele viveu pra poesia e me deu condições de entender e viajar no universo do poeta. Com certeza estamos trazendo isso para o filme. Para ele a família, as histórias, a obra é uma só”. Júlia tinha apenas seis anos quando Vinicius se foi. A breve convivência deixou nela uma imagem clara de entrega que agora ele transpõe para o filme, que ela descreve como “alto astral, de afirmação”, de um personagem que não está preocupado com dinheiro ou sucesso, que “não quer se dar bem, mas ser quem ele é”.

“Assim como ele, Zizo é um poeta do amor e da dor. E disso todo mundo entende. Seja parnasiana, romântica, escatológica ou concreta, a poesia é capaz de tocar as pessoas de forma profunda. E Zizo carrega consigo essa liberdade, que as pessoas querem viver mas não têm coragem, são amarradas”.

Entrevista // Claudio Assis

Após quase uma década, você volta a usar Olinda como cenário. Qual sua relação com a cidade?

Minha produtora funciona há 15 anos em Olinda, onde fizemos muitos curtas. Sempre quis fazer um longa aqui, em Amarelo manga filmamos nos Quatro Cantos, que é muito cinematográfico. E quando tive a ideia, imaginei o poeta como sendo de Olinda. Ia trazer o filme todo pra cá, queremos falar do Recife, que é um universo de contradições de cidade grande, que contém um mundo.

Como surgiu Febre do rato?

A ideia veio durante a filmagem de Amarelo manga, em Olinda, quando inventei um personagem com um amigo meu. Ele foi crescendo, chamei Hilton Lacerda e as ideias foram chegando, só naquele momento pensamos em 17 sequências.

Você descreve o filme como romântico, sobre pessoas apaixonadas. Seria uma mudança de rota, depois de dirigir dois filmes que mostram a vida cruel?

Pelo contrário, é a afirmação disso tudo. Se as pessoas não viram amor nos meus outros filmes, precisam ver de novo até encontrar. Tudo que já foidito será mostrado de outra forma, com poesia, de uma maneira elegante, generosa, para que seja um filme prazeiroso. Mas não mudei nada, o assunto é o mesmo, só que contado de forma diferente.

Recife tem uma tradição de poetas de rua, seu poeta se conecta com esse cenário?

Zizo não é marginal, é revolucionário. Existe o Zizo, que é meu amigo desde os anos 1980, a quem estamos fazendo homenagem, mas não tem nada a ver com a vida dele. No filme, Zizo cria um mundo onde as pessoas são iguais: negros, gordos, magros, brancos, putas, travestis. Se eles transam ou casam, se separam de um grande amor ou ficam nele pra sempre, não importa, temos que respeitar as pessoas do jeito que são. E um poeta pode tudo, tem liberdade pra falar e fazer o que quiser.

Cinema é a sua forma de fazer poesia?

Lógico. E o poeta sou eu. Essa é minha forma de dizer o que eu acho do mundo.

Por dentro do set

Febre do rato, 3º longa-metragem de Cláudio Assis, é uma co-produção entre a Parabólica Brasil e BelaVista Cinema, em associação com a Pacto Audiovisual e República Pureza Filmes.

Elenco
Irandhir Santos – Zizo; Nanda Costa – Eneida; Matheus Nachtergaele – Pazinho; Ângela Leal – D. Marieta; Conceição Camarotti – Stellamaris; Maria Gladys – Anja; Mariana Nunes – Rosângela; Juliano Cazarré – Boca Mole; Victor Araújo – Oncinha; Tânia Moreno – Vanessa.

Direção: Cláudio Assis
Produção: Julia Moraes e Claudio Assis
Roteiro: Hilton Lacerda
Produção Executiva: Marcello Maia
Direção de Fotografia: Walter Carvalho
Direção de Arte: Renata Pinheiro
Direção de Produção: Joana Araújo
Coordenação de Produção: Barbara Rocha
Figurino: Joana Gatis
Montagem: Karen Harley
Trilha sonora: Jorge du Peixe
Produtor associado: Malu Viana
Distribuidor: Imovision
Orçamento total: R$ 2,2 milhões

Patrocinadores e investidores:
Petrobras / Fundo Setorial do Audiovisual – Finep / Prêmio Adicional de Renda – Ancine /Imovision / Banco do Nordeste / Chesf / IMPSA / Petra Energia / Copergás / Estaleiro Atlântico Sul / Secretaria de Turismo do Governo de Pernambuco / Empetur / Prefeitura de Olinda

Incentivo:
Funcultura / Governo do Estado de Pernambuco

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Via Diário de Pernambuco