outubro 31 2010

Te cuida, capitão

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O trio Irandhir Santos, André Mattos e Sandro Rocha rouba várias cenas do megassucesso Tropa de elite 2. Filme de José Padilha trouxe novas perspectivas para a carreira desses atores

Sandro Rocha: pequena ponta em Tropa de elite 1 rendeu papel de destaque como o chefe da milícia no novo filme

Sandro Rocha: pequena ponta em Tropa de elite 1 rendeu papel de destaque como o chefe da milícia no novo filme

UAI, Divirta-se, 31/10/2010
Por Mariana Peixoto

Tropa de elite 2 entrou em sua quarta semana de exibição. Desde a estreia oficial, dia 8, algumas coisas continuaram iguais. Outras, bem diferentes. O longa-metragem de José Padilha, por exemplo, continua em cartaz em 698 salas, número muito próximo ao da estreia (661), consequência de seu estrondoso sucesso de público – em três semanas, atraiu 6,2 milhões de espectadores, quase três vezes o número que o primeiro filme levou aos cinemas em toda a sua temporada, três anos atrás. Ainda que o capitão Nascimento de Wagner Moura domine toda a narrativa, não há como negar: o elenco de coadjuvantes emplacou grandes momentos. Três atores pouco conhecidos do grande público, para muitos os melhores desta sequência, passaram, em dias, a conviver com o assédio.

Que o diga o pernambucano Irandhir Santos – ou melhor, Fraga, o grande rival, num primeiro momento, de Nascimento. Há quatro anos, ele vem fazendo cinema sucessivamente. Trabalhou com diretores bem cotados, como Cláudio Assis (levou o Candango de melhor ator no Festival de Brasília por Baixio das bestas), Karim Ainouz e Marcelo Gomes (em Viajo porque preciso, volto porque te amo). Nesse meio tempo, chegou à TV, na minissérie A pedra do reino, exibida pela Globo em 2007. Nada disso fez tanta diferença quanto o papel como intelectual de esquerda militante dos direitos humanos que se torna deputado.

Santos foi parado até em porta de banheiro de avião para receber felicitações pelo papel. “Desde o fim das filmagens, vi que com esse longa seria diferente. O que está me impressionando é o tamanho da repercussão, o que prova do que o filme é capaz”, comenta ele. O ator mal teve tempo de acompanhar a trajetória de Tropa 2, por causa de seu envolvimento com outro longa. Terminou, há duas semanas, de filmar Febre do Rato, dirigido por Cláudio Assis. Desta vez, Santos será o protagonista, um poeta anarquista que, no quintal de sua casa no Recife, produz o jornal Febre do Rato. Como a estreia em longa de Assis, Amarelo manga (2002), a fita é ambientada na capital pernambucana, misturando relações amorosas, política e questões sociais.

“Por causa desse trabalho, hoje enxergo minha cidade de forma diferente. Na verdade, quando termino cada trabalho não sou mais o mesmo. Se pensarmos no alcance popular de Tropa…, acredito que ele seja, sob esse prisma, um divisor de águas na minha carreira”, continua Santos. Afastado do teatro desde que ingressou no cinema, ele pretende voltar aos palcos.

O teatro também está na mira de outro ator do blockbuster nacional: André Mattos, que arranca risadas do público com Fortunato, apresentador de TV que se envolve com política e crime organizado. Filho de atores (Emilio e Zélia de Mattos, fundadores do Tablado), ele está preparando projeto de teatro itinerante. “Uma homenagem ao grande comediógrafo João Bethencourt. Dentro do caminhão, colocarei o repertório de quatro comédias. Viajaremos pelo Brasil, nos moldes das antigas carruagens teatrais”, conta Mattos, que vai filmar O analista de bagé, de Luis Fernando Veríssimo, para a TV Cultura.

Ator experiente, com extenso currículo no teatro e várias participações na TV e no cinema, geralmente em papéis coadjuvantes, ele tem os pés no chão. “Tropa… não é o primeiro filme importante que faço (trabalhou em O xangô de Baker street, de 2001, e Lisbela e o prisioneiro, de 2003). Como nos outros, minha vida continua a mesma. Já ganhei 18 prêmios e sabe o que mudou? Nada.” Porém, Mattos não consegue negar que a dimensão de Tropa… lhe abriu portas. “No teatro e na TV, a coisa não muda, mas no cinema você passa a ser mais procurado.”

Sandro Rocha agora está vendo direitinho o que são portas abertas. Grande vilão, o ator que vive Rocha/Russo (major da PM e miliciano) tem mais de uma década de carreira. Mas somente com o filme de Padilha teve o papel com o tamanho devido. Dos três, Rocha/Russo é o único que esteve no primeiro Tropa de elite. Ali, o ator fez muito pouco (lembra a tirada “quem quer rir tem que fazer rir”?), mas sua pequena participação lhe garantiu vaga na sequência.

