Quem não viu no cinema o filme Olhos Azuis pode conferir na telinha da TV. Na próxima quinta-feira no o longa está na Rede Telecine, TV por assinatura. O filme será exibido no canal Touch ás 22 horas. Irandhir é Nonato um brasileiro radicado nos Estados Unidos que precisa do visto para continuar no país. Olhos Azuis, um filme de José Joffily tem no elenco David Rasche (Marshall) chefe do Departamento de Imigração do aeroporto JFK, em Nova York. Comemorando seu último dia de trabalho, Marshall resolve se divertir complicando a entrada no país de vários latino-americanos. Entre eles está Nonato (Irandhir Santos), dois poetas argentinos, uma bailarina cubana e um grupo de lutadores hondurenhos. Dois anos depois, Marshall vem ao Brasil procurar uma menina de nome Luiza. Quando ele conhece Bia (Cristina Lago), uma jornada em busca de redenção se inicia. Olhos Azuis foi o grande vencedor do II Festival Paulínia de Cinema com seis prêmios, incluindo o de Melhor Filme.
Irandhir Santos foi premiado na categoria Melhor Ator Coadjuvante no 19º FestNatal – Festival de Cinema de Natal, por sua atuação no filme Olhos Azul, de José Joffily.
FestNatal, 23/11/2010
FESTNATAL 2010 – VENCEDORES
COMO ESQUECER – Filme
JOSÉ JOFFILY – Diretor OLHOS AZUIS
DAVID RASCHE – Ator OLHOS AZUIS
ANA PAULA ARÓSIO – Atriz COMO ESQUECER
IRANDHIR SANTOS – Ator Coadjuvante OLHOS AZUIS
DENISE WEINBERG – Atriz Coadjuvanten SALVE GERAL
SÉRGIO REZENDE E PATRÍCIA ANDRADE – Roteiristas SALVE GERAL
Foi concedida Menção Honrosa a CHRISTIAN CRAVO, pela fotografia de “Besouro”. e a FÁTIMA TOLEDO, pela preparação de elenco de “Besouro”
Dirigido por José Joffily, produção chega em dezembro às locadoras de todo o país.
Blog da Imagem Filmes, 12/11/2010
Olhos Azuis, aumentou a sua coleção de prêmios após participação no 6º Fest Cine Goiânia, que ocorreu entre os dias 3 e 10 de novembro na capital de Goiás. A produção dirigida por José Joffily (Achados e Perdidos) acrescentou mais dois prêmios, o de Melhor Longa de Ficção e o de Melhor Ator Coadjuvante (Irandhir Santos), a sua longa lista de premiações.
No dia 8 de dezembro, chega às locadoras de todo o país o DVD de Olhos Azuis. Por enquanto, é possível conhecer um pouco mais desta produção no hotsite oficial do filme: http://www.olhosazuisfilme.com.br
Sinopse: Marshall (David Rasche) é o chefe do Departamento de Imigração do aeroporto JFK, em Nova York. Comemorando seu último dia de trabalho, Marshall resolve se divertir complicando a entrada no país de vários latino-americanos. Entre eles está Nonato (Irandhir Santos), um brasileiro radicado nos EUA, dois poetas argentinos, uma bailarina cubana e um grupo de lutadores hondurenhos. Dois anos depois, Marshall vem ao Brasil procurar uma menina de nome Luiza. Quando ele conhece Bia (Cristina Lago), uma jornada em busca de redenção se inicia. Olhos Azuis foi o grande vencedor do II Festival Paulínia de Cinema com seis prêmios, incluindo o de Melhor Filme.
