outubro 24 2010

Tropa 2 deve colocar Irandhir Santos na boca do povo

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Cine Click, 09/10/2010
Por Heitor Augusto

Quem acompanha o cinema à margem do mainstream ou se interessa pelas coisas de Pernambuco não enxerga Irandhir Santos como uma cara nova do cinema. Desde 2006, quando ganhou o Candango de Melhor Ator no Festival de Brasília por Baixio das Bestas, o ator formado no teatro entrou com força no cenário cinematográfico.

Com Tropa de Elite 2 – Agora o Inimigo é Outro, Irandhir Santos deve ganhar muito mais visibilidade do grande público, já que interpreta o antagonista de Coronel Nascimento (Wagner Moura). “Não sei ainda como vai ser isso, mas a não visibilidade para mim é muito interessante porque um dos elementos do ator é a observação. Observar sem ser observado é fantástico”, afirma o ator em entrevista ao Cineclick.

Mas vai ser difícil: apenas em 2010, Irandhir apareceu nos cinemas em Olhos Azuis e Quincas Berro D’Água, além de ter frequentado as telas do Festival do Rio com O Senhor do Labirinto. Para uma cinematografia que costuma eleger “o cara” da vez, o ator nascido em Barreiros deve seguir a fila já ocupada por Selton Mello, Matheus Nachtergaele, Lázaro Ramos, Rodrigo Santoro, Wagner Moura, entre outros. Chegou o momento de Irandhir tornar-se onipresente.

Em Tropa 2, ele interpreta o ativista pelos Direitos Humanos Diogo Fraga, personagem inspirado no militante e deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL-RJ). “O Fraga tem duas vertentes, a pública e o núcleo familiar. As duas coisas são lado a lado para formar um ser humano mais completo. Não interessava só um ou outro”, explica.

Passados 13 anos da trama de Tropa de Elite, no segundo filme Rosane já se separou do Capitão Nascimento. Pior: casou-se com Fraga, a quem o líder do Bope considera um grande inimigo. “Acho um ato libertador a Rosane ter largado o Nascimento, o cara que as mulheres acham incrível”, explica a atriz Maria Ribeiro. Para ela, no primeiro filme sua personagem aceitava tudo passivamente. “A cena do ‘esporro’ em Tropa de Elite foi talvez a mais difícil da minha vida”.

Assim como Rosane se afeiçoou ao personagem de Irandhir Santos, o agora Coronel Nascimento corre o risco de perder o carinho do filho para o padrasto. Pedro Van-Held, que estreia nos cinemas aos 16 anos, avalia os potenciais do filme para a geração ligada na internet.

“Pensando nos meus amigos, acho poucos deles vão perceber quando Wagner [Moura] confronta o poder oficial, ele está desafiando! Acho que as pessoas da minha idade ficariam mais ligados nos tiros, na ação”, opina.

Para Irandhir, que estreou no teatro há 14 anos com Liberdade, liberdade antes de chegar aos cinemas em 2005 num papel pequeno em Cinema, Aspirinas e Urubus, um papel tem a força de mudar uma pessoa. “Acredito, porque se me transforma, isso se estende também a quem assiste”.

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Via Cine Click

outubro 24 2010

A tropa que quer derrotar o espiritismo

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Filme de Padilha é o único que pode superar as bilheterias da onda espírita

Estadão, 07/10/2010
Por Luiz Carlos Merten

Todos batem na mesma tecla. Tropa de Elite 2 foi mais fácil de fazer – e montar – do que o 1. José Padilha disse que reunir a mesma equipe – atores e técnicos – facilitou muito as coisas. O montador Daniel Rezende, que acompanhou o diretor no set e foi, ele próprio, diretor de segunda unidade, disse que muitas cenas já foram filmadas de olho na edição. Só Wagner Moura reconhece que o mergulho no personagem foi mais difícil.

Bope em ação. Diretor pretende levar o filme para festivais internacionais

Bope em ação. Diretor pretende levar o filme para festivais internacionais

“Nascimento ficou mais consciente, mais trágico. Nessa loucura toda, que é o mundo em que vive, ele descobre que tudo pelo qual lutou e se sacrificou é oco, foi desvirtuado. Foi um processo dolorido”, admite. Nascimento foi o personagem que lhe deu o reconhecimento público. Ele sabe que é o astro, a alma da produção que toma de assalto 600 salas de todo o País. Tropa de Elite 2 está entrando somente em cópias em película. Faz parte do controle do filme. Todas as cópias possuem GPS e diferentes cenas foram criptografadas para impedir a pirataria e mapear tentativas de desvio do filme. “Para piratear o Tropa 2, só copiando da tela”, gaba-se o diretor, que montou com Marco Aurélio Marcondes a estratégia de guerra. A Zazen, empresa de Padilha e Prado, contratou os serviços da distribuidora Europa, que terá os direitos do DVD.