“As propostas de trabalho estão chegando de algumas emissoras”, anuncia ele, de origem humilde como muitos personagens do filme. Sandro foi criado na região da favela de Lins de Vasconcelos, subúrbio carioca. Até conseguir a grande chance, penou em pontas e pequenas participações. Chegou, inclusive, a encarnar o Ronald, o boneco-propaganda do McDonald’s, para poder pagar as contas. Diferentemente de alguns colegas de elenco, Rocha conhece de perto o universo de que o filme de Padilha trata. “Para construir o personagem, fiz observação onde vivo, pesquisa na internet e usei minha intuição.” Agora que a fama bateu à porta – “hoje sou reconhecido nas ruas”, comenta –, Rocha pretende tocar seu projeto social, parado por falta de verba. Vai ensinar teatro a crianças das favelas.

Mais um?
José Padilha já disse que não, mas, com o sucesso do segundo Tropa de elite, especula-se (e muito) sobre um terceiro filme. Dos três entrevistados, somente André Mattos concorda com o diretor: “Fôlego para outro filme há, sem dúvida. Mas acho que não vai acontecer. O Padilha já tem outros projetos. O importante é que Tropa de elite já cumpriu sua função artística: levar o público à reflexão”. Sandro Rocha pensa diferente: “O tema nunca estará esgotado, ainda mais em se tratando de uma equipe de elite!”. Irandhir Santos vai além: “Quando lembro que, no primeiro filme, o Padilha falou que não iria fazer o segundo, vejo que há possibilidade de mais um”.

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Via Divirta-se UAI

outubro 31 2010

Perfil: Irandhir Santos é um dos destaques de Tropa de Elite 2

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Correio Braziliense, 31/10/2010
Por Ricardo Daehn

Irandhir Santos (Fraga) Tropa de Elite 2 (foto: Alexandre Lima)

-Confesso que o anonimato me ajuda muito na profissão. O ator precisa observar o mundo-

Imediatamente depois das filmagens de Tropa de elite 2 — O inimigo agora é outro, o assédio do público tornou nítida uma nova certeza para o ator pernambucano Irandhir Santos: nas telas, como o pacifista professor Fraga — visto por muitos como o antagonista do eterno capitão Nascimento —, ele atingiu um novo patamar na carreira. “Confesso que o anonimato, muitas vezes me ajuda na profissão: o ator precisa ter liberdade para observar o mundo a ser reproduzido. Para mim, observar sem ser observado, funcionava muito bem, até então”, diverte-se, muito impressionado pela enorme repercussão do longa-metragem de José Padilha.

Dotado de potencial para desestabilizar o capitão Nascimento (Wagner Moura), Fraga, na opinião do intérprete, “nasceu a partir do processo histórico do deputado Marcelo Freixo, sendo contra uma postura de Segurança Pública vigente no Rio de Janeiro” — sem ser um opositor do protagonista. “É algo maior: ele é um professor, um grande aglutinador que atrai as pessoas para aquilo em que acredita. Nascimento é uma delas. Se não há mistura entre ambos, que são muito distantes, há aliança”, diz.

A construção de Fraga também obedeceu à união: “Foi feita pela trinca Padilha, Freixo e Fátima Toledo (preparadora de elenco). “Há folclore em torno da Fátima: ela é uma mão firme no processo, mas aponta para os caminhos que devem ser trilhados. Brinco que ela vem para os projetos sempre com dois objetos nas mãos: um é o martelo para quebrar a gente e, na outra, uma cola e, dos cacos, faz brotar uma coisa nova na nossa atuação”, explica.

Teatro
Há quatro anos afastado dos teatro — “tô com este buraco grande chamado saudade no peito” —, o politizado ator de 32 anos comunga do “momento muito especial para o desenvolvimento das artes”, que ele detecta, há uma década, justo quando recebeu o primeiro cachê, depois de formado em artes cênicas pela Universidade Federal de Pernambuco. Interpretando personagens importantes em sucessivos filmes, como Besouro, Olhos azuis e Quincas Berro D’Água, Irandhir só não se conforma com uma coisa no cinema: “Três meses é muito pouco para se viver uma vida. No teatro, nós preparamos um personagem durante oito meses”.

“Para compensar o pouco tempo, com concentração e estudo, entro de cabeça em cada projeto, para aproveitar o máximo”, avalia. O recebimento de tantos convites para filmes como Viajo porque preciso, volto porque te amo e Amigos de risco, reconhece o talento em detrimento do recurso fácil de recorrer a atores com atributos físicos exuberantes que sigam o padrão hollywoodiano. “Acho que, primeiro, veem a beleza da minha postura diante da arte. Tenho, cada vez mais, me afeiçoado ao cinema. O diferencial está em fazer da forma mais íntegra possível”, opina.