Atriz Bianca Messina, o ator Irandhir Santos e a atriz Cristina Lago
O segundo dia do FestCine Goiânia contou com a grande presença do público para a exibição dos filmes da Mostra Competitiva e também para o lançamento do livro de LG Miranda de Leão. Intitulada Ensaios de cinema, um olhar acurado sobre a sétima arte, a obra traz uma coletânea de artigos publicados pelo autor ao longo de seus 50 anos de carreira como cinéfilo, estudioso e crítico de cinema. Professor aposentado da Universidade Federal do Ceará, LG também é autor do livro Analisando cinema – Críticas de LG de Miranda Leão, da Editora Imprensa Oficial de São Paulo, e do Blog do LG.
A coletânea lançada ontem foi organizada pela jornalista e produtora cultural Aurora Miranda Leão, que também é filha do autor e integrante do Júri Oficial do 6º FestCine. Ela representou o pai no lançamento do livro e autografou dezenas de exemplares, que chamaram a atenção de cinéfilos e estudantes de cinema de Goiânia. “Meu pai ficou muito feliz e comovido em saber que seu livro seria lançado durante este festival. Conhecemos o FestCine desde suas primeiras edições e sabemos da grande importância do evento não apenas para a cena cultural goianiense, mas para o audiovisual brasileiro”, afirmou Aurora.
A jornalista elogiou a organização do evento, que, segundo ela, vem melhorando a cada ano. “O FestCine é cuidadoso com os mínimos detalhes. Os vencedores levam para a casa não apenas o prêmio em dinheiro, mas também uma obra de arte, pois o troféu é feito por Siron Franco. Além disso, trata-se de um festival que já é uma referência em termos de qualidade e diversidade dos filmes envolvidos”, avaliou. “São obras tão boas, que certamente teremos muita dificuldade em eleger as vencedoras desse ano”, afirmou a jurada.
Mostra Competitiva
Na quinta-feira (04/11) o público também pôde conferir a exibição de longas e curtas da Mostra Competitiva. Foram eles: Diga 33 (2010), de Angelo Lima; Olhos azuis (2009), de José Joffily; Quando a mãe chora e o filho vão vê (2010), do Movimento do Vídeo Popular e Cinema de guerrilha (2010), de Evaldo Mocarzel. Representando José Joffily, o ator Irandhir Santos e as atrizes Branca Messina e Cristina Lago, que integram o elenco de Olhos azuis, agradeceram a oportunidade de participar do festival e reforçaram a importância da iniciativa para a formação de plateia para o cinema nacional no Brasil.
Nesta sexta-feira (05/11) o FestCine contará com a exibição dos filmes Rupestre (2010), de Paulo Miranda; Nélida Piñon – Mapas dos afetos (2010), de Julio Lellis; Eixo (2009), de Uliana Duarte, e Bróder, (2010), de Jeferson De. Além disso, também serão exibidas obras da mostra de Vídeos Universitários e Vídeos Caseiros.
Olhos Azuis: ator norte-americano David Rashe (à esq.) interpreta policial
Goiânia tem início nesta quinta-feira (04), com a exibição de O primeiro dia de mostra competitiva do 6º Festcine Goiânia começa na fronteira – ou melhor no departamento de imigração para os Estados Unidos –, cenário do longa-metragem carioca Olhos Azuis, de José Jofilly, produção com elenco brasileiro e internacional que abre a programação desta quinta-feira (04) no Cine Goiânia Ouro.
O pernambucano Irandhir Santos e o ator norte-americano David Rashe são os protagonistas de um embate que envolve xenofobia, redenção, raízes e aventura a partir de um dia de rotina na sala de imigração do aeroporto de Nova York. Nada sai como de praxe e um clima de ódio e tensão toma conta do lugar, com consequências definitivas para os envolvidos.
De um lado, temos o policial Marshall (David Rasche), chefe do departamento. Num clichê dos filmes policiais, ele está em seu último dia de trabalho. Porém, o filme vai além do lugar-comum ao colocar o personagem como um poço de frustração. Preconceituoso e achando-se acima da própria lei, ele aproveita do seu poder para humilhar um grupo de latino-americanos que espera para entrar nos EUA.
