outubro 24 2010

O ator desconhecido do momento

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Irandhir Santos já participou de vários longas-metragens, que lhe renderam premiações em importantes festivais de cinema do país. Agora, ele encarna a voz da razão em Tropa de Elite 2

Irandhir Santos interpreta o exemplar deputado Diogo Fraga em Tropa de Elite 2

Irandhir Santos interpreta o exemplar deputado Diogo Fraga em Tropa de Elite 2

Gazeta do Povo, 17/10/2010
Por Annalice Del Vecchio

Em uma cena de Tropa de Elite 2, de José Padilha, o ativista de direitos humanos Diogo Fraga esbraveja diante das câmeras de tevê depois que sua tentativa de resolver pacificamente uma rebelião no presídio de Bangu 1 foi frustrada pela truculência do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), liderado pelo tenente-coronel Nascimento (Wagner Moura).

No discurso, esbravejado, o personagem diz ser inadmissível que policiais tenham o símbolo de uma caveira estampado no uniforme. A fala, contrária à política de segurança pública do Rio de Janeiro, brotou espontaneamente da boca do ator pernambucano Irandhir Santos assim que o diretor José Padilha gritou “Ação!”. Assim conta, admirada, a colega de set Maria Ribeiro, que interpreta Rosane, ex-mulher do comandante Nascimento, agora casada com Fraga.

O ator de 32 anos, de olhar doce e fala mansa ao ser entrevistado, conta que essa foi uma das improvisações que fez ao longo do filme a partir de um exemplo real – sempre bem-recebidas pela preparadora de elenco, Fátima Toledo. Seu personagem é inspirado na trajetória do deputado estadual carioca Marcelo Freixo (PSOL), que participou das negociações reais na penitenciária, em 2003.

“Ele esteve presente antes e depois das filmagens, nos levou a Bangu, onde pude ver como era tratado com o mesmo respeito pelos policiais e pelos presos. Mas não quis imitar seus trejeitos, seu modo de falar. Apenas me inspirei nele para dar vazão a um personagem no qual se permite entrever tantos outros exemplos de integridade”, lembra, citando a irmã Dorothy Stang, assassinada por fazendeiros no Pará, em 2005, por defender os direitos dos sem-terra, e a organização de direitos humanos Terra de Direitos, com atuação em Recife, onde vive.

A entrada para o time de Tropa de Elite promete ser um divisor de águas na carreira do ator, que já participou de mais de meia dúzia de filmes, alguns entre os melhores da safra atual. Só neste ano esteve em Olhos Azuis (José Joffily), Quincas Berro D’Água (Sérgio Machado) e Viajo Porque Preciso e Volto Porque Te Amo (Karim Aïnouz e Marcelo Gomes). Neste momento, já está em plena atividade no set de filmagens de A Febre do Rato, nova produção do conterrâneo Cláudio Assis, que já o havia escalado anteriormente para ser o feroz Maninho, em Baixio das Bestas. Mas foi como Quaderna, o contador de histórias de A Pedra do Reino, de Ariano Suassuna, transposto para as telas como microssérie da Rede Globo, que ganhou popularidade.

Pernambucano do mundo

Assim como o poético personagem José Renato, ao qual dá alma e voz em Viajo Porque Preciso e Volto Porque Te Amo, o destino de Irandhir é o retorno para casa ao fim de cada jornada. É assim que este ator obsessivo – que passou quatro meses inteiros no Rio de Janeiro, incluindo os fins de semana, em absoluta imersão no personagem de Diogo Fraga – se desconecta de um projeto para só então entrar em outro.

Cada cena que gravava, no entanto, remetia Irandhir aos problemas enfrentados pela sua própria cidade. “O filme incentiva uma discussão acerca do nosso país. Por várias vezes, durante as filmagens pensava que poderia estar falando da minha cidade, pois o filme aborda questões que vão além das fronteiras ca­­riocas”, diz.