Importância
Premiado no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, como ator coadjuvante por Baixio das bestas (de Cláudio Assis), logo no primeiro filme, Irandhir não esquece a importância do personagem Maninho. “Ele cavava uma fossa na casa do velho que usava e abusava da própria neta. Estagnava aquele trabalho ao máximo, para ficar o mais próximo da menina, mas talvez ele fosse o mais besta fera do filme: tinha o sentimento da paixão, mas não fazia nada para salvar a menina”, observa.

À época envolvido com a série A pedra do reino, ele lembra-se de ser acordado, em Taperoá (Paraíba), pelos gritos dos colegas que anunciaram a vitória do Candango. “Foi um prêmio muito especial”, sintetiza.

DE NOVO COM CLÁUDIO ASSIS

Integrado à trupe de atores arregimentados regularmente por Cláudio Assis, Irandhir, atualmente, divide as gravações em estúdio do longa Febre do rato, com colegas como Conceição Camarotti, Matheus Nachtergaele e Jones Melo.

Protagonista do filme em andamento (depois das filmagens, os atores se ocupam das narrações), ele não esconde a afinidade com as propostas cênicas de Cláudio Assis. “Sou extremamente apaixonado pelo cinema verdade dele. É algo que sempre levanta discussões sociais”, esclarece. Com fabricação de jornais na própria casa, Zizu, o personagem que abraça, é um poeta anarquista, dado à declamação de poemas em comunidades do Recife e de Olinda. “Zizu é enérgico e acredita que, por meio da poesia, pode mudar o mundo. O diretor me disse: ele traz um sangue borbulhante, como quem tem febre o tempo todo”, conta. “Em suma, o personagem que vem para falar de amor —, mas da maneira Cláudio Assis de falar de amor”, observa, às gargalhadas.

Ainda aturdido pelo prestígio alcançado com Tropa de elite 2, o ator se apraz, ao vislumbrar a galeria de tipos que o público brasileiro está por conferir, como no caso de Clodoaldo, personagem do primeiro longa-metragem de ficção assinado por Kleber Mendonça Filho (ovacionado, no ano passado, em Brasília, com o curta Recife frio), O som ao redor. “O diretor, antes de me entregar o roteiro, me disse ‘o cara vem para dar segurança a uma rua’”, relembra, aos risos, prevendo o possível paralelo com o Fraga de Topa de elite 2.

Noutro registro, A hora e a vez de Augusto Matraga (de Vinícius Coimbra), em nova versão do conto de Guimarães Rosa, filmado em Minas Gerais, com o colega João Miguel (O céu de Suely), vai mostrá-lo como Quim, o braço direto de Matraga.

Afora o futuro percurso nas telas, o pernambucano de Barreiros tem de antemão outra certeza: a da costumeira visita a Limoeiro, onde “recarrega as baterias” na casa dos pais, Dona Helena, uma voluntária da Bolsa Família, e Seu Marcos, um aposentado e seresteiro. É no ninho familiar, “com uma penca de sobrinhos”, que Irandhir Santos se sente ainda melhor.

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Via Correio Brasiliense

outubro 28 2010

Prêmio QUEM: Irandhir Santos é indicado para Melhor Ator de Cinema. Vote.

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Quem foi o grande destaque em 2010? Veja os indicados e escolha os seus favoritos

QUEM Online, 27/10/10

VOTE-IRANDHIR

Quem foi o grande destaque do Brasil em 2010? Um ator, uma atriz, um diretor, um cantor, uma cantora, uma banda, um chef, um escritor, um fotógrafo, um estilista, um maquiador, uma modelo? Você vai poder dar sua opinião no 4° Prêmio QUEM Acontece.

Para isso, basta ajudar a escolher quem brilhou, comoveu, fez rir e deu o que falar em diferentes áreas – televisão, cinema, teatro, música, gastronomia, literatura, moda & beleza.

O prêmio funciona assim: um júri, composto de 21 especialistas nessas sete áreas, preparou uma lista de indicados. A partir desta semana (e nas próximas), a relação dos escolhidos pelos jurados será divulgada nas páginas e no site de QUEM, para que os leitores e internautas elejam os vencedores entre esses finalistas. Um comitê formado dentro da Editora Globo vai dedicar-se a uma categoria especial: o Grande Prêmio QUEM Acontece 2010, que escolherá o grande destaque do ano.

Fique ligado, conheça a lista e comece a votar desde já nos seus candidatos preferidos nas áreas abaixo. Os vencedores serão tema de uma edição especial da revista. Vote pelo nosso site e fique atento aos indicados das próximas semanas.

