outubro 26 2010

Famosos prestigiam prêmio cultural em São Paulo

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Terra, 26/10/2010

Irandhir Santos

O ator de ‘Tropa de Elite’, Irandhir Santos, confere a sexta edição do Prêmio Bravo.

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Via Terra

agosto 29 2010

Irandhir Santos leva o prêmio de melhor ator no Festival de Cinema Brasileiro de Paris

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Folha Online – Ilustrada, 11/05/2010
da Reportagem Local

Festival de Cinema Brasileiro de Paris anuncia vencedores

O Festival de Cinema Brasileiro de Paris, que está em sua 12ª edição, anunciou nesta terça-feira (11) os seus vencedores.

“Viajo Porque Preciso, Volto Porque te Amo”, de Marcelo Gomes e Karim Ainouz, foi escolhido como o melhor filme.

O prêmio de melhor atriz ficou com Nanda Costa, por “Sonhos Roubados”, de Sandra Werneck.


Trailer do filme “Viajo Porque Preciso, Volto Porque te Amo” com a narração premiada de Irandhir Santos.

Já o prêmio de melhor ator foi dividido pelos atores David Rasche e Irandhir Santos. Rasche venceu por “Olhos Azuis”, de José Joffily. Santos foi lembrado pelo mesmo filme e pela narração de “Viajo Porque Preciso, Volto Porque te Amo”.

O júri era composto pelos cineastas François Favrat e Agnes Jaoui e pelas atrizes Marie Espinosa e Helena Noguerra.

O júri popular escolheu o filme “Elvis & Madona”, de Marcelo Laffitte, como o melhor filme do festival.

O Festival segue até 18 de maio, com a exibição dos filmes que estão fora de competição.

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Fonte: Folha Online – Ilustrada

junho 11 2010

Viagem, amor e miséria

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Estadão, 11/06/2010
Por Milton Hatoum

Viajo Porque Preciso, Volto Porque te Amo (direção de Karim Aïnouz e Marcelo Gomes) foi filmado no interior de cinco Estados do Nordeste. A ideia inicial dos dois diretores era fazer um documentário sobre as feiras do sertão. Entre a primeira e a última filmagem houve uma interrupção de nove anos, e a montagem final é, de fato, uma ficção sobre a viagem e o amor, sem perder uma dimensão crítica sobre a sociedade brasileira. O filme transcende o registro de mero documento, transmite emoção ao espectador e convida-o a refletir sobre a região e as pessoas que nela vivem e trabalham.

Nessa versão final, os diretores introduziram a voz de um geólogo (José Renato) que faz uma pesquisa de campo para a construção de um canal. Ele é o personagem central do filme, mas não vemos qualquer traço físico dele, apenas ouvimos sua voz, uma voz em vários registros de entonação, como se fosse um diário falado, em cujo centro situa-se Galega, ex-mulher de José Renato. Esse é um dos achados do filme: um personagem ausente, que o espectador imagina. Mas ele está presente através de sua voz e também de seu olhar. É como se ele estivesse atrás da câmera, atento ao que vê e observa. A voz não é menos importante que a imagem, pois ambas se complementam, alternando a subjetividade do narrador com a vida de cada lugar visitado.

Um outro achado foi relacionar o estudo do solo com a desilusão amorosa. Uma prospecção no interior da terra árida, cujo contraponto é uma sondagem da alma humana. Dessa confluência insólita resulta uma narrativa tensa, de grande beleza, em que se mesclam a necessidade de uma viagem profissional e o impasse de uma relação amorosa. Mas há ainda a solidão e o desencanto que marcam a vida de nordestinos pobres, e de prostitutas também desvalidas, mulheres que, a meu ver, mantêm algum parentesco com Iracema, a protagonista do grande filme de Jorge Bodanzky.

Apesar dos deslocamentos do narrador, Viajo Porque Preciso… é um filme sem muita ação, ou sem muitas peripécias. Durante sua viagem, o narrador alterna o trabalho enfadonho e contrariado de geólogo com as reminiscências, confissões e desabafos de uma história passional fracassada. A desilusão do narrador e os anseios de uma das prostitutas convergem para um impasse, que é individual e, até certo ponto, coletivo.

Como acontece com os bons romances, que se revelam com mais intensidade ao serem relidos, esse filme convida o espectador a assisti-lo duas vezes. Na segunda, você une os pontos aparentemente soltos das imagens e do relato do geólogo, e percebe que na sequência surpreendente das cenas finais há uma saída para o enfado e o desencanto do narrador. Ainda assim, prevalece uma sensação de impasse para as pessoas que falam de sua vida, algumas também viajantes ocasionais, romeiros extasiados pela fé, mulheres que sonham com uma vida melhor, ou pobres artistas circenses, todos eles “brasileiros que nem eu”, como disse Mário de Andrade num poema sobre os seringueiros da Amazônia.

Irandhir Santos, o único ator profissional, é invisível, mas sua voz em off – o fluxo oral do que ele vê, sente e reflete – é suficiente para que o espectador participe de sua viagem e compartilhe seu drama, seus anseios e frustrações. E nisso ele se assemelha a uma complexa personagem de ficção.

Numa ótima entrevista ao crítico e escritor Jean-Claude Bernardet (http://jcbernardet.blog.uol.com.br), Marcelo Gomes ressalta que “o som dá dinamismo à viagem, ele muda de um momento para outro… E essa dinâmica internaliza mais essa viagem”. Karim Aïnouz assinala que o cinema tem um potencial literário: “O poder de fazer a gente imaginar… e as palavras vêm de alguma maneira iluminar uma imagem.”

De fato, essa voz se remete a uma outra viagem, a uma busca interior que é uma tentativa de compreender a si mesmo. Esse diário falado é também matriz de uma história que dialoga com o mundo do sertão e com o espectador. Nem sempre há uma sincronia entre a voz e as imagens. Às vezes a câmera, em silêncio, foca uma paisagem, o ambiente paupérrimo de uma casa, um rito religioso, de modo que o espectador concentra sua atenção nessas imagens, que também contam uma história. Em alguns momentos os sertanejos falam de seus sonhos numa região do Brasil em que a modernidade e a euforia do consumo ainda são quimeras. Ou sonhos irrealizados. À viagem contrariada, vazia de vontade – viajo porque preciso -, contrapõe-se ironicamente o desejo da volta para um lugar onde o amor é dúvida ou ilusão.

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Via Estadão