O que parece uma operação razoável – distribuir o próprio filme – tem implicações profundas. Padilha abriu mão do contrato com as majors, que poderiam colocar dinheiro do artigo terceiro em Tropa 2. Isso significaria R$ 3 milhões a mais, mas Prado e ele fizeram os cálculos e chegaram à conclusão de que seria desvantajoso. O dinheiro do artigo terceiro, que as distribuidoras estrangeiras podem aplicar no cinema brasileiro, reduzindo a remessa de lucros, inclui uma série de deduções, de taxas e riscos. No fim, é bem menos do que os R$ 3 milhões que são investidos. Eliminando essa sangria, Padilha e Prado abriram espaço para que os “sócios” – investidores e integrantes da equipe – possam ganhar mais. Para isso, o filme tem de fazer sucesso. Se não fizer, não será por falta de qualidades nem de planejamento.

Hinos. Padilha está satisfeito com o filme que fez. Na terça à noite, não revelava nenhuma ansiedade quanto ao desempenho de público do filme, na estreia. A van que conduzia atores e o fotógrafo Lula Carvalho para o local da exibição – o repórter estava lá – entoava hinos de guerra das torcidas do Rio, Flamengo e Mangueira. Quando se descortinou o monumental cineteatro de Paulínia – a Hollywood brazuca -, alguém puxou o Está chegando a hora. Foi tudo muito emocionante, mas Padilha era a própria imagem do autocrontrole. Estava disfarçando? “Não consigo. Nem me queira ver nervoso”, ele diz. Seu nervosismo dura enquanto ele pode mudar o filme, durante a montagem e a pós-produção. Com o filme pronto, ele se acalma.

Tropa 2 poderá ter uma vida internacional. Padilha vai tentar festivais como Sundance e Berlim. Na Berlinale, não quer concorrer, depois que o primeiro ganhou o Urso de Ouro, outorgado pelo júri presidido por Costa-Gavras. O filme agora mostra o Coronel Nascimento na Secretaria de Segurança Pública do Rio. A curva dramática centra-se na sua relação complicada com o filho e no combate às milícias. Como no 1, Padilha diz que foi feita uma extensa pesquisa. A ligação das milícias com a politicalha é real. A invasão da delegacia por milicianos que roubam armas, o político preso no plenário, o delegado que prende milicianos, tudo é verdadeiro, tudo aconteceu. Marcelo Freixo é a base do personagem de Fraga, interpretado por Irandhir Santos. Eles não se opõem só em relação às políticas públicas sobre segurança. Fraga, no filme, casa-se com a ex-mulher de Nascimento, faz a cabeça de seu filho.

Cenário. O Rio fornece o cenário e a união das milícias com políticos, chegando até ao palácio do governador, não é mero delírio de diretor. Só que, desta vez, Padilha queria extrapolar. Há uma dúvida sobre se Nascimento morre ou não – não vamos tirar a graça revelando o que ocorre. Mas o desfecho é em Brasília, uma tomada aérea da cidade, dos seus poderes, para mostrar como a corrupção e a violência são maiores. Padilha, ao contrário de Wagner Moura, não tomou partido publicamente, na primeira etapa da eleição presidencial. Para o segundo turno, ele espera que o filme ajude a levantar o debate sobre a questão da segurança.

José Padilha diz que Wagner é um ator que pensa como diretor. “Ele vê a cena como um todo, não fica só na sua parte.” Wagner concorda. Admite que tem um projeto de direção e até pretende se isolar um pouco na Bahia, à espera do próximo filme – em março – para tentar amadurecê-lo. “Como ator, acho que meu papel é contribuir para que o diretor conte a história. Sem estrelismo, mas com conforto.”

TROPA DE ELITE 2
Direção: José Padilha. Gênero: Drama (Brasil/ 2010, 118 minutos). Censura: 16 anos.

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Via Estadão

outubro 24 2010

“O Senhor do Labirinto” explora mente e obra de Bispo do Rosário

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Mais ambicioso que concorrentes, filme revela carinho pelo protagonista, mas contém erros primários, principalmente na maquiagem

Último Segundo (IG), 02/10/2010
Por Mariane Morisawa

maria

Alguém precisa dizer aos diretores e produtores que sobem ao palco da Première Brasil que não é necessário fazer discursos longos, agradecimentos a todos, homenagens e ainda deixar vários outros membros da equipe falar. Na noite desta sexta-feira (1º), o diretor Geraldo Motta abusou da paciência do público antes da exibição de “O Senhor do Labirinto”, que ele co-dirigiu com Gisella de Mello.

O longa-metragem, porém, tem suas qualidades, a começar pela ambição maior, principalmente visual, em relação a seus concorrentes no Festival do Rio. “O Senhor do Labirinto” tenta jogar luz sobre a misteriosa arte de Arthur Bispo do Rosário (Flávio Bauraqui, em trabalho cuidadoso), sergipano diagnosticado com esquizofrenia que viveu durante 50 anos na colônia Juliano Moreira, no Rio. Lá, ele produziu mantos, bordados e assemblages hoje reconhecidos como obras de arte – seus trabalhos chegaram a representar o Brasil em uma Bienal de Veneza. Acreditando ser Jesus Cristo, Bispo montava um castelo onde era rei e só aceitava em seu círculo quem via sua aura ou sua cor. Um deles era Wanderley (Irandhir Santos, sempre ótimo), guarda da colônia.