No início de Tropa de Elite 2, Diogo Fraga surge como uma espécie de inimigo de Roberto Nascimento, o protagonista problemático interpretado por Wagner Moura, que destila ironia ao chamá-lo de “maconheirozinho” e “intelectualzinho de es­­querda”. “O Fraga tem uma trajetória positiva, ascendente, que aglutina as pessoas. O Freixo é ameaçado de morte por ter peitado as milícias em uma CPI que re­­sultou em mais de 200 indiciados, mas não é um herói, segue um passo-a-passo, não age de forma obscura”, diz Irandhir.

O público tende a se identificar com o protagonista, que narra o filme e, portanto, expõe seus pontos de vista sem cerceamentos. “É difícil lutar contra a voz que conta a história. O Fraga é para o público o que o capitão Nascimento pensa dele”, diz o ator pernambucano. Mas logo pú­­blico e personagem começam a perceber que a raiva do policial ultrapassa as questões ideológicas. O policial se ressente porque Fraga – ironia do destino – é casado com sua ex-mulher, Rosane (Maria Ribeiro), e se relaciona melhor com seu filho do que ele próprio.

Quando a “ficha cai”, e Nascimento se dá conta da corrupção da polícia e de sua própria maneira de agir com o filho, muito impositiva, sua trajetória tortuosa se afunila à do correto Fraga. “O grande inimigo do Nascimento neste filme é ele mesmo”, diz Irandhir.

Filmografia

Em pouco mais de três anos, Irandhir Santos já participou de diversas produções.

- Ganhou projeção nacional como Quaderna, na minissérie A Pedra do Reino, dirigida por Luiz Fernando Carvalho e exibida pela Rede Globo.

- No cinema a projeção veio com Maninho, em Baixio das Bestas (2006), de Cláudio Assis.

- Em Olhos Azuis, de José Joffily, ele é Nonato, um brasileiro radicado nos Estados Unidos que enfrenta o preconceito na alfândega norte-americana.

- Em A Morte de Quincas Berro D’Água (2009), de Sérgio Machado, faz parte do quarteto comandado pelo rei dos vagabundos e cachaceiros da Bahia.

- Também participou de A Hora e a Vez de Augusto Matraga (2009), de Vinicius Gentil Coimbra, e de Cinema, Aspirinas e Urubus (2005), de Marcelo Gomes.

- Fará parte de dois fimes ainda em produção: O Som ao Redor, de Kléber Mendonça Filho, e A Febre do Rato, de Cláudio Assis.

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Via Gazeta do Povo

outubro 24 2010

Em “Tropa 2″, Nascimento continua osso duro de roer

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Cinema UOL, 07/10/2010
Por Reuters

Levado ao cargo de susecretário de Segurança Pública do Rio, Nascimento enfrenta inimigos nas altas esferas

Levado ao cargo de susecretário de Segurança Pública do Rio, Nascimento enfrenta inimigos nas altas esferas

Você pode tirar o capitão Nascimento do Bope (Batalhão de Operações Especiais), mas não pode tirar o Bope do Capitão Nascimento. Essa é a premissa de “Tropa de Elite 2″, que chega aos cinemas de todo o país nesta sexta-feira.

Trata-se do maior lançamento para um filme brasileiro até agora e promete, como o primeiro filme de 2007, ser uma das maiores bilheterias nacionais do ano, além de causar muita polêmica e até algum debate.

A controvérsia do segundo filme segue de carona naquela causada pelo primeiro que, em 2008, levou o Urso de Ouro em Berlim. Há questionamentos sobre o papel do governo, da miséria e do tráfico na violência no Rio de Janeiro e no Brasil. Não por acaso, numa das cenas em que os personagens vão ao cinema, todos os filmes em cartaz são do diretor Costa-Gavras, presidente do júri de Berlim que consagrou o primeiro “Tropa de Elite”.

O filme abre com um letreiro alertando o espectador que, “apesar das possíveis coincidências com a realidade, esta é uma obra de ficção”. Um toque de cinismo que parece dissolver-se ao longo das duas horas de boa e velha ultraviolência — que, em momentos catárticos, com jorros de sangue e profusão de cadáveres, parece materializar um desejo latente de parte da platéia.

