outubro 24 2010

TROPA DE ELITE 2: Estado de direito x “Estados” paralelos

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Brasília em Dia, 16/10/2010
Por José Guilherme

TROPA DE ELITE 2
Brasil, 2010. Direção/Co-roteiro: José Padilha. Elenco: Wagner Moura, André Ramiro, Milhem Cortaz, Irandhir Santos, Maria Ribeiro.

Estado de direito x “Estados” paralelos

Coincidindo com uma nova onda de assaltos, arrastões, trocas de tiros com as forças do Estado e disputas sangrentas pelo controle dos principais pontos de tráfico, colocando o governador recém-reeleito do RJ diante de uma verdadeira sinuca de bico, estreou 6ª feira, dia 08, em mais de 650 salas de cinema, Tropa de Elite 2, três anos depois do primeiro filme e enfocando os conflitos do agora tenente-coronel Nascimento, de um lado com a corporação militar a que pertence, de outro com sua ex-mulher e seu filho (a ação se passa quinze anos depois da primeira parte), ela casada com seu principal adversário político, um ativista de direitos humanos, ele, o garoto, envolvendo-se incidentalmente com drogas e com a polícia.

A história começa praticamente no mesmo plano onde o outro termina, com o Bope em plena ação, desta vez invadindo o complexo de Bangu I para conter um sangrento conflito entre facções criminosas rivais, depois que armas são introduzidas na ala de uma das facções, que logo invade a outra para provocar um massacre. O Bope entra no meio, com o capitão Mathias (Ramiro, que começou o primeiro filme como aspirante) chefiando o pelotão. Nascimento, da sede do Batalhão, comanda a operação pelo rádio, porém Mathias, numa hostage situation, se precipita e estoura os miolos do bandido (Seu Jorge) que apontava uma pistola para a cabeça do ativista Fraga (Santos, excelente). O capitão obedeceu rigorosamente o manual do Bope, mas contrariou frontalmente uma ordem direta do coronel Nascimento, que, por conta do incidente, perde o comando e é “promovido” a subsecretário de Segurança, enquanto Mathias é afastado do Batalhão, por “violação de direitos humanos”.

A partir daí, Nascimento, em cujas veias o sangue que corre é puro Bope, se vê numa situação delicada. Aproveitando sua nova posição na Secretaria, ele dota a tropa de elite, que é a sua vida, de recursos materiais e técnicos que lhe permitem esmagadora vitória sobre o narcotráfico. Mas a guerra contra o crime organizado não se esgota na visão ingênua de um militar de ação como Nascimento. Aos poucos ele percebe (e aprende), ao envergar terno e gravata e sentar atrás de uma mesa, que as engrenagens de um monstro indomável chamado “sistema” fazem mover-se interesses políticos, eleitoreiros e corporativistas que estão fora do alcance dele. O sistema tem vida própria. Pior: o sistema é conivente, chegando mesmo a tirar proveito da ação predatória de milícias que nascem, precisamente, no “vácuo de poder” deixado pela derrota do narcotráfico pelo Bope, e que são apoiadas por políticos influentes.

Supremo paradoxo: o Bope é tido por alguns como uma tropa de elite treinada para matar. Ao fazer o seu trabalho, ele perfaz um duplo papel, o de herói (para muitos) e o de vilão (para alguns). Ao sair de cena, esta é ocupada por bandidos duplamente piores que os meliantes, porque se escondem atrás da insígnia da lei para achacar bandidos e a população civil. É hora, então, de Nascimento começar a combater o sistema do qual, em última análise, faz parte, tentando destruí-lo por dentro. Tarefa inglória, quase impossível. É nessa hora que o coronel vê no antigo rival, agora deputado estadual, Diogo Fraga, um possível aliado (Fraga seria aqui o alter ego do deputado Marcelo Freixo, o parlamentar que conseguiu a instauração, na ALERJ, da “CPI das milícias”, mesma façanha alcançada por Fraga na história). No fim, a guerra de Nascimento contra o crime se desloca da polícia para a política, ou seja, uma simples troca de letras, mas com uma diferença crucial para todos os envolvidos.