Entre os que aguardam na antessala de um verdadeiro inferno está Nonato (Irandhir Santos, de Tropa de Elite 2), que já morou nos EUA, passou uma curta temporada no Brasil e quer voltar para a terra do Tio Sam. Sua documentação é legal, mas nada disso convence o policial ou seus subordinados, uma mulher afro-americana e um hispânico.
Eles fazem vista grossa para as irregularidades do chefe e seu estado alterado: Marshall bebe o tempo todo em serviço. Os subordinados também têm seus próprios preconceitos, reproduzindo humilhações a que provavelmente foram submetidos mesmo sendo cidadãos norte-americanos.
Nonato, apesar da consciência da desvantagem em que se encontra, não abre mão de seus direitos e se rebela contra o arbitrariedade de Marshall. O resultado vai além do bate-boca e termina em violência.
Numa narrativa paralela, acompanhamos Marshall no Brasil, à procura de uma menina de nome Luiza. Em Recife, ele conhece a garota de programa Bia (Cristina Lago), que o acompanha nessa jornada. Para descobrir se o norte-americano está em busca de redenção, vingança ou simplesmente num processo de autodestruição, o espectador vai ter de seguir com ele e Bia num road movie sem cartão postal, em que beleza, pobreza, dinheiro e desolação se alternam no horizonte.
Barreiras
O diretor José Jofilly, em entrevista ao POPULAR por telefone, disse que a ideia do filme surgiu da simples observação. “Todo mundo que viaja par ao exterior, principalmente para os EUA, passa por isso se for um latino-americano. Apesar de a história ser uma ficção, ela parte da realidade. Um amigo meu foi deportado dos EUA e ficou três meses hospedado na minha casa porque não tinha mais casa no Brasil. Ele contou histórias terríveis”, disse o diretor, que contou com Paulo Halm e Melanie Dimantas como seus roteiristas.
Olhos Azuis foi filmado totalmente no Brasil e a escolha do elenco internacional foi feito por uma agência. “Queria que o elenco pertencesse aos países dos personagens. Em relação ao personagem de Marshall, foi curioso porque o David Rasche é mais conhecido por comédias. Quando viajei para os EUA para o teste, ele foi perfeito para o papel do policial. Acho que por ser mais chamado para comédias, quando se viu diante de um personagem dramático tão forte, ele se empolgou e nos conquistou”, recorda o diretor.
Para Jofilly, o personagem não é um vilão. “Ele expressa o ponto de vista do americano médio. Não é todo mundo que pensa assim, claro, mas a maioria, em diversas proporções, tem muitos preconceitos. O Marshall não fala às escondidas, realmente acredita no que diz.” O cineasta já havia falado sobre o tema imigração em Dois Perdidos Numa Noite, sobre dois brasileiros vivendo à beira da marginalidade em Nova York.
Perguntado se, apesar da liberdade de ir e vir, o Brasil não tem suas próprias barreiras, o diretor reconhece que os sulistas até hoje veem com outros olhos quem vem de outra região. “A discriminação vem principalmente se a pessoa for pobre. A gente vive num mundo em que o dinheiro pode transitar à vontade. Paradoxalmente as pessoas é que são relegadas a vários tipos de restrição – o que varia de acordo com a conveniência”, declara o cineasta, mestre em Comunicação e ex-professor de cinema pela Universidade Federal Fluminense. Seu próximo trabalho é um documentário sobre vocações musicais, chamado Vida de Artista, já em produção.
Aos poucos, Olhos Azuis conquista o espectador, apesar de alguns clichês sobrarem no roteiro. A estrutura do filme, num tom mais realista do departamento de imigração e mais poético quando se passa no Brasil, mostra-se mais interessante quando passamos a conhecer a real motivação dos personagens protagonistas, que até a metade do filme não causam empatia. Daí sim, a narrativa toma mais ritmo e consistência.