PREMIO-QUEM

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Via Quem Online

outubro 26 2010

Lázaro Ramos comanda o 6º Prêmio Bravo

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E! Online, 26/10/2010

O ator Lázaro Ramos deu um show ontem, 25, na 6ª edição do Prêmio Bravo. Mesmo com febre e sinusite, o ator cantou, dançou e até trocou de roupa no palco! Antes de se retirar do palco após a premiação, Lázaro se emocionou e falou para todos, ”É uma honra estar aqui mais uma vez, espero apresentar muitos prêmios e este, só de ser uma homenagem a Noel Rosa, já tem uma atmosfera diferente”.

Os cantores Paulo Miklos e Mariana Aydar, junto com os atores Paulo José e Thalma de Freitas, foram alguns dos homenageados do Prêmio Bravo. O evento reconhece e premia talentos em diversas áreas culturais.

O 6º Prêmio Bravo! Bradesco Prime de Cultura aconteceu na Sala São Paulo, na Estação da Luz, em São Paulo.

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Via E! Online

Nota do blog Irandhir Santos: O filme VIAJO PORQUE PRECISO, VOLTO PORQUE TE AMO, que tem o ator Irandhir Santos no papel do geólogo José Renato, foi premiado na categoria Melhor Filme Nacional no 6º Prêmio Bravo.

outubro 26 2010

Famosos prestigiam prêmio cultural em São Paulo

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Terra, 26/10/2010

Irandhir Santos

O ator de ‘Tropa de Elite’, Irandhir Santos, confere a sexta edição do Prêmio Bravo.

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Via Terra

outubro 24 2010

TROPA DE ELITE 2: Estado de direito x “Estados” paralelos

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Brasília em Dia, 16/10/2010
Por José Guilherme

TROPA DE ELITE 2
Brasil, 2010. Direção/Co-roteiro: José Padilha. Elenco: Wagner Moura, André Ramiro, Milhem Cortaz, Irandhir Santos, Maria Ribeiro.

Estado de direito x “Estados” paralelos

Coincidindo com uma nova onda de assaltos, arrastões, trocas de tiros com as forças do Estado e disputas sangrentas pelo controle dos principais pontos de tráfico, colocando o governador recém-reeleito do RJ diante de uma verdadeira sinuca de bico, estreou 6ª feira, dia 08, em mais de 650 salas de cinema, Tropa de Elite 2, três anos depois do primeiro filme e enfocando os conflitos do agora tenente-coronel Nascimento, de um lado com a corporação militar a que pertence, de outro com sua ex-mulher e seu filho (a ação se passa quinze anos depois da primeira parte), ela casada com seu principal adversário político, um ativista de direitos humanos, ele, o garoto, envolvendo-se incidentalmente com drogas e com a polícia.

A história começa praticamente no mesmo plano onde o outro termina, com o Bope em plena ação, desta vez invadindo o complexo de Bangu I para conter um sangrento conflito entre facções criminosas rivais, depois que armas são introduzidas na ala de uma das facções, que logo invade a outra para provocar um massacre. O Bope entra no meio, com o capitão Mathias (Ramiro, que começou o primeiro filme como aspirante) chefiando o pelotão. Nascimento, da sede do Batalhão, comanda a operação pelo rádio, porém Mathias, numa hostage situation, se precipita e estoura os miolos do bandido (Seu Jorge) que apontava uma pistola para a cabeça do ativista Fraga (Santos, excelente). O capitão obedeceu rigorosamente o manual do Bope, mas contrariou frontalmente uma ordem direta do coronel Nascimento, que, por conta do incidente, perde o comando e é “promovido” a subsecretário de Segurança, enquanto Mathias é afastado do Batalhão, por “violação de direitos humanos”.

A partir daí, Nascimento, em cujas veias o sangue que corre é puro Bope, se vê numa situação delicada. Aproveitando sua nova posição na Secretaria, ele dota a tropa de elite, que é a sua vida, de recursos materiais e técnicos que lhe permitem esmagadora vitória sobre o narcotráfico. Mas a guerra contra o crime organizado não se esgota na visão ingênua de um militar de ação como Nascimento. Aos poucos ele percebe (e aprende), ao envergar terno e gravata e sentar atrás de uma mesa, que as engrenagens de um monstro indomável chamado “sistema” fazem mover-se interesses políticos, eleitoreiros e corporativistas que estão fora do alcance dele. O sistema tem vida própria. Pior: o sistema é conivente, chegando mesmo a tirar proveito da ação predatória de milícias que nascem, precisamente, no “vácuo de poder” deixado pela derrota do narcotráfico pelo Bope, e que são apoiadas por políticos influentes.