“O Senhor do Labirinto”, que tem bela trilha de Egberto Gismonti, revela extremo carinho pelo protagonista e mostra como, numa situação tão dramática, ter pessoas amorosas em volta é fundamental. Sem Wanderley, Rosângela (interpretada por Maria Flor) e outros, talvez a arte de Bispo do Rosário não pudesse florescer. Ao mesmo tempo, o filme tem erros primários, a começar pela narração documental no início e pelos letreiros cheios de frases feitas do final.

A edição videoclipesca para mostrar a perturbação do personagem é recurso mais que batido. Principalmente, a maquiagem de envelhecimento é totalmente inconvincente. Se não dá para fazer direito, melhor não fazer. Os atores dariam conta de mostrar a velhice dos personagens apenas com a interpretação. “O Senhor do Labirinto” está acima da média da Première Brasil, mas, como todos os outros concorrentes até agora, tem sérios problemas.

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Via Último Segundo

outubro 24 2010

Atuação de elenco é o forte de ‘O Senhor do Labirinto’

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Terra Cinema, 02/10/2010
Por Carol Almeida

O diretor do filme, Geraldo Motta, posou ao lado da atriz Maria Flor

O diretor do filme, Geraldo Motta, posou ao lado da atriz Maria Flor

O diretor Geraldo Motta estava deveras emocionado na noite dessa sexta-feira (1) com a première de seu mais novo filme, O Senhor do Labirinto, mas quem emocionou mesmo durante a sessão foram os atores em cena, particularmente Flávio Bauraqui e Irandhir Santos. Sendo o primeiro protagonista do filme e desde já forte candidato ao prêmio de Melhor Ator no Festival do Rio. Aliás, na sessão de estreia do filme, ele certamente foi responsável por boa parte dos aplausos dedicados ao título.

No papel de Arthur Bispo do Rosário, o homem que a partir de seu trabalho realizado depois dos anos 1960 lançou um novo olhar sobre os limites em que a sensibilidade artística cruza caminhos com a insanidade clínica, Bauraqui tem aqui seu momento de protagonista e faz bom uso dele. No papel de um guarda da colônia onde Bispo do Rosário ficou internado, Irandhir Santos, como sempre impecável, prova mais uma vez porque, ao lado de Wagner Moura, ele é “o cara” hoje do cinema nacional.

Antes da exibição do filme, quem chamou todos os flashes foi mesmo a atriz Maria Flor. Na história, ela interpreta Rosângela, mulher que vai ajudar o protagonista a lidar com o seu perturbador fluxo de pensamentos.

Em tempo: ainda que com uma atuação acima da média dos protagonistas, foi consensual entre o público que a maquiagem de Bauraqui no momento em que ele vive Bispo do Rosário mais velho estava bem acima do tom.

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Via Terra Cinema

outubro 24 2010

Em “Tropa 2″, Nascimento continua osso duro de roer

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Cinema UOL, 07/10/2010
Por Reuters

Levado ao cargo de susecretário de Segurança Pública do Rio, Nascimento enfrenta inimigos nas altas esferas

Levado ao cargo de susecretário de Segurança Pública do Rio, Nascimento enfrenta inimigos nas altas esferas

Você pode tirar o capitão Nascimento do Bope (Batalhão de Operações Especiais), mas não pode tirar o Bope do Capitão Nascimento. Essa é a premissa de “Tropa de Elite 2″, que chega aos cinemas de todo o país nesta sexta-feira.

Trata-se do maior lançamento para um filme brasileiro até agora e promete, como o primeiro filme de 2007, ser uma das maiores bilheterias nacionais do ano, além de causar muita polêmica e até algum debate.

A controvérsia do segundo filme segue de carona naquela causada pelo primeiro que, em 2008, levou o Urso de Ouro em Berlim. Há questionamentos sobre o papel do governo, da miséria e do tráfico na violência no Rio de Janeiro e no Brasil. Não por acaso, numa das cenas em que os personagens vão ao cinema, todos os filmes em cartaz são do diretor Costa-Gavras, presidente do júri de Berlim que consagrou o primeiro “Tropa de Elite”.

O filme abre com um letreiro alertando o espectador que, “apesar das possíveis coincidências com a realidade, esta é uma obra de ficção”. Um toque de cinismo que parece dissolver-se ao longo das duas horas de boa e velha ultraviolência — que, em momentos catárticos, com jorros de sangue e profusão de cadáveres, parece materializar um desejo latente de parte da platéia.

Nascimento (Wagner Moura, que acaba de ser premiado no Festival do Rio como melhor ator em “VIPs”) já não usa mais a farda preta do Bope. Sua roupa de trabalho em “Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora É Outro” passa a ser o terno e a gravata, quando é promovido ao posto de sub-secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, numa manobra do governo populista.

Como no filme original, uma narração em off reitera e explica tudo aquilo que é visto, num didatismo maçante, como se o diretor José Padilha não acreditasse apenas nas imagens e precisasse verbalizar a ação para que tudo fique bem claro. Especialmente nas primeiras cenas, quando introduz o ativista Diogo Fraga (Irandhir Santos, de “Quincas Berro D’água”), apresentado como um intelectual de esquerda, adorado pelos consumidores de maconha.