Os protagonistas estão à vontade em seus papéis, inclusive Bia, a garota de programa que do nada aceita fazer uma longa viagem pelo interior nordestino com um gringo. Como ele e o brasileiro Nonato, a jovem parece sem lugar no mundo e traduzir esta tensão, que pode ocorrer tanto no quintal de casa quanto no país dourado dos sonhos de cada um, é o maior trunfo do filme.
PROGRAMAÇÃO
MOSTRA COMPETITIVA PRINCIPAL
(Cine Goiânia Ouro Entrada franca) Início: Quinta-feira (04), às 19h30
Diga 33, de Ângelo Lima (curta – GO)
Olhos Azuis, de José Joffily (longa – RJ)
Quando a Mãe Chora e o Filho Não Vê, do Movimento do Vídeo Popular (curta – GO)
Cinema de Guerrilha, de Evaldo Mocarzel (longa – SP)
Festa na nossa Hollywood Festival de Paulínia, no interior de São Paulo, chega à segunda edição atraindo estrelas e diretores. Aos poucos, a cidade se torna um forte pólo de cinema nacional
Contigo!, 21/07/2009
Fotos: Aine Arruda / Divulgação Olhos Azuis
Apesar de ainda engatinhar no mundo competitivo dos eventos cinematográficos brasileiros, o Festival Paulínia de Cinema, realizado no município a 120 quilômetros de São Paulo, chega à segunda edição com uma força pouco vista no gênero. Somente na abertura, na quinta-feira (9), foram investidos cerca de 5 milhões de reais, e a data serviu para a pré-estreia brasileira de À Deriva, longa brasileiro que participou da mostra Um Certo Olhar, no último Festival de Cannes, e levou ao Teatro Municipal de Paulínia astros como Cauã Reymond, 29 anos, Selton Mello, 36, Lázaro Ramos, 30, e Debora Bloch, 46. No encerramento, quinta-feira (16), contudo, quem se destacou foi o diretor José Joffily, 63, que recebeu o troféu Menina de Ouro de Melhor Filme por seu drama Olhos Azuis – também faturando nas categorias de Melhor Atriz para Cristina Lago, Melhor Roteiro para Paulo Halm e Melanie Dimantas, Melhor Ator Coadjuvante para Irandhir Santos, Melhor Som e Melhor Montagem.
Paulínia possui uma estrutura cinematográfica que está rendendo a ela o apelido de Hollywood do Interior. O Fundo Municipal de Cultura atrai produtoras e estúdios para a região. Ao longo do festival foram 14 longas inéditos em exibição em disputa por prêmios que iam de 15 a 60 mil reais por categoria. ”Temos de agradecer bastante a esta cidade, que apoiou o filme desde o início”, confirma o produtor Francisco Ramalho Jr., 69, vencedor do júri popular e do prêmio especial do júri oficial por O Contador de Histórias, de Luiz Villaça.
A noite de encerramento também foi emocionante para o diretor Daniel Filho, 71, que apresentou o inédito Tempos de Paz, estrelado por Tony Ramos, 60. Daniel ainda foi o grande homenageado do festival, recebendo o Menina de Ouro honorário das mãos da filha, Carla, e protagonizou um documentário sobre a carreira, apresentado pelos atores Guilhermina Guinle, 34, e Murilo Benício, 38.
Vencedor do Festival de Paulínia 2009, longa de José Joffily cruza duas histórias e compõe contrastes
Estadão, 27/05/2010
Por Reutrers
SÃO PAULO – Vencedor do principal prêmio do Festival de Paulínia do ano passado, “Olhos Azuis”, dirigido por José Joffily, traz Irandhir Santos (”Quincas Berro D’Água”) no papel de Nonato, um brasileiro que construiu sua vida nos Estados Unidos e é impedido de entrar novamente no país depois de passar férias em sua terra natal. O filme, roteirizado por Paulo Halm e Melanie Dimantas, estreia em circuito nacional.