Moura penetra fundo no papel, mostra-se contido, denso, tenso, em todos os momentos. Sua Nêmesis é Irandhir Santos, o brilhante ator de Olhos Azuis, Besouro, Baixio das Bestas, Cinema, Aspirinas e Urubus. O duelo entre eles, cada vez que se encontram, é inevitável, e dele sempre saem faíscas em alta tensão. Difícil dizer quem vence, se é que se pode falar em vencedores. Santos só não rouba definitivamente a cena porque Moura é aquele que, mais do que qualquer outro ator em que se pudesse pensar, faz a diferença ao encarnar Nascimento, o anti-herói atormentado desta tragédia grega que é o embate de titãs entre o Estado de direito e o “Estado paralelo” do crime organizado, do narcotráfico, da corrupção e das milícias. A presença cênica de Moura transformou-se em ícone para o cidadão comum. “Wagner Moura é um ator que pensa como diretor. Isso dá a ele o potencial de roubar a cena muito facilmente, porque ele entende o que aquela cena significa”, declarou o diretor José Padilha, em entrevista à Folha de São Paulo.

Tropa de Elite 2 mostra, com uma crueza que, apesar de possuir os dois pés na realidade, e mesmo tendo-se tornado lugar-comum no cinema nacional, ainda consegue chocar o espectador desavisado, que o conflito entre o Estado e o crime organizado é a nova roupagem, ampliada e inevitável, do milenar processo de seleção natural que separa os fracos dos fortes, permitindo que estes, num gesto de predominância, prevaleçam ao final como aqueles que ditarão as regras.

Ao final da projeção, os espectadores aplaudiram. Fico a me perguntar se isto aconteceu (e acontecerá) em toda Brasília, em todo o Brasil. Espero que sim. Torço nesse sentido. Afinal, já passou da hora de a sociedade civil, e os cidadãos ordeiros que a compõem, entenderem que o Estado não criou a violência que campeia na sociedade como marca registrada do banditismo. Que a violência do Estado é apenas uma resposta, pronunciada no mesmo diapasão da linguagem dos bandidos, ao desequilíbrio que a ação deles causa à tranqüilidade a que todo cidadão tem direito.

A cotação, por outro lado, não vai apenas para os méritos da obra cinematográfica e dos seus realizadores. Para além dos predicados estéticos e técnicos do filme, a cotação homenageia também a obra-denúncia que é Tropa de Elite 2, lembrando, neste particular, o trabalho de ativismo político do diretor francês Constantin Costa-Gavras, com seus filmes que sempre colocaram o dedo na ferida dos gravíssimos problemas políticos e sociais ao redor do mundo. A pergunta que não quer calar: o coronel Nascimento morre? Bem, a narração é em off, mas, como diz o próprio diretor, assista ao filme e confira, também, esse “pequeno” detalhe. 9/10.

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Via Brasília em Dia

outubro 24 2010

‘Tropa de elite 2′ passa dos 4 milhões e já é o brasileiro mais visto de 2010

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Marca foi atingida na segunda semana em que o filme está em cartaz.

Correio, 18/10/2010
Por Redação

Em sua segunda semana em cartaz, “Tropa de elite 2″ ultrapassou a marca de 4 milhões de espectadores no país e já é a produção brasileira mais vista em 2010, de acordo com dados preliminares divulgados pela assessoria de imprensa do filme.
O resultado coloca o longa de José Padilha à frente de “Nosso lar” e “Chico Xavier”, até então os dois nacionais mais vistos do ano com 3,64 milhões e 3,41 milhões de espectadores respectivamente.

De acordo com a assessoria de “Tropa 2″, o filme teve público de cerca de 1,21 milhão neste final de semana e, na soma com a primeira semana, chegou a 4,14 milhões de espectadores. Também segundo os assessores do longa, ainda falta contabilizar o público de 10% das salas em que o filme está em cartaz, o que deve alterar o resultado – para mais – nas próximas horas.

Nascimento contra o Homem-Aranha
Em seu primeiro final de semana em cartaz, “Tropa 2″ registrou público de 1,3 milhão de espectadores e bilheteria de R$ 14 milhões, segundo dados do boletim Filme B.

Com esses números, o filme de José Padilha foi alçado à quarta colocação entre as maiores aberturas de cinema no Brasil nos últimos dez anos, à frente, entre outros, do primeiro “Homem-Aranha” e “Eclipse”.

