outubro 11 2010

Um cinema que não sai de cartaz

Tagged Under : , ,

Com a produção de seis longas no ano e duas dezenas em fase de preparação, produção ou finalização, audiovisual pernambucano vive momento inédito em uma história contada por ciclos

Diario de Pernambuco, Viver, 26/09/2010
Por André Dib

Entre maio e agosto, Kléber Mendonça mergulhou na produção de O Som ao redor, com Irandhir Santos (C) Foto: Cinemascopio Produções/Divulgação

Entre maio e agosto, Kléber Mendonça mergulhou na produção de O Som ao redor, com Irandhir Santos (C) Foto: Cinemascopio Produções/Divulgação

O cinema feito em Pernambuco vive um momento inédito. Se sua história é contada em ciclos, este já pode ser considerado o maior e mais fértil. Nunca tantos filmes foram realizados, aplaudidos e premiados como nos últimos anos. Enquanto Cláudio Assis finaliza as filmagens de Febre do rato, estão em fase de preparação, produção ou finalização cerca de duas dezenas de longas em suporte digital ou 35mm. Somente este ano, pelo menos seis longas foram ou serão rodados no Recife, três com distribuição nacional garantida.

Se num primeiro momento a urgência em se fazer filmes superava as reais condições de realizá-lo, hoje não podemos dizer o mesmo. Temos equipamentos, mão de obra especializada, formada em cursos técnicos e prestes a alcançar nível superior, em cursos de graduação oferecidos por três universidades locais. Não por acaso, no começo de outubro a UFPE será sede do 14º Encontro da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema – Socine.

Essencial para movimentar a cadeia produtiva, o fomento oferecido por órgãos públicos tem sido exemplar. Semana passada, o governo do estado abriu edital para distribuir mais R$ 8 milhões para projetos do audiovisual, 1/3 a mais do que o último, quando 95 roteiros de curtas e 35 de longas pleitearam recursos. Nos últimos quatro anos, R$ 33 milhões foram investidos no setor. Festivais se fortalecem e multiplicam, inclusive no interior.

Para Paulo Caldas, que finaliza seu quarto longa, País do desejo, o atual panorama se explica por uma série de fatores, que podem ser resumidos pelo status acumulado nos últimos 20 anos, quando foi retomada a produção no estado. “Esse respaldo é o nosso grande trunfo. Quem trabalha com cinema há mais tempo, percebe a transformação”. Kleber Mendonça Filho, que acaba de rodar O som ao redor, arremata: “É incomparável. Com novos processos técnicos e iniciativas se espalhando, a própria ideia de fazer um filme não é mais absurda. É um pouco do que se queria naquela época, acontecendo agora, com cinco longas produzidos em umano. Antes, acontecia um a cada década. Hoje, o país está muito bem financeiramente. E há muito dinheiro para cinema”.

Marcelo Gomes, que no próximo mês começa a filmar Verônica, seu terceiro longa, afirma que vivemos um ano histórico para o cinema em Pernambuco. “Nunca se rodou tantos longas na cidade desde o Ciclo do Recife, nos anos 1920. Espero que o público assista a esses filmes, agora que temos mais salas exibindo o nosso cinema como o Cine São Luiz e o Cinema da Fundação”.

Uma produção constante e sem sinais de cansaço pode colocar em xeque a tradição de ciclos do cinema local? “Talvez daqui a 20 anos possamos dizer que vivemos um ciclo, mas hoje apenas dizemos que se trata de algo diferente”, afirma o crítico e professor de cinema Alexandre Figueirôa, que enumera uma série de fatores que cuminaram no bom momento para a produção pernambucana, como a proliferação de festivais e a abertura de outros mercados para difusão como o DVD e a internet.

Para ele, a ideia de ciclo vem de momentos específicos que, por razões sociais e econômicas, fez surgir períodos de maior produção em torno de um grupo de pessoas. “Mas basta olhar de perto para ver que nunca se deixou de produzir cinema em Pernambuco. Hoje é diferente porque temos um cinema dentro de uma perspectiva mais aberta, sem hierarquia. E que permite uma continuidade, com menos dependência do modelo institucional de grandes financiamentos. Isso gera longevidade. Por outro lado, sempre tivemos a tradição do audiovisual. Essa vocação, a partir do momento em que encontra cenário favorável, tende a se expandir”.

No entanto, a dependência de recursos públicos leva a refletir sobre a fragilidade da cadeia produtiva. “A partir de Baile perfumado entramos num processo de sustentabilidade discutível”, diz Paulo Cunha, pesquisador e um dos fundadores do curso de graduação em cinema da UFPE. “Espero que haja bom senso da gestão pública, já que a temos uma produção excelente que subsiste justamente pelo apoio estatal. Precisamos garantir que o nosso cinema continue a existir como é, poético, experimental, inovador e avançado. Isso gera um retorno não de bilheteria, mas de grande visibilidade. Seria fantástico dar mais segurança a isso. Caso contrário, essa fase que parece estupenda pode virar outro ciclo e se encerrar”.