Irandhir Santos no papel de Nonato, brasileiro que vive nos EUA
Há duas linhas narrativas em “Olhos Azuis”. A primeira é um embate entre Nonato e um oficial da imigração norte-americana, Marshall (David Rasche, de “Queime depois de ler”), numa pequena sala num aeroporto. O brasileiro acaba de chegar de viagem e é barrado – num processo aleatório, no qual um grupo de americanos escolhe meia dúzia de passaportes e resolve questionar essas pessoas que tentam entrar no país.
Marshall trabalha com dois colegas, Sandra (Erica Gimpel) e Bob (Frank Grillo), e está em seu último dia de atividade. Ele foi forçado a se aposentar e deverá passar o cargo. Ele não está em seu estado normal, bebeu demais e está disposto a comprar briga com qualquer pessoa.
Na outra linha, o mesmo Marshall já não é mais o mesmo sujeito bem arrumado e barbeado que barrava as pessoas que queriam entrar nos EUA. Mais velho e desleixado com a aparência, ele está no Brasil, em busca de uma garotinha cuja imagem ele vê numa câmera.
Aos poucos, a história de “Olhos Azuis” se abre e descobrimos que o americano está no país em busca da filha de Nonato e crê ter uma dívida com ela. Não é difícil de imaginar, em poucos minutos de filme, que o conflito entre Nonato e Marshall não acabou bem. No entanto, as duas tramas vão se entrecortando ao longo de quase duas horas de filme.
Joffily é um diretor com experiência em ficção (”Dois Perdidos numa noite suja”, “Achados e Perdidos”) e documentários (”Vocação do Poder”). Neste novo filme, imprime tensão nas duas narrativas, construídas em cima da dúvida de como os personagens chegaram no ponto em que estão.
Tecnicamente, o filme também deixa bem clara cada história, com fotografia diferente para cada uma. Nos Estados Unidos, todas as cenas são na sala do aeroporto, com planos mais fechados e iluminação artificial. No nordeste do Brasil, as cenas são bem iluminadas, quase sempre com luz natural, e os planos valorizam a paisagem local.
Apesar de sua boa intenção, em alguns momentos, “Olhos Azuis” esbarra em inconsistências. No Brasil, Marshall recebe ajuda de uma garota de programa (Cristina Lago, de “Maré – Nossa história de amor”). Ela é mais um catalisador na narrativa do que um personagem. Com domínio bastante bom do inglês, ela serve de ponte para o americano em sua investigação. No entanto, ela nunca questiona ou estranha essa busca. O mesmo acontece com as pessoas que cruzam os caminhos da dupla, que sempre fornecem informações sem a menor cautela.
Em meio a essas fragilidades, ganha força então o trabalho do ator pernambucano Irandhir Santos – em seu terceiro filme a chegar às telas no mês de maio. Além de “Olhos Azuis” e “Quincas Berro D’Água”, ele é o narrador de “Viajo porque preciso, volto porque te amo”. Aqui, ele é a alma desesperada do filme, um personagem preso no limbo de um aeroporto, sem pertencer nem ao Brasil nem aos Estados Unidos. A imagem de desespero de Nonato é o que fica gravado do filme. (Por Alysson Oliveira, do Cineweb)
Irandhir Santos interpreta o cabo Martin, no Quincas Berro D’água, que estreia nesta sexta-feira (21)
Da Redação do pe360graus.com, 21/05/2010
Um ator pernambucano vai brilhar em dois filmes, um deles com estreia marcada para esta sexta-feira (21). Irandhir Santos interpreta o cabo Martin, no Quincas Berro D’água. “Ele é o motor que proporciona este cortejo festivo, do morto mais vivo do que muitos vivos. É uma comédia que vai vir para pegar a família e os amigos”, contou.
Além desse filme, ele aparece em Olhos Azuis. “Ele fala sobre o momento do estrangeiro em um país distante. Como relacionar a diferença entre nações”, disse. O filme reúne atores de vários países, como Argentina e Estados Unidos. A estreia está prevista para a próxima sexta-feira (28).