O desempenho em seu lançamento também fez de “Tropa 2″ a maior estreia nacional de 2010, superando as sagas espíritas “Chico Xavier” e “Nosso lar”, que foram vistas no primeiro final de semana por 590 mil e 560 mil, respectivamente.

Pirataria
Continuação do longa de 2007, premiado com o Urso de Prata no Festival de Berlim, “Tropa de elite 2″ mostra seu protagonista, o policial do Bope Nascimento (Wagner Moura), combatendo novos inimigos: políticos corruptos e as milícias que agem nas favelas cariocas.

A segunda parte do longa dá um salto de 15 anos em relação à trama original e traz o ex-capitão do Bope, promovido a subsecretário da Segurança Pública, também em confronto com um ativista dos direitos humanos, vivido pelo ator Irandhir Santos.

“Tropa 2″ foi lançado sob forte esquema antipirataria, que incluiu instruções do Bope segundo o diretor José Padilha. Além de não ter produzido cópias digitais, somente película, a sessão première no Teatro Municipal de Paulínia, no interior paulista, incluía revista em bolsas com apreensão de câmeras e celulares de convidados, além e portas com detectores de metais na sala de exibição.

Segundo o diretor, tanta precaução se referia ao “trauma” sofrido em 2007, quando o filme foi pirateado e se tornado fenômeno nos camelôs. Estima-se que 11 milhões de pessoas tenham assistido a um DVD pirata do filme antes de sua estreia. As informações são do G1.

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Via Correio

outubro 11 2010

‘Tropa de elite 2′ é o meu preferido, revela Wagner Moura em Paulínia

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Atores acompanharam a première do filme sob forte esquema antipirataria. O G1 já viu: político corrupto leva bordoadas do capitão Nascimento.

G1 Cinema, 05/10/2010
Por Dolores Orosco

O ator Wagner Moura e o elenco de “Tropa de elite 2″ apresentaram o filme pela primeira vez na noite desta terça-feira (5) em Paulínia, no interior de São Paulo. Na continuação do longa do diretor José Padilha – que estreia na próxima sexta (8) em 600 salas do país – a história dá um salto de 15 anos e mostra o agora “coronel Nascimento” enfrentando inimigos como políticos corruptos e as milícias, além do confronto ideológico com o ativista dos direitos humanos Fraga (Irandhir Santos).

“’Tropa de elite 2′ é o meu preferido em relação ao primeiro. É mais complexo, mais ancorado na realidade. O personagem [Nascimento] volta mais consciente e maduro”, avaliou Moura, minutos antes da primeira sessão do longa, que foi bastante aplaudido pelo público desde as primeiras cenas.

Wagner Moura, Maria Ribeiro e Pedro van Held, durante a pré-estreia de 'Tropa de elite 2' em Paulínia na noite desta terça-feira. (Foto: Divulgação)

Wagner Moura, Maria Ribeiro e Pedro van Held, durante a pré-estreia de 'Tropa de elite 2' em Paulínia na noite desta terça-feira. (Foto: Divulgação)

Nessa sequência, Nascimento é afastado do Bope e assume o posto de subsecretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro – o que o próprio personagem chama de “cair pra cima” na carreira.

Se no primeiro filme Nascimento se referia ao tráfico como “o sistema”, dessa vez são as manobras políticas com interesses eleitoreiros que ele encara como inimigo direto. Ele chega a conclusão de que corrupção pode ser tão cruel quanto a venda de drogas nas favelas.

Pai no tatame
Ponto alto dessa nova fase do personagem também é a relação com o filho adolescente, Rafael (o estreante Pedro Van Held). O garoto questiona a violência praticada pelo pai no combate ao crime – o que é considerado “heroísmo” pelos conservadores e abuso de autoridade para os ativistas ligados aos direitos humanos.

“Com um cara bonito desses para ser meu filho, só tinha que dar coisa boa”, brincou Moura, ao lado do jovem ator, que se esforçava em lutar contra a timidez mediante o assédio da imprensa na première.

Pedro falou sobre as cenas em que pratica jiu-jtsu com Wagner – no filme, o esporte é o maior elo afetivo entre pai e filho. “O Wagner é fera. Não abusei muito, senão apanhava”, brincou.