A grande ironia é que a ex-mulher de Nascimento, vivida por Maria Ribeiro, é casada com Fraga — uma pessoa diametralmente oposta a Nascimento, que foi promovido a coronel. Mathias (André Ramiro), preparado por Nascimento para substituí-lo, traz a ideologia do Bope nas veias. Ele ignora a hierarquia, o que acaba causando um massacre em Bangu, dando início à trama do filme.

As trajetórias de Nascimento e Fraga caminham para um encontro. Poderia ser a humanização do primeiro e o endurecimento do segundo. No entanto, o ativista, que logo é eleito deputado, sempre é tratado como um fraco diante das atitudes extremadas do coronel que, às vezes, lembra Rambo.

Nascimento tenta não se curvar ao jogo político do governador e dos deputados que o usam como marionete. Mas seus métodos, eficientes apesar de questionáveis, lhe dão notoriedade e legitimidade.

“Se o eleitor estava dizendo que eu era herói, não ia ser o governador que ia dizer o contrário”, diz. Entram em cena, também, milícias criadas e sustentadas por policiais corruptos, que operam um esquema de segurança informal, tomando o lugar dos traficantes à custa de muito medo.

Tudo isso é usado numa eleição, envolvendo governador e deputados. Parece sintomático, embora o diretor alegue que seja apenas uma coincidência a chegada do filme aos cinemas depois da reeleição de alguns governadores e às vésperas do segundo turno.

No roteiro, assinado por Padilha e Bráulio Mantovani, surgem frases de efeito – como “faca na caveira e porrada na vagabundagem” ou “terrorista não é gente” — que saem da boca de um apresentador de TV espalhafatoso, enquanto Nascimento medita sobre os bastidores do poder e a corrupção.

Uma nota de desesperança permeia todo o filme e se concretiza no final, quando parece não haver solução para o país.

“No Brasil, eleição é negócio e o voto é a mercadoria mais valiosa da favela”, diz o ex-capitão do Bope. Nascimento descobre isso a duras penas, ao perceber que algumas instituições em que acreditava são passíveis de corrupção. A ele não resta muita opção se quiser mudar o país. Qual o próximo passo do coronel Nascimento? Tentar a Presidência?

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

*As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

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Via Cinema UOL

outubro 24 2010

Politicamente engajado, “Tropa de Elite 2″ mostra amadurecimento

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MSN Entretenimento, 06/10/2010
Por Karen Lemos

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PAULÍNIA – Capitão Nascimento, ou melhor, Coronel Nascimento, está mais velho. “E mais consciente também”, como definiu seu intérprete Wagner Moura ao Famosidades, presente na pré-estreia badalada de “Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora é Outro” em Paulínia, interior de São Paulo, na noite de terça-feira (5). A fórmula, no entanto, não envelheceu.

Apostando nos elementos e recursos que fizeram o sucesso do primeiro filme – como cenas de ação coordenadas por uma equipe importada do cinema hollywoodiano, “Tropa 2″, que chega aos cinemas na próxima sexta-feira (8), também se apresenta mais maduro, reformulado, mais ácido e critico por tocar fundo na ferida superficialmente explorada no filme antecessor. Os inimigos do Coronel Nascimento são outros, e a forma como isso aparece na tela é pouco agradável.

A sequência quer buscar a origem da violência e dos problemas urbanos que, ao contrário do primeiro “Tropa”, ficou concentrada na briga entre bandido e ladrão, tendo como plano de fundo as favelas do Rio de Janeiro. Passaram-se 15 anos desde que o personagem Nascimento deixou de subir os morros para combater o tráfico de drogas. A batalha agora envolve política nacional.

Após uma operação fracassada no presídio carioca de Bangu 1, Nascimento é promovido a secretário de segurança pública. Ele agora supervisiona a seção de grampeamentos da secretaria, e é lá que torna-se testemunha de um sistema falho. “Tropa 2″ inverte os papéis estabelecidos do primeiro longa: no lugar dos bandidos, a polícia; e no lugar da lei, a corrupção.

José Padilha, diretor dos dois filmes, diz acreditar que o cinema político pode interferir na realidade e, assim sendo, não teme apontar erros nas dirigências do país – que estão totalmente corrompidas – como deixa claro em sua continuação. Confiando na popularidade do Coronel Nascimento e nas sequências de operações policiais de tirar o fôlego (algumas cenas contaram até com o uso de helicópteros), Padilha sentiu-se à vontade para alfinetar. “O Brasil tem um problema muito sério que é de segurança pública. Não é um assunto irrelevante, pelo contrário, é de extrema importância tocar nisso”, afirmou.

Nesses aspectos, “Tropa 2″ não decepciona. Ação, sangue e violência à vontade, como manda a fórmula bem-sucedida que se estabeleceu em 2007, quando “Tropa de Elite” chegou aos cinemas (antes, claro, nas barraquinhas de camelô). Com menos bordões que o primeiro, e com pitadas de humor-negro que nem sempre funcionam, a sequência dá um pulo e evolui na hora de apontar problemas mais sérios como, por exemplo, a presença e o poder das milícias nas favelas do Rio, sustentado pelo próprio governo da cidade.