Nascimento (Wagner Moura, que acaba de ser premiado no Festival do Rio como melhor ator em “VIPs”) já não usa mais a farda preta do Bope. Sua roupa de trabalho em “Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora É Outro” passa a ser o terno e a gravata, quando é promovido ao posto de sub-secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, numa manobra do governo populista.

Como no filme original, uma narração em off reitera e explica tudo aquilo que é visto, num didatismo maçante, como se o diretor José Padilha não acreditasse apenas nas imagens e precisasse verbalizar a ação para que tudo fique bem claro. Especialmente nas primeiras cenas, quando introduz o ativista Diogo Fraga (Irandhir Santos, de “Quincas Berro D’água”), apresentado como um intelectual de esquerda, adorado pelos consumidores de maconha.

A grande ironia é que a ex-mulher de Nascimento, vivida por Maria Ribeiro, é casada com Fraga — uma pessoa diametralmente oposta a Nascimento, que foi promovido a coronel. Mathias (André Ramiro), preparado por Nascimento para substituí-lo, traz a ideologia do Bope nas veias. Ele ignora a hierarquia, o que acaba causando um massacre em Bangu, dando início à trama do filme.

As trajetórias de Nascimento e Fraga caminham para um encontro. Poderia ser a humanização do primeiro e o endurecimento do segundo. No entanto, o ativista, que logo é eleito deputado, sempre é tratado como um fraco diante das atitudes extremadas do coronel que, às vezes, lembra Rambo.

Nascimento tenta não se curvar ao jogo político do governador e dos deputados que o usam como marionete. Mas seus métodos, eficientes apesar de questionáveis, lhe dão notoriedade e legitimidade.

“Se o eleitor estava dizendo que eu era herói, não ia ser o governador que ia dizer o contrário”, diz. Entram em cena, também, milícias criadas e sustentadas por policiais corruptos, que operam um esquema de segurança informal, tomando o lugar dos traficantes à custa de muito medo.

Tudo isso é usado numa eleição, envolvendo governador e deputados. Parece sintomático, embora o diretor alegue que seja apenas uma coincidência a chegada do filme aos cinemas depois da reeleição de alguns governadores e às vésperas do segundo turno.

No roteiro, assinado por Padilha e Bráulio Mantovani, surgem frases de efeito – como “faca na caveira e porrada na vagabundagem” ou “terrorista não é gente” — que saem da boca de um apresentador de TV espalhafatoso, enquanto Nascimento medita sobre os bastidores do poder e a corrupção.

Uma nota de desesperança permeia todo o filme e se concretiza no final, quando parece não haver solução para o país.

“No Brasil, eleição é negócio e o voto é a mercadoria mais valiosa da favela”, diz o ex-capitão do Bope. Nascimento descobre isso a duras penas, ao perceber que algumas instituições em que acreditava são passíveis de corrupção. A ele não resta muita opção se quiser mudar o país. Qual o próximo passo do coronel Nascimento? Tentar a Presidência?

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

*As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

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Via Cinema UOL

outubro 24 2010

Politicamente engajado, “Tropa de Elite 2″ mostra amadurecimento

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MSN Entretenimento, 06/10/2010
Por Karen Lemos

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PAULÍNIA – Capitão Nascimento, ou melhor, Coronel Nascimento, está mais velho. “E mais consciente também”, como definiu seu intérprete Wagner Moura ao Famosidades, presente na pré-estreia badalada de “Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora é Outro” em Paulínia, interior de São Paulo, na noite de terça-feira (5). A fórmula, no entanto, não envelheceu.

Apostando nos elementos e recursos que fizeram o sucesso do primeiro filme – como cenas de ação coordenadas por uma equipe importada do cinema hollywoodiano, “Tropa 2″, que chega aos cinemas na próxima sexta-feira (8), também se apresenta mais maduro, reformulado, mais ácido e critico por tocar fundo na ferida superficialmente explorada no filme antecessor. Os inimigos do Coronel Nascimento são outros, e a forma como isso aparece na tela é pouco agradável.