Seu Jorge e Tainá Müller, que estão no elenco, também prestigiaram a pré de 'Tropa 2' (Foto: Rogerio Resende/Divulgação)

Seu Jorge e Tainá Müller, que estão no elenco, também prestigiaram a pré de 'Tropa 2' (Foto: Rogerio Resende/Divulgação)

“Pirataria nunca serão!”
A première do filme em Paulínia aconteceu sob forte esquema de segurança para driblar qualquer tentativa de pirataria. Segundo Padilha, as medidas – que incluíram revista na entrada da sessão, apreensão de celulares e câmeras, portas com detectores de metais – foram sugeridas pela própria equipe do Bope.

Citando um bordão famoso do primeiro “Tropa”, que causou polêmica por ter ido parar em bancas de camelôs do Brasil meses antes da estreia oficial, o diretor escaldado garantiu que, desta vez, “pirataria nunca serão!”.

Ao longo de toda a sessão lotada no teatro de Paulínia – os 1.300 lugares estavam ocupados – seguranças circulavam entre as fileiras da plateia para checar se alguém havia driblado o monitoramento – coisa que beirava o limite do impossível.

“Tropa de elite 2″ tem ritmo mais lento que o longa original. Mas as cenas de ação tem mais força e são mais bem filmadas. Destaque para uma das primeiras sequências de impacto que traz Seu Jorge (ótimo em sua curta aparição), como o bandido Beirada dominando o presídio de Bangu 1.

O coronel Nascimento aparece como um personagem mais cansado e cerebral, mas em alguns momentos retoma o vigor de “caveira” dos tempos de Bope. Sobra até para um deputado corrupto, que leva boas bordoadas em cena – sequência que fez o público de Paulínia entrar em êxtase.

Milhem Cortaz, como em “Tropa 1″, volta com grande destaque incorporando o policial Fábio. “Fanfarrão” e mau-caráter, é dele um dos novos bordões que o filme traz: “quer me f…, então me beija”. A frase arrancou gargalhadas da plateia.

Também se destaca o ator André Mattos, como Fortunato, apresentador de um programa policial sensacionalista. A interpretação beira a caricatura, mas parece feita sob medida quando se compara com certos âncoras desse tipo de jornalístico.

Mas o filme é, mais uma vez, de Wagner Moura. O ator soube reinventar com brilhantismo o personagem que se tornou o maior ícone pop do cinema nacional numa versão envelhecida, arrependida de algumas escolhas na vida, questionando posturas ideológica. Um capitão, ou melhor, um coronel Nascimento, em plena crise de meia-idade.

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Via G1

outubro 11 2010

Em Tropa de Elite 2 os políticos são o grande inimigo da sociedade

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Veja, 06/10/2010
Por Rodrigo Levino

(Bento Marzo/Divulgação)

O êxito de um produto pop pode ser medido, dentre outras coisas, pelo modo como se entranha no cotidiano das pessoas. Nesse quesito, Tropa de Elite foi aprovado com louvor. Bordões e gestos saíram da tela para as ruas na esteira do sucesso do filme que levou 2,5 milhões de espectadores aos cinemas, foi assistido por outros 10 milhões em cópias piratas de uma versão bruta vazada antes do lançamento oficial e levantou inflamados debates sobre o caráter político do truculento Capitão Nascimento (Wagner Moura), alçado à condição de herói nacional.

O filme também pôs holofotes sobre José Padilha, um diretor que não faz uso do escapismo dos que alegam “não ter nada para dizer além do que está na obra”. Padilha fala no filme e fora dele, sobre cinema, violência urbana, segurança pública, política partidária e é uma das vozes conscienciosas da sociedade brasileira.

Tanto estofo serviu para alimentar a expectativa do público desde que foi anunciada a continuação do título, ainda mais cercada de sigilo para que, ao contrário do primeiro, não chegasse aos camelôs antes dos cinemas.

Tropa de Elite 2 foi exibido pela primeira vez e sob forte esquema de segurança nesta terça-feira (05), em Paulínia-SP. Em resumo, o agora Tenente-Coronel Nascimento permanece no posto de herói, embora usando métodos e trilhando caminhos diversos daqueles que o marcaram, três anos atrás. Mas há outras minúcias a serem tratadas.