***
Via Diario de Pernambuco

outubro 03 2010

Tropa de Elite 2. O Limoeirense Irandhir Santos está no elenco.

Tagged Under : , , , , ,

Trailer de “Tropa de Elite 2″ (Brasil, 2010), com Wagner Moura, André Ramiro, Milhem Cortaz, Seu Jorge, Maria Ribeiro. 2010. Nascimento (Moura) enfrenta um novo inimigo: as milícias. Ao bater de frente com o sistema que domina o Rio de Janeiro, ele descobre que o problema é muito maior do que imaginava. E não é só. Ele precisa equilibrar o desafio de pacificar uma cidade ocupada pelo crime com as constantes preocupações com o filho adolescente. Quando o universo pessoal e o profissional de Nascimento se encontram, o resultado é explosivo.. O roteiro é Bráulio Mantovani. Argumento de José Padilha, Rodrigo Pimentel e Bráulio Mantovani. Direção de José Padilha. Estreia prevista para 8 de outubro.

Na aguardada sequência do filme de José Padilha, Irandhir vive o personagem Diogo Fraga, um defensor dos Direitos Humanos que questiona a política de segurança pública do Rio de Janeiro. Pela primeira vez, ele sentiu a pressão de participar de um potencial blockbuster do cinema nacional.

O ator Irandhir Santos no filme “Tropa de Elite 2?
O ator Irandhir Santos no filme “Tropa de Elite 2?

- Em momento nenhum, enquanto eu estava fazendo o filme, isso passou pela minha cabeça. Só fui me dar conta disso quando as filmagens acabaram e voltei para a minha cidade. Houve uma curiosidade principalmente para saber como foi o set e como é a história do filme, coisa que nunca aconteceu comigo em nenhum dos outros projetos. Aí é que foi caindo a ficha. Ainda bem, porque o trabalho já está feito – brinca.

Ao fim de cada filmagem, Irandhir também tem um ritual: não importa o que aconteça, ele sempre volta para sua cidade.

- Os projetos me trazem e eu fico o tempo que for necessário. Com “Tropa” foram quatro meses. Mas sempre existe essa palavra que eu adoro, que é “retornar”. Retorno para Recife e retorno para Limoeiro. A gente senta na calçada, que é um lugar quase religioso para a minha família, e lá a gente conversa e mata as saudades. É lá que eu recarrego as baterias.

Assim, morar no Rio ou em São Paulo está fora dos planos do ator.

- Aprendi com Ariano Suassuna uma coisa que veio de “A Pedra do Reino”: Quaderna busca as respostas da vida na sua raiz, no sertão. Estar na minha região e buscar o que é necessário para mim servem para minha experiência como ator. Não é necessário abandonar, mas permanecer, ir a fundo, pesquisar. Não deixo de fazer trabalhos por isso.

E a filmografia de Irandhir não o deixa mentir.

Família e história

Nascido no interior do estado de Pernambuco, ele continua com suas raízes fincadas na região. Irandhir não mudou-se para nenhuma cidade dos grandes centros e, após cada trabalho, volta para o Recife.

“Já passei alguns meses no Rio, depois na Paraíba. Eu saio, vivo, mas preciso retornar. Aquele é o meu espaço, a minha família”, desabafou o ator, que mora no Recife, mas visita com frequência os pais em Limoeiro, no interior do estado. “Eu sento na calçada, falo sozinho. Eu como ator vivo muitas vidas, mas a minha é emocionante e única e vou até lá para buscá-la”.

***
Via Limotícias

agosto 18 2010

Irandhir Santos: Melhor Ator de Longa-Metragem no Festival de Cinema de Triunfo

Tagged Under : , , ,

Nação Cultural, 08/08/2010

Festival de Cinema de Triunfo encerra sua 3ª edição distribuindo R$ 44 mil em prêmios
O pernambucano Viajo porque preciso, volto porque te amo, de Marcelo Gomes e Karim Ainouiz, foi o grande vencedor da mostra competitiva

O 3º Festival de Cinema de Triunfo, que este ano homenageou a TV Viva e a atriz pernambucana Virgínia Cavendish, chegou ao fim neste último sábado (7) com a Mostra Especial do Sertão e a aguardada cerimônia de premiação, no Theatro Cinema Guarany. Durante seis dias, os triunfenses puderam aproveitar uma verdadeira maratona audiovisual com oficinas de cinema, seminário, exposição temática e, claro, a exibição gratuita de 47 produções de todas as regiões do Brasil. Quarenta e quatro delas participaram das mostras competitiva e especial, nos formatos Digital e 35mm. Foram distribuídos R$ 44 mil em prêmios. E o grande vencedor do Festival foi o filme pernambucano Viajo porque preciso, volto porque te amo, de Marcelo Gomes e Karim Ainouiz. O longa-metragem, em 35 mm, levou sete prêmios para casa.