A sequência quer buscar a origem da violência e dos problemas urbanos que, ao contrário do primeiro “Tropa”, ficou concentrada na briga entre bandido e ladrão, tendo como plano de fundo as favelas do Rio de Janeiro. Passaram-se 15 anos desde que o personagem Nascimento deixou de subir os morros para combater o tráfico de drogas. A batalha agora envolve política nacional.

Após uma operação fracassada no presídio carioca de Bangu 1, Nascimento é promovido a secretário de segurança pública. Ele agora supervisiona a seção de grampeamentos da secretaria, e é lá que torna-se testemunha de um sistema falho. “Tropa 2″ inverte os papéis estabelecidos do primeiro longa: no lugar dos bandidos, a polícia; e no lugar da lei, a corrupção.

José Padilha, diretor dos dois filmes, diz acreditar que o cinema político pode interferir na realidade e, assim sendo, não teme apontar erros nas dirigências do país – que estão totalmente corrompidas – como deixa claro em sua continuação. Confiando na popularidade do Coronel Nascimento e nas sequências de operações policiais de tirar o fôlego (algumas cenas contaram até com o uso de helicópteros), Padilha sentiu-se à vontade para alfinetar. “O Brasil tem um problema muito sério que é de segurança pública. Não é um assunto irrelevante, pelo contrário, é de extrema importância tocar nisso”, afirmou.

Nesses aspectos, “Tropa 2″ não decepciona. Ação, sangue e violência à vontade, como manda a fórmula bem-sucedida que se estabeleceu em 2007, quando “Tropa de Elite” chegou aos cinemas (antes, claro, nas barraquinhas de camelô). Com menos bordões que o primeiro, e com pitadas de humor-negro que nem sempre funcionam, a sequência dá um pulo e evolui na hora de apontar problemas mais sérios como, por exemplo, a presença e o poder das milícias nas favelas do Rio, sustentado pelo próprio governo da cidade.

Irandhir Santos, Pedro Van-Held e o cineasta José Padilha na pré-estreia disputada em Paulínia

Irandhir Santos, Pedro Van-Held e o cineasta José Padilha na pré-estreia disputada em Paulínia

Atrás de uma mesa, Nascimento luta contra forças que as armas do BOPE não derrubam. Além disso, vive conflitos internos com seu filho Rafael (Pedro Van-Held), que se distancia do pai quando descobre as verdades de sua profissão; com o crescimento do aspirante André Mathias (foco central do primeiro filme), e um embate de ego com seu antagonista, vivido pelo ator Irandhir Santos no papel de um irrefutável defensor dos direitos humanos.

“Fizemos uma reciclagem de tudo que aprendemos no primeiro filme, mas a grande sacada da sequência é descobrir que o grande inimigo é, na verdade, o próprio ser humano”, pontuou ao Famosidades André Ramiro, intérprete de Mathias que, em “Tropa 2″, assume o posto antes ocupado por Nascimento.

Por mais que se renovem os comandos e mortes se desenrolem nos morros, o sistema embasado no crime e na corrupção sempre irá se readaptar. Neste ponto, “Tropa 2″ traça um panorama desesperançoso, quase desapegado quanto a uma solução para a problemática da violência urbana. A visão critica de Padilha é ácida, e chega até ao topo da pirâmide do Brasil, com imagens aéreas do Planalto Central, em Brasília, em um momento chave do filme.

Em um país onde “eleição é negócio, e o voto é a mercadoria mais preciosa”, como proclama um dos personagems do longa, não é de se espantar que campanhas eleitorais sejam financiadas pelos crimes das milícias, que têm como proposta “proteger” as comunidades do morro. A impunidade chega ao absurdo quando retrata a morte de uma jornalista que descobre as falcatruas que envolvem polícia e governo.

Com tantos assuntos delicados e perigosos para serem tratados, Padilha acredita na renovação que a sequência traz, e aposta em seu sucesso, mas sem cantar vitória antecipadamente. “Como em qualquer filme, é possível errar. Cinema é complicado porque, para funcionar, tudo tem que estar perfeito. E dirigir uma sequência está inserido nessa regra.”