Se na estreia da saga o inimigo óbvio era o tráfico de drogas, combatido com vigor pelo supertreinado BOPE (Batalhão de Operações Especiais), o oponente em Tropa de Elite 2 é difuso e, como um polvo, alastra seus tentáculos pelo estado.

Calcado na realidade recente do Rio de Janeiro, em que traficantes foram expulsos lentamente dos seus postos de comando nos morros para dar lugar a policiais corruptos que eliminaram os atravessadores e preencheram a vaga de um estado ausente, o filme é ainda mais violento, embora menos impactante.

“O sistema” a que tanto se refere Nascimento, sub-secretário de segurança do Rio de Janeiro, separado e pai de um adolescente de 16 anos com quem tem sérias dificuldades de relacionamento, começa no chefe de milícia da comunidade, passa pela imprensa sensacionalista ou omissa e ancora na política partidária. O tripé se retroalimenta. A manutenção da impunidade e do jogo de interesses fisiologistas rende audiência para um, votos para outros e dinheiro sujo para todos.

Mas há inimigos demais para enfrentar. O protagonista vacila diante deles e descreve em tantos pormenores essa rede que chega a soar didático. Repetem-se – sob aplausos da plateia – tapas, esbregues, tortura, tiros e execuções, mas é no ponto de inflexão do personagem, quando ele se alinha ao discurso de defesa dos direitos humanos e constata que a máquina de guerra azeitada com tanto zelo por ele alimentou empreitadas políticas alheias à sua vontade, que reside a grande questão do filme.

É em Fraga (Irandhir Santos numa atuação consagradora), um ativista de discurso enfadonho, que Nascimento encontra suporte para golpear mortalmente “o sistema”. Não sem antes penar com as consequências do desleixo que dedica à vida pessoal, e com as escolhas equivocadas que por pouco não fazem dele mais um cooptado pela máquina de moer caráter da banda podre do estado.

Depois de acostumar o público com sua ideologia na ponta da pistola, cumprindo a missão recebida e pedindo, aos berros, a saída de qualquer frouxo da tropa, Nascimento se mostra agora melancólico, por vezes impotente e sentindo o peso das responsabilidades de pai e figura pública exposta a interesses que já não controla. De certa maneira, capitula diante do ideário que sempre condenou.

O que José Padilha faz ao construir a saga do personagem é cinema de primeira linha, inclusive realçando o abrandamento de postura, livrando-o de uma tediosa existência linear, que no caso do Capitão Nascimento era pontuada por solavancos. Tanto talento, vibrante na tela, quase se perde pela reflexão política indignada que embora sirva bem aos nossos tempos, se torna rasa como um sobrevoo publicitário sobre o Congresso Nacional, enquanto a voz do narrador acusa o topo da pirâmide do tal “sistema”.

Para quem vivia sob a égide do “faca na caveira, pancada na vagabundagem”, o protagonista abre o flanco para um mea culpa ao trocar a ação pelo discurso. A conclusão vai de cada espectador. Mas há um sentimento inescapável: é um baita anticlímax.

Assista ao trailer oficial do filme

Saiba mais

O prólogo de Tropa de Elite 2 é explosivo. Os primeiros 15 minutos de filme, quando são apresentados os principais personagens em meio a uma rebelião no presídio de Bangu I, liderada por Beirada (Seu Jorge), tiram o fôlego do espectador. A tensão é elevada com a presença de Fraga (Irandhir Santos), inicialmente um arquinimigo do Coronel Nascimento, que mais tarde se revelerá essencial para a sua luta contra a corrupção e o crime organizado. É nesse primeiro terço da filmagem que sabemos que Matias (André Ramiro) é que representa o BOPE na rua, já que Nascimento, por uma série de circunstâncias, alça voos cada vez maiores dentro da hierarquia da polícia. A partir daí, segue a montagem de um grande esquema de milícia, baseado em exemplos reais do Rio de Janeiro, entremeado de dilemas pessoais que marcam sobremaneira a vida e a postura profissional de Nascimento.