Supremo paradoxo: o Bope é tido por alguns como uma tropa de elite treinada para matar. Ao fazer o seu trabalho, ele perfaz um duplo papel, o de herói (para muitos) e o de vilão (para alguns). Ao sair de cena, esta é ocupada por bandidos duplamente piores que os meliantes, porque se escondem atrás da insígnia da lei para achacar bandidos e a população civil. É hora, então, de Nascimento começar a combater o sistema do qual, em última análise, faz parte, tentando destruí-lo por dentro. Tarefa inglória, quase impossível. É nessa hora que o coronel vê no antigo rival, agora deputado estadual, Diogo Fraga, um possível aliado (Fraga seria aqui o alter ego do deputado Marcelo Freixo, o parlamentar que conseguiu a instauração, na ALERJ, da “CPI das milícias”, mesma façanha alcançada por Fraga na história). No fim, a guerra de Nascimento contra o crime se desloca da polícia para a política, ou seja, uma simples troca de letras, mas com uma diferença crucial para todos os envolvidos.

Moura penetra fundo no papel, mostra-se contido, denso, tenso, em todos os momentos. Sua Nêmesis é Irandhir Santos, o brilhante ator de Olhos Azuis, Besouro, Baixio das Bestas, Cinema, Aspirinas e Urubus. O duelo entre eles, cada vez que se encontram, é inevitável, e dele sempre saem faíscas em alta tensão. Difícil dizer quem vence, se é que se pode falar em vencedores. Santos só não rouba definitivamente a cena porque Moura é aquele que, mais do que qualquer outro ator em que se pudesse pensar, faz a diferença ao encarnar Nascimento, o anti-herói atormentado desta tragédia grega que é o embate de titãs entre o Estado de direito e o “Estado paralelo” do crime organizado, do narcotráfico, da corrupção e das milícias. A presença cênica de Moura transformou-se em ícone para o cidadão comum. “Wagner Moura é um ator que pensa como diretor. Isso dá a ele o potencial de roubar a cena muito facilmente, porque ele entende o que aquela cena significa”, declarou o diretor José Padilha, em entrevista à Folha de São Paulo.

Tropa de Elite 2 mostra, com uma crueza que, apesar de possuir os dois pés na realidade, e mesmo tendo-se tornado lugar-comum no cinema nacional, ainda consegue chocar o espectador desavisado, que o conflito entre o Estado e o crime organizado é a nova roupagem, ampliada e inevitável, do milenar processo de seleção natural que separa os fracos dos fortes, permitindo que estes, num gesto de predominância, prevaleçam ao final como aqueles que ditarão as regras.

Ao final da projeção, os espectadores aplaudiram. Fico a me perguntar se isto aconteceu (e acontecerá) em toda Brasília, em todo o Brasil. Espero que sim. Torço nesse sentido. Afinal, já passou da hora de a sociedade civil, e os cidadãos ordeiros que a compõem, entenderem que o Estado não criou a violência que campeia na sociedade como marca registrada do banditismo. Que a violência do Estado é apenas uma resposta, pronunciada no mesmo diapasão da linguagem dos bandidos, ao desequilíbrio que a ação deles causa à tranqüilidade a que todo cidadão tem direito.

A cotação, por outro lado, não vai apenas para os méritos da obra cinematográfica e dos seus realizadores. Para além dos predicados estéticos e técnicos do filme, a cotação homenageia também a obra-denúncia que é Tropa de Elite 2, lembrando, neste particular, o trabalho de ativismo político do diretor francês Constantin Costa-Gavras, com seus filmes que sempre colocaram o dedo na ferida dos gravíssimos problemas políticos e sociais ao redor do mundo. A pergunta que não quer calar: o coronel Nascimento morre? Bem, a narração é em off, mas, como diz o próprio diretor, assista ao filme e confira, também, esse “pequeno” detalhe. 9/10.

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Via Brasília em Dia

outubro 24 2010

Herói Nacional

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Herói Nacional

Ao som da música título e com imagens icônicas do primeiro, premiado e já neoclássico filme, Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora é Outro (Idem, 2010) do mesmo José Padilha, abre arrepiando, literalmente. Tão bom quanto o original, mas com a capacidade de inserir mais crítica e num tom inda mais duro. E como os caracteres avisam, que apesar da proximidade com o que acontece na realidade, tudo é apenas uma ficcionalização dos fatos. E como é real…

Corta para tensão de um prólogo tenso e meio. O agora Coronel Nascimento (o espetacular Wagner Moura) é o comandante do BOPE e tem de lidar com uma rebelião no presídio de Bangu I. O Capitão Matias (André Ramiro, ótimo) decide invadir e confrontar o cabeça do Comando Vermelho (Seu Jorge), mesmo contra as ordens do seu comandante e um pedido do ativista dos Direitos Humanos (Irandhir Santos), que tenta negociar a situação. O circo está armado.