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Enquanto Coronel Nascimento segue com sua batalha profissional, e também lutando contra demônios internos, na vida real o inimigo é o mesmo. “Tropa de Elite”, de 2007, foi assistido por, aproximadamente, 11 milhões de espectadores de forma ilegal (ou seja, por cópias piratas), segundo dados do Ibope do mesmo ano. Para a sequência, Padilha e sua trupe estão prontos para surpresas do tipo.

“Tropa 2″ foi cadastrado na Agência Nacional do Cinema com outro título, nomes de personagens trocados e elenco falso. O roteiro foi impresso em papel vermelho, impedindo cópias por xerox. Sem se apegar aos detalhes, já dava para ter noção dos preparativos que a produção do filme tomou contra pirataria na própria pré-estreia. Portas com detectores de metal e guarda volumes para celulares, câmeras e gravadores chamaram atenção na entrada do Teatro Municipal de Paulínia, que sediou o evento.

Mesmo com tanta cautela, todo cuidado é pouco. Padilha se previniu que nenhuma cópia vazasse de modo indesejado. “Para o cara piratear tem que roubar sete rolos de filmes, levar para um telecine que custa R$ 2 milhões. Não vai rolar!”, anunciou o cineasta, com ar bem-humorado, seguro de estar guardando um segredo precioso e lucrativo.

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Via MSN Entretenimento

outubro 11 2010

Diretor de ‘Tropa 2′ compara Capitão Nascimento a 007 e Dom Corleone

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José Padilha adianta que longa tem as melhores cenas de ação que já filmou. Continuação da saga sobre policial do Bope tem première nesta terça (5).

G1 Pop & Arte, 05/10/2010
Por Dolores Orosco

Os inimigos do Capitão Nascimento agora usam black tie. Também passa a vestir terno e gravata o próprio policial interpretado pelo ator Wagner Moura em “Tropa de elite” (2007), cuja sequência tem première nesta terça-feira (5), em Paulínia, no interior paulista, e entra em cartaz em 600 salas do país na próxima sexta (8).

Sem especificar o cargo burocrático que o promovido “Coronel Nascimento” ocupará na área da segurança pública – “Tropa de elite 2” dá um salto de 15 anos em relação a trama original, o diretor José Padilha garante que o personagem continua o mesmo dos tempos de comandante do Bope: truculento, cruelmente debochado e dono de métodos questionáveis no combate ao crime.

“O Nascimento é o mesmo cara, não deturpamos sua lógica”, explica Padilha. “Agora ele está mais maduro, é pai de um adolescente e sua forma de trabalho mudou. O Nascimento não está dentro de uma equipe da polícia, mas no processo decisório, que é contaminado por outros interesses. Ele descobre ali que nem sempre as decisões são técnicas, muitas vezes são políticas”.

Mas o fato de Nascimento deixar de invadir morros e circular por gabinetes não fez com que “Tropa de elite 2” tivesse menos cenas de ação – o que seria uma decepção para os fãs do primeiro filme, recheado de sequências sanguinárias quando o protagonista sai para o confronto direto com a bandidagem.

“O 007 não usa a farda do exército inglês, mas dá tiro pra caramba”, compara o diretor, que repetiu em “Tropa 2” a parceria com a equipe do longa “Falcão negro em perigo” (2001) na concepção de planos que envolvem helicópteros, explosões e operações espetaculares de tomada de favelas e presídios.

“A galera veio amarradona de Los Angeles fazer a continuação do ‘Tropa’. Filmamos muitas cenas de ação, há duas de megainvasões. A sequência de Bangu 1 talvez seja a melhor que já filmei na minha vida”, orgulha-se o cineasta.

Exclusivo: assista a seguir bastidores das filmagens de ‘Tropa de elite 2′.

Dom Corleone
Além do agente 007, o diretor também cita o mafioso Dom Corleone ao teorizar sobre o sucesso de Nascimento. Padilha não concorda com a ideia de que parte do seu público considere o policial do Bope como o mocinho da saga.