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Via Veja

outubro 11 2010

Em ”Tropa de Elite 2”, José Padilha aponta culpados na esfera do poder público

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Cinema UOL, 06/10/2010
Por Alessandro Giannini

Wagner Moura em cena de ''Tropa de Elite 2'', filme dirigido por José Padilha
Wagner Moura em cena de ”Tropa de Elite 2”, filme dirigido por José Padilha

Em “Tropa de Elite 2″, exibido nesta terça (5), no Theatro Municipal de Paulínia, interior de São Paulo, a história trágica de Roberto Nascimento se repete. Mas não como uma farsa, como aponta Marx – o filósofo. O personagem criado pelo diretor José Padilha e interpretado com maestria por Wagner Moura reaparece dez anos depois em uma esfera mais alta do poder público. Guindado a comandante do Bope e, logo em seguida, a subsecretário de Segurança Pública, ele se vê mergulhado no retrato mais amplo de uma máquina de corrupção perversa, um inferno dantesco do qual parece não haver saída. A estreia está marcada para esta sexta (8).

Padilha, que compareceu à primeira sessão do filme em companhia da equipe e de boa parte do elenco, teve a chance de fazer correções de curso, como elaborar o argumento e o roteiro do zero em torno de Nascimento e não de outro personagem. Isso lhe economizou noites de insonia em frente a ilha de edição tentando imaginar soluções para contornar problemas narrativos como aconteceu no primeiro filme. E tornou a segunda parte mais consistente e coesa, abrindo espaço para novos personagens, como o militante de direitos humanos Diogo Fraga, interpretado por Irandhir Santos.

Se no primeiro “Tropa de Elite” essa brecha narrativa abria espaço para interpretações dúbias sobre a visão crítica e desesperançada de Padilha, nesta segunda parte não há espaço para dúvidas ou ambiguidades. Está tudo ali, acompanhado de velhos – “Bandido bom é bandido morto” – e novos – “Porrada neles” – bordões. Prova disso está na reação do público que lotou o Theatro Municipal de Paulínia, formado por jornalistas, exibidores e uma parcela de convidados do município. Dois momentos de alívio cômico, no início do filme, seguidos de risadas espontâneas. E pelo menos três momentos de aplausos em cena aberta, quando Nascimento resolve agir movido por uma quase tragédia que o atinge pessoalmente.

A estratégia é clara. Padilha sai do micro para o macro, reposiciona velhos atores (Milhem Cortaz, André Ramiro) em papéis mais elaborados e incorpora novos atores (Seu Jorge) em papéis estratégicos para tornar o cenário mais verossímil e chocante. O que não muda é a visão de Padilha, que continua a mesma, apesar de toda cautela na abordagem da violência. Não muda também a maneira como o publico, por mais seleto e envolvido que possa ser o dessa primeira sessão, percebe essa visão, um tanto simplificada, de como se estabelece um estado de coisas em que os fins continuam justificando os meios.

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Via UOL

setembro 20 2010

Nova cena de Irandhir Santos em Tropa de Elite 2

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setembro 20 2010

Tropa de Elite 2 no Fantástico

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A seguir reportagem veiculada no Fantástico de ontem (19/09/2010). A matéria, mostra novas cenas do filme, dos bastidores e do ator Irandhir Santos. Confira.

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Via Fantástico

setembro 20 2010

Novas imagens de Irandhir Santos em Tropa de Elite 2

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A seguir duas novas fotos de still de “Tropa de Elite 2” com o personagem Diogo Fraga (Irandhir Santos) na cena da invasão de um presídio de segurança máxima mostrada no filme.

Irandhir Santos (Fraga) Tropa de Elite 2 (foto: Alexandre Lima)

Irandhir Santos (Fraga) Tropa de Elite 2 (foto: Alexandre Lima)

Irandhir Santos (Fraga) Tropa de Elite 2 (foto: Alexandre Lima)

Irandhir Santos (Fraga) Tropa de Elite 2 (foto: Alexandre Lima)

Agende aí: Tropa de Elite 2 – Estreia 8/10
Site oficial: www.tropa2.com.br

TROPA DE ELITE 2 – Drama, Brasil 2010 – 116 minutos. Wagner Moura retoma o personagem mais marcante de sua carreira, o capitão Nascimento, na sequência de Tropa de Elite, filme também dirigido por José Padilha, ganhador do Urso de Ouro no Festival de Berlim, 2008. Nascimento, mais velho, cresce na carreira: passa a ser comandante geral do BOPE, e depois Sub Secretário de Inteligência. Em suas novas funções, Nascimento faz o BOPE crescer e coloca o tráfico de drogas de joelhos, sem perceber que, ao fazê-lo, está ajudando seus verdadeiros inimigos: os policiais e os políticos corruptos, que submetem a segurança pública a interesses pessoais. Agora, os inimigos de Nascimento são bem mais perigosos.

agosto 17 2010

Tropa de Elite 2 – Trailer Oficial 2

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Este é o novo trailer oficial do filme Tropa de Elite 2, que estreia no dia 08/10 nos cinemas e conta com Irandhir Santos no elenco.

