setembro 14 2010

Atores nus causam tumulto

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Equipe do longa A febre do rato filma cenas de nudez na Rua da Aurora e é abordada pela PM

Diário de Pernambuco, 08/09/2010
Por André Dib

Pela manhã, o ator Irandhir Santos também provocou tumulto no desfile de 7 de setembro. Foto: Helder Tavares/DP/D.A Press

Pela manhã, o ator Irandhir Santos também provocou tumulto no desfile de 7 de setembro. Foto: Helder Tavares/DP/D.A Press

As filmagens de Febre do rato, longa-metragem de Cláudio Assis, renderam duas situações inusitadas durante o 7 de setembro, no bairro da Boa Vista. A mais polêmica se deu à tarde, no Cais da Aurora. Após denúncia anônima de atentado ao pudor, a Polícia Militar interrompeu a gravação de uma das cenas, em que os atores Irandhir Santos e Nanda Costa estavam sem roupa, em cima de um carro antigo equipado com bandeiras com a inscrição “Perto ao regresso”. A abordagem não foi violenta, mas gerou tumulto por ter ocorrido no meio de uma cena em que Irandhir, no papel do poeta Zizo, abraça a amada Eneida (Nanda) e, ambos nus, conclamam seus ouvintes à rebeldia. Mais de 70 pessoas estavam no local, entre equipe técnica, atores famosos como Matheus Nachtergaele e figurantes da Escola João Teimoso.

Nesse momento, os atores que interpretam policiais partiram para reprimir o protesto, e o que era para ser ficção, tornou-se realidade. Viaturas da Rocam interditaram o set montado em frenteao prédio da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Rua da Aurora). Ainda como personagem, o ator Irandhir Santos enfrentou a polícia, até ser levado pela produção a um lugar seguro. No corre-corre, a atriz Conceição Camarotti machucou a perna. De acordo com a produção, ela foi conduzida ao Hospital Esperança e passa bem.

Até que a situação fosse esclarecida, policiais pretendiam deter Irandhir por ter reagido à abordagem. “A princípio, a intenção foi isolar o local”, diz o Soldado Miquéias, que conduziu a operação. “Fizemos tudo de forma pacífica e bastante proveitosa para ambas as partes”, conclui o soldado, em referência ao possível uso do incidente como material a ser incluido no filme. De acordo com Cláudio Assis, diretor de Febre do rato, a equipe estava autorizada pela CTTU a realizar filmagens no local e a interferência dos policiais não atrapalhou o andamento da produção.

Um pouco antes, por volta das 11h, outra situação provocada pelo filme chamou a atenção do público que assistia ao desfile cívico-militar de 7 de setembro, na Avenida Cruz Cabugá. Em frente ao Parque 13 de Maio, Irandhir invadiu a rua e impediu um tanque de seguir adiante, em movimento semelhante ao de um jovem chinês que, em 1989, protestou na Praça da Paz Celestial. Sob aplausos do público, Irandhir rasgou papéis de uma caderneta para, na sequência, ser retirado do local por PMs.

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Via Diário de Pernambuco

maio 10 2010

3 perguntas para… Irandhir Santos

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A fala mansa, o físico miúdo e o jeito tímido escondem um intérprete mutante

Veja São Paulo, 12/05/2010
Por Miguel Barbieri Jr.

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Irandhir Santos ainda é um nome pouco conhecido do grande público

Pernambucano de 31 anos, o ator Irandhir Santos ainda é um nome pouco conhecido do grande público. Entre cineastas e produtores de cinema, porém, ele está com tudo. A fala mansa, o físico miúdo e o jeito tímido escondem um intérprete mutante, capaz de se transformar num gigante em cena — vide sua participação maiúscula em Besouro. Além de narrar o documentário experimental ‘Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo’, já em cartaz, ele quase ofusca os companheiros na comédia ‘Quincas Berro d’Água’, dirigida por Sérgio Machado e com estreia prevista para dia 21.

O diretor Sérgio Machado disse que escolheu você porque recebeu recomendações de dez pessoas da área. De onde vem tanto prestígio? Da dedicação e da imersão no trabalho. O set de filmagem é um lugar propício para a dispersão. Acho que eu trouxe do teatro a concentração. Por isso, quem me olha de fora talvez tenha um respeito maior e não queira me incomodar. Mas isso não quer dizer que eu esteja alheio ao que acontece ao meu redor. Quanto mais mergulhado no personagem, mais atento eu fico.

Por que um ator tão elogiado como você não faz televisão? Em 2007, atuei na minissérie A Pedra do Reino. Nem considero um trabalho de TV porque o tempo era de teatro e o tratamento de imagens, de cinema. Depois disso, quando a Globo me fez convites, eu já estava comprometido com algum cineasta. Sempre houve choque de datas. Pelo que me falam, o ritmo dos programas e das novelas é aceleradíssimo. Tenho vontade de fazer televisão, mas sinto que haveria uma grande dificuldade de adaptação.

Então, o que você pegaria hoje: um personagem no teatro ou um papel numa novela? Eu não piso num palco desde que o cinema tomou um espaço maior na minha carreira, há três anos. Sinto um buraco no coração e quero voltar para o teatro. E lá no Recife! A TV virá com o tempo.

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Link da matéria da Veja São Paulo