Irandhir Santos, Pedro Van-Held e o cineasta José Padilha na pré-estreia disputada em Paulínia

Irandhir Santos, Pedro Van-Held e o cineasta José Padilha na pré-estreia disputada em Paulínia

Atrás de uma mesa, Nascimento luta contra forças que as armas do BOPE não derrubam. Além disso, vive conflitos internos com seu filho Rafael (Pedro Van-Held), que se distancia do pai quando descobre as verdades de sua profissão; com o crescimento do aspirante André Mathias (foco central do primeiro filme), e um embate de ego com seu antagonista, vivido pelo ator Irandhir Santos no papel de um irrefutável defensor dos direitos humanos.

“Fizemos uma reciclagem de tudo que aprendemos no primeiro filme, mas a grande sacada da sequência é descobrir que o grande inimigo é, na verdade, o próprio ser humano”, pontuou ao Famosidades André Ramiro, intérprete de Mathias que, em “Tropa 2″, assume o posto antes ocupado por Nascimento.

Por mais que se renovem os comandos e mortes se desenrolem nos morros, o sistema embasado no crime e na corrupção sempre irá se readaptar. Neste ponto, “Tropa 2″ traça um panorama desesperançoso, quase desapegado quanto a uma solução para a problemática da violência urbana. A visão critica de Padilha é ácida, e chega até ao topo da pirâmide do Brasil, com imagens aéreas do Planalto Central, em Brasília, em um momento chave do filme.

Em um país onde “eleição é negócio, e o voto é a mercadoria mais preciosa”, como proclama um dos personagems do longa, não é de se espantar que campanhas eleitorais sejam financiadas pelos crimes das milícias, que têm como proposta “proteger” as comunidades do morro. A impunidade chega ao absurdo quando retrata a morte de uma jornalista que descobre as falcatruas que envolvem polícia e governo.

Com tantos assuntos delicados e perigosos para serem tratados, Padilha acredita na renovação que a sequência traz, e aposta em seu sucesso, mas sem cantar vitória antecipadamente. “Como em qualquer filme, é possível errar. Cinema é complicado porque, para funcionar, tudo tem que estar perfeito. E dirigir uma sequência está inserido nessa regra.”

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Enquanto Coronel Nascimento segue com sua batalha profissional, e também lutando contra demônios internos, na vida real o inimigo é o mesmo. “Tropa de Elite”, de 2007, foi assistido por, aproximadamente, 11 milhões de espectadores de forma ilegal (ou seja, por cópias piratas), segundo dados do Ibope do mesmo ano. Para a sequência, Padilha e sua trupe estão prontos para surpresas do tipo.

“Tropa 2″ foi cadastrado na Agência Nacional do Cinema com outro título, nomes de personagens trocados e elenco falso. O roteiro foi impresso em papel vermelho, impedindo cópias por xerox. Sem se apegar aos detalhes, já dava para ter noção dos preparativos que a produção do filme tomou contra pirataria na própria pré-estreia. Portas com detectores de metal e guarda volumes para celulares, câmeras e gravadores chamaram atenção na entrada do Teatro Municipal de Paulínia, que sediou o evento.

Mesmo com tanta cautela, todo cuidado é pouco. Padilha se previniu que nenhuma cópia vazasse de modo indesejado. “Para o cara piratear tem que roubar sete rolos de filmes, levar para um telecine que custa R$ 2 milhões. Não vai rolar!”, anunciou o cineasta, com ar bem-humorado, seguro de estar guardando um segredo precioso e lucrativo.

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Via MSN Entretenimento

outubro 23 2010

Direção de arte exuberante vitamina ‘O senhor do labirinto’

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O Globo, 02/10/2010
Por Rodrigo Fonseca

labirinto

Bateu saudade de Leon Hirszman (1938-1987) e seu monumental documentário “Imagens do inconsciente” (1983-1985) ao fim da projeção de “O senhor do labirinto”, que levou um Odeon formigante de espectadores a uma jornada pela esquizofrenia demiúrgica de Arthur Bispo do Rosário (1911-1989). Flávio Bauraqui foi ovacionado pela composição do ex-interno da Colônia Juliano Moreira, celebrizado nas artes plásticas pelas mil peças que criou usando lençóis bordados, bonecas, canecas e outras quinquilharias. Dirigida por Gisella de Mello e Geraldo Motta, a produção foi mais um dos longas-metragens ficcionais em competição na Première Brasil 2010 a evocar a estética nacional dos anos 80 — em especial a estética de Hirzsman.
Seu visual é vitaminado pela direção de arte exuberante de Sérgio Silveira, que ajuda a dupla de cineastas a fugir da estrutura convencional de cinebiografias. O filme esboça uma cartografia de um universo artístico plasticamente mediado por uma lucidez fraturada.
Prejudicado por uma maquiagem pavorosa, o filme cresce nas aparições de Irandhir Santos como Wanderley, guarda amigo de Bispo. 
“O senhor do labirinto” será exibido neste sábado, às 15h, seguido de debate no Pavilhão do Festival, além de ter dose dupla no domingo, no Estação Vivo Gávea 3, às 17h50m e às 22h10m.