Estão de volta a narração (necessária) do seu protagonista, que ampara e nos guia pela história, seu humor e marra peculiares. Mas reparem no peso nas costas que carrega durante todo o filme. E é tanto, que até sua linguagem corporal acompanha, com uma postura curvada, de abatimento. Mas quando é para explodir, ele está lá. Mais uma agigantada interpretação de Wagner Moura, também co-produtor do longa.

Nós já temos o nosso herói nacional, e ele se chama Roberto Nascimento (um grisalho Wagner Moura). Podem até chamá-lo de facista, mas ele é um mal necessário para a nossa engrenagem corrompida pela podridão instalada. E filme de ação, não é mais exclusividade de Hollywood. Nós temos José Padilha, de condução brilhante e cenas de ação orquestradas, como a investida ao morro com o comando vindo de um helicóptero numa sequência sensacional.

Em 2007 escrevi que o primeiro Tropa de Elite (vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlin, como melhor filme) podia ser definido de várias formas. Um soco no estômago? Talvez vários. Sufocante como o saco na tortura praticada pela polícia? Sim, mas com um gosto sensacional de cinema verdade. Muito violento? Certamente, mas as fortes imagens são necessárias e contextuais ao longa. O cunho social aparece também durante todo o filme, que gera uma onda de discussões sobre a violência, a impunidade, a utilidade e a confiabilidade da polícia, quem efetivamente alimenta o tráfico, além da crítica pesada à classe média alta brasileira.

Tudo amplificado de uma forma ainda mais dura na segunda obra, distante do tráfico, mas embrenhado em problemas sociais, como as milícias que tomam os morros cariocas. A crítica ao sistema, principalmente às cenas política e policial, são pesadíssimas, e com um pessimismo cruel, mas verdadeiro. Em relação ao primeiro, menos cenas de ação em favor de uma história muito mais elaborada, com o acréscimo da tensão e seu cunho investigativo, ainda mais importante. Seu tom de denúncia é a força de sua história, num roteiro primoroso de Padilha, Bráulio Mantovani, que também aborda (humanamente) a difícil relação entre pai e filho distantes.

Sua produção é classe A (efeitos sonoros é um dos destaques), trilha pulsante, edição envolvente (do esteta da transpiração, Daniel Rezende), e ótimo elenco de apoio (com as voltas de Millhem Cortaz, Maria Ribeiro, e a adição de um excepcional Irandhir Santos) abrilhantam ainda mais o imperdível Tropa de Elite 2. O final deixa uma dor no peito, um sentimento de impotência. Mas, essa dor, e esse sentimento são obrigatórios numa obra tõ poderosa. Se tiver de assistir apenas um filme, que seja a segunda, e ainda mais marcante, aparição do Tenente Coronel Nascimento na tela grande. E porque não mais um?
“Aqui missão dada é missão cumprida”

NOTA: 10,0
INFORMAÇÕES ESPECIAIS:

Filmografia de José Padilha: Ônibus 174 (2002; documentário); Urso de Ouro de melhor filme no Festival de Berlin por Tropa de Elite (2007); Garapa (2009; documentário); Daniel Rezende indicado ao Oscar de Edição por Cidade de Deus (2002), estréia também como diretor de segunda unidade em Tropa de Elite 2 (2010).

*Daniel Herculano é estudante de Jornalismo e um observador bem informado. Crítico de cinema formado em cursos com Ana Maria Bahiana (Hollywoodianas/Uol/Globo de Ouro), Pablo Villaça (Cinema em Cena/OFCS), Ruy Gardnier (Jornal O Globo/Contracampo) e Joaquim Assis (Roteirista). Graduado em Comunicação Social, é publicitário, produtor musical e assessor de comunicação. Assina também a coluna Listas em Cena no site Cinema em Cena (www.cinemaemcena.com.br).

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Via O Povo

outubro 24 2010

Crítica: Tropa de Elite 2, 2010

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Paraná Online, XCine, 15/10/2010
Por Eduardo Maurício

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O trailer de tropa de elite 2 entrega tudo aquilo que normalmente convêm em uma continuação: Mania de querer fazer tudo maior. Pressão que os realizadores sentem ao tentar apresentar evolução em relação ao trabalho anterior.

Ao assisti-lo, nota-se que realmente tudo está maior, mas felizmente, maior de forma positiva: Efeitos, fotografia, montagem, efeitos sonoros, edição e mais personagens. Esteticamente um filme quase perfeito, cuja maior qualidade (roteiro) é também seu maior defeito.