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A seguir entrevista exibida no Bom Dia Pernambuco (21/05/2010).
O ator pernambuco Irandhir Santos posa para foto em São Paulo
Quando o diretor Sérgio Machado estava fazendo a seleção de elenco para seu filme “Quincas Berro D’Água”, diversas pessoas chegavam até ele com o mesmo comentário. “Você precisa conhecer esse tal de Irandhir Santos. Ele é um gênio”. Depois de tanta insistência, o cineasta já estava certo de que o ator estaria em seu filme. Mesmo assim, pediu para o “gênio” fazer um teste. E qual não foi a sua surpresa? Irandhir era mesmo um gênio.
Quando se lembra dessa história, que Machado contou na coletiva do filme em São Paulo, o ator ri e desconversa. “As pessoas só falavam bem por que paguei para elas fazerem propaganda de mim”, brinca. Alguém desavisado pode até acreditar, mas quem acompanha cinema brasileiro já deve ter percebido que Irandhir Santos é um dos nomes do momento, e não apenas porque só no mês de maio estreiam três filmes nos quais ele tem papeis importantes, “Viajo porque preciso, Volto porque te amo”, “Quincas Berro D’Água” e “Olhos Azuis”. Mas também porque no segundo semestre ele estará nas telas em um dos filmes mais aguardados do ano, “Tropa de Elite 2”.
No filme de José Padilha ele faz Diogo Fraga, um defensor dos direitos humanos que, segundo o ator, “diz não à política de segurança pública, uma política de repressão contra os pobres, os moradores dos morros”. Em outras palavras, ele bate de frente com o ex-capitão, agora coronel Nascimento (novamente interpretado por Wagner Moura)? “Ele peita qualquer personagem que seja a favor dessa truculência, desse domínio vigente. Qualquer um mesmo, até o Nascimento, se ele foi a favor dessa política”, disse Santos ao UOL Cinema.
O personagem foi um convite de Padilha, que também tinha ouvido só elogios sobre o ator vindos do diretor de fotografia Lula Carvalho e da respeitada preparadora de elenco Fátima Toledo, que havia trabalhado com Santos em “Besouro” (2009) e em “Quincas Berro D’Água”. Fraga, segundo o ator, foi inspirado no deputado estadual carioca Marcelo Freixo (PSOL). “Ele e a Fátima me ajudaram muito a construir esse personagem. Mesmo antes de começar a preparação, fiz pesquisas sobre o assunto e o nome dele sempre aparecia ligado à defesa dos direitos humanos no Rio. Quando fiquei sabendo que o Diogo era baseado nele, me emocionei”, admite. O político, inclusive, não apenas ajudou na preparação para o personagem, como também visitou o set diversas vezes e acabou fazendo uma ponta no filme, na plateia durante um debate.
Santos, que no longa contracena bastante com Wagner Moura, Maria Ribeiro e Pedro Van Held, disse que só percebeu a dimensão do filme quando as filmagens encerraram e ele voltou para sua casa, em Recife, e todo mundo começou a perguntar como seria “Tropa de Elite 2”. “Isso nunca tinha me acontecido antes. Todo mundo está curioso para saber como será. O que eu posso adiantar é que, com certeza, o filme vai levantar muita discussão, pois esse é o ponto forte do cinema do Padilha, trazer à tona questões importantes que precisam ser discutidas”.
Antes e depois da “Tropa”
Antes de “Tropa de Elite 2”, o ator poderá ser visto nas telas em trabalhos que a única coisa que têm em comum é a presença de Santos. São três filmes e personagens bastante diferentes. Em cartaz em diversas cidades do país está “Viajo porque preciso, Volto porque te amo”, de Marcelo Gomes e Karim Aïnouz. Nele, o ator é o protagonista – mas de uma forma bastante inusitada. Nunca o vemos em cena, apenas ouvimos a sua voz. “Foi um desafio: como mostrar o sentimento sem aparecer na tela? Como estar presente sem estar presente?”