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Via O Globo

outubro 11 2010

Diretor de ‘Tropa 2′ compara Capitão Nascimento a 007 e Dom Corleone

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José Padilha adianta que longa tem as melhores cenas de ação que já filmou. Continuação da saga sobre policial do Bope tem première nesta terça (5).

G1 Pop & Arte, 05/10/2010
Por Dolores Orosco

Os inimigos do Capitão Nascimento agora usam black tie. Também passa a vestir terno e gravata o próprio policial interpretado pelo ator Wagner Moura em “Tropa de elite” (2007), cuja sequência tem première nesta terça-feira (5), em Paulínia, no interior paulista, e entra em cartaz em 600 salas do país na próxima sexta (8).

Sem especificar o cargo burocrático que o promovido “Coronel Nascimento” ocupará na área da segurança pública – “Tropa de elite 2” dá um salto de 15 anos em relação a trama original, o diretor José Padilha garante que o personagem continua o mesmo dos tempos de comandante do Bope: truculento, cruelmente debochado e dono de métodos questionáveis no combate ao crime.

“O Nascimento é o mesmo cara, não deturpamos sua lógica”, explica Padilha. “Agora ele está mais maduro, é pai de um adolescente e sua forma de trabalho mudou. O Nascimento não está dentro de uma equipe da polícia, mas no processo decisório, que é contaminado por outros interesses. Ele descobre ali que nem sempre as decisões são técnicas, muitas vezes são políticas”.

Mas o fato de Nascimento deixar de invadir morros e circular por gabinetes não fez com que “Tropa de elite 2” tivesse menos cenas de ação – o que seria uma decepção para os fãs do primeiro filme, recheado de sequências sanguinárias quando o protagonista sai para o confronto direto com a bandidagem.

“O 007 não usa a farda do exército inglês, mas dá tiro pra caramba”, compara o diretor, que repetiu em “Tropa 2” a parceria com a equipe do longa “Falcão negro em perigo” (2001) na concepção de planos que envolvem helicópteros, explosões e operações espetaculares de tomada de favelas e presídios.

“A galera veio amarradona de Los Angeles fazer a continuação do ‘Tropa’. Filmamos muitas cenas de ação, há duas de megainvasões. A sequência de Bangu 1 talvez seja a melhor que já filmei na minha vida”, orgulha-se o cineasta.

Exclusivo: assista a seguir bastidores das filmagens de ‘Tropa de elite 2′.

Dom Corleone
Além do agente 007, o diretor também cita o mafioso Dom Corleone ao teorizar sobre o sucesso de Nascimento. Padilha não concorda com a ideia de que parte do seu público considere o policial do Bope como o mocinho da saga.

“É importante distinguir a diferença entre herói e ícone pop. E o Nascimento não é um herói”, pondera. “Por exemplo: o Dom Corleone. É um personagem carismático, de apelo popular, embora seja um mafioso assassino. Em outras culturas há milhões de ícones pop violentos e com a moral torta. É um fenômeno esporádico que acontece no cinema.”

Wagner Moura e Milhem Cortaz, agora como Coronel Nascimento e Capitão Fábio, em cena de 'Tropa de elite 2' (Foto: Divulgação)

Wagner Moura e Milhem Cortaz, agora como Coronel Nascimento e Capitão Fábio, em cena de 'Tropa de elite 2' (Foto: Divulgação)

Mesmo tipo de apelo tem o Capitão Fábio (Milhem Cortaz), o policial corrupto e boa praça apresentado no primeiro “Tropa” e que também está de volta com a promessa de renovar bordões como “pede pra sair”, “missão dada é missão cumprida” ou “faca na caveira”.

“O Milhem e o Wagner são mestres nessa coisa de lançar bordão. Eu não amarrei essas expressões no roteiro, foram eles que as incluíram depois do laboratório com o Bope”, revela Padilha. “’Tropa 2′ certamente terá novos bordões. Eu já tenho meus favoritos, mas prefiro não falar para deixar o público eleger os seus”.

Direitos humanos e milícias
Além de jargões policiais inéditos, outra novidade de “Tropa de elite 2” é a figura do representante dos direitos humanos que questiona a tortura praticada pela polícia. Segundo Padilha, Fraga – papel do ator Irandhir Santos - foi inspirado na trajetória do deputado estadual do Rio de Janeiro Marcelo Freixo (PSOL), ativista que participou das negociações entre o Bope e os presos de Bangu na megarrebelião de 2003.

“É o único personagem do filme baseado em alguém real. Todos os outros são ficcionais”, garante o diretor, descartando que o traficante Fernandinho Beira-Mar tenha inspirado o bandidão Beirada (Seu Jorge), outra nova figura a infernizar Nascimento.