Toques de hollywood

No primeiro filme, a idéia era mostrar como o Batalhão de Operações Policiais Especiais combatia o tráfico nos morros cariocas (com uma moderada dramatização do diretor José Padilha e do roteirista Bráulio Mantovani), trazendo personagens e fatos fictícios. Já em tropa de elite 2, tudo se torna mais interligado, mais “certinho”, o que de um certo ponto é até necessário para dar sentido a apresentação do novo inimigo, o governo, que imagino, não seria nada fácil representar utilizando o mesmo estilo documentário do primeiro.

O resultado é eficiente, mas não perfeito. É notável a roupagem hollywoodiana que o filme ganha, exemplo pode ser visto logo no começo, em uma cena onde o uso da câmera lenta é utilizada.

Sangue e Bordões

Tropa de elite 2 não é só papo cabeça, as cenas “cools” ainda estão lá. O Fato do Bope ter ficado em segundo plano devido a trama política não quer dizer nada. A violência continua pesada, e ganha ainda mais força graças aos efeitos internacionais. Estão aqui os tiroteios de fuzil, os tiros a queima roupa, o microondas (”Vocês ingordarão o porco agora nois vai assa”.), a tortura (Bota no saco!), a porrada (uma em destaque onde nascimento espanca com vontade um corrupto) e os grandes bordões chicletes difíceis de ignorar e que vão garantir algumas risadas (da pra contar pelomenos uns sete).

Elenco 6 estrelas

O filme não seria o que é se dependesse só da qualidade técnica e do roteiro. Um dos focos principais está no elenco, que pasmem – oferece o maior show que já vi um elenco Brasileiro oferecer. Qualidade esta que prefiro nem entrar em detalhes para não estender este texto. Wagner Moura, André Ramiro (Mathias) e Milhem Cortaz (Capitão Fábio) arrebentam, mas desta vez não estão sozinhos, atores até então desconhecidos vão ganhar destaque: Irandhir Santos (Fraga) e Sandro Rocha (Russo) por exemplo.

Tropa 1 x Tropa 2

É inevitável não comparar uma sequência com seu filme original. Mas Tropa de Elite é um caso complicado, embora possuam suas diferenças escancaradas.
O primeiro é mais realista, o segundo mais ficcionista, o primeiro mais corrido, o segundo mais cabeça, O primeiro mais chocante, o segundo mais tenso, ambos estampam a verdade, mas apenas o segundo nos dá uma reflexão profunda da situação, embora o primeiro torne a situação muito mais compriensível. Cada um tem sua importância, cabe a você espectador decidir com qual dos temas mais se revolta, ou simplesmente com qual dos filmes mais simpatiza. Particularmente… Eu não sei qual escolher.

Em fim, não sou brasileiro, mas amo o Brasil, e fico feliz que mesmo que por pouco tempo, os brasileiros tenham reconhecido finalmente o potencial que possuem no cinema. É uma pena que demorou tanto, e precisou de um filme como este para mostrar que o país também é capaz de fazer clássicos, nem que para isso tenha que contar com ajuda internacional.

CLASSIFICAÇÃO: EXCELENTE

Gênero: Drama – Policial
Duração: 115 min
Origem: Brasil
Distribuidora: Zazen/MAM
Direção: José Padilha
Roteiro: Bráulio Mantovani
Produção: Marcos Prado, José Padilha
Estreia: 08/10/2010 (Brasil)

Wagner Moura … Capitão Nascimento
André Ramiro … Matias
Irandhir Santos … Fraga
Maria Ribeiro … Rosane
Milhem Cortaz … Capitão Fábio
Seu Jorge … Beirada
Sandro Rocha … Russo
Pedro Van Held … Rafael
Tainá Müller … Clara

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Via Paraná Online

outubro 24 2010

Irandhir Santos, muito prazer

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Muito elogiado pelo trabalho em Viajo Porque Preciso, Volto Porque te amo, no qual não aparecia em nenhuma cena, o ator pernambucano Irandhir Santos é um dos destaques de Tropa de Elite 2

O Povo, 14/10/2010
Por Rodrigo Salem

Depois de protagonizar as produções independentes Besouro, Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo e Olhos Azuis, todos de 2009, e de fazer parte do elenco do divertido Quincas Berro d’Água, lançado neste ano, o ator pernambucano Irandhir Santos tem consciência de que o seu “anonimato’’ está em vias de acabar. Ele é um dos destaques do filme Tropa de Elite 2’, que estreou em mais de 600 salas do País na última sexta-feira.

“Até então, a não visibilidade era bem interessante. De alguma forma, ela me dava a liberdade de escolher o que bem queria’’, diz o ator.

No longa dirigido por José Padilha, ele dá vida ao deputado Fraga, que serve de contraponto ao coronel Nascimento (Wagner Moura) por ser contra a violência e defender os direitos humanos. Pode-se dizer que ele representa o discurso da esquerda. Além disso, no longa, ele é marido de Rosane (Maria Ribeiro), ex-mulher do oficial do Bope.