“É importante distinguir a diferença entre herói e ícone pop. E o Nascimento não é um herói”, pondera. “Por exemplo: o Dom Corleone. É um personagem carismático, de apelo popular, embora seja um mafioso assassino. Em outras culturas há milhões de ícones pop violentos e com a moral torta. É um fenômeno esporádico que acontece no cinema.”

Wagner Moura e Milhem Cortaz, agora como Coronel Nascimento e Capitão Fábio, em cena de 'Tropa de elite 2' (Foto: Divulgação)

Wagner Moura e Milhem Cortaz, agora como Coronel Nascimento e Capitão Fábio, em cena de 'Tropa de elite 2' (Foto: Divulgação)

Mesmo tipo de apelo tem o Capitão Fábio (Milhem Cortaz), o policial corrupto e boa praça apresentado no primeiro “Tropa” e que também está de volta com a promessa de renovar bordões como “pede pra sair”, “missão dada é missão cumprida” ou “faca na caveira”.

“O Milhem e o Wagner são mestres nessa coisa de lançar bordão. Eu não amarrei essas expressões no roteiro, foram eles que as incluíram depois do laboratório com o Bope”, revela Padilha. “’Tropa 2′ certamente terá novos bordões. Eu já tenho meus favoritos, mas prefiro não falar para deixar o público eleger os seus”.

Direitos humanos e milícias
Além de jargões policiais inéditos, outra novidade de “Tropa de elite 2” é a figura do representante dos direitos humanos que questiona a tortura praticada pela polícia. Segundo Padilha, Fraga – papel do ator Irandhir Santos - foi inspirado na trajetória do deputado estadual do Rio de Janeiro Marcelo Freixo (PSOL), ativista que participou das negociações entre o Bope e os presos de Bangu na megarrebelião de 2003.

“É o único personagem do filme baseado em alguém real. Todos os outros são ficcionais”, garante o diretor, descartando que o traficante Fernandinho Beira-Mar tenha inspirado o bandidão Beirada (Seu Jorge), outra nova figura a infernizar Nascimento.

Irandhir Santos, que vive o ativista dos direitos humanos Fraga em 'Tropa de elite 2. (Foto: Divulgação)

Irandhir Santos, que vive o ativista dos direitos humanos Fraga em 'Tropa de elite 2. (Foto: Divulgação)

Mas o que Padilha espera ser a grande discussão de “Tropa 2” são as milícias, que no filme são representadas pelos personagens Fortunato (André Mattos) e Russo (Sandro Rocha). Para o cineasta, a forma como o poder paralelo nas favelas foi apresentado pela ficção até hoje “não existe”.

Padilha cita como exemplo o Juvenal Antena, personagem de Antonio Fagundes na novela “Duas caras” (2007), do autor Aguinaldo Silva. “Aquela figura do paizão, que cuida da comunidade, é irreal. O ‘Tropa’ não compra essa ideia inocente”, explica. “As milícias são o crime organizado, até conseguem eleger candidato. O tráfico, não”, analisa.

‘PT e PSDB amarelaram’, diz diretor
Padilha acredita que conclui suas teorias sobre violência urbana com o novo filme, no que seria uma espécie de trilogia com “Ônibus 174″ (2002) e “Tropa de elite”. “Mas se eu perceber que tenho mais algo a dizer, faço outro filme”, brinca.

Com as pesquisas sobre o tema, revela que chegou a certas conclusões que o fizeram, por exemplo, votar nulo nas eleições para presidente. “Os políticos têm medo da segurança pública. Não vi nesse debate eleitoral um programa realmente focado a resolver o problema”, opina. “O PSDB amarelou. Durante todo o governo do Fernando Henrique milhares de pessoas morreram, e não foi só no Rio de Janeiro. O PT amarelou, também não fez nada”.

O diretor vê nas Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) – onde aconteceram boa parte das filmagens de “Tropa 2″ -, um “comecinho de solução”. Mas faz suas ressalvas. “Não basta exportar a violência. É preciso saber para onde os criminosos que estão sendo expulsos dessas comunidades estão migrando”.