Os filmes inscritos no 3º Festival de Cinema de Triunfo, promovido pelo Governo do Estado, por meio da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), com apoio da Prefeitura de Triunfo, concorreram à premiação nas categorias Curta-Metragem Nacional, Curta-Metragem Infanto-Juvenil, Curta-Metragem Pernambucano e Longa-Metragem Nacional. As produções ainda foram contempladas, com o troféu Caretas, em categorias específicas, que não concorreram à premiação em dinheiro. Foram elas: Melhor Direção, Melhor Fotografia, Melhor Montagem, Melhor Trilha Sonora, Melhor Direção de Arte, Melhor Produção, Melhor Som, Melhor Roteiro, Melhor Ator e Melhor Atriz.

Os filmes foram avaliados por um júri oficial – formado por Roger de Renor (PE), Adelina Pontual (PE), Rosângela Rocha (SE), Tony Viegas (RJ), Itamar Borges (GO) e Zé José (RJ) – e por um júri popular, representado por estudantes e professores de Triunfo que participaram de cursos sobre crítica de cinema, promovidos pela Fundarpe. Cada júri distribuiu, separadamente, R$ 22 mil em prêmios, sendo R$ 10 mil para o melhor longa-metragem 35mm ou digital; R$ 4 mil para o melhor curta-metragem 35mm ou digital; R$ 4 mil para o melhor curta-metragem pernambucano; e R$ 4 mil para o melhor curta-metragem infanto-juvenil.

Na categoria Longa-Metragem Nacional, o júri oficial premiou o ficcional Viajo porque preciso, volto porque te amo, de Marcelo Gomes e Karim Ainouiz. Este ainda se destacou nas categorias especializadas de Longa-Metragem, levando os prêmios de Melhor Filme do Festival, Melhor Roteiro, Melhor Montagem, Melhor Ator, Melhor Fotografia e Melhor Direção. Já o júri popular escolheu como melhor filme O Homem que Engarrafava Nuvens, do pernambucano Lírio Ferreira, que também foi congratulado com o prêmio de Melhor Trilha Sonora de Longa-Metragem.

Na categoria Curta-Metragem Nacional, o júri oficial premiou o documentário Bailão, de Marcelo Caetano (SP). Já o júri popular elegeu como melhor filme o ficcional Recife Frio, do pernambucano Kleber Mendonça Filho, que também foi premiado nas categorias especializadas de curta-metragem com Melhor Direção e Melhor Roteiro.

Na categoria Curta-Metragem Pernambucano, o júri oficial premiou o ficcional Bode Movie, de Taciano Valério. Já o júri popular preferiu o documentário Do Morro?, de Mykaela Plotkin e Rafael Montenegro. Na categoria Curta-Metragem Infanto-Juvenil, o júri popular elegeu como melhor filme a animação Mocó Jack, de Luiz Botosso e Thiago Veiga (GO). Já o júri oficial deu o prêmio ao ficcional Reisado Miudim, de Petrus Cariry (CE).

Nesta edição, a Fundarpe conferiu prêmios de menção honrosa aos filmes Patativa do Assaré – Ave Poesia, de Rosemberg Cariry (CE) e Incenso, do pernambucano Marco Hanois (in Memorian). A Federação Pernambucana de Cineclubismo (FEPEC), que foi criada na primeira edição do Festival de Cinema de Triunfo, também concedeu menção honrosa aos filmes Homem-bomba, de Tarcísio Puiati (RJ), e Bailão, de Marcelo Caetano (SP), e o prêmio de Melhor Filme para Reflexão ao curta pernambucano Recife Frio, de Kleber Mendonça Fillho.

Conheça a lista completa dos vencedores do 3º Festival de Cinema de Triunfo:

Júri Oficial

Melhor Longa-Metragem Nacional
Viajo porque preciso, volto porque te amo (Ficção, Digital, 2009, 71 minutos, PE), de Marcelo Gomes e Karim Ainouiz

Melhor Curta-Metragem Nacional
Bailão (Documentário, 35 mm, 2009, 17 minutos, SP), de Marcelo Caetano

Melhor Curta-Metragem Infanto-Juvenil
Reisado Miudim (Ficção, Digital, 2008, 13 minutos, CE), de Petrus Cariry

Melhor Curta-Metragem Pernambucano
Bode Movie (Ficção, Digital, 2010, 12 minutos, PE), de Taciano Valério