“Ele tem duas posturas bem delimitadas. Enquanto com a família é introspectivo, é verborrágico na política e defende com veemência seus ideais’’, explica Irandhir, que confessa ter ficado bastante impactado com a história que Padilha dirigiu -assim como a maioria do elenco de Tropa 2, o ator só assistiu à produção ao lado de jornalistas, dois dias antes de sua estreia. “O filme vai dar o que falar’’, acredita.

Um dos atores mais cobiçados por diretores do cinema nacional, Santos poderá ser visto em breve em A Erva do Rato, do conterrâneo Cláudio Assis, e O Som ao Redor, que marca a estreia do também pernambucano Kléber Mendonça Filho na direção de longas.

E-Mais
Na televisão, Irandhir Santos foi Guaderna, na adaptação assinada pelo diretor Luiz Fernando Carvalho do romance A Pedra do Reino, de Ariano Suassuna, em 2007.

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Via O Povo

outubro 24 2010

Exército de um homem só

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Tropa de Elite 2 joga o Capitão Nascimento contra as milícias e os políticos

Contigo!, 13/10/2010
Por Rodrigo Salem

Wagner Moura como o envelhecido Nascimento em uma das melhores cenas do longa

Wagner Moura como o envelhecido Nascimento em uma das melhores cenas do longa

No pôster do primeiro Tropa de Elite, o Capitão Nascimento (Wagner Moura) segura um fuzil. Já no cartaz da sequência de um dos melhores filmes do cinema nacional, o policial do Bope que virou ícone pop segura um walkietalkie. A mudança resume com uma objetividade assustadora a diferença entre os dois longas: enquanto, na produção original, o policial imbatível e incorruptível, nosso Jack Bauer, ”descia a porrada em vagabundo”, na segunda obra, ele troca a ação pelas palavras.

Não que Tropa de Elite 2 deixe de lado os sacos plásticos, os tapas na cara e a violência ultrarrealista. A invasão ao presídio de Bangu 1, que abre o filme numa sequência incrível de confrontos entre balas e ideologias, é tão boa quanto qualquer subida ao morro do longa anterior. A entrada do Bope não termina bem e, enquanto jornalistas e políticos pedem a cabeça de Nascimento, agora comandante do Batalhão de Operações Policiais Especiais, o povão abraça o soldado. A consequência é a ”queda para cima” do coronel para a Subsecretaria de Inteligência da Segurança Pública, momento em que o filme perde em ritmo ao usar um sem número de discursos e narrações em off didáticas como muletas.

Guerra contra o sistema
A situação apresentada pelo roteiro de Bráulio Mantovani e José Padilha, que repete a função de diretor, obviamente é mais complexa. Contudo, esse passo além prejudicou a continuação. Situar o capitão, aliás Coronel Nascimento, na parte de cima da complexa equação da violência urbana (estado + corrupção x alianças de mídia = falha) e vesti-lo com terno e gravata foi uma atitude corajosa, porém frustrante para quem estava esperando o policial abrindo caminho à bala até os corredores de Brasília. Isso é ficção ou não? Só pobre pode apanhar? Do lado da escolha do cineasta, o fato de a política brasileira ser um bolsão de decepção, mas um rasante sobre Brasília falando sobre a culpa do ‘’sistema” é de uma inocência que parecia ter morrido com as bandas punk nos anos 80.

Apesar do fim anticlimático, Tropa de Elite 2 ainda carrega uma força devastadora na direção das cenas de ação e em alguns diálogos – a maioria protagonizada por Milhem Cortaz, o ”Tenente Fábio”. Wagner Moura exibenuances no seu envelhecido Nascimento que raros poucos atores conseguem – e olhe que ele encontra um rival à altura no deputado defensor dos direitos humanos de Irandhir Santos, responsável por mostrar que ”existe uma saída sem ser na violência”. Sandro Rocha, que tem uma cena no primeiro Tropa (e é dono da frase clássica: ”Para rir é preciso fazer rir”), é alçado a ”vilão” quando entra para a milícia (PMs que controlam morros no Rio) e começa a usar o sistema pacificador de Nascimento em seu benefício. Não se preocupe se você não entendeu, Nascimento faz questão de explicar cada detalhe do novo status quo até o momento em que encontra um político nas ruas. E, por alguns minutos, você lembra por que gostou tanto de Tropa de Elite. Nunca será!

Sandro Rocha é o líder de uma milícia que usa o Bope a seu favor

Sandro Rocha é o líder de uma milícia que usa o Bope a seu favor

Irandhir Santos vive um ativista dos direitos humanos

Irandhir Santos vive um ativista dos direitos humanos

André Ramiro retorna como o policial Matias, agora no Bope

André Ramiro retorna como o policial Matias, agora no Bope

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Via Contigo!