Para encontrar uma forma de estar em cena sem nunca aparecer fisicamente, Santos explica que o trabalho dos dois diretores foi fundamental. “O instrumento de trabalho do ator é o corpo. Quando me vi sem a possibilidade de usar o meu corpo, tive de explorar a minha fala. Percebi que a voz pode ser tão importante quanto o corpo. Eles me ajudaram a encontrar a entonação certa em cada momento da vida do personagem”.
O convite para esse trabalho partiu de Gomes, que havia trabalhado com o ator em “Cinema, Aspirinas e Urubus” (2005). Primeiro Santos gravou toda a sua narração sem ver as imagens. Depois, usando essa gravação como parâmetro fez novas locuções, agora vendo o longa. “O resultado é mágico. Com o filme pronto a gente entende o que é a poesia no cinema”.
Já em “Quincas Berro D’Água” (previsto para estrear dia 21), o ator é um dos amigos do morto beberrão interpretado por Paulo José. Santos. Ao lado de Flávio Bauraqui, Luiz Miranda e Frank Menezes, forma um quarteto de amigos inseparáveis, companheiros de bebedeira do personagem-título. “Fizemos uma preparação de dois meses com a Fátima. Isso foi importante para nos aproximar e nos tornarmos amigos de verdade, não apenas na tela. Isso traz uma grande verdade para o filme”.
Se esse lado foi diversão na preparação para “Quincas Berro D’Água”, houve outro que foi um desafio. A pedido da preparadora, eles simplesmente deviam encarar Paulo José como um homem comum, deixar de lado tudo o que ele representa para a história do cinema brasileiro. “O Paulo era surpreendente em cena e nos trouxe uma energia muito legal, uma vitalidade. Mas não foi fácil deixar nosso lado tiete de fora. No fim, foi um grande aprendizado, há muito a se aprender com ele. Eu tenho o maior orgulho de ter feito esse filme com ele”.
Ainda em maio, previsto para o dia 28, chega aos cinemas “Olhos Azuis”, no qual Santos, dirigido por José Joffily (“Achados e Perdidos”) interpreta um brasileiro que mora nos EUA e tem dificuldades de voltar ao país depois de uma viagem ao Brasil. A maioria das cenas do ator são em inglês. Nelas, ele contracena com um trio de americanos, encabeçado por David Rasche (“Queime Depois de Ler”, “A conquista da honra”).
Santos conta que falava inglês, mas não tinha fluência. “Foi preciso um trabalho com um professor de Recife para que eu deixasse meu inglês no ponto como o personagem falaria. Não podia ser muito certinho, pois ele aprendeu na rua mesmo, na vivência do dia-a-dia”. Para ele, foi uma experiência bastante inusitada, mas surpreendente. “Durante as filmagens, eu estava bastante confiante e o diretor nos deu bastante espaço para improvisar”.
O próximo passo na carreira de Santos será fazer um segundo filme com Cláudio Assis (“Amarelo Manga”), que se chamará “A Febre do Rato”. Ele teve uma participação em “Baixio das Bestas”, que conseguiu depois de muitos testes – mas agora será o protagonista. “Eu não sei muito sobre o meu personagem. Mas sei que será um filme muito surpreendente na carreira do Cláudio. Agora é uma história de amor. Acho que todo mundo vai se espantar”.
Santos se orgulha de que o convite para atuar em “A Febre do Rato” tenha partido do próprio diretor. As filmagens devem começar no início do segundo semestre. Até lá, o ator de 31 anos não para. Ele confessa que nos últimos três anos esteve muito envolvido com cinema, e agora quer voltar às suas origens, o teatro. “Eu comecei fazendo teatro na escola. Foi aí que me descobri, não posso abandonar isso. Estou com diversos projetos que pretendo tocar com meus amigos”.