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Via Blog do Tropa de Elite 2

maio 18 2010

Em “Tropa de Elite 2″, Irandhir Santos diz que seu personagem pode ”peitar” até o Capitão Nascimento

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Cinema UOL, 15/05/2010
Por Alysson Oliveira

irandhir
O ator pernambuco Irandhir Santos posa para foto em São Paulo

Quando o diretor Sérgio Machado estava fazendo a seleção de elenco para seu filme “Quincas Berro D’Água”, diversas pessoas chegavam até ele com o mesmo comentário. “Você precisa conhecer esse tal de Irandhir Santos. Ele é um gênio”. Depois de tanta insistência, o cineasta já estava certo de que o ator estaria em seu filme. Mesmo assim, pediu para o “gênio” fazer um teste. E qual não foi a sua surpresa? Irandhir era mesmo um gênio.

Quando se lembra dessa história, que Machado contou na coletiva do filme em São Paulo, o ator ri e desconversa. “As pessoas só falavam bem por que paguei para elas fazerem propaganda de mim”, brinca. Alguém desavisado pode até acreditar, mas quem acompanha cinema brasileiro já deve ter percebido que Irandhir Santos é um dos nomes do momento, e não apenas porque só no mês de maio estreiam três filmes nos quais ele tem papeis importantes, “Viajo porque preciso, Volto porque te amo”, “Quincas Berro D’Água” e “Olhos Azuis”. Mas também porque no segundo semestre ele estará nas telas em um dos filmes mais aguardados do ano, “Tropa de Elite 2”.

No filme de José Padilha ele faz Diogo Fraga, um defensor dos direitos humanos que, segundo o ator, “diz não à política de segurança pública, uma política de repressão contra os pobres, os moradores dos morros”. Em outras palavras, ele bate de frente com o ex-capitão, agora coronel Nascimento (novamente interpretado por Wagner Moura)? “Ele peita qualquer personagem que seja a favor dessa truculência, desse domínio vigente. Qualquer um mesmo, até o Nascimento, se ele foi a favor dessa política”, disse Santos ao UOL Cinema.

O personagem foi um convite de Padilha, que também tinha ouvido só elogios sobre o ator vindos do diretor de fotografia Lula Carvalho e da respeitada preparadora de elenco Fátima Toledo, que havia trabalhado com Santos em “Besouro” (2009) e em “Quincas Berro D’Água”. Fraga, segundo o ator, foi inspirado no deputado estadual carioca Marcelo Freixo (PSOL). “Ele e a Fátima me ajudaram muito a construir esse personagem. Mesmo antes de começar a preparação, fiz pesquisas sobre o assunto e o nome dele sempre aparecia ligado à defesa dos direitos humanos no Rio. Quando fiquei sabendo que o Diogo era baseado nele, me emocionei”, admite. O político, inclusive, não apenas ajudou na preparação para o personagem, como também visitou o set diversas vezes e acabou fazendo uma ponta no filme, na plateia durante um debate.

Santos, que no longa contracena bastante com Wagner Moura, Maria Ribeiro e Pedro Van Held, disse que só percebeu a dimensão do filme quando as filmagens encerraram e ele voltou para sua casa, em Recife, e todo mundo começou a perguntar como seria “Tropa de Elite 2”. “Isso nunca tinha me acontecido antes. Todo mundo está curioso para saber como será. O que eu posso adiantar é que, com certeza, o filme vai levantar muita discussão, pois esse é o ponto forte do cinema do Padilha, trazer à tona questões importantes que precisam ser discutidas”.