Júri Popular

Melhor Longa-Metragem Nacional
O Homem que Engarrafava Nuvens (Documentário, 35mm, 2008, 105 minutos, PE), de Lírio Ferreira

Melhor Curta-Metragem Nacional
Recife Frio (Ficção, 35mm, 2009, 20 minutos, PE), de Kleber Mendonça Filho

Melhor Curta-Metragem Infanto-Juvenil
Mocó Jack (Animação, Digital, 2009, 11 minutos, GO), de Luiz Botosso e Thiago Veiga

Melhor Curta-Metragem Pernambucano
Do Morro? (Documentário, Digital, 2009, 20 minutos, PE), de Mykaela Plotkin e Rafael Montenegro

Categorias especializadas

Melhor Direção de Curta-Metragem
Kleber Mendonça Filho por Recife Frio (Ficção, 35 mm, 2009, PE)

Melhor Fotografia de Curta-Metragem
Beto Martins por Ave Maria ou Mãe dos Sertanejos (Documentário, 35 mm, 2009, 12 minutos, PE), de Camilo Cavalcante

Melhor Montagem de Curta-Metragem
João Maria por Faço de mim o que quero (Documentário, 35 mm, 2009, 19 minutos, PE), de Sérgio Oliveira e Petrônio Lorena

Melhor Trilha Sonora de Curta-Metragem
Jean Presser por Maresia (Ficção, 35 mm, 2009, 9 minutos, RS), de Christian Schneider e Natália Piva

Melhor Direção de Arte de Curta-Metragem
Fábio Alion por Reminiscências (Ficção, Digital, 2010, 19 minutos, PR), de Aly Muritiba

Melhor Roteiro de Curta-Metragem
Kleber Mendonça Filho por Recife Frio (Ficção, 35 mm, 2009, PE)

Melhor Ator de Curta-Metragem
Aleck Nafitali e Rodrigo Costa por Homem-bomba (Ficção, 35 mm, 2009, 13 minutos, RJ), de Tarcísio Puiati

Melhor Atriz de Curta-Metragem
Helena Gullo Barcelos por Laurita (Ficção, Digital, 2009, 20 minutos, SP), de Roney Freitas

Melhor Roteiro de Longa-Metragem
Marcelo Gomes e Karin Ainouiz por Viajo porque preciso, volto porque te amo (Ficção, Digital, 2009, 71 minutos, PE)

Melhor Som de Longa-Metragem
A Ilha da Morte (Ficção, 35mm, 2007, 88 minutos, CE), de Wolney Oliveira

Melhor Trilha sonora de Longa-Metragem
O Homem que Engarrafava Nuvens (Documentário, 35 mm, 2008, 105 minutos, PE), de Lírio Ferreira.

Melhor Montagem de Longa-Metragem
Karem Harley por Viajo porque preciso, volto porque te amo (Ficção, Digital, 2009, 71 minutos, PE), de Marcelo Gomes e Karim Ainouiz

Melhor Pesquisa de Longa Metragem
Patativa do Assaré – Ave Poesia (Documentário, Digital, 2007, 78 minutos, CE), de Rosemberg Cariry

Melhor Produção de Longa-Metragem
Milena Times e Pérola Braz por Pacific (Documentário, Digital, 2009, 72 minutos, PE), de Marcelo Pedroso

Melhor Ator de Longa-Metragem
Irandhir Santos por Viajo porque preciso, volto porque te amo (Ficção, Digital, 2009, 71 minutos, PE), de Marcelo Gomes e Karim Ainouiz

Melhor Fotografia de Longa-Metragem
Heloisa Passos por Viajo porque preciso, volto porque te amo (Ficção, Digital, 2009, 71 minutos, PE), de Marcelo Gomes e Karim Ainouiz

Melhor Direção de Longa-Metragem
Marcelo Gomes e Karim Ainouiz por Viajo porque preciso, volto porque te amo (Ficção, Digital, 2009, 71 minutos, PE)

Melhor Filme
Viajo porque preciso, volto porque te amo (Ficção, Digital, 2009, 71 minutos, PE), de Marcelo Gomes e Karim Ainouiz

Menção Honrosa – Fundarpe
Incenso (Ficção, 35 mm, 2009, 20 minutos, PE), de Marco Hanois (in memorian)
Patativa do Assaré – Ave Poesia (Documentário, Digital, 2007, 78 minutos, CE), de Rosemberg Cariry

Menção Honrosa – FEPEC
Homem-bomba (Ficção, 35 mm, 2009, 13 minutos, RJ), de Tarcísio Puiati
Bailão (Documentário, 35 mm, 2009, 17 minutos, SP), de Marcelo Caetano

Melhor Filme para Reflexão – FEPEC
Recife Frio (Ficção, 35 mm, 2009, 20 minutos, PE), de Kleber Mendonça Filho

***
Via Nação Cultural