Irandhir Santos, que vive o ativista dos direitos humanos Fraga em 'Tropa de elite 2. (Foto: Divulgação)

Irandhir Santos, que vive o ativista dos direitos humanos Fraga em 'Tropa de elite 2. (Foto: Divulgação)

Mas o que Padilha espera ser a grande discussão de “Tropa 2” são as milícias, que no filme são representadas pelos personagens Fortunato (André Mattos) e Russo (Sandro Rocha). Para o cineasta, a forma como o poder paralelo nas favelas foi apresentado pela ficção até hoje “não existe”.

Padilha cita como exemplo o Juvenal Antena, personagem de Antonio Fagundes na novela “Duas caras” (2007), do autor Aguinaldo Silva. “Aquela figura do paizão, que cuida da comunidade, é irreal. O ‘Tropa’ não compra essa ideia inocente”, explica. “As milícias são o crime organizado, até conseguem eleger candidato. O tráfico, não”, analisa.

‘PT e PSDB amarelaram’, diz diretor
Padilha acredita que conclui suas teorias sobre violência urbana com o novo filme, no que seria uma espécie de trilogia com “Ônibus 174″ (2002) e “Tropa de elite”. “Mas se eu perceber que tenho mais algo a dizer, faço outro filme”, brinca.

Com as pesquisas sobre o tema, revela que chegou a certas conclusões que o fizeram, por exemplo, votar nulo nas eleições para presidente. “Os políticos têm medo da segurança pública. Não vi nesse debate eleitoral um programa realmente focado a resolver o problema”, opina. “O PSDB amarelou. Durante todo o governo do Fernando Henrique milhares de pessoas morreram, e não foi só no Rio de Janeiro. O PT amarelou, também não fez nada”.

O diretor vê nas Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) – onde aconteceram boa parte das filmagens de “Tropa 2″ -, um “comecinho de solução”. Mas faz suas ressalvas. “Não basta exportar a violência. É preciso saber para onde os criminosos que estão sendo expulsos dessas comunidades estão migrando”.

“Outra coisa: a velocidade de crescimento da UPP não é facilmente conciliável com o tamanho da polícia. São 1.700 favelas e 40 mil policiais na ativa”, aponta. “Sei lá, talvez 20 mil deles fiquem no administrativo, servindo cafezinho… Sabia que há policiais fabricando xampu de jaborandi para vender nos batalhões? Certamente deve ter alguma corrupção nessa história…”.

A descriminalização das drogas também não é a solução, segundo as reflexões de Padilha. “Não vejo motivos para que a maconha seja proibida. Mas sou contra a legalização do crack, da heroína e da cocaína”, defende. “A maconha tem efeitos menos nocivos que o álcool. Você já ouviu falar de alguém que morreu por overdose de baseado? Seria bastante interessante que se liberasse a maconha, porque uma parte significativa do tráfico vem dela”.

Educação, pirataria e mensalão
Desde o fim das filmagens de “Tropa 2″, em março deste ano, Padilha já trabalha em quatro projetos paralelos. “Tenho dois roteiros sobre educação e pirataria. Serão dois filmes de ficção, mas são projetos que estão bem no começo”.

Mais adiantados estãos os roteiros de “Nunca antes na história desse país” – que vai abordar o escândalo do mensalão no governo Lula – e a adaptação do romance “Marching powder: a true story of friendship, cocaine and South America’s strangest jail”, que traz as memórias do traficante Thomas McFadden, co-escritas por Rusty Young.

“É uma adptação que quero dirigir para uma produtora americana”, o diretor não confirma, mas a produtora seria a Plan B, do astro Brad Pitt.

As propostas de adaptar “Tropa de elite” para o cinema estrangeiro continuam. A mais tentadora dessas sondagens foi feita pela diretora Kathryn Bigelow, ganhadora do Oscar em 2010 por “Guerra ao terror”. Segundo Padilha, a proposta foi feita por intermédio do produtor Michael Shaefer, da Summit.

“Fico relutante com essas adaptações internacionais, porque lá eles não têm as favelas daqui e essa nossa polícia maluca. Na época eu nem sabia quem era a Kathryn Bigelow, ela não tinha ganhado o Oscar ainda”, relembra Padilha. “Se eu soubesse teria conversado com ela, teria sido muito legal… Pô, acho ‘Guerra ao terror’ um filmaço!”

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Via G1

outubro 11 2010

Em Tropa de Elite 2 os políticos são o grande inimigo da sociedade

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Veja, 06/10/2010
Por Rodrigo Levino

(Bento Marzo/Divulgação)

O êxito de um produto pop pode ser medido, dentre outras coisas, pelo modo como se entranha no cotidiano das pessoas. Nesse quesito, Tropa de Elite foi aprovado com louvor. Bordões e gestos saíram da tela para as ruas na esteira do sucesso do filme que levou 2,5 milhões de espectadores aos cinemas, foi assistido por outros 10 milhões em cópias piratas de uma versão bruta vazada antes do lançamento oficial e levantou inflamados debates sobre o caráter político do truculento Capitão Nascimento (Wagner Moura), alçado à condição de herói nacional.

O filme também pôs holofotes sobre José Padilha, um diretor que não faz uso do escapismo dos que alegam “não ter nada para dizer além do que está na obra”. Padilha fala no filme e fora dele, sobre cinema, violência urbana, segurança pública, política partidária e é uma das vozes conscienciosas da sociedade brasileira.