“Outra coisa: a velocidade de crescimento da UPP não é facilmente conciliável com o tamanho da polícia. São 1.700 favelas e 40 mil policiais na ativa”, aponta. “Sei lá, talvez 20 mil deles fiquem no administrativo, servindo cafezinho… Sabia que há policiais fabricando xampu de jaborandi para vender nos batalhões? Certamente deve ter alguma corrupção nessa história…”.

A descriminalização das drogas também não é a solução, segundo as reflexões de Padilha. “Não vejo motivos para que a maconha seja proibida. Mas sou contra a legalização do crack, da heroína e da cocaína”, defende. “A maconha tem efeitos menos nocivos que o álcool. Você já ouviu falar de alguém que morreu por overdose de baseado? Seria bastante interessante que se liberasse a maconha, porque uma parte significativa do tráfico vem dela”.

Educação, pirataria e mensalão
Desde o fim das filmagens de “Tropa 2″, em março deste ano, Padilha já trabalha em quatro projetos paralelos. “Tenho dois roteiros sobre educação e pirataria. Serão dois filmes de ficção, mas são projetos que estão bem no começo”.

Mais adiantados estãos os roteiros de “Nunca antes na história desse país” – que vai abordar o escândalo do mensalão no governo Lula – e a adaptação do romance “Marching powder: a true story of friendship, cocaine and South America’s strangest jail”, que traz as memórias do traficante Thomas McFadden, co-escritas por Rusty Young.

“É uma adptação que quero dirigir para uma produtora americana”, o diretor não confirma, mas a produtora seria a Plan B, do astro Brad Pitt.

As propostas de adaptar “Tropa de elite” para o cinema estrangeiro continuam. A mais tentadora dessas sondagens foi feita pela diretora Kathryn Bigelow, ganhadora do Oscar em 2010 por “Guerra ao terror”. Segundo Padilha, a proposta foi feita por intermédio do produtor Michael Shaefer, da Summit.

“Fico relutante com essas adaptações internacionais, porque lá eles não têm as favelas daqui e essa nossa polícia maluca. Na época eu nem sabia quem era a Kathryn Bigelow, ela não tinha ganhado o Oscar ainda”, relembra Padilha. “Se eu soubesse teria conversado com ela, teria sido muito legal… Pô, acho ‘Guerra ao terror’ um filmaço!”

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Via G1

outubro 03 2010

Confira um vídeo de Tropa de Elite 2

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Pipoca Blog, 20/09/2010
Por Vitor

Foi lançado um clipe de Tropa de Elite 2.

No trecho, o personagem do ator Irandhir Santos critica o Bope e a segurança pública no Rio de Janeiro.

No novo filme, o Capitão Nascimento passa a enfrentar as milícias. Ao bater de frente com o sistema que domina o Rio de Janeiro, ele descobre que o problema é muito maior do que imaginava. E não é só. Ele precisa equilibrar o desafio de pacificar uma cidade ocupada pelo crime com as constantes preocupações com o filho adolescente. Quando o universo pessoal e o profissional de Nascimento se encontram, o resultado é explosivo.

O filme estreia em 08 de outubro e terá censura 16 anos.

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Via Pipoca Blog

junho 30 2010

Confira o trailer de Tropa de Elite 2. O pernambucano Irandhir Santos está no elenco

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Blog de Jamildo, 29/06/2010
Por Daniel Guedes

Trailer de “Tropa de Elite 2″ (Brasil, 2010), com Wagner Moura, André Ramiro, Milhem Cortaz, Seu Jorge, Maria Ribeiro. 2010. Nascimento (Moura) enfrenta um novo inimigo: as milícias. Ao bater de frente com o sistema que domina o Rio de Janeiro, ele descobre que o problema é muito maior do que imaginava. E não é só. Ele precisa equilibrar o desafio de pacificar uma cidade ocupada pelo crime com as constantes preocupações com o filho adolescente. Quando o universo pessoal e o profissional de Nascimento se encontram, o resultado é explosivo.. O roteiro é Bráulio Mantovani. Argumento de José Padilha, Rodrigo Pimentel e Bráulio Mantovani. Direção de José Padilha. Estreia prevista para 8 de outubro.

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Link para a matéria no Blog de Jamildo