Antes e depois da “Tropa”

Antes de “Tropa de Elite 2”, o ator poderá ser visto nas telas em trabalhos que a única coisa que têm em comum é a presença de Santos. São três filmes e personagens bastante diferentes. Em cartaz em diversas cidades do país está “Viajo porque preciso, Volto porque te amo”, de Marcelo Gomes e Karim Aïnouz. Nele, o ator é o protagonista – mas de uma forma bastante inusitada. Nunca o vemos em cena, apenas ouvimos a sua voz. “Foi um desafio: como mostrar o sentimento sem aparecer na tela? Como estar presente sem estar presente?”

Para encontrar uma forma de estar em cena sem nunca aparecer fisicamente, Santos explica que o trabalho dos dois diretores foi fundamental. “O instrumento de trabalho do ator é o corpo. Quando me vi sem a possibilidade de usar o meu corpo, tive de explorar a minha fala. Percebi que a voz pode ser tão importante quanto o corpo. Eles me ajudaram a encontrar a entonação certa em cada momento da vida do personagem”.

O convite para esse trabalho partiu de Gomes, que havia trabalhado com o ator em “Cinema, Aspirinas e Urubus” (2005). Primeiro Santos gravou toda a sua narração sem ver as imagens. Depois, usando essa gravação como parâmetro fez novas locuções, agora vendo o longa. “O resultado é mágico. Com o filme pronto a gente entende o que é a poesia no cinema”.

Já em “Quincas Berro D’Água” (previsto para estrear dia 21), o ator é um dos amigos do morto beberrão interpretado por Paulo José. Santos. Ao lado de Flávio Bauraqui, Luiz Miranda e Frank Menezes, forma um quarteto de amigos inseparáveis, companheiros de bebedeira do personagem-título. “Fizemos uma preparação de dois meses com a Fátima. Isso foi importante para nos aproximar e nos tornarmos amigos de verdade, não apenas na tela. Isso traz uma grande verdade para o filme”.

Se esse lado foi diversão na preparação para “Quincas Berro D’Água”, houve outro que foi um desafio. A pedido da preparadora, eles simplesmente deviam encarar Paulo José como um homem comum, deixar de lado tudo o que ele representa para a história do cinema brasileiro. “O Paulo era surpreendente em cena e nos trouxe uma energia muito legal, uma vitalidade. Mas não foi fácil deixar nosso lado tiete de fora. No fim, foi um grande aprendizado, há muito a se aprender com ele. Eu tenho o maior orgulho de ter feito esse filme com ele”.

Ainda em maio, previsto para o dia 28, chega aos cinemas “Olhos Azuis”, no qual Santos, dirigido por José Joffily (“Achados e Perdidos”) interpreta um brasileiro que mora nos EUA e tem dificuldades de voltar ao país depois de uma viagem ao Brasil. A maioria das cenas do ator são em inglês. Nelas, ele contracena com um trio de americanos, encabeçado por David Rasche (“Queime Depois de Ler”, “A conquista da honra”).

Santos conta que falava inglês, mas não tinha fluência. “Foi preciso um trabalho com um professor de Recife para que eu deixasse meu inglês no ponto como o personagem falaria. Não podia ser muito certinho, pois ele aprendeu na rua mesmo, na vivência do dia-a-dia”. Para ele, foi uma experiência bastante inusitada, mas surpreendente. “Durante as filmagens, eu estava bastante confiante e o diretor nos deu bastante espaço para improvisar”.

O próximo passo na carreira de Santos será fazer um segundo filme com Cláudio Assis (“Amarelo Manga”), que se chamará “A Febre do Rato”. Ele teve uma participação em “Baixio das Bestas”, que conseguiu depois de muitos testes – mas agora será o protagonista. “Eu não sei muito sobre o meu personagem. Mas sei que será um filme muito surpreendente na carreira do Cláudio. Agora é uma história de amor. Acho que todo mundo vai se espantar”.

Santos se orgulha de que o convite para atuar em “A Febre do Rato” tenha partido do próprio diretor. As filmagens devem começar no início do segundo semestre. Até lá, o ator de 31 anos não para. Ele confessa que nos últimos três anos esteve muito envolvido com cinema, e agora quer voltar às suas origens, o teatro. “Eu comecei fazendo teatro na escola. Foi aí que me descobri, não posso abandonar isso. Estou com diversos projetos que pretendo tocar com meus amigos”.

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Link da matéria no Cinema UOL