Tanto estofo serviu para alimentar a expectativa do público desde que foi anunciada a continuação do título, ainda mais cercada de sigilo para que, ao contrário do primeiro, não chegasse aos camelôs antes dos cinemas.

Tropa de Elite 2 foi exibido pela primeira vez e sob forte esquema de segurança nesta terça-feira (05), em Paulínia-SP. Em resumo, o agora Tenente-Coronel Nascimento permanece no posto de herói, embora usando métodos e trilhando caminhos diversos daqueles que o marcaram, três anos atrás. Mas há outras minúcias a serem tratadas.

Se na estreia da saga o inimigo óbvio era o tráfico de drogas, combatido com vigor pelo supertreinado BOPE (Batalhão de Operações Especiais), o oponente em Tropa de Elite 2 é difuso e, como um polvo, alastra seus tentáculos pelo estado.

Calcado na realidade recente do Rio de Janeiro, em que traficantes foram expulsos lentamente dos seus postos de comando nos morros para dar lugar a policiais corruptos que eliminaram os atravessadores e preencheram a vaga de um estado ausente, o filme é ainda mais violento, embora menos impactante.

“O sistema” a que tanto se refere Nascimento, sub-secretário de segurança do Rio de Janeiro, separado e pai de um adolescente de 16 anos com quem tem sérias dificuldades de relacionamento, começa no chefe de milícia da comunidade, passa pela imprensa sensacionalista ou omissa e ancora na política partidária. O tripé se retroalimenta. A manutenção da impunidade e do jogo de interesses fisiologistas rende audiência para um, votos para outros e dinheiro sujo para todos.

Mas há inimigos demais para enfrentar. O protagonista vacila diante deles e descreve em tantos pormenores essa rede que chega a soar didático. Repetem-se – sob aplausos da plateia – tapas, esbregues, tortura, tiros e execuções, mas é no ponto de inflexão do personagem, quando ele se alinha ao discurso de defesa dos direitos humanos e constata que a máquina de guerra azeitada com tanto zelo por ele alimentou empreitadas políticas alheias à sua vontade, que reside a grande questão do filme.

É em Fraga (Irandhir Santos numa atuação consagradora), um ativista de discurso enfadonho, que Nascimento encontra suporte para golpear mortalmente “o sistema”. Não sem antes penar com as consequências do desleixo que dedica à vida pessoal, e com as escolhas equivocadas que por pouco não fazem dele mais um cooptado pela máquina de moer caráter da banda podre do estado.

Depois de acostumar o público com sua ideologia na ponta da pistola, cumprindo a missão recebida e pedindo, aos berros, a saída de qualquer frouxo da tropa, Nascimento se mostra agora melancólico, por vezes impotente e sentindo o peso das responsabilidades de pai e figura pública exposta a interesses que já não controla. De certa maneira, capitula diante do ideário que sempre condenou.

O que José Padilha faz ao construir a saga do personagem é cinema de primeira linha, inclusive realçando o abrandamento de postura, livrando-o de uma tediosa existência linear, que no caso do Capitão Nascimento era pontuada por solavancos. Tanto talento, vibrante na tela, quase se perde pela reflexão política indignada que embora sirva bem aos nossos tempos, se torna rasa como um sobrevoo publicitário sobre o Congresso Nacional, enquanto a voz do narrador acusa o topo da pirâmide do tal “sistema”.

Para quem vivia sob a égide do “faca na caveira, pancada na vagabundagem”, o protagonista abre o flanco para um mea culpa ao trocar a ação pelo discurso. A conclusão vai de cada espectador. Mas há um sentimento inescapável: é um baita anticlímax.

Assista ao trailer oficial do filme

Saiba mais

O prólogo de Tropa de Elite 2 é explosivo. Os primeiros 15 minutos de filme, quando são apresentados os principais personagens em meio a uma rebelião no presídio de Bangu I, liderada por Beirada (Seu Jorge), tiram o fôlego do espectador. A tensão é elevada com a presença de Fraga (Irandhir Santos), inicialmente um arquinimigo do Coronel Nascimento, que mais tarde se revelerá essencial para a sua luta contra a corrupção e o crime organizado. É nesse primeiro terço da filmagem que sabemos que Matias (André Ramiro) é que representa o BOPE na rua, já que Nascimento, por uma série de circunstâncias, alça voos cada vez maiores dentro da hierarquia da polícia. A partir daí, segue a montagem de um grande esquema de milícia, baseado em exemplos reais do Rio de Janeiro, entremeado de dilemas pessoais que marcam sobremaneira a vida e a postura profissional de Nascimento.

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Via Veja

outubro 11 2010

Na Folha: Irandhir Santos na estreia de Tropa de Elite 2

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Folha de Pernambuco, Coluna Foco, 06/10/2010
Por Paula Imperiano (Colaboração de Mariana Fontes)

O ator pernambucano Iran­dhir Santos participa, sex­ta, em SP, da estreia de “Tropa de elite 2”. No filme, ele interpreta um defensor dos Direitos Humanos que bate de frente com o capitão Nascimento (Wag­ner Moura).

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